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Dec 1, 2017

Quem quer participar? (2 convites)

Recebi recentemente dois contactos de uma estudante de enfermagem e de outra de jornalismo. Se quiserem participar enviem email para esqueciaana@gmail.com


Uma estudante de enfermagem contactou-me para " pessoas que tenham conseguido vencer a anorexia/bulimia ao serviço para poder falar com as doentes, no sentido de as ajudar de alguma forma." (recebido em 12.11.2017)

Uma estudante de jornalismo contactou-me no sentido de sugerir pessoas que quisessem participar em "reportagem de audio sobre distúrbios alimentares e o respectivo impacto na vida de quem passa ou já passou por isso".(recebido em 17.11.2017)

“A Irmã Mais Nova” (filme) ...o que significa para uma rapariga crescer



trailer do filme: https://vimeo.com/167750340

Recebi este contacto da distribuição do filme: "Com um percurso notável de festivais e com vários prémios conquistados, entre eles Festival de Berlim e Festival de Cannes, “A Irmã Mais Nova”, é um filme incontornável. 

É a primeira longa-metragem da realizadora Sanna Lenken, que partilha:  “Este filme conta uma história sobre tentar permanecer são neste mundo. Quando era adolescente tive anorexia. Continuo chateada com o facto de ter tentado transformar-me em algo que não era, com o facto de não estar satisfeita comigo própria. Acho isto extremamente triste mas ao mesmo tempo absurdo. O porquê de ter acontecido seguiu-me durante toda a minha vida. Em “A Irmã Mais Nova”, quero examinar o que significa para uma rapariga crescer: o quão difícil é viver em função dos ideais e das expectativas da sociedade actual e o quão horrível é ser julgada pela aparência e não pela pessoa que se é.”

Sinopse
Stella é uma rapariga prestes a entrar no excitante e assustador mundo da adolescência. Ela vive na sombra da sua irmã mais velha, Katja, uma talentosa e bela patinadora que os pais adoram. Stella esforça-se muito para imitar o comportamento da irmã, de modo a ter mais atenção. Enquanto observa a irmã de perto, Stella percebe que algo está errado. Katja esconde um distúrbio alimentar que está a dominar a sua vida. Katja obriga Stella a guardar segredo, e arrasta a irmã para um ciclo vicioso de manipulação e mentiras. Aos poucos, os pais começam a perceber que algo está errado e Stella receia que este segredo destrua a família. Um filme sobre sonhos, amor e as dificuldades de crescer enquanto rapariga.


Nov 5, 2016

doenças do comportamento alimentar em Portugal (alguns artigos científicos 2012-2016)


Artigos publicados entre 2012 e 2016 na revista European Eating Disorders Review
Parabéns aos investigadores.

Ribeiro, M., Conceição, E., Vaz, A.R. and Machado, P.P., 2014. The prevalence of binge eating disorder in a sample of college students in the north of Portugal. European Eating Disorders Review, 22(3), pp.185-190.

Machado, B.C., Gonçalves, S.F., Martins, C., Hoek, H.W. and Machado, P.P., 2014. Risk Factors and Antecedent Life Events in the Development of Anorexia Nervosa: A Portuguese CaseControl Study. European Eating Disorders Review, 22(4), pp.243-251.

Gonçalves, S., Machado, B., Silva, C., Crosby, R.D., Lavender, J.M., Cao, L. and Machado, P.P., 2016. The Moderating Role of Purging Behaviour in the Relationship Between Sexual/Physical Abuse and Nonsuicidal SelfInjury in Eating Disorder Patients. European Eating Disorders Review, 24(2), pp.164-168.

Machado, P.P., Martins, C., Vaz, A.R., Conceição, E., Bastos, A.P. and Gonçalves, S., 2014. Eating disorder examination questionnaire: psychometric properties and norms for the Portuguese population. European Eating Disorders Review, 22(6), pp.448-453.

Ferreira, C., Matos, M., Duarte, C. and PintoGouveia, J., 2014. Shame Memories and Eating Psychopathology: The Buffering Effect of SelfCompassion. European Eating Disorders Review, 22(6), pp.487-494.

