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Sep 22, 2014

DEPRESSÃO (video OMS) "manter uma mentira emocional deixa-nos exaustos"...


A Organização Mundial de Saúde inclui nesta página http://www.who.int/topics/depression/en/ alguma informação sobre depressão. O video (versão legendada no Brazil) chama-se: UM CACHORRO PRETO CHAMADO DEPRESSÃO. Video original: "I had a black dog: his name was depression" (4:17)https://www.youtube.com/watch?v=XiCrniLQGYc

Atualmente, a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro. Projeções da OMS estimam que no ano de 2030, entre todas as doenças, a depressão será a mais comum.  Existem tratamentos efetivos, mas menos da metade dos afetados pela doença recebem qualquer tipo de tratamento. Se o leitor ou alguém próximo  sofre de depressão, procure ajuda profissional.  Esse pode ser o primeiro grande passo em direção a uma grande mudança.
(nota do esqueciaana: usar um cão como referência para a DEPRESSÃO talvez não tenha sido a esolha mais feliz - porque não antes um monstro? uma carraça? uma lapa?- mas pensando bem a ideia é de que se agarra, se fideliza, se 'afeiçoa ao dono, o deprimido'. E a afeição é mútua. E assim sendo a figura do cão não está mal escolhida. PS-Desculpa Farrusco!)
 

May 25, 2013

Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais


Notícia publicada no Diário de Notícias (aqui) e abaixo sobre o 'Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais' (DSM5) agora aprovado. Também no site da bbc-Brasil há uma referência aqui.

No esqueciaana escrevemos alguns posts sobre a discussão em torno deste manual (uma listagem e caracterização das doenças mentais onde se incluem a Anorexia e a Bulimia). Ficam a lista de alguns desses posts, dois deles do blogue da Vanessa Mardsen:

Ainda há tempo para salvar o normal:

http://psiquiatriaetoxicodependencia.blogspot.pt/2010/03/ainda-ha-tempo-de-salvar-o-normal.html
visitar o livro do coordenador  da versão DSM4 (aqui)
 
A discussão do DSM as duas versões (anterior e em discussão)a anorexia e a bulimia (quadro comparativo)
http://esqueciaana.blogspot.pt/2010/02/diagnostico-da-anorexia-discussao-dsm.html
 
Ainda a discussão do DSM:
Anorexia : doença não opção:
Classificar as doenças:

Mude de mentalidade...

Fonte: Diário de Notícias

A nova edição da "bíblia da psiquiatria" cria 18 novos distúrbios e acende forte polémica em todo o mundo.
 
"Em algumas idades, uma birra pode ser vista como normal. Duas nem por isso. Três é já um distúrbio psiquiátrico. Três já é um distúrbio psiquiátrico. Pelo menos segundo a quinta e última edição do 'Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais' (mais conhecido por DSM5), aprovada esta semana e que está a criar polémica em todo o mundo", escreve o Expresso na edição deste sábado.
"A nova edição - que resulta do debate entre 1500 especialistas e das descobertas feitas desde a última versão, há 13 anos - aumenta o número de doenças mentais para 297 (mais 18 do que até agora) e, com isso, o universo de 'doentes' a precisar de tratamento. Muitos especialistas, no entanto, consideram que se foi longe de mais, classificando-se como patológicos comportamentos que podem não sê-lo", refere aquele semanário.
"Apesar de elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria, o DSM é referência em todo o mundo. O reconhecimento de uma nova doença ou uma alteração dos critérios de diagnóstico tem impacto na prática diária de milhares de consultórios, clínicas ou hospitais europeus. Portugal - onde o consumo de psicofármacos não tem parado de crescer - não é exceção", refere o Expresso.

Mar 4, 2013

...Anorexia e funcionamento dos rins (artigo científico de investigadores portugueses em British Medical Journal (2013)

Foi publicado recentemente (17 de Janeiro 2013) um artigo de investigadores portugueses na revista científica BMJ British Medical Journal  (que pode ser lido aqui). Transcrevemos a tradução adaptada do resumo e pedimos desculpa aos Autores se não somos completamente fiéis que pode ser lido em inglês aqui.
 
Título: Anorexia nervosa e diálise: não temos tempo quando o corpo está tão danificado!
Autores: 1. Eva Osório,2. Isabel Milheiro,3. Isabel Brandão,4. António Roma Torres
1. Departamento de Psiquiatria, Centro Hospitalar de São João, EPE, Porto, Portugal
1. Correspondência para o Dr. Eva Osório, eva.agape @ gmail.com
BMJ Case Reports2013; doi:10.1136/bcr-2012-007294
RESUMO
 
