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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Nov 13, 2013

...testemunho de anorexia (livro de BD de Katie Green )

 
Acaba de ser publicado um livro de BD, Lighter than my shadow que constitui um testemunho da sua autora (Katie Green) em relação à sua experiência de anorexia. A autora possui um blogue com várias ilustrações e testemunhos e algumas páginas do livro podem ser lidas on line.
 
A ilustração abaixo representa o estado de espírito após ter assinado o contrato com a editora.
 
 

(clique na imagem para ampliar)

Nov 6, 2013

... likes, instagram e anorexia (testemunho de Amanda Melito)


 


Quantos likes essa anorexia merece? Duas garotas lindas e inteligentes definham enquanto seus seguidores elogiam sua magreza. Esta semana, uma morreu. Amanda Melito, que acordou a tempo, conta sua história.

Postado em 23 ago 2013por :  no diário do Centro do Mundo (Brasil)
 
Na última terça-feira, dia 20, uma jovem gaúcha com milhares de fãs nas redes sociais, autora de comentários espirituosos no Twitter e com centenas de fotos que sublinhavam sua beleza postadas na rede, morreu. Ela atendia pela arroba @megan_foques e chamava-se Daiane Dornelles. Amigos e conhecidos apontam como causa da morte complicações de uma disfunção alimentar que pouco a pouco alcança níveis epidêmicos: a anorexia nervosa.
Outra tuiteira de sucesso, @amandamelito (ela já se apresentou como @cherguevara, mas desistiu do trocadilho), resolveu não calar. Elas não se conheciam. Mas Amanda experimentou o inferno do qual Daiane não foi resgatada. A pedido do Diário, ela escreveu um depoimento.
Bons tempos em que pegar o jornal sobre o capacho consistia na primeira fonte de informação do dia. Hoje, nossas manhãs se transformaram num ritual em que nos inteiramos da vida alheia: em que restaurante as pessoas andam comendo, em que balada cara entram no cheque especial, em que “look” as gatas andam se oferecendo. E nos mostrando, claro. Gastamos os primeiros minutos do dia apegados ao que muitos pregamos ser irrelevante: a incessável busca da aprovação da nossa audiência particular. Eu falei “primeiros minutos do dia”? Começa cedo e vai o dia inteiro, a gente sabe bem.
Vemos pessoas comuns exibindo suas silhuetas e assumindo notoriedade suficiente para se tornarem padrões de beleza entre seus fãs. É curioso, mas acompanhamos famosos nos seus dias de anônimos – e anônimos se transformando celebridades. Participamos da rotina das celebridades e dos momentos de glória dos aspirantes. “Podemos ser um deles” – será que é isso que secretamente pensamos?
Até meus 14 anos, mesmo estando naquela fase conturbada de pré-adolescência, nunca tive muita preocupação com a minha aparência. Na época, já tinha a altura que permanece intacta até hoje: 1,58 m. Meu peso era compatível com a minha estatura, e oscilava entre 48kg – 50kg. Era vaidosa, lógico, adorava me embonecar, mas satisfeita com o meu físico. Minha família se encaixava perfeitamente no modelo de lar ideal: pais com um casamento estável, patriarca com carreira em ascensão, filhos saudáveis e domáveis.
Mas, subitamente, as coisas começaram a degringolar. Meus pais tiveram problemas conjugais e eu, caçula, senti aquela redoma, até então blindada, espatifar. Desolada, consumida por uma tristeza profunda, aos poucos fui parando de comer. Não tinha nenhuma meta, fora a inconsciente de desviar a atenção do divórcio iminente deles. Comecei a emagrecer exponencialmente e consegui “reter” o olhar da minha família. E, pouco a pouco, passei a sustentar um objetivo palpável. Esquálida, pesando 38kg, me olhava no espelho e me via enorme. Usava roupas largas e ainda assim me queixava que elas acentuavam meu “sobrepeso”.
Já havia iniciado um tratamento psiquiátrico, mas mesmo assim não respondia as investidas médicas. Até que um dia, no banho, consegui por uma fração de segundo me enxergar. Entrei em pânico e resolvi voltar a comer. Passei muito mal no começo, meu organismo não aceitava quase nada do que eu ingeria. Mas gradativamente fui me recuperando, e consegui me manter estável pelos próximos 10 anos.
