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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Aug 31, 2010

...[testemunho de recuperação] "o percurso é longo, duro e cansativo mas compensa!"

Transcrevo um testemunho com permissão da autora a quem agradeço a partilha.  Recomendo vivamente a leitura. Termina assim: "...ANOREXIA E A BULIMIA MATAM!
Muita força o percurso é longo, duro e cansativo mas compensa! "

"O meu nome e I, quando soube do livro publicado pela mãe Ana Granja quis comunicar lhe o meu testemunho por solidariedade, esperança e total compreensao.

Abreviando a minha história, eu era atleta federada e praticava ballet, sempre fui baixinha ao qual me orgulho pois chego a todo o lado e posso usar sempre saltos altos, mas a puberdade não perdoa, engordei bastante, e aos 14 anos o que seria uma dieta normal tornou se a minha destruição. Sofri de todos os males que já conhecem, anorexia, bulimia suas consequências, e os meus pais no desespero de me travarem levaram me aos melhores médicos deste país mas sem efeito, pois conseguia dissuadir tudo e todos e manipular mais uns quantos. Perdi 25 kg em 2 meses, não tinha a menstruçao, estava fraca, tomava medicação às escondidas e vomitava a toda a hora.

Partiram se muitos pratos naquela casa fugi do hospital, tive 3 psicólogas, 2 endocrinologistas, 3 nutricionistas, e médicos de clinica geral conto pelos dedos dos pés, isto para dizer que fui uma paciente dificil. e tinha fases e sabia, que ia morrer.

Até que um dia no limiar das minhas forças, tive ums sonho muito estranho com alguém que me e muito querido, o meu avô. Vi a minha vida toda a correr como um filme, disse me que não era altura de partir e que iria seguir a profissao da familia.

No dia a seguir inverti todo o processo e comecei a comer enormidades de comida, e também com ela vomitava imenso pelo sentimento de culpa. Mas o que é certo e que junto a isso e a um amigo que me visitava todas as noites para falar de coisas banais, foi agarrando-me à vida e tentando perceber o porque da mutilaçao constante. Eis que no primeiro ano de faculdade me surge a resposta, o problema não sou EU, nem a quantidade de comida que como ou deixo de comer, o problema é o CONROLE que queria fazer de tudo e comecei pelo meu corpo.

Em relaçao aos meus amigos, não perceberam durante algum tempo, só quando comecei a faltar as aulas e o que me disseram foi " nao acredito que uma pessoa como tu, tao forte estejas com essa coisa!" e fez clique. Aos que contei mais tarde toda a minha história respeitam me imenso NÃO temam represalias!

A relação com os meus pais foi muito complicada, acusei a minha mãe de muita coisa pois ca em casa tudo tinha a mania das dietas... a minha mãe ajudou me no processo de emagrecimento em casa, quando nao sabia que eu estava doente.hoje somos muito unidos e saudáveis!

A minha irmã mais nova e a minha melhor a amiga, e um grande motivo para não por termo ao meu sofrimento em épocas de crise.

Hoje tenho 20 anos, o meu avô tinha razao e estou a formar me para ser farmacêutica.

Como de tudo, um pouco, esse é o segredo.Mas tenho sequelas, uma gastrite crónica que nao me larga e algumas outras dores de cabeça. Continuo a ter manias! Os pais que nao se preocupem, antes manias que manhas. E agradeço a Deus por não ter morrido naquele dia, ainda quero ver o sporting ser campeão outra vez!

Deixo um último conselho para os pais e amigos que podera parecer estranho, se os vossos filhos/as, amigos/as estiverem quiserem vomitar, quiserem esconder comida, deixem. Adquiram a sua confiança, mostrem que os amam incondicionalmente que até os deixam fazer asneiras. porque o amor e a maior arma do mundo e essa foi a maior luta que travei a teimosia e a rendiçao.

Para os meus colegas de CF que ainda nao aprenderam a ANOREXIA E A BULIMIA MATA!

Muita força o percurso e longo, duro e cansativo mas compensa! "

foto flickr cc (aqui)

Aug 29, 2010

..."Tenho que perder peso para que alguém ...

...se sinta atraído por mim!". "Não posso engordar senão ele...".

Estes e outros pensamentos semelhantes não sei quantas vezes ocorrerão às jovens e mulheres  que sofrem de anorexia. Também não sei se pensamentos similares não desencadeiam a vontade de uma dieta drástica que se pode transformar com o tempo  numa doença grave ...Mas não sabendo cientificamente, tenho a intuição que serão frequentes.

Também por isso é que "eles" (amigos, namorados, pais, irmãos, maridos, professores, treinadores, colegas, etc.) são tão importantes no processo de recuperação.

Transcrevo um comentário recebido de um Anónimo em relação  a um post de há uns meses atrás:

"Se é permitido um comentário masculino (teremos decerto muitas culpas nestes processos que condicionam o padrão de beleza), a Crystal fica muito mais atraente e sensual com uns quilinhos a mais ..."

fotografia flickr cc aqui

Aug 27, 2010

... " Anorexia Nervosa na Adolescência: Estudo de Caso " (Almeida de Paiva, 2010)

A literatura sobre a anorexia nervosa abordando a situação portuguesa não é muito abundante. Temos dado notícia no esqueci a ana de alguns artigos e livros (vários na etiqueta Investigação). O artigo que abaixo transcrevemos baseia-se no estudo de um caso. Essa jovem, que ultrapassou o problema (TCA) frequenta actualmente o curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Hospital de S. João no Porto. Recomendamos a leitura.

Mas antes queremos deixar também aqui as palavras dessa jovem no fim da entrevista à autora do artigo.

“(...) mas nem com todas as palavras do mundo eu demonstraria tudo aquilo que me vai na alma, os sentimentos que povoam o meu coração, os sonhos que alimentam a minha imaginação (...) tenho uma forte esperança num mundo perfeito, simples como uma flor, misterioso como uma nuvem e mágico como um romance, (...)”.