"Anorexia nervosa é díficil de tratar  e difícil de prevenir. Cerca de 5% dos indivíduos afectados morrem desta doença e 20% desenvolvem um transtorno alimentar crónico. A anorexia nervosa pode associar-se a várias complicações médicas de gravidade variável, incluindo a disfunção do sistema renal (rins). Embora existam alguns relatos de insuficiência renal em pacientes com anorexia nervosa, poucos são os relatos sobre pacientes que necessitaram de diálise de manutenção. Relatamos um caso de um paciente com  anorexia nervosa-compulsão alimentar/tipo purgativo persistentes e não tratadas durante muito tempo. Esse paciente iniciou   o tratamento psiquiátrico, quando estava numa situação de risco de vida (insuficiência renal com necessidade de diálise), com insucesso na recuperação de peso enquanto em diálise e que faleceu de septicemia. São descritos os mecanismos que parecem ter estado envolvidos no desenvolvimento da fase final da doença renal no paciente e os lutas associadas ao seu tratamento. Os pacientes com anorexia nervosa devem ser cuidadosamente acompanhados para descobrir as manifestações subtis de insuficiência renal."

Aug 29, 2012

...ENCONTRO: (Actualizado em 28 Setembro 2012)) DOENÇAS do COMPORTAMENTO ALIMENTAR: Como estamos? E para onde vamos? (programa de Encontro em Lisboa 28 e 29 de Setembro)


Encontro sobre Doenças do Comportamento Alimentar: Como estamos? E para onde vamos?
Organizado por Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar (NDCA)
Em Lisboa  nos dias 28 e 29 de Setembro 2012
O PROGRAMA (clique para aumentar) e a ficha de inscrição estão abaixo:
 
 
Nota da esqueciaana:  Actualização em 28 de Setembro: irei entrar em contacto com os organizadores e oradores a solicitar os materiais disponibilizados durante este Encontro. Irei aqui dando notícia.
(abaixo a carta enviada pela presidente da AFAAB, Adelaide Braga)
Olá Amigas e Amigos
É já nos próximos dias 28 e 29 de Setembro que se realiza, em Lisboa, o Encontro de Outono, cujo tema é aquele que todos nós, infelizmente, já bem conhecemos.
Está a ser organizado pelo NDCA – Núcleo das Doenças do Comportamento Alimentar, conforme o programa que juntamos.
É da maior importância para todos, em especial para as famílias que lidam diariamente com doentes afetados por estas doenças. É a oportunidade para exporem as suas dúvidas, os seus anseios, as suas exigências, no sentido de se melhorar o tratamento e acompanhamento de quem sofre com estas ansiedades e dúvidas – muito pertinentes –.
Envidaremos todos os esforços para que a forma de lidar com algumas situações nos sejam apresentadas pelos Técnicos Especialistas que estarão presentes, e para as quais nos sentimos impotentes.
A AFAAB terá uma participação neste evento, no dia 29, sábado, pelas 14H00, por convite do NDCA, que nos reservou um tempo deste encontro, para receber Famílias, a custo zero, que pretendam dar o seu testemunho e/ou apresentarem sugestões no sentido de serem encontradas as melhores soluções para, em casa, podermos ajudar os Médicos a tratar dos nossos doentes.
Assim, venho apelar ao V/empenhamento para que nos encontremos naquele dia 29 de Setembro, para debater assuntos que nos são tão caros.
Dentro das vossas disponibilidades de tempo, aguardo uma resposta o mais breve possível, enviando um grande abraço de amizade, na certeza de que vou encontrar o eco necessário para a continuação de um trabalho que desejamos seja o melhor para podermos continuar a ajudar todos os que necessitam desta ajuda.
Adelaide Braga (presidente da AFAAB)

Aug 17, 2012

...18 blogues sobre anorexia e bulimia (em inglês)

A HealthLine dos Estados Unidos http://www.healthline.com/health-slideshow/best-eating-disorders-blogs#1 seleccionou os melhores 18 blogues de 2012 sobre doenças do comportamento alimentar (eating disorders). Todos com base norte americana e alguns ligados a clínicas ou clínicos. Outros a livros publicados ou a publicar.Três deles sigo há alguns anos e por vezes transcrevo no esqueciaana parte das notícias ou testemunhos. Segue a lista e respectivos links:

ED Bites (o meu preferido!) http://ed-bites.blogspot.pt/

Does Every Woman Have an Eating Disorder? http://everywomanhasaneatingdisorder.blogspot.pt/


Eating Disorders Blogs http://www.eatingdisordersblogs.com/




The Unglamorous World of Eating Disorders http://unglamorouseatingdisorders.blogspot.pt/






Fighting Anorexia http://fightinganorexia.com/

Eating Disorders Coalition News and Information Blog http://eatingdisorderscoalition.blogspot.pt/

Cleveland Center for Eating Disorders http://www.eatingdisorderscleveland.org/blog/

Kartini Clinic for Disordered Eating http://www.kartiniclinic.com/blog/

Jun 9, 2012

... jovens que vivem em função da comida e "não dão sinais físicos da doença"


De uma entrevista à Dra. Sandra Torres (aqui)  . A Tese de Doutoramento da Dra. Sandra Torres pode ser consultada também no esqueciaana aqui.