Conceição, E.M., Utzinger, L.M. and Pisetsky, E.M., 2015. Eating disorders and problematic eating behaviours before and after bariatric surgery: characterization, assessment and association with treatment outcomes. European Eating Disorders Review, 23(6), pp.417-425.

Arcelus, J., Witcomb, G.L. and Mitchell, A., 2014. Prevalence of eating disorders amongst dancers: a systemic review and metaanalysis. European Eating Disorders Review, 22(2), pp.92-101.

Gonçalves, S., Machado, B.C., Martins, C., Hoek, H.W. and Machado, P.P., 2016. Retrospective Correlates for Bulimia Nervosa: A Matched Case–Control Study. European Eating Disorders Review.

Meany, G., Conceição, E. and Mitchell, J.E., 2014. Binge eating, binge eating disorder and loss of control eating: effects on weight outcomes after bariatric surgery. European Eating Disorders Review, 22(2), pp.87-91.

Vaz, A.R., Conceição, E. and Machado, P.P., 2014. Early Response as a Predictor of Success in Guided Selfhelp Treatment for Bulimic Disorders. European Eating Disorders Review, 22(1), pp.59-65.

Lipsman, N., Woodside, D.B., Giacobbe, P. and Lozano, A.M., 2013. Neurosurgical treatment of anorexia nervosa: review of the literature from leucotomy to deep brain stimulation. European Eating Disorders Review, 21(6), pp.428-435.


Gümmer, R., Giel, K.E., Schag, K., Resmark, G., Junne, F.P., Becker, S., Zipfel, S. and Teufel, M., 2015. High levels of physical activity in anorexia nervosa: a systematic review. European Eating Disorders Review, 23(5), pp.333-344.

Oct 26, 2016

...uma morte em cada 62 minutos

Segundo a Associação Nacional de Anorexia Nervosa (ANAD) 
dos EUA, a cada 62 minutos uma pessoa morre como resultado de 
um distúrbio alimentar. Só nesse país, pelo menos 30 milhões de pessoas 
sofrem de uma doença desse tipo.

Em Portugal (dados do H da CUF referidos no DN de hoje): 
A anorexia nervosa afeta 0,3% a 0,4% da população, 
sendo que 90% dos casos ocorrem no sexo feminino. 
Estima-se ainda que formas parciais da doença se registem 
em 12,6% das adolescentes.Cerca de 7% apresentem uma 
perturbação da imagem corporal.
38% das jovens com peso normal manifestam desejo de 
perder peso.

Jun 4, 2015

...anúncio de Yves Saint Laurent da revista Elle banido no Reino Unido

 
 

"Esta modelo parece "pouco saudável e demasiado magra"? Autoridade Britânica achou que sim.
Um anúncio da Yves Saint Laurent foi banido no Reino Unido. Em causa está a extrema magreza da modelo da marca francesa, que levou a Autoridade para Padrões Publicitários do Reino Unido (ASA na sigla inglesa) a censurar a imagem que apareceu na última edição da Elle.
 
A ASA considerou que a modelo parece "pouco saudável e demasiado magra" na imagem e que o anúncio é "irresponsável". Segundo a autoridade, viola o código da publicidade no país, uma vez que este diz que os anúncios têm de ser preparados com um sentido de responsabilidade para com os consumidores e a sociedade".

Fonte: Diário de Notícias online 3 de Maio de 2015

A ASA refere em relação à fotografia: "a posição da modelo chama a atenção para peito, onde é visível a proeminência da caixa torácica, e para as pernas, em que coxas e joelhos parecem da mesma a largura, e muito magros", sobretudo em contraste com os sapatos.

Segundo o jornal Guardian, a Yves Saint Laurent não concordou com a argumentação mas não fez comentários. Em 2014 uma petição para a YSL deixar de usar modelos tão magras conseguiu quase 50 mil assinaturas.
 
A magreza das modelos é um tema que está na ordem do dia: as preocupações com os distúrbios alimentares e a imagem aumentaram à medida que os corpos nos anúncios e passerelles foram perderam peso. França, por exemplo, quer banir das 'passerelles' as manequins demasiado magras para combater os distúrbios alimentares.
 