O artigo científico que pode ser lido integralmente e em português (aqui) analisa em detalhe o caso de uma jovem portuguesa, que procurou tratamento e hoje frequenta o curso de medicina na Faculdade de Medicina do Hospital de S. João, do Porto :

"Quanto ao estudo de caso analisado nesta investigação, poder-se-á dizer que a adolescente para desenvolver a AN necessitou de reunir um baixo autoconceito e alguma obsessividade. Duvidou do seu próprio valor e teve relações difíceis com aqueles que a rodeavam. Os pais, com tantos problemas para resolver, só tinham olhos para os bons resultados escolares e não reparavam como ela andava triste. Foi muito importante para a jovem adolescente sentir que o terapeuta não estava só preocupado com o seu aumento de peso. Hoje, é uma adolescente perfeccionista, com altos padrões de exigência pessoal e com grande sentido de responsabilidade. Encontrou um sentido para a sua vida e um lugar de pertença e de direito na família. Presentemente frequenta o curso de medicina na Faculdade de Medicina do Hospital de S. João, do Porto, Portugal." (Almeida de Paiva, 2010:17)

Fonte:
" Anorexia Nervosa na Adolescência: Estudo de Caso "
Almeida de Paiva, Maria O.[Centro de Investigação em Psicologia e Educação (CIPE), Porto, Portugal]
Revista Argentina de Ciencias del Comportamiento, 2010, Vol. 2, N°2, 4-17
Resumo do artigo:
"As perturbações do comportamento alimentar conduzem a estados biológicos e psicológicos especiais. O resultado da carência total do alimento é contemplado de forma distinta pela anoréctica. Os profissionais têm dificuldades em acordar acerca da terapia mais aceitável. É essencial primeiro perceber quais os objectivos do tratamento e, de seguida, saber como os diversos modelos de tratamento, actualmente usados, sugerem alcançá-los. A pessoa exposta a distúrbios do comportamento alimentar padece de demasiada sensibilidade ao mundo, unida a uma deformidade interna. Resolver estes problemas implica uma alteração das suas relações consigo, com os outros e com o mundo. A presente investigação apresenta um estudo de caso de uma adolescente que foi vítima de Anorexia Nervosa. A Anorexia é, realmente, um problema que a sociedade enfrenta e não pode ignorar. Muitas jovens já morreram, outras seguem-lhes os passos. Mas há, também, aquelas que conseguiram ultrapassar o problema e agora contam a sua história"

Fotografia: flickr cc (aqui)

Aug 25, 2010

...À Procura do Sonho (e expulsões)

O concurso/programa chama-se à Procura do Sonho e é inspirado no America's Next Top Model. A imagem acima foi retirada da página do programa da SIC.
A escolha do termo (expulsões) é infelizmente frequente neste tipo de concursos. Participam também menores de idade. No final serão seleccionados dois modelos. Ouvi alguns comentários do júri sobre estreitar ancas, ganhar músculo e similares. Não percebi ainda porque os rostos devem ser 'originais' e os corpos 'normalizados'. Porque são essencialmente esses os critérios de selecção (expulsão?). Ah,  dizem que são ainda necessários a 'atitude', a 'capacidade de assumir um personagem', a 'fotogenia', etc.
Perguntaram a uma concorrente se a magreza dela 'era natural' ao que  respondeu de imediato que 'não tinha nenhum distúrbio alimentar nem nada disso'. [pois é...porque ela espreita]
A relação entre moda e anorexia e bulimia já foi discutida várias vezes no blogue esqueci a ana. Com base na minha experiência pessoal posso afirmar que se pode chegar à anorexia ignorando completamente o que são os padrões de beleza impostos pela moda num dado tempo e espaço. Culpar a moda e os padrões por ela ditados pela doença é não ir às raizes últimas do problema, mas a preocupação com a imagem pode induzir alguns comportamentos doentios. Algumas doentes com anorexia procuram a sua 'inspiração' em modelos da moda mesmo quando a imagem que deles existe são fotografias tratadas digitalmente.
Afinal a beleza cabe em tantos formatos e tamnhos...

Aug 24, 2010

..."Eu era uma mãe em luta; agora sou uma mãe em luto..." (Ana Granja)



Acima video "Fragmentos de um percurso interrompido" (Ana Granja). O livro de Ana Granja, "Sem ti, Inês" expõe os sentimentos de uma mãe em luta contra a doença da filha (anorexia nervosa) e em luto (após o falecimento com 16 anos). É um livro corajoso e bem escrito. Gostaria muito que a minha mãe o tivesse lido quando eu estive doente. Teria certamento ajudado a um melhor entendimento da complexidade da doença. Porque não basta a informação científica.
Existem "falsas ideias e preconceitos que a maior parte das pessoas alimenta acerca desses males. Temos então de aprender a lidar com a ignorância e a incompreensão daqueles para quem a anorexia é um capricho, uma doença da moda que só atinge os fracos...Um alerta, que é também um testemunho carregado de emoção: o sofrimento de um adolescente anoréctico é real, profundo e genuíno!!! Sendo a fuga à dor e ao sofrimento uma motivação básica no ser humano, a anorexia não pode resultar de uma escolha voluntária, racional e consciente. E daí [...]" Ana Granja in "Sem ti, Inês", p.12.
"Nos primeiros tempos da doença, movida mais pela emoção do que pela razão, fiz tudo errado! Em conversa com outras mães percebi que é comum que assim seja. Ver a minha filha comer menos a cada dia que passava, perder peso a um ritmo assustador, apelou ao mais profundo instinto maternal: necessidade de (super) proteger, vigiar, controlar, pressionar, exigir. Assim, [...] Ana Granja in "Sem ti, Inês", p. 17
"As consequências da subnutrição notam-se na mente e no corpo a cada dia que passa. Para além dos efeitos só perceptíveis através de exames especializados, é notório que se tornam mais lentos e apáticos, têm dificuldade em adormecer e acordam muito cedo, a pele torna-se seca e enrugada, a temperatura do corpo baixa considerávelmente, o que os torna mais sensíveis ao frio, e o cabelo cai a um ritmo assustador. Só eu sei o que me custava secar o cabelo à minha filha e perceber que o seu cabelo forte e bonito era agora uma mera recordação." Ana Granja, in "Sem ti, Inês", p.23
"Infelizmente, perdi a luta contra uma doença devastadora que ameaça tornar-se uma epidemia do século. Quando me lembro de que a anorexia afecta cerca de um por cento dos jovens e que, desses, morrem cerca de 20 por cento (na perspectiva mais pessimista), não posso deixar de pensar que a minha filha foi sorteada duplamente numa lotaria fatal" Ana Granja in "Sem ti, Inês"
"Se algum dia a minha mãe soubesse o quanto sofro ao vê-la assim, sabendo que é por minha causa...Não gosto de ver as pessoas que mais amo sofrerem por mim. Gostava de poder dizer: não se preocupem, eu estou bem, mas eu sei que não estou. É tão difícil não me sentir capaz de cuidar de mim, sabendo que estou doente!" Inês Granja da Silva (1992-2008) , in "Sem ti, Inês" de Ana Granja.