É muito difícil apurar o número de casos de anorexia nervosa em Portugal. "É uma doença muito mediatizada", evidencia Sandra Torres, doutorada em anorexia nervosa.
"Tudo indica que não esteja a aumentar." No entanto, há um novo "fenómeno emergente" que são jovens que vivem em função da comida e "não dão sinais físicos da doença".
"Têm um sofrimento muito grande, há um distúrbio do comportamento alimentar, mas não há uma perda excessiva de peso", comenta. Apesar de não serem casos tão graves, vivem "horrores se aumentam de peso", vomitam e a vida é orientada pelo peso e pelo que é ingerido.
(...)
Fotografia de Stephen Chernin

Apr 11, 2012

..."Vivemos Livres numa Prisão" (Daniel Sampaio) + comentário recebido


Vivemos Livros Numa Prisão é uma obra que nos fala de duas problemáticas particularmente pertinentes. A segunda parte debruça-se sobre a Anorexia Nervosa, nomeadamente o diagnóstico, as causas, a avaliação e o tratamento, o internamento e a prevenção desta doença. A primeira parte aborda um tema já tratado em obras anteriores, mas com necessidade permanente de novas abordagens, aprofundando o problema da adolescência no espaço escolar e as estratégias para se lidar com situações problemáticas. Uma obra útil e oportuna para adolescentes, pais, professores e especialistas da saúde.

Recebi este comentário de Passarinho:

"Li este livro há uns anos atrás, naquele que foi o meu primeiro internamento. Curiosa como sou, tenho uma necessidade de absorver informação sobre tudo e mais alguma coisa que me influencie ou me chame a atenção. E saber mais sobre distúrbios alimentares não foi excepção.
Cheguei a ler partes do livro aos meus pais para que eles percebessem aquilo que eu sentia e pensava, de modo a me distanciar um pouco de toda a emotividade associada. Já sabemos como funciona falar de sentimentos quando a anorexia anda a mexer com o nosso cérebro. Exprimir emoções = causar um dilúvio digno de um filme."

Jan 16, 2012

...23 ideias erradas sobre doenças do comportamento alimentar (fonte: NEDA-US)

" ESTÁ NA HORA DE FALARMOS SOBRE O ASSUNTO"Encontrei esta informação sobre os mitos relativos às doenças do comportamento alimentar ( no Brasil um termo frequentemente usado é Transtornos Alimentares-TA) (em inglês ED= EATING DISORDERS) aqui no National Eating Disorders Information Centre-Educator Toolkit.
Apenas transcrevo a lista dos 23 mitos fica a promessa de os comentar um a um em futuros posts (promessa ainda não cumprida pelo esqueciaana).
Gostaria de conhecer também os vossos comentários e interrogações sobre cada um dos 23 (ou acrescentar outros).
Nota: a ordem porque são apresentados não corresponde necessáriamente à importância de cada um dos mitos.
Algumas afirmações podem ser  'verdadeiras apenas parcialmente', logo falsas. Não há meias-verdades.
mito #1. Os transtornos alimentares (TA) não são uma doença FALSO
mito #2. Os transtornos alimentares são raros FALSO
mito #3. Os transtornos alimentares são uma escolha do doente FALSO
mito #4. Só as jovens e mulheres podem ter transtornos alimentares FALSO
mito #5. Homens que sofrem de transtornos alimentares tendem a ser gay FALSO
mito #6. A anorexia nervosa é a única doença grave do comportamento alimentar FALSO
mito #7. Não se pode morrer de bulimia FALSO
mito #8. Os transtornos alimentares sem sintomas graves (não diagnosticados) não são graves FALSO
mito #9. Fazer dieta é um comportamento normal(aceitável) do adolescente FALSO
mito #10. A anorexia é apenas uma dieta que 'deu para o torto' FALSO
mito #11. Uma pessoa com anorexia não come FALSO
mito #12. Pela a parência percebe-se sempre se uma pessoa sofre de uma TA FALSO
mito #13. Os transtornos alimentares têm a ver com a aparência e com a beleza FALSO
mito #14. Os transtornos alimentares são causados por imagens não saudáveis e irrealistas divulgadas pelos meios de comunicação FALSO
mito #15. Apenas pessoas de nível socioeconómico elevado sofrem de transtornos alimentares FALSO
mito #16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara FALSO
mito #17. As doenças do comportamento alimentar são meras tentativas para chamar a atenção FALSO
mito #18. Purgar/Vomitar é apenas expelir a comida FALSO
mito #19. Purgar ajuda a perder peso FALSO
mito #20. Se não estiver 'pele e osso' então não está doente FALSO
mito #21. Crianças com menos de 15 anos são muito novas para terem uma doença do comportamento alimentar FALSO
mito #22. Apenas se pode ter um tipo de doença do comportamento alimentar de cada vez FALSO
mito #23. Quando o peso normal é alcançado a anorexia está curada FALSO

AQUI o original em inglês
5 comentários, interrogações e afins:
Exahmia disse...
É curioso este post, hoje uma amiga falou comigo sobre este assunto, ela quer fazer uma curta metragem sobre este tema e pediu me ajuda para escrever o argumento, sobre TA e sobre o facto de não ser só sobre anorexia e bulimia, há mais do que esses dois.