Fonte: Diário de Notícias online 3 de Maio de 2015
 
[ nota de esqueciaana: a fotografia abaixo representa o criador da casa de moda Yves Saint Laurent ; para além de questões estéticas a 'normalidade' dos corpos representados parece-me contrastar; e quanto à 'normalidade' refiro-me tão só à não apologia da doença/anorexia  numa delas. Estarei enganada?]
 
 
 
Fotografia de Yves Saint Laurent em 1971
 
 
 

 

May 30, 2015

um caso de anorexia



Regularmente surgem notícias de casos de anorexia. Este, the uma actriz californiana é um deles. Como estes muitos milhares que continuam diariamente a matar.

May 29, 2015

Laxantes, comprimidos para emagrecer e diuréticos

Abuso de Laxantes, comprimidos para emagrecer e diúréticos (*)
 
 
Tudo o que os laxantes conseguem fazer é o corpo perder água, não calorias.
 
MAS....
A isto segue-se como consequência a retenção de líquidos o que pode fazer com que uma pessoa pese mais depois de tomar laxantes do que antes.
 
Deixar de tomar laxantes também acarreta sintomas de 'abstinência', que são semelhantes aos que se seguem à descontinuação da indução do vómito. Estes são:
-prisão de ventre
cólicas abdominais
inchço abdominal
agitação e sentir-se 'horrivelmente'.
 
É necessário sossegar a pessoa que manifesta estes sintomas, explicando que ocorrem frequentemente, são normais e que desaparecem ao fim de cerca de 10 dias.
 
Os diuréticos libertam o corpo de água e electrólitos.
 
MAS...
 
O alívio que fornecem da sensação de inchaço é temporário e o uso regular de diuréticos pode consuzir à retenção de líquidos persistente, de curto ou longo prazo, logo que se deixa de tomar.

 
(*) fonte Distúrbios Alimentares, Suzanne Abraham , 2010, ed. Texto , páginas 214-2015
 

Sep 4, 2014

Estudantes Universitários em Risco/ University Students at Risk


 
(transcrevo pela urgência e prometo tradução para breve)

University Students At Risk

By AMIRA SHEHATA
Published: September 3, 2014
Beginning college is a monumental transition in the lives of adolescents all over the world. This transition brings with it a mixed bag of blessings and challenges. Students sacrifice their safety nets of family, friends, and hometown familiarity for a world of boundless opportunity; exposure to diverse cultures; limitless knowledge; and, on the darker side, new challenges and stressors. They start to feel both physical and mental pressures including demanding academic schedules, cafeteria-style eating, changes in physical activity, pressures to “fit in,” and making new friends.
The many challenges of the university experience can turn college campuses into “incubators” for eating disorders. Transition times are typically high-risk periods for the emergence of eating disorders and the sheer number of changes that the transition to college entails can create the perfect conditions for the emergence of an eating disorder. It comes as no surprise that eating disorders are prevalent on college campuses. Studies indicate that 91% of women in college attempt to diet in order to control their weight, while 25% engage in binge eating and purging. Up to 61% of college students (of both sexes) exhibit disordered eating. The most common eating disorder on campuses is probably one you might never have heard of, namely binge-eating disorder, or BED. BED is characterized by binge eating (eating an unusually large amount of food in a discrete period of time and feeling out of control over eating or like you can’t stop eating).
Raising awareness about body image and healthy eating can be a first step in removing weight stigma and reducing eating disorders on college campuses. Educate yourself about eating disorders so you will be better equipped when trying to help someone in need. After doing so, raise awareness so that other students understand what eating disorders are and how they can find help if they need it. Here are a few tips for helping your friends who are battling eating disorders:
  • Tell your friend you are concerned about them and have an honest conversation where the focus is not on body image, but rather on health
  • Compliment your friend’s success, personality, and achievements—not just their appearance
  • Be a good role model – exemplify healthy eating habits
  • Let your friend know you are always available for support and help
  • Make your friend aware of the resources on campus. Offer to accompany them if they choose to take advantage of these resources
  • Recognize and set your limits. If the situation is out of control, go to a professional.
Many college campuses have resident advisors (RA) in their dorms who can counsel and refer them to professionals for treatment. There are many college organizations that focus on erasing the stigma of mental health and eating disorders, and can be great support systems for individuals suffering from eating disorders on campus. Moreover, within campus health there is usually a counseling and psychological services division (CAPS). Any student who wants to discuss his/her physical, emotional, spiritual, or mental well being can walk in or set up an appointment with a counselor for individual, couples, or group therapy. University affiliated hospitals also exist and may house specialized eating disorder centers that provide therapy, nutritional counseling, medication management, and physical monitoring.
For students at UNC-Chapel Hill who may be suffering from an eating disorder or know someone who is, a list of resources can be found on the UNC CEED website. Also, register to attend one of Embody Carolina’s 4-hour peer lead workshops, which provide education and training to students on how to serve as compassionate and effective allies to those struggling with eating disorders on campus. Embody Carolina is an accredited Buckley Public Service Scholars (BPSS) Skills Training and can be used to fulfill the requirements of the BPSS program. You can also join the Embody Carolina team, serving on the leadership board, leading training workshops, or participating in outreach initiatives on campus, thereby helping to create a more protective environment for individuals vulnerable to or currently struggling with eating disorders on campus.
Resources:
National Eating Disorders Association. N.p., n.d. Web. 11 Aug. 2014.
National Association of Anorexia Nervosa and Associated Disorders. N.p., 1976. Web. 11 Aug. 2014
 