Aug 23, 2010

..."Sem Ti, Inês" (livro de Ana Granja)

Tinhamos chamado a atenção neste blogue em Novembro de 2009 para o testemunho de Ana Granja (aqui) publicado originalmente na página da AFAAB. Ficámos a saber h hoje da publicação do livro abaixo referido que iremos ler.
Notícia publicada no diário digital (aqui): O lançamento do livro «Sem ti, Inês», de Ana Granja, editado pela Caderno, realizou-se no passado dia 18 de Março, nos Serões da Bonjóia, Porto.
«Sem ti, Inês», de Ana Granja

«Da Inês restam hoje as memórias, que a passagem dos dias cruelmente apaga e transforma. Restam também imagens, e é nelas que fixamos o olhar: um rosto fotografado em contraluz, a preto e branco, um Sol desmaiado a espreitar ao fundo.
A Inês da imagem é uma adolescente, sorriso meigo, olhos tristes. Não chegará a completar 16 anos. Em seis meses apenas – desde o dia em que lhe diagnosticam a anorexia até ao dia da sua morte – desaparece aquele sorriso. No seu lugar fica o vazio, uma família em luto, um pai, uma irmã e a mãe, Ana, a tentar reconstruir o puzzle do resto da sua vida, um puzzle onde agora faltam peças, onde há peças novas que teimam em não encaixar.
«Sem ti, Inês» é o diário de uma mãe em luto. É a narrativa real de uma mãe a agarrar-se à escrita, à Filosofia, a poemas e canções, a tudo o que foi escrito e dito e feito, a qualquer coisa que a ajude a enfrentar a dor, a sobreviver à mágoa de ser, hoje e sempre, Mãe de uma filha que já morreu»

Aug 19, 2010

..."Brave Girl Eating" (livro sobre a luta de uma família com/contra a anorexia)


O livro Brave Girl Eating, sobre a luta de uma família contra a anorexia vai ser publicado no próximo dia 24 nos Estados Unidos. Da página da autora Harriet Brown transcrevo a breve apresentação:

"Esta é a história de como a minha filha mais velha Kitty se tornou anoréctica e quase morreu, e como o meu marido, a minha filha mais nova e eu a ajudámos na cura.  Esta história não é sobre uma família disfuncional, o abuso sexual ou uma pobre menina rica sedenta de atenção. Não é uma estória para alertar para os modelos esqueléticos do mundo da moda e para os media.  É uma história sobre uma adolescente comum que caiu no buraco da anorexia - por acidente, como sempre acontece - e sobre a sua escalada para a saúde e a esperança, escalada lenta, penosa, extraordinariamente corajosa, momento a momento, passo a passo, um pouco de cada vez"  (Harriet Brown )

O programa Good Morning America desmarcou uma entrevista que já tinha agendada com a autora depois desta se recusar a que fossem exibidas fotografias da filha quando doente. Uma discussão sobre este tipo de comportamento por parte dos meios de comunicação norte americanos pode ser lida aqui. A anorexia é uma doença mental, os meios de comunicação em geral exploram as imagens chocantes da magreza. Mas a magreza é apenas um sintoma.
Alguns comentários ao livro Brave Girl Eating na página da Amazon (aqui)

Aug 17, 2010

...Sucesso na luta contra a anorexia no masculino (testemunho de jovem português)



Neste blogue esqueciaana algumas vezes temos referido a anorexia no masculino (alguns posts aqui) Reproduzo abaixo o testemunho de um jovem português de 16 anos e com autorização do autor [ "Estou contente por entrar em contacto consigo!Sim , dou-lhe autorização para colocar o meu testemunho no seu blog"] um testemunho deixado originalmente há dias na página da AFAAB. Parabéns Daniel pelos resultados na luta contra a doença e obrigada pelo testemunho.