Sobre estes 23 mitos, acho que o 16 não está bem claro.

16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara FALSO

Não é assim tão falsa, certo? Na verdade a recuperação total é realmente rara se não impossível.
Seria uma completa mentira dizer que certas coisas não vão ficar provavelmente para sempre, também depende muito do estado da pessoa, mas de uma forma geral a recuperação nunca é total, é possível viver bem e com uma certa paz em relação a comida mas provavelmente em 10, talvez o que? 1 recupere totalmente SE levar o tratamento até ao fim.

Claro que uma pessoa com 17 anos que teve TA durante 2 tem mais hipóteses de recuperar que uma com 30 que teve TA durante 14 anos, acho que o ponto 16 envolve muita coisa, não é assim tão linear responder a isso.

24 de Fevereiro de 2010 23:21
ex ana disse...
Por isso é indispensável analisar cada um dos 23 em seprado. Por isso referi as meias verdades...que são mentiras. Ou seja algumas das afirmações podem ter um certo grau (variável) de alguma verdade mas não podem ser tomadas em absoluto como ideias 100 verdadeiras e incontestáveis.
E sim pode existir recuperação total. E sim, quanto mais cedo o tratamento e portanto menor a duração maior a probabilidade de ela ocorrer.
Agradeço o comentário e irei tratar cada um dos pontos com os dados e argumentos objectivos que conheço. Pois como sabes o conhecimento científico ainda não é completo e consensual...

25 de Fevereiro de 2010 06:29
ex ana disse...
Exahmia,
Quando quiseres dar mais notícias da curta metragem terei muito gosto em divulgar aqui...
Sim há mais que dois TA, aliás esse é um aspecto actualmente em discussão no DSM V. Os outros são uma parcela grande no conjunto e por vezes nomeadamente nos US são falsamente classificados em A ou B por questõe spráticas associadas aos seguros de saúde (irei procurar tb informação sobre isso).

25 de Fevereiro de 2010 20:27
Sil disse...
Olá,
Tudo bem?
Bom e útil este post. A muitos mitos a serem desmitificados acerca dos Transtornos Alimentares. Estes que listastes e tantos outros que podem povoar a mente de muitos de nós. O importante é buscar-se as informações fidedignas, assimilá-las e transmiti-las, assim com estás a fazer.
Muitos Parabéns!!
Fica sempre com Deus.

6 de Março de 2010 13:16
Anónimo disse...
mito #7. Não se pode morrer de bulimia FALSO
-eu nem sonhava que isso era falso!
mito #9. Fazer dieta é um comportamento normal(aceitável) do adolescente FALSO
-eu nesse penso que é verdadeiro olha so se nao esta contente com seu corpo, melhor doque criar ilusoes e dar errado.
mito #11. Uma pessoa com anorexia não come FALSO
.nem sempre é assim é possivel passar um tempao sem comer ou entao comendo muito pouco
#16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara FALSO
-é muito rara uma recuperacao total
mito #18. Purgar/Vomitar é apenas expelir a comida FALSO
-essa tambem pensava que era verdade
mito #19. Purgar ajuda a perder peso FALSO
-e essa tambem
mito #23. Quando o peso normal é alcançado a anorexia está curada FALSO
-tem ainda uma parte mental enorme pra recuperar
EU PENSO QUE MUITA GENTE TA MUITO MAL INFORMADA,E ISSO AJUDA A ESCLARECER MUITA COISA!

24 de Fevereiro de 2011 21:37

Jan 13, 2012

...7 efeitos - Estudantes com Anorexia e Bulimia

Sendo a anorexia uma doença com maior incidência na população jovem ela afecta muitos estudantes. As anorécticas/os e bulímicas/os são frequentemente, antes da doença ou até mesmo em alguma fase dela muito bons estudantes e com bons desempenhos em actividades físicas (como o desporto ou a dança). Estudantes brilhantes em alguns casos. Atletas de excelência noutros. Já referimos no esqueciaana a relação entre inteligência e anorexia usando um texto do blogue Finding Melissa.


Mas qual o efeito das doenças do comportamento alimentar sobre a actividade escolar/académica?


Uma associação norte americana a NEDA inclui no seu site um conjunto de materiais orientados para os educadores/escola e outros para os pais. De entre os inúmeros para os educadores retirámos e traduzimos (bolds nossos) este sobre os efeitos das doenças do comportamento alimentar no desempenho escolar (fonte original, em inglês, aqui em pdf).
Efeito dos problemas do Comportamento Alimentares nas capacidades cognitivas e no desempenho escolar

"Apesar de a desnutrição, a atitude perfeccionista de quem sofre de anorexia e bulimia pode estimular os doentes a manter um elevado nível de desempenho académico, que é ainda mais difícil dado o seu estado físico e mental." [nota de esqueciaaana: este aspecto é particularmente relevantes para os pais e familiares que muitas vezes pensam erradamente que 'se vai bem nos estudos' tudo vai bem...]