photo credit: Avolore via Creative Commons

Aug 17, 2014

3 artigos científicos de 2014 sobre Compulsão Alimentar e outras doenças do comportamento alimentar em Portugal



A revista científica European Eating Disorders Review publica artigos que nos ajudam a perceber melhor as causas, diagnóstico e tratamento da Anorexia Nervosa, da Bulimia e de outras doenças relacionadas com o comportamento alimentar.
 
Referenciamos em seguida 3 artigos publicados em 2014 que analisam casos em Portugal (em todos são incluídos os links para a revista onde podem ser lidos os resumos e os textos integrais em inglês).
 
Juntamos ainda uma tradução livre do resumo de um deles referente a um estudo sobre Compulsão Alimentar (Binge Eating Disorder, BED) nos estudantes do ensino superior em Portugal publicado em Maio de 2014.
 

European Eating Disorders ReviewVolume 22, Issue 3, May 2014, Pages: 185–190, Mónica Ribeiro, Eva Conceição, Ana Rita Vaz and Paulo P. P. Machado

RESUMO:

A Compulsão Alimentar (Binge eating disorder, BED) tem outras doenças associadas e foi recentemente considerada como uma categoria específica no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – Fifth Edition (nota de esqueciaana: neste blogue  encontra várias referencias ao DSM e como nele têm evoluído as categorias das doenças de comportamento alimentar).

Este estudo investiga a prevalência da Compulsão Alimentar (BED) numa amostra de estudantes universitários portugueses tendo sido selecionada a amostra em duas etapas [nota de esqueciaana: no esquema abaixo resume-se as etapas de selecção da  amostra]. 

Entre Outubro de 2008 e Julho de 2009,  805 estudantes universitários de uma universidade pública do Minho completaram o questionário Questionnaire on Eating and Weight Patterns – Revised  [nota de esqueciaana: um questionário similar pode ser encontrado aqui, e uma versão portuguesa aqui]. Com base nesse questionário foram identificados os casos a entrevistar numa segunda fase. 85 estudantes que apresentavam o critério para compulsão alimentar foram convidados a ser entrevistados, nessa segunda fase, com base no Eating Disorder Examination.

Na primeira etapa, 9,6% dos inquiridos assinalaram episódios de compulsão alimentar. Na segunda etapa do estudo a taxa de prevalência foi de 0,5% para Compulsão Alimentar e de 1% no caso de ser excluído o critério de uma grande quantidade de alimentos.
 
Nota de esqueciaana:As Figura 1 e Tabela 2 abaixo foram retiradas do artigo original cuja leitura recomendo.
 