"Olá caros senhores e caras senhoras.
O meu nome é Daniel, tenho 16 anos, fui diagnosticado como doente de anorexia nervosa e vou-vos contar o meu testemunho.
Tudo começou quando entrei na adolescência, na minha nova escola (10º 11º 12º) e a qual a frequento nos presentes dias, enfim...foi tudo muito repentino para mim.
Esta doença apareceu na pior fase da minha vida, como falei há pouco, a adolescência, onde o nosso corpo muda, o tom de voz muda, e o nosso psicológico também muda, pensamos nós que nós é que sabemos e que o que os outros dizem é para nosso mal...enfim, ainda passo por isso, mas vai passar ;) .
Eu já fui gordinho quando era pequenino, os meus pais deixava-me comer de tudo, era bolas de berlim á sobremesa, bolos de chocolate, bolicao, chipicaos, batatas fritas, enfim...nunca me negavam nada, sabendo eles que eu era gordinho.
Fiquei com um trauma desde ai, via-me ao espelho e via-me gordo, e na realidade as pessoas dizia-me que era magro, não queria voltar a ter a mesma imagem de quando era pequenino.
Foi então que no ano passado, desmaiei, isto derivado à falta de apetite, sim!! falta de apetite, o meu psíquico alimentou este trauma e deixei-me levar ...até que quando desmaiei, examinara-me e pesaram-me, dizendo que possuia 42 quilos.
Foi um grande choque para mim e para os meus familiares e amigos!!!
Começei a ser tratado no Hospital de Sao João, pelo Dr. Roma Torres, á qual me ajudou, nem fez um ano, os médicos e nutricionistas dizem que o meu caso, é um caso de sucesso, agora que estou melhor resta-me procurar manter o peso, e continuar o plano alimentar que me conduziram até aqui.
Lembrem-se , e isto é verdade...sem saúde nada se faz, e eu sou testemunho disso.
Se alguma pessoa quiser saber mais domeu testemunho, publique algo ou contacte por mail: d.f.p.s.g46@hotmail.com
Estou aqui para dar o meu testemunho e ajuda a pais, amigos e familiares de pessoas com anorexia e bulimia." (Daniel)

Aug 15, 2010

..."excelente desempenho" (apesar de muito doente)


Transcrevo do blogue ED Bites um extracto de um post recente baseado na experiência desta investigadora que é também uma doente em recuperação. Aborda a questão da 'funcionalidade' dos doentes com anorexia, ou seja, apesar de estarem muito doentes, alguns desenvolvem diversas actividades (académicas ou profissionais) com níveis de performance excelentes, ou seja, aparentemente está 'tudo normal' uma aparência bem diversa da que frequentemente se associa a esta e outra doenças mentais.  Nas palavras de Carrie (tradução livre do inglês da autora de esqueciaana)

«Já me referi a mim própria como 'uma anorectica com elevado desempenho' porque, de facto apesar da minha doença do comportamento alimentar eu tive a maior parte das vezes  um desempenho muito bom. Terminei uma licenciatura, completei mestrados, fui de facto geralmente 'funcional'. Com excepção de de um tratamento de sete meses e várias breves e graves hospitalizações, nos últimos oito anos vivi como uma pessoa "normal".
Estão a ver? afinal o meu distúrbio alimentar não é assim tão grave!
O problema não foi apenas que impus essa ideia falsa aos meus amigos, família e terapeuta ( Estou bem! Não estou doente!) , eu também comecei a acreditar na minha própria mentira. E, se não estava doente, porque teria que me preocupar em melhorar?  Tinha um emprego a tempo inteiro, estava a estudar, estava bem,  RAIOS!
O problema é que 'o bom desempenho' é um pouco um mito. O nosso desempenho nem sempre é uma medida da severidade da doença, por vezes é a medida da forma como se esconde como as coisas estão realmente mal. O meu coração estava afectado, a minha digestão era inexistente, o meu corpo estava fraco, e sim eu continuava a manter a minha média de A [nota máxima]no college.  Vários professores não perceberam porque abandonei os estudos 'estando a ir tão bem!'
Muitas vezes, quando o distúrbio alimentar, a ansiedade e a depressão se tornavam visíveis, não era porque eu tinha piorado. Pelo contrário, as coisas começavam a apresentar-se piores porque perdia a minha capacidade de compensar/encobrir a minha doença.  Construi cuidadosamente a minha vida em torno da minha desordem alimentar de forma a poder protestar com um olhar inocente e dizer que estava tudo bem quando me perguntavem. Sim, eu não tinha vida para além do meu trabalho, do ginásio e dos contadores de calorias, mas eu ia trabalhar todos os dias. Ninguém sabia o meu pequeno e ruim segredo que fechei a sete chaves algures, ninguém sabia que eu caminhava perigosamente para a morte"
(ler o texto original aqui, blogue ED-Bites)
Fotografia flickr cc aqui

Aug 1, 2010

Foi recentemento publicado um artigo na Revista Brasileira de Psiquiatria sobre o tratamento familiar para a anorexia nervosa baseado numa amostra de 11 famílias. Existem outros estudos sobre estes tipos de tratamento assentes na realidade inglesa ou norte americana, como referimos antes no esqueci a ana (aqui).
Para ler o texto integral do artigo cujo resumo abaixo se reproduz, clique aqui (versão em inglês e pdf).

TURKIEWICZ, Gizela; PINZON, Vanessa; LOCK, James e FLEITLICH-BILYK, Bacy (2010). Viabilidade, aceitação e eficácia do tratamento familiar para anorexia nervosa em adolescentes: um estudo observacional no Brasil. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. vol.32, n.2, pp. 169-172.
Resumo

OBJETIVO: Estudos prévios demonstram fortes evidências de eficácia do Tratamento Familiar para anorexia nervosa em adolescentes. Os estudos disponíveis a respeito do tratamento familiar foram conduzidos em países de língua inglesa. É necessário avaliar a aplicabilidade deste método em países de língua não-inglesa. Este estudo piloto tem como objetivo avaliar a viabilidade, a aceitação e a eficácia do tratamento familiar no Brasil.
MÉTODO: Estudo observacional de adolescentes com diagnóstico anorexia nervosa (exceto critério amenorréia) segundo o Levantamento sobre Diagnóstico e Bem-Estar de crianças e adolescentes encaminhadas para tratamento em um centro especializado na cidade de São Paulo, Brasil. Dados coletados no início do estudo, ao final do tratamento e seis meses após o término: peso, estatura, índice de massa corporal, menstruações, Questionário de Exame para Transtornos Alimentares e Escala de Funcionamento Global para Crianças.
RESULTADOS: Nove de 11 famílias elegíveis entraram no estudo (82%) e sete (78%) completaram o tratamento. A idade média foi 14,64 anos (DP = 1,63; 12,33-17,00). Teste dos sinais de Wilcoxon demonstrou melhora estatisticamente significativa no peso e índice de massa corporal ao final do tratamento e seis meses após o término. Nenhum dos pacientes preencheu critérios diagnósticos para qualquer transtorno alimentar no seguimento.
CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que tratamento familiar é aceitável e viável para as famílias brasileiras. A evolução sugere que este método pode ser eficaz nesse contexto cultural com resultados positivos semelhantes a estudos prévios realizados em outras culturas.
Palavras-chave : Anorexia nervosa; Terapia familiar; Adolescentes; Prática médica baseada em evidências; Resultado de tratamento.
Imagem flickr © All rights reserved; "tanakawho" aqui