“Os transtornos alimentares (TA) podem afectar profundamente a capacidade de aprendizagem de uma criança ou jovem. Compreender como algumas das formas de um distúrbio alimentar podem afectar a função cognitiva pode ajudar os educadores a reconhecer que um aluno está com problemas. Abaixo são listadas os principais efeitos de um transtorno alimentar sobre o funcionamento cognitivo. A função cognitiva também será afectada pelo transtorno mental que frequentemente coexiste com um distúrbio alimentar, tal como a ansiedade, a depressão e o transtorno obsessivo-compulsivo.
Resumo dos resultados da investigação sobre o impacto da desnutrição nos estudantes:
1. pode ter efeitos prejudiciais para o desenvolvimento cognitivo em crianças e jovens;
2. tem um impacto negativo sobre o comportamento do estudante e o desempenho escolar;
3.
faz os estudantes sentirem-se irritados, diminui a capacidade de concentração e atenção, diminui a capacidade de ouvir e processar informação, pode causar náuseas, dor de cabeça, e faz com que os estudantes se sintam cansados e com falta de energia;
4.
faz com que os estudantes com doenças do comportamento alimentar sejam menos capazes de executar tarefas comparando com restantes os colegas;
5.
leva a carências de nutrientes específicos, como o ferro, que tem um efeito imediato na memória  e na capacidade de concentração;
6.
pode fazer com que os estudantes se tornam menos activos e mais apáticos, se isolem, e tenham pouco convívio social;
7. pode prejudicar o sistema imunológico e tornar os estudantes mais vulneráveis a doenças ao aumento do absentismo." Fonte: NEDA
Mais posts no esqueciaana sobre Estudantes no search e :
aqui: Sobre estudantes e dca
Imagem: flickr cc (aqui)

Dec 17, 2011

...Cada caso é um caso (artigo científico no International Journal of Eating Disorders)


Acaba de ser publicado (Dezembro 2011) um artigo numa revista científica (INTERNATIONAL JOURNAL OF EATING DISORDERS ) que apresenta os resultados de um estudo que acompanhou ao longo de cinco anos 136 doentes com Anorexia Nervosa e 110 com Bulimia Nervosa. Foram analisados três sintomas centais: baixo peso corporal, compulsão alimentar e purgação. (nota do esqueciaana: nos artigos científicos a designação de anorexia e bulimia é sempre feita com o adjectivo NERVOSA ao contrário da linguagem comum. Mas não existem duas anorexias e duas bulimias, umas nervosas e outras não, como já ouvi ignorantemente alguém dizer.) Abaixo o resumo (tradução livre de esqueciaana e um dos gráficos a mostrar trajectórias).

Para ler todo o artigo (eminglês) fica o link abaixo (pode ser descarregado sem custo):
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/eat.20880/pdf

Uma investigação das trajectórias conjuntas de baixo peso corporal, compulsão e purgação
em mulheres com anorexia nervosa e bulimia nervosa
(título original: An Investigation of the Joint Longitudinal Trajectories of Low Body Weight, Binge Eating, and Purging in Women with Anorexia Nervosa and Bulimia Nervosa )
Autores (s): Lavender, JM (Lavender, Jason M.)**; De Young, KP (De Young, Kyle P.)**; Franko, DL (Franko, Debra L.)*,***; Eddy, KT (Eddy, Kamryn T.)*,*v; Kass, AE (Kass, Andrea E.)*; Sears, MS (Sears, Meredith S.)*; Herzog, DB (Herzog, David B.)*,*vINTERNATIONAL JOURNAL OF EATING DISORDERS Volume: 44 Issue: 8 Pages: 679-686 DEC 2011

RESUMO

Objectivos: Descrever o comportamento ao longo do tempo de mulheres com anorexia nervosa (AN) bulimia nervosa (BN) em relação a três sintomas nucleares associados às doenças do comportamento alimentar: baixo peso, compulsão e purgação. É usada uma metodologia estatística inovadora.
Método: Doentes a necessitarem de tratamento de Anorexia Nervosa (136 mulheres) e de Bulimia Nervosa (110 mulheres) foram entrevistadas de seis em seis meses durante um período de cinco anos. A entrevista baseou-se no questionário Eating Disorders Longitudinal Interval Follow-Up Evaluation foi recolhida informação semanal dos sintomas de distúrbio de comportamento alimentar todas as semanas durante 5 anos. Para identificar as trajectórias de cada um dos três sintomas (nota da esqueciaana o gráfico acima mostra 4 trajectórias) foi usado um método semiparamétrico misto (nota da esqueciaana método estatístico de análise de comportamentos).
Resultados: Foram identificadas quatro trajectórias específicas para cada um dos três sintomas analisados (nota do esqueciaana: a Figura 1 acima posta os resultados para o peso). O valor a o traçado geral de cada uma dessas trajectórias são similares nos sintomas, pois em cada modelo existem trajectórias com uma estabilidade na preseça (ou na ausência) de sintomas assim como uma ou mais mostrando o declínio dos sintomas. Para o peso corporal foram encontradas trajectórias originais com peso fluctuante e aumento da compulsão. Foram encontradas trajectories únicas: para o pso baixo fluctuação e para a purgação crescimento. Foram ainda efectuadas análises conjuntas de duas trajectórias de sintomas: peso baixo e compulsão, peso baixo e purgação e compulsão e purgação.