European Eating Disorders ReviewVolume 22, Issue 3, May 2014, Pages: 185–190, Mónica Ribeiro, Eva Conceição, Ana Rita Vaz and Paulo P. P. Machado
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References
 
 
European Eating Disorders Review
Volume 22, Issue 4, July 2014, Pages: 243–251, Bárbara C. Machado, Sónia F. Gonçalves, Carla Martins, Hans W. Hoek and Paulo P. Machado
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References


Early Response as a Predictor of Success in Guided Self-help Treatment for Bulimic Disorders
European Eating Disorders ReviewVolume 22, Issue 1, January 2014, Pages: 59–65, Ana R. Vaz, Eva Conceição and Paulo P. P. Machado
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References

(imagens de Escher)

Nov 13, 2013

...testemunho de anorexia (livro de BD de Katie Green )

 
Acaba de ser publicado um livro de BD, Lighter than my shadow que constitui um testemunho da sua autora (Katie Green) em relação à sua experiência de anorexia. A autora possui um blogue com várias ilustrações e testemunhos e algumas páginas do livro podem ser lidas on line.
 
A ilustração abaixo representa o estado de espírito após ter assinado o contrato com a editora.
 
 

(clique na imagem para ampliar)

Nov 6, 2013

... likes, instagram e anorexia (testemunho de Amanda Melito)


 


Quantos likes essa anorexia merece? Duas garotas lindas e inteligentes definham enquanto seus seguidores elogiam sua magreza. Esta semana, uma morreu. Amanda Melito, que acordou a tempo, conta sua história.

Postado em 23 ago 2013por :  no diário do Centro do Mundo (Brasil)
 