Jul 28, 2010

..."O Corpo e o Silêncio das Emoções" (Tese de Sandra Torres, 2005)

Esta tese de doutoramento encontra-se disponível (aqui).A mesma autora possui outras publicações mais recentes, algumas de acesso livre via google scholar por exemplo.

...Anorexia e Emoções ( investigação)


Um artigo publicado em 2003 por duas investigadoras portuguesas aborda uma questão bastante importante e para a qual os estudos empíricos até agora realizados ainda não encontraram resposta cabal. A tese de doutoramento de Sandra Torres (Universidade do Porto, 2005), pode ser lida integralmente aqui: O corpo e o silêncio das emoções: estudo da alexitimia na anorexia nervosa.

Sandra Torres / Marina Prista Guerra (#)
A CONSTRUÇÃO DE UM INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DAS EMOÇÕES PARA A ANOREXIA NERVOSA
Psicologia, Saúde e Doenças, vol. IV, número 001
Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde
Lisboa, Portugal pp. 97-110
(#) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto


RESUMO:
Estudos desenvolvidos em torno da anorexia nervosa (*) e da alexitimia (**)apontam para a existência de uma relação entre estes dois quadros, sendo de salientar a frequente presença de alexitimia em doentes com patologia alimentar. Apesar de algumas investigações procurarem analisar esta relação, está ainda pouco claro o processo que caracteriza a vivência emocional deste tipo de doentes. Neste trabalho é descrita a construção do Questionário de Avaliação das Emoções para a Anorexia Nervosa (QAE-AN). Este instrumento foi elaborado com base na Teoria Diferencial das Emoções reformulada por Izard (1991) e na caracterização detalhada das emoções primárias nela reconhecidas (interesse, alegria, surpresa, cólera, nojo, desprezo, medo,angústia, vergonha, tristeza e culpa). Esta medida de avaliação faz referência a situações, comportamentos e pensamentos comuns na anorexia nervosa e como tal poderá contribuir para uma avaliação mais adequada das emoções experienciadas por este tipo de doentes.


Palavras chave: Anorexia nervosa, Alexitimia, Emoções, Instrumento de avaliação.


Conceitos:
(*) Anorexia nervosa «A anorexia nervosa caracteriza-se por uma restrição alimentar severa da qual resultam complicações que conduzem a uma significante morbidez biológica, psicológica e social e que, por vezes, pode até conduzir à própria morte.»
(**) Alexitimia « A alexitimia é definida como um conjunto de défices cognitivo-afectivos caracterizados por: (a) dificuldade em identificar e descrever sentimentos; (b)dificuldade em distinguir os sentimentos de sensações corporais decorrentes da actividade emocional; (c) processos imaginativos limitados (poucos sonhos ou fantasias); e (d) estilo cognitivo orientado para o exterior (Taylor, 1994).A alexitimia é considerada, actualmente, um factor de risco para odesenvolvimento de várias perturbações clínicas. No que concerne à anorexianervosa, embora não se possa afirmar que a alexitimia esteja directamenterelacionada com o desejo de emagrecer, existe evidência empírica de que estetipo de doentes apresentam com frequência um quadro alexitímico (Beales &Dolton, 2000; Laquatra & Clopton, 1994; Smith, Amnér, Johnsson, & Franck,1997; Taylor, Parker, Bagby, & Bourke, 1996).» continuar a ler o artigo aqui. 

Jul 23, 2010

..."a minha menina vai vencer esta terrível luta"


A anorexia faz sofrer muito todos os que convivem com o doente. Os pais sofrem pela dor dos filhos e pela relativa impotência numa luta injusta em que o doente muitas vezes parece estar a favor da doença e não luta contra ela. O testemunho abaixo transcrito é de uma mãe que tem neste momento a filha internada em luta contra a doença. Para ambas a nossa maior solidariedade.  


"A luta

enviado para AFAAB em 2010-07-12 por Mãe (*)


Apesar de por várias vezes já me terem falado da Vossa Associação só há bem pouco tempo tive coragem para consultar o site.
Fiquei deveras impressionada com o testemunho intitulado "PARTILHA DE DOR" (**). Aconselhava todos os familiares e amigos de pessoas que sofrem de doenças do comportamento alimentar a ler e divulgar se possível. Nem que seja para evitar o sofrimento de uma só familia valerá a pena, pois só quem têm a infelicidade de atravessar por este terrível deserto têm consciência do abismo em que mergulham as nossas vidas quando nos deparámos com este mal.
A minha filha já sofre de anorexia e bulimia há mais de 4 Anos, tenho lido muito, pesquisado imenso, mas nunca até hoje tinha encontrado um testemunho que descrevesse tão minuciosamente e intensamente o que pode representar o sofrimento de um(a) adolescente anoréctico(a), tal como o de uma mãe que acompanha com desepero esta terrível luta.
Identifico-me completamente com as palavras da mãe da Inês, excepto na última meia página, pois eu ainda tenho a sorte de ter a minha filha com vida. Confesso que sou assaltada na maior parte das vezes por uma terrível angústia, desconfiança e medo, mas tenho que continuar a acreditar que a minha menina vai vencer esta terrível luta contra essa intrusa que é a anorexia.
Neste momento está internada e quero ter fé, provavelmente estou a viver um dos piores momentos da doença: o afastamento. Essas são as regras do internamento, clausura total, sem visitas, telefonemas e qualquer contacto com o mundo exterior, mas se é para ela curar essa maldita doença valerá a pena. O pior é quando sou assaltada pelas outras hipóteses, que não se vai recuperar e que pode morrer. Pensar nisso impede-nos deveras de viver, ou melhor sobreviver, porque como diz o testemunho já entes referido quando o diagnóstico é anorexia existe uma vida "antes" e outra "depois".
Tenho receio de não voltar a ter a minha menina de volta, tenho medo por ela e por mim também, pois sem ela não sei como viver.
Leiam e divulguem por favor, demora 10 minutos e pode salvar familias desta trágica maldição que é a anorexia.
A todas as mães que estão a passar por fases tão dificeis como a que eu estou a viver, desejo toda a força e coragem, porque é deveras muito dificil para quem ama as suas filhas do mais profundo das suas entranhas conseguir ultrapassar de uma forma completamente ilesa esta terrível dor.
Muito obrigada, e espero do mais profundo do meu ser poder escrever aqui uma mensagem de esperança o dia que a minha filha esteja recuperada. "