Discussão: Em cada pessoa doente com AN ou BN, a  evoluação dos sintomas das doenças do comportamento alimentar é muito variável (nota da esqueciaana MUITO VARIÁVEL, leram senhores e senhoras que pensam que um modelo serve para todos?) . A investigação futura permitirá identificar os factores clínicos que aumentam a probabilidade de pertender a uma ou outra trajectória o que contribuirá para o tratamento e para a investigação sobre o conceito das doenças (nota da esqueciaana: chama-se em termos técnicos investigação  nosológica ) "Palavras chave: anorexia nervosa; bulimia nervosa; symptom trajectories; course; longitudinal FOLLOW-UP; DIAGNOSTIC CROSSOVER; DISORDER PHENOTYPES; NATURAL-HISTORY; PREDICTORS; ADOLESCENTS; PATTERNS; RECOVERY; CLASSIFICATION; STABILITY
*. Massachusetts Gen Hosp, Dept Psychiat, Boston, MA 02114 USA
**. SUNY Albany, Dept Psychol, Albany, NY 12222 USA
***. Northeastern Univ, Dept Counseling & Appl Educ Psychol, Boston, MA 02115 USA
*v. Harvard Univ, Sch Med, Dept Psychiat, Boston, MA 02115 USA

Dec 1, 2011

...dificuldade em identificar e expressar emoções ( questionário )


A alexitimia relaciona-se com o problema em identificar e expressar emoções. Qual a relação entre isso e a anorexia nervosa (ou outras doenças do comportamento alimentar)? A tese de Sandra Torres Brandão Ferreira, O CORPO E O SILÊNCIO DAS EMOÇÕES - ESTUDO DA ALEXITIMIA NA ANOREXIA NERVOSA, cujo resumo abaixo se reproduz e que pode ser lida integralmente aqui (ver anterior post de esqueciaana) contribui para essa resposta. Nessa tese apresenta-se este questionário que é a adaptação da escala de alexitimia de Toronto [nota do esqueciaana, eescalas deste tipo são frequentemente adoptadas pelos técnicos de saúde mental e necessitam ser adaptadas em função das idades, contextos, etc.]
RESUMO

A anorexia nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar que afecta principalmente mulheres jovens. Diversos investigadores neste campo têm proposto formulações teóricas que definem esta psicopatologia como uma perturbação da regulação dos afectos. Com base nesta concepção, o presente estudo teve como objectivo geral analisar o funcionamento emocional de indivíduos com anorexia nervosa.
Objectivamente, procurou-se
(1) definir o padrão emocional associado à anorexia nervosa, com base no estudo das emoções sentidas e na avaliação das capacidades meta-emocionais;
(2) avaliar a alexitimia, ansiedade, depressão e auto-eficácia geral, bem como a relação que estas variáveis estabelecem entre si;
(3) analisar a influência da alexitimia, da ansiedade, da depressão e da auto-eficácia geral na predição da anorexia nervosa. No estudo participaram dois grupos (clínico e não-clínico), apenas com participantes do sexo feminino.
O grupo clínico foi composto por 80 sujeitos com anorexia nervosa (critérios DSM-IV), entre os 12 e os 34 anos. O grupo não-clínico foi composto por 80 sujeitos não-anorécticos, com características semelhantes ao grupo clínico em termos de idade, escolaridade e profissão.
As anorécticas foram seleccionadas em instituições de saúde e o seu diagnóstico foi confirmado com a aplicação da Entrevista de Diagnóstico das Perturbações do Comportamento Alimentar - IV. As não-anorécticas foram maioritariamente seleccionadas em instituições de ensino e preencheram um questionário inicial breve para despistar eventuais problemas alimentares. Ambos os grupos foram avaliados relativamente à ansiedade, depressão, alexitimia e auto-eficácia geral. Em comum registou-se também o preenchimento do Questionário de Avaliação das Emoções para a Anorexia Nervosa, desenvolvido por nós para o presente estudo.
Os resultados encontrados sugerem que as anorécticas apresentam um padrão emocional distinto das não-anorécticas apenas nos estímulos que envolvem situações relacionadas com a anorexia nervosa. Perante estas, as anorécticas registaram uma emocionalidade negativa, voltada para o interior e mais intensa. Este padrão de emoção é também o mais frequente no seu dia-a-dia. Em termos meta-emocionais, as anorécticas demonstraram ter capacidade para imaginar emoções em situações hipotéticas, conseguindo relembrá-las e nomeá-las. As anorécticas apresentaram ainda níveis mais elevados de alexitimia, depressão e ansiedade e níveis inferiores de auto-eficácia geral, quando comparadas com o grupo não-clínico. A depressão e a alexitimia constituem preditores significativos do diagnóstico de anorexia nervosa. No global, os resultados reforçam a relevância da intervenção psicológica orientada para a regulação dos afectos ao nível do tratamento da anorexia nervosa.