Na última terça-feira, dia 20, uma jovem gaúcha com milhares de fãs nas redes sociais, autora de comentários espirituosos no Twitter e com centenas de fotos que sublinhavam sua beleza postadas na rede, morreu. Ela atendia pela arroba @megan_foques e chamava-se Daiane Dornelles. Amigos e conhecidos apontam como causa da morte complicações de uma disfunção alimentar que pouco a pouco alcança níveis epidêmicos: a anorexia nervosa.
Outra tuiteira de sucesso, @amandamelito (ela já se apresentou como @cherguevara, mas desistiu do trocadilho), resolveu não calar. Elas não se conheciam. Mas Amanda experimentou o inferno do qual Daiane não foi resgatada. A pedido do Diário, ela escreveu um depoimento.
Bons tempos em que pegar o jornal sobre o capacho consistia na primeira fonte de informação do dia. Hoje, nossas manhãs se transformaram num ritual em que nos inteiramos da vida alheia: em que restaurante as pessoas andam comendo, em que balada cara entram no cheque especial, em que “look” as gatas andam se oferecendo. E nos mostrando, claro. Gastamos os primeiros minutos do dia apegados ao que muitos pregamos ser irrelevante: a incessável busca da aprovação da nossa audiência particular. Eu falei “primeiros minutos do dia”? Começa cedo e vai o dia inteiro, a gente sabe bem.
Vemos pessoas comuns exibindo suas silhuetas e assumindo notoriedade suficiente para se tornarem padrões de beleza entre seus fãs. É curioso, mas acompanhamos famosos nos seus dias de anônimos – e anônimos se transformando celebridades. Participamos da rotina das celebridades e dos momentos de glória dos aspirantes. “Podemos ser um deles” – será que é isso que secretamente pensamos?
Até meus 14 anos, mesmo estando naquela fase conturbada de pré-adolescência, nunca tive muita preocupação com a minha aparência. Na época, já tinha a altura que permanece intacta até hoje: 1,58 m. Meu peso era compatível com a minha estatura, e oscilava entre 48kg – 50kg. Era vaidosa, lógico, adorava me embonecar, mas satisfeita com o meu físico. Minha família se encaixava perfeitamente no modelo de lar ideal: pais com um casamento estável, patriarca com carreira em ascensão, filhos saudáveis e domáveis.
Mas, subitamente, as coisas começaram a degringolar. Meus pais tiveram problemas conjugais e eu, caçula, senti aquela redoma, até então blindada, espatifar. Desolada, consumida por uma tristeza profunda, aos poucos fui parando de comer. Não tinha nenhuma meta, fora a inconsciente de desviar a atenção do divórcio iminente deles. Comecei a emagrecer exponencialmente e consegui “reter” o olhar da minha família. E, pouco a pouco, passei a sustentar um objetivo palpável. Esquálida, pesando 38kg, me olhava no espelho e me via enorme. Usava roupas largas e ainda assim me queixava que elas acentuavam meu “sobrepeso”.
Já havia iniciado um tratamento psiquiátrico, mas mesmo assim não respondia as investidas médicas. Até que um dia, no banho, consegui por uma fração de segundo me enxergar. Entrei em pânico e resolvi voltar a comer. Passei muito mal no começo, meu organismo não aceitava quase nada do que eu ingeria. Mas gradativamente fui me recuperando, e consegui me manter estável pelos próximos 10 anos.
De 1997 pra cá, tive duas recaídas: a primeira foi em 2008, quando já morava sozinha. Voltei a pesar 38kg, precisei ser afastada do trabalho, mas consegui reagir e reverter o quadro relativamente rápido. A segunda, e mais violenta, começou em 2011.
Em ambas reincidências, eu havia sofrido um desgaste emocional pesado, estava com o coração em frangalhos. Veja, não estou atribuindo a responsabilidade de ter adoecido a nada e a ninguém. Não existem culpados. Existem situações e condições que te deixam mais vulnerável. Em menos de 1 ano, perdi 20% do meu peso – uma porcentagem expressiva para quem tem a minha altura.
Minha família, meus amigos, meu namorado, meus colegas de trabalho se mobilizaram para me ajudar, mas eu negava e era extremamente ríspida com quem se aproximava de mim para oferecer auxílio. Eu tentava os confortar dizendo que estava tudo bem, porque realmente achava que estava.
E esse é o grande perigo da anorexia nervosa, a única doença de ordem psiquiátrica que pode levar à morte: ela age de forma silenciosa; você não tem sintomas concretos que te alertam que algo está errado.
E aqui entra a parte sinistra da coisa. A coisa que, suspeito, matou a bela Daiane. Mesmo que apresentasse todos os sintomas, eu contava com o apoio de seguidores no Instagram que alimentavam (sem ironia) o resultado da minha privação.
Nunca fiz apologia à doença, até porque demorei muito para admitir que tinha um distúrbio, mas continuava publicando minhas famigeradas fotos de elevador. E, mesmo em um estado deplorável, recebia elogios que me davam forças para continuar enfraquecendo.
Bem, fui novamente afastada do trabalho e submetida a um tratamento intensivo, com respaldo semanal de nutricionista, psicólogo e psiquiatra. Dessa vez, a doença estava tão arraigada em mim que meu quadro apresentava sérios riscos clínicos. Pesando 30kg e correndo risco de morte, fui internada involuntariamente em 31 de agosto de 2012 no Ecal – Enfermaria de Comportamento Alimentar – centro do Hospital das Clínicas especializado em transtornos alimentares. Por 3 meses, convivi com meninas que tinham problemas de distorção de imagem, cada qual com sua peculiaridade.
Quantas noites chorando baixinho e pedindo paciência. Quantos sonos interrompidos por pesadelos. Quantas manhãs letárgicas experimentando os olhares mais tristes que eu já tive. Até que tudo que estava descarrilado foi entrando nos eixos. Quase um ano se passou, e me mantenho forte. Passei a canalizar toda a obstinação que era usada em prol de um biotipo que eu julgava ideal para a manutenção da minha saúde.
Graças a essa intervenção, aprendi a comer. Aprendi a encarar como um elogio a beleza “exótica” que me endereçavam e até a me orgulhar das pernocas grossas que eu sempre tive.
A máxima de qualquer tratamento deste tipo: um dia de cada vez.  Nunca estaremos livres. Eu tive ajuda. Outras garotas não têm.
O que elas têm são centenas, milhares de polegares estendidos positivamente em sua direção dizendo apenas umas coisa: continua assim. Você está linda.
O instagram da Daiane: http://instagram.com/daidornelles
 

Sep 4, 2013

..."Do vazio mental ao vazio corporal: um olhar psicanalítico...(artigo científico)



Um estudo baseado na análise de 10 comunidades pró anorexia e bulimia (pro-ana e mia) no Brasil:  
Do vazio mental ao vazio corporal: um olhar psicanalítico sobre as comunidades virtuais pró-anorexia1
Autores: Melina Vianna Fava , Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP, Brasil;  Rodrigo Sanches Peres2
Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia-MG, Brasil
 
 Resumo:
Ambientes virtuais “pró-anorexia”, ou seja, voltados à promoção e perpetuação do transtorno em questão, têm se proliferado na internet pelo mundo todo.
 