(*) com permissão da autora "Não há qualquer problema para divulgar o meu post, pois sou da opinião que mais informação seja transmitida sobre esta maldita doença, mais casos se poderão evitar e portanto podemos eventualmente ajudar nem que seja uma única familia a não atravessar este inferno que é a ANOREXIA.Aguardo desesperadamente os resultados do internamento da minha filha e espero que um dia todas "nós" juntas possamos fazer algo para ajudar o próximo."

(**) A autora desse testemunho (Ana Granja) publicou um livro (Sem ti Inês) a que fazemos referência aqui e aqui.

Jul 22, 2010

...Anorexia Nervosa (identificada há 130 anos, discutida - ainda- hoje)

Sir William Gull foi o primeiro médico a diagnosticar a anorexia nervosa em 1874 (encontrei esta informação originalmente na wikipédia em inglês (aqui), e confirmei-a com outras fontes, nomeadamente um artigo deste ano da European Eating Disorders Review de Janeiro de 2010 e que pode ser lido na integra (em inglês, formato pdf) (aqui). Esse médico para além de ter 'baptizado' a anorexia descobriu o sindroma Gull-Sutton e efectuou investigação pioneira sobre a paraplegia e 'myxoedema'.
McKnight, Rebecca F.  and Park, Rebecca J. (*)(2010)
Atypical antipsychotics and anorexia nervosa: A review
European Eating Disorders Review, vol 18, n.1, p.10-21.
(*)Department of Psychiatry, University of Oxford, Warneford Hospital, Oxford, UK


“ O médico londrino William Gull foi o primeiro a usar o termo anorexia nervosa (AN), tendo publicado a descrição clínica do sindroma em 1874. Descrevia uma série de casos que tratou [ nota do esqueciaana: as duas imagens da esquerda são a mesma paciente enquanto doente e depois de recuperada] e considerava que durante o tratamento ‘the inclinations of the patient must be in no way consulted’[ traduzido livremente: a vontade do doente não deveria ser tida em conta], e que a doença era particularmente difícil de tratar devido à presença de um ‘estado mental morbido’ (Gull, 1874).
Passados 130 anos a Anorexia Nervosa apresenta ainda a mais alta taxa de mortalidade de qualquer distúrbio psiquiátrico [ no original inglês: has the highest mortality rate of any psychiatric disorder] (Hoek, 2006; Steinhausen, 2002). Os desafios inerentes ao tratamento da Anorexia Nervosa foram bem delineados por Gull; o doente é geralmente pre-contemplativo e não coopera com o tratamento, as patologias físicas e psicológicas estão interligadas, portanto devem ser consideradas em simultâneo, e que a doença com um curso natural de 5-6 anos possivelmente não responde a uma estratégia de tratamento rápido (e portanto barato). O problema da disponibilidade de tratamento tem crescido com o aumento do número  de doentes que apresentam anorexia nervosa. Actualmente a incidência é estimada em torno de 8 por 100.000 e por ano com uma prevalência de 0.3% nas mulheres jovens (Hoek, 2006). Segundo os registos estatísticos das admissões nos hospitais [no Reino Unido] abrangidos pelo NHS [serviço de súde britânico] entradas com um diagnóstico de anorexia nervosa subiu 80% nos últimos 10 anos, impondo a necessidade de estratégias de tratmento mais eficazes. (NHS Information Centre, 2009). " (continuar a ler aqui)
Referências na citação:
Gull, W. (1874). Anorexia nervosa. Transactions of the clinical society of London, 7, 22–28.
Hoek, H. W. (2006). Incidence, prevalence and mortality of anorexia nervosa and other eating disorders. CurrentOpinion in Psychiatry, 19, 389–394.
NHS Information Centre. (2009). Hospital Episode Statistics Online: Four character primary diagnosis 2008. Hospital Episode Statistics Online.
Steinhausen, H. C. (2002). The Outcome of Anorexia Nervosa in the 20th Century. American Journal of Psychiatry, 159, 1284–1293.
O artigo integral pode ser lido aqui.