[ nota prévia aos vários questionários apresentados na Tese:]

FACULDADE DE PSICOLOGIA E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE DO PORTO

Os questionários que se seguem estão inseridos num projecto de investigação sob a responsabilidade da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, no âmbito do curso de Doutoramento em Psicologia.

Não existem respostas certas ou erradas, ou seja, qualquer resposta que for dada está correcta. Todas as respostas são confidenciais.

A sua participação é muito importante para este estudo, mas se por qualquer motivo não quiser participar, tem todo o direito de o fazer e agradecemos de igual modo a sua atenção.

Obrigada pela sua colaboração
No esqueciaana outros posts sobre emoções:
http://esqueciaana.blogspot.com/2010/11/emocoes-e-anorexia-artigo-cientifico.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2010/07/anorexia-e-emocoes-investigacao.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2010/07/identificar-e-expressar-emocoes-e-nao.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2010/09/abracos-medos-tacto-emocoes-ciencia-e.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2011/06/dependencia-emocional-no-blogue-de.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2011/04/quinze-por-cento-dos-jovens-magoam-se.html

Jun 6, 2011

..."A depressão não passa com o tempo..." ( Tratamento da Depressão: Esclarecer Mitos, no blogue de Lídia Craveiro)

Existem muitos mitos sobre o tratamento da depressão, um post recente de Lídia Craveiro, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Psicanalítica (aqui) refere-se a eles. Também a Vanessa Marsden tem tratado o assunto. Por exemplo aqui. Também eu sei que a depressão não passa com o tempo, pelo contrário, se não é tratada piora.

Oct 17, 2010

...Médicos, ignorância e doenças do comportamento alimentar

 Abaixo transcrevo com autorização da autora (Carrie  Arnold do Blogue  EDbites dos US ) um texto sobre os médicos. Há mais de um mês tenho este texto que está muito bem escrito no original inglês (espero que a minha tradução livre não o estrague) para colocar no blogue e tenho hesitado em fazê-lo. Porquê?


Porque, apesar de saber que a alguns médicos assentam que nem uma luva as ignorâncias abaixo enumeradas, existem médicos excelentes em Portugal. Muitos médicos portugueses têm apoiado a recuperação de muitos doentes com anorexia e bulimia. Muitos doentes foram "salvos" por médicos maravilhosos, tecnica e humanamente maravilhosos. Os ex-doentes estão aí para testemunhá-lo. Mas principalmente porque os doentes devem procurar apoio dos especialistas, sempre!
Concluído o preâmbulo-aviso, segue a transcrição
...Médicos, ignorância e doenças do comportamento alimentar (dca)
 [no original: Doctors, ignorance, and eating disorders]
03/09/2010

" Há um aspecto interessante que encontrei numa dicussão sobre porque é que os médicos estão tão alheados das doenças do comportamento alimentar (Anorexia, Bulimia). Há aspectos relativos às empresas de seguros (nos Estados Unidos) e às regras dos serviços nacionais de saúde (no Canadá, no Reino Unido, etc.). Mas não estou a referir-me a isso.  É que a maioria dos clínicos não entende a doença, mesmo quando, eventualmente se intitulam de "especialistas" em doenças do comportamento alimentar (dca).

Penso que as possíveis razões para esse facto são:

1. Desconhecimento. Alguns médicos de facto, no fundo, não possuem a chave para o problema.  A situação mais perigosa (e frequente) é quando os médicos pensam que possuem a chave, mas de facto não a têm. Posso ser ainda mais específica: há aqueles que não têm idéia de que eles não percebem do assunto e há aqueles que não querem admitir que não percebem do assunto.

É curioso, porque eu respeito a sério um médico que me diz: "Sabe, isso realmente não é minha área de especialização, mas deixe-me procurar alguém que possa ajudá-la melhor." Admito que é difícil para alguém (um médico em particular) admitir que não sabe tudo, mas posso garantir-vos que passarei a respeitá-lo mais se assumir essa ignorância.

2. Impotência. Muitas das coisas para que os clínicos são formados e treinados para tratar envolvem, basicamente, dizer a um paciente o que fazer ou receitar-lhe um remédio, e o problema ficará resolvido. Mesmo noutras doenças que podem ser crónicas, complexas, há um caminho óbvio a seguir. Primeiro tenta-se um tratamento A, depois o B, depois o C. Assim, alguns médicos vão aconselhar a velha rotina "have a sandwich"  porque é o tipo de coisa que funciona com outras doenças.