O presente artigo tem como objetivo empreender uma leitura psicanalítica de comu­nidades virtuais desta natureza. Trata-se de um estudo documental, no qual se privilegiou a abordagem qualitativa e o enfoque naturalístico. As descrições de dez comunidades virtuais “pró-anorexia” brasileiras foram submetidas a análises descritivas e exploratórias. Tais análises evidenciam que a negação da natureza psicopatológica do transtorno e a recusa da própria fe­minilidade fomentam a conduta anoréxica. Observou-se também uma tendência à personificação da anorexia nervosa, o que pode ser indicador de uma importante fragilidade narcísica. Dessa forma, consideramos oportuno alinhar a anorexia nervosa ao conceito nosográfico de vazio mental, condição patológica potencializada pela sociedade atual. Portanto, entendemos que, na anorexia nervosa, os ditames repressores da cultura promovem uma espécie de transposição do vazio mental ao vazio corporal.
Palavras-chave: anorexia nervosa, psicanálise, internet (rede de computador).
O artigo pode ser lido na totalidade e gravado (pdf) seguindo o link abaixo:
Transcrevo parte de um texto retirados desses sites (assustador!): "Fome passa; gordura não. Se vc comer vai estragar o esforço q fez ontem. Comer é vício. Comer é para fracos. Vc controla a sua mente. Olha essas gordu­ras, tudo o q vc come aumenta elas. (...) As Anas estão com vc;e elas não estão comendo... E estão ficando mais magras q vc. Beba um copo de água. Comer não é normal... (...). Não é pq todo mundo come vc tem q comer Tb. Não pense q está fazendo algo de errado, vc não está. "

Jul 22, 2013

...Dircursos sobre Anorexia Nervosa (artigo científico 2012; em português)


Pode ser lido na integra um artigo científico publicado  na revista Psicologia & Sociedade; 24 (2), 472-483, 2012, basta seguir o link :
http://www.scielo.br/pdf/psoc/v24n2/24.pdf
OS HERÓIS, VÍTIMAS E VILÕES:DISCURSOS SOBRE A ANOREXIA NERVOSA
AUTORES: Maria Araújo e Margarida Henriques (Universidade do Porto, Porto, Portugal) ;Isabel Brandão e António Roma Torres (Centro Hospitalar de São João do Porto, Porto, Portugal)
RESUMO:
"Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre os discursos dominantes sobre a anorexia nervosa da Idade Média à actualidade. Coloca em destaque os heróis, vilões e vítimas, culminando num olhar sistémico-familiar. Se durante séculos predominaram narrativas individuais de heroínas santas, posteriormente, na era do pensamento médico, estas heroínas passaram a vítimas de uma doença mental. Mais tarde, com os movimentos da anti-psiquiatria e da terapia familiar, emergem novas narrativas com mais protagonistas: os familiares. Se, primeiramente, as famílias são retratadas como vilãs, dadas as suas influências nocivas, nas últimas décadas as famílias são ilustradas como sistemas vítimas do impacto da doença. Na actualidade, surgem narrativas de famílias competentes, capazes de superar o problema. Este artigo termina refletindo sobre esta multiplicidade de leituras e suas implicações.
Palavras-chave: anorexia nervosa; relações familiares; história."

Do texto  destaco esta referência:

"De acordo com um estudo realizado por Nilsson e Hagglof (2006) (*) quando questionadas 58 mulheres recuperadas relativamente
sobre as pessoas que foram mais importantes para a recuperação,
 
38% referiram os familiares,
 
35% apontaram para os profissionais de saúde,
 
33% os amigos e
 
24% o namorado,
 
o que coloca em evidência a importância dos diferentes elementos do sistema para a recuperação, ou seja, familiares, técnicos e amigos enquanto possíveis colaboradores activos para a mudança.
 
 
 
 
 
 

(*) Nilsson, K. & Hagglof, B. (2006). Patient perspectives of recovery
in adolescent onset anorexia nervosa. Eating Disorders,14, 305 – 311.

 
imagem retirada de flick cc aqui