Jul 21, 2010

...classificação e descrição das doenças mentais (DSM, discussão pública)

Neste blogue esqueciaana temos apresentado alguma informação sobre o Manual da Classificação e Descrição das Doenças Mentais da Associação Norte-Americana de Psiquitria (APA) ( em inglês :Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - DSM) .
Sobre o DSM (7 posts aqui).
Na Classificação Internacional de Doenças (CID) rev. 10 e na Classificação e descrição das doenças mentais da Associação Norte- Americana de Psiquitria (APA), DSM,  encontram-se caracterizações da Anorexia Nervosa e de outras doenças associadas ao comportamento alimentar.
Actualmente discutem-se os critérios de diagnóstico da Anorexia e da Bulimia no âmbito da nova versão do manual DSM V ( + aqui, aqui e aqui por exemplo) . Essa discussão é pública. No âmbito dessa discussão pública recebi hoje o email abaixo transcrito. Se vier a participar, darei conta aos visitantes da participação.
"21 July
Thank you for your interest in participating in field trials for the DSM-5. This email is just to let you know that we have received your information and have added you to our list of potential participants. We will send you more information on the field trials as it becomes available. If you have any questions, please email ...
(...)
For updates on the status of the DSM-5, please visit www.dsm5.org.
Sincerely,
[LC]
Research and Communications Coordinator
Practice Research Network
American Psychiatric Institute for Research and Education"

Jul 20, 2010

..."faz-se o caminho a andar" (dedicado à vitória de I.)


"Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar."
António Machado (poeta sevilhano)
Fotografia flickr cc (aqui)

Jul 19, 2010

...Hospitalização (Internamento) em Espanha por anorexia e bulimia (10.569 internados com dca, 10-18 anos de 1998-2007)

Vai estar disponível no próximo mês de Agosto um artigo científico sobre as doenças do comportamento alimentar em Espanha. Os números são preocupantes: considerando apenas crianças e  jovens com idade entre os 10 e os 18 foram internados 10.569 em 9 anos ! Ou seja mais de mil por ano. Continuamos a procurar estudo idêntico para Portugal.
Resumo (tradução livre do inglês) Fonte original do resumo (em inglês) (aqui)

O estudo descreve e analiza os internamentos em hospital de crianças e adolescentes dos 10 aos 18 anos de idade com doenças do comportamento alimentar (dca), em Espanha.  Foi conduzido um estudo retrospectivo da hospitalização e calculadas taxas de hsopitalização (internamento). Foram analisados: duração do internamento, características psicológicas, condições de saúde e morbilidade. No período em análise (1998-2007) foram internados 10.569 doentes com dca (transtorno alimentar TA no Brasil). A mediana do internamento foi maior nos doentes com anorexia do que com bulimia, respectivamente 14 dias e 9 dias. O sintoma psiquico mais comum foi a 'mood disorders'. A incidência devida à anorexia não se alterou significativamente durante o peíodo em análise. O artigo apresenta ainda o perfil clínico das crianças e adolescentes hospitalizadas com dca.

Hospitalization trends in Spanish children and adolescents with eating disorders (1998-2007).
Lopez-de-Andres A, Carrasco-Garrido P, Hernández-Barrera V, Gil-de-Miguel A, Jiménez-Trujillo I, Jiménez-García R.
Preventive Medicine and Public Health Teaching and Research Department, Rey Juan Carlos University, Madrid, Spain. ana.lopez@urjc.es
Appetite. 2010 Aug;55(1):147-51.

foto flickr cc (aqui)

Jul 14, 2010

.. Portal IPJ (desapareceram os comportamentos alimentares!)




Falta informação dirigida aos doentes que sofrem de doenças de comportamento alimentar e aqueles que estão em maior risco de desenvolver uma doença que pode ser mortal (familiares, amigos, professores, treinadores e outros também necessitam dessa informação). Protesto pela aus~encia de informação sobre as dca (doenças de comportamento alimentar) no site do IPJ (Instituto Português da Juventude). A história conta-se em poucas palavras: em Setembro encontrei o link Comportamentos Alimentares (ver imagem acima) que não remetia para nenhuma página. Contactei então o IPJ por email tendo recebido em Fevereiro de 2010 a resposta que abaixo reproduzo. Em Março continuava o link quebrado, Actualmente a página continua a existis mas SEM o link dos Comportamentos alimentares. Será que o problema deixou de ser importante para a juventude portuguesa?  A avaliar pelas consultas nos hospitais públicos não é isso que se pode concluir.
São muitos os países em que existem sites de organizações públicas dirigidas à juventude em que essa informação se encontra disponível. Será que em Portugal não existem recursos humanos, científicos e financeiros suficientes para criar uma página informativas (estamos a falar de uma página informativa, não de uma biblioteca digital!)? Em minha opinião esses recursos existem.   Vou continuar a insistir com que tem obrigação de informar os cidadãos de uma forma geral.
Irei aqui dando conta dos resultados..
___________________________________________________
Revisito o site do IPJ e continua a falha. Hoje final de Março, o site no que se refere a Comportamentos Alimentares possui um link....sem conteúdo. Em Fevreiro responderam-nos que a falha tinha sido reportada. Será assim tão difícil criar uma página?
(...)
Hoje, 23 de Fevereiro actualizamos este post. A página do IPJ Temas dos comportamnentos alimentares está vazia. Contactámos os responsáveis do portal que nos responderam de imediato (texto do email abaixo) :
Boa tarde Ana
Informamos que
houve uma anomalia nesta página, a qual já foi reportada.
Agradecemos o seu contacto.

Sempre ao dispor,
A
equipa do Portal
Suporte utilizador
E-mail: suporte@juventude.gov.pt
http://juventude.gov.pt/
Ficamos a aguardar a rectificação da anomalia.

Demos conta em anterior post dos 19 gabinetes de apoio à juventude que incluem apoio associado aos comportamentos alimentares. Assinalamos que a página TEMAS DOS COMPORTAMENTOS ALIMENTARES está vazia (informação actualizada em 23 fevereiro 2010) (ver imagem acima). Sugestão: contactem o IPJ a perguntar o que se passa. Eu já escrevi para sugestoes@juventude.gov.pt ( e obtive a resposta acima). Para além disso, os SITIOS DE INTERESSE PARA TI na mesma página do IPJ são apenas 2 (dois!): um do ministério da saúde (link quebrado!) outro para a plataforma contra a obesidade. Já em anterior post em Setembro passado tinhamos feito referência à insuficiente informação disponibilizada. Agora deixou de ser insuficiente, passou a nula, mas segundo email acima o problema já foi reportado.