Mas o problema com um transtorno alimentar não é realmente comer a sandocha. É convencer-te a comer (e digerir) a sandocha. Nem todos os doentes com dca padecem de problemas gastrointestinais mas posso garantir-vos que a maioria dos doentes pensa em comer a sandocha.   É o medo do que poderá acontecer se comer uma sanduiche que ataca a maioria dos pacientes. Penso que isso não é de facto compreendido. 

Outra coisa que acho que muitos médicos não percebem é que anorexia e a bulimia não são como as outras doenças. Porquê?

3. Pressupostos  errados. Quando alguém fica doente, geralmente quer melhorar. O problema com as doenças do comportamento alimenta é que muitos doentes  não reconhecem que têm um problema. E mesmo quando reconhecem, muitas vezes há problemas sérios com o acompanhamento clínico. Às vezes a motivação desaparece. Às vezes o doente mente para sair do consultório.  Às vezes o paciente sub valoriza a dificuldade do tratamento. Ou então o doente não compreendem a gravidade do problema ("o meu transtorno alimentar não é problemático"). A maioria dos médicos não percebem este comportamento. Não percebem porque alguém fica com estes  sintomas. Por isso, assumem que o doente está pronto e disposto a parar o comportamento doentio- o que nem sempre é verdade.

4. Regulam-se pelo doente. Nem sempre isso é mau. Acho que é bom que os médicos deixem 'assumir a liderança' aos doentes num estilo interactivo, em relação aos tipos de tratamentos que funcionam melhor, esse tipo de coisas. Mas quando um paciente não se rala verdadeiramente com uma coisa que o está a matar, os médicos muitas vezes pensam que afinal não deve ser assim tão grave.
(Eu tive este problema com a depressão simplesmente porque não demonstro plenamente as minhas emoções e tenho ao mesmo tempo um forte sentido de humor negro. Por isso, posso estar com uma depressão grave e ao mesmo tempo dizer graçolas ... de que só eu sei o verdadeiro significado).

5. A comunicação social, os mídia . Na comunicação social, quando se veêm os casos de doenças do comportamento alimentar, são apresentadas as situações mais extremas.    Por isso quando alguém entra no consultório com um peso que não é tão baixo como daquela magrizela que viu na TV na noite passada, ou que não vomita ou usa laxantes com a mesma frequência, é muito mais fácil (mas apesar disso irresponsável e estúpido) mandar o doente embora.

6. Sobre-valorização ou desvalorização das análises laboratoriais. Muitas pessoas podem estar com graves distúrbios do comportamento alimentar e mesmo assim terem o resultado das análises laboratoriais nos parâmetros normais. Por outro lado, as pessoas podem parecer mais ou menos saudáveis e terem resultados laboratoriais malucos. Mas como que peso não é realmente baixo, possivelmente não estão muito doentes. Ou se o peso é muito baixo, mas os resultados das análises laboratoriais estão normais, então não é provável que esteja muito doente.  

7. A sobrevalorização do peso. Esta explica-se por si só.

 

8. A histeria anti-obsesidade. Quando todas as mensagens que se ouvem são para se certificar de que as pessoas não estão demasiado gordas, provavelmente os médicos não reparam se elas estão demasiado magras.  Frequentemente os médicos encorajam os esforços para os doentes perderem peso porque pensam "Finalmente! Alguém a quem não tenho de debitar a lenga-lenga dos perigos dos fritos!" . Ou então os médicos ignoram a perda de peso de uma criança em crescimento porque ainda não está com "subpeso", embora a perda de peso seja rápida, acentuada, e coloca essa criança fora da curva de crescimento normal.  

9. Simplesmente não sabem lidar com as doenças do comportamento alimentar.  Sou a primeira a reconhecer que não sou uma pessoa fácil de tratar, especialmente quando estava doente. Faltava às consultas ou desaparecia e ignorava as recomendações dos médicos.  Eu não sabia que  tinha um problema, e que uma crise iria aparecer e que o inferno iria desabar sobre mim. Não invejo a sorte dos meus  médicos e terapeutas, e esse é um dos motivos mais óbvios porque não quero ser médica / terapeuta. Mas os pacientes resistentes carregam muita coisa com eles. Faz parte do jogo, e é a vida de alguém que está em jogo nas mãos dos médicos.

Porque acha que tantos médicos não conseguem entender as doenças do comportamento alimentar? Partilhe connosco os seus comentários, mas peço que isso não se transforme numa comparação para saber quem está mais doente. Não precisa dizer quantas vezes por dia ..., ou o seu peso / IMC. Não é essa a questão. O que eu estou curiosa por saber é o que a sua experiência lhe ensinou sobre porque tantos médicos estão alheados do que são as doenças do comportamento alimentar. "