Jul 13, 2010

... "largar esse silêncio que nos aprisiona" (contributo de T)

Recebi o comentário abaixo que muito agradeço em relação a anterior post (aqui)

"O "não sei", o "sei lá", o ...de tudo" o "não aconteceu nada" são, para mim, recorrências quando a cabeça está cheia e não se sabe por onde começar... Às vezes a cabeça está tão cheia de pensamentos antes de chegar à terapia, quero dizer tanta coisa ou tenho tanta coisa para dizer que quando me sento e respiro fundo fico "vazia" (como é que é possível?) e mesmo antes da primeira pergunta digo.."não sei"... E isso afasta-nos do terapeuta, deixa-nos na bolha, porque ele/ela não adivinha o que está cá dentro, por mais que tenhamos vontade!... do que já tenho aprendido, o melhor caminho para dizer aquilo que não sabemos dizer, é dizer...outra coisa qualquer... mas começar, largar esse silêncio que nos aprisiona. Mais cedo ao mais tarde vamos parar ao "não sei" e sai-nos tudo! Porque há sempre tanto para dizer..."

imagem flickr cc (aqui)

..."o valor das coisas..." ( Fernando Pessoa)


"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
Fernando Pessoa

Imagem flick cc (aqui)

Jul 5, 2010

..."Anorexia nervosa: caracterização sócio-demográfica e clínica das anorécticas em tratamento em Portugal" (provas de mestrado FPCE-Univ.Porto)

Encontrei esta notícia (aqui) na Página da Universidade do Porto. As provas são abertas a todos os interessados. O esqueciaana dará mais notícias desta investigação da Helena Cristina M. Pinheiro em breve.
Provas de Mestrado Integrado em Psicologia - Helena Cristina M. Pinheiro

Psicologia
Dia 9 de Julho de 2010, às 10,00 horas - sala 117
- Provas do MESTRADO INTEGRADO EM PSICOLOGIA, para obtenção grau académico de mestre em PSICOLOGIA, na área de especialização de Psicologia Clínica e da Saúde, requeridas por Helena Cristina Morais Pinheiro.
Discussão da dissertação intitulada: "Anorexia nervosa: caracterização sócio-demográfica e clínica das anorécticas em tratamento em Portugal".
JÚRI:
Doutor Rui Alves
Doutora Isabel Maria Sousa Lopes Silva
Doutora Sandra Torres - orientadora
Local: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto

Jul 2, 2010

... identificar e expressar emoções e 'não sei' (16 significados)

(Os "Não sei"s ;  clique sobre a imagem acima para a ampliar

[Nota de esqueciaana: este post tem dedicatória: a todos os que como eu dizem demasiadas vezes não sei...sabendo ]
Do blogue de Laura Collins transcrevo este texto: [tradução livre de esqueciaana; texto original, em inglês,  pode ser encontrado aqui]

"Os doentes com doenças do comportamento alimentar (dca; transtorno alimentar) frequentemente têm dificuldade em descrever suas emoções. Isso tem um rótulo científico: "alexitimia" (definição da wikipedia aqui; a=ausência + lexi=palavra + timia=emoção)).
Uma definição de ALEXITIMIA da F.E.A.S.T- Families Empowered And Supporting Treatment of Eating Disorders, Eating Disorders Glossary:
"Alexitimia é um conceito que define a incapcidade de identificar ou expressar emoções. Vários estudos mostraram que os indivíduos em situações agudas de anorexia nervosa e bulimia nervosa apresentam níveis mais elevados nos testes de alexitimia quando comparados com os doentes recuperados" Fonte original (aqui)

Uma coisa é reconhecer  a alexitimia, mas encontrar resposta para ela é outra coisa completamente diferente. Gosto bastante do Diagrama Grey Thinking's : o "NÃO SEIs" [esqueciaana: 16 significados para as palavras 'não sei';  aqui no original e na figura acima].
Os pais podem querer imprimir e guardar!!"Laura Collins no blogue "Are you eating with your anorexic?"

Imagem sobre os "Não seis" originalmente publicada aqui.Para ampliar a imagem cliquar.
Iremos analisar aqui no esqueciaana em posterior post estes "não sei"

Jul 1, 2010

..."destruiu-me a mim e à minha família"


Toda a notícia (janeiro 2010) pode ser lida em inglês aqui.
Título: "Durante anos Abby Baker não comeu para ficar magra. Os que amavam observaram como ela lutou contra os seus demónios.
Abby Baker, estudante inglesa,  está recuperada. Ela, pais, irmã e amiga foram entrevistados:

Abby Baker (18 anos) relata o seu processo de doença:
" [Quando estava anoréctica] tinha alcançado os meus objectivos- estava terrivelmente magra. Mas estava também desesperadamente infeliz." (+ aqui)

Mãe de Abby (47 anos) relata a difícil processo depois do diagnóstico:
" A mais pequena coisa desencadeava uma reacção agressiva. Ela atingia-me, gritava-me, puxava-me o cabelo. Mas eu sabia que a doença é que estava a provocar aquele comportamento. A minha Abby estava algures ali".

Uma amiga de Abby (17 anos):
"Eu queria dizer aos pais dos meus receios, mas tive medo que ela perdesse a confiança que tinha em mim e não queria deixá-la sozinha sem ninguém com quem desabafar"

Irmã de Abby (13 anos):
" Estou orgulhosa da Abby estar a recuperar mas ainda me sinto muito protectora em relação a ela. Posso ser a irmã mais nova, mas serei sempre a que olha por ela"  

Pai de Abby (48 anos):
" Ainda me sinto culpado de não ter visto os sinais. Hoje em dia todas as adolescentes se preocupam com o peso- não pensei que com a Abby fosse diferente" . 


Mary George, porta voz de Beat, Eating Disorders Association
"Para as 1,6 milhões de pessoas afectadas pelos distúrbios do comportamento alimentar no Reino Unido, existe ainda um maior número de famílias e de amigos que são afectados por essa doença com eles."