De 1997 pra cá, tive duas recaídas: a primeira foi em 2008, quando já morava sozinha. Voltei a pesar 38kg, precisei ser afastada do trabalho, mas consegui reagir e reverter o quadro relativamente rápido. A segunda, e mais violenta, começou em 2011.
Em ambas reincidências, eu havia sofrido um desgaste emocional pesado, estava com o coração em frangalhos. Veja, não estou atribuindo a responsabilidade de ter adoecido a nada e a ninguém. Não existem culpados. Existem situações e condições que te deixam mais vulnerável. Em menos de 1 ano, perdi 20% do meu peso – uma porcentagem expressiva para quem tem a minha altura.
Minha família, meus amigos, meu namorado, meus colegas de trabalho se mobilizaram para me ajudar, mas eu negava e era extremamente ríspida com quem se aproximava de mim para oferecer auxílio. Eu tentava os confortar dizendo que estava tudo bem, porque realmente achava que estava.
E esse é o grande perigo da anorexia nervosa, a única doença de ordem psiquiátrica que pode levar à morte: ela age de forma silenciosa; você não tem sintomas concretos que te alertam que algo está errado.
E aqui entra a parte sinistra da coisa. A coisa que, suspeito, matou a bela Daiane. Mesmo que apresentasse todos os sintomas, eu contava com o apoio de seguidores no Instagram que alimentavam (sem ironia) o resultado da minha privação.
Nunca fiz apologia à doença, até porque demorei muito para admitir que tinha um distúrbio, mas continuava publicando minhas famigeradas fotos de elevador. E, mesmo em um estado deplorável, recebia elogios que me davam forças para continuar enfraquecendo.
Bem, fui novamente afastada do trabalho e submetida a um tratamento intensivo, com respaldo semanal de nutricionista, psicólogo e psiquiatra. Dessa vez, a doença estava tão arraigada em mim que meu quadro apresentava sérios riscos clínicos. Pesando 30kg e correndo risco de morte, fui internada involuntariamente em 31 de agosto de 2012 no Ecal – Enfermaria de Comportamento Alimentar – centro do Hospital das Clínicas especializado em transtornos alimentares. Por 3 meses, convivi com meninas que tinham problemas de distorção de imagem, cada qual com sua peculiaridade.
Quantas noites chorando baixinho e pedindo paciência. Quantos sonos interrompidos por pesadelos. Quantas manhãs letárgicas experimentando os olhares mais tristes que eu já tive. Até que tudo que estava descarrilado foi entrando nos eixos. Quase um ano se passou, e me mantenho forte. Passei a canalizar toda a obstinação que era usada em prol de um biotipo que eu julgava ideal para a manutenção da minha saúde.
Graças a essa intervenção, aprendi a comer. Aprendi a encarar como um elogio a beleza “exótica” que me endereçavam e até a me orgulhar das pernocas grossas que eu sempre tive.
A máxima de qualquer tratamento deste tipo: um dia de cada vez.  Nunca estaremos livres. Eu tive ajuda. Outras garotas não têm.
O que elas têm são centenas, milhares de polegares estendidos positivamente em sua direção dizendo apenas umas coisa: continua assim. Você está linda.
O instagram da Daiane: http://instagram.com/daidornelles
 

Oct 29, 2013

... "Para se ser feliz, é preciso ser-se um pouco cegueta." (Miguel Esteves Cardoso)



O Amor é um Exagerador


As coisas boas, como o amor e a sabedoria, não trazem a felicidade pela simples razão que as coisas boas têm, para ser boas, de ser «boas por si mesmas». Não podem ser boas por aquilo que trazem. Pelo contrário, têm um preço. O mais das vezes, o preço do amor e da sabedoria, ambos artigos finos, artigos de luxo, coisas boas, é a infelicidade. Quando se ama, ou quando se estuda muito, fica-se sujeito às vontades e às verdades mais alheias. Nada depende quase nada de nós. E sofre-se. Irritam as pessoas que esperam que o amor traga a felicidade. É como esperar que os morangos tragam as natas. O amor não é um meio para atingir um fim — não é através do amor que se chega à felicidade.
 
O amor é um exagerador — exagera os êxtases e as agonias, torna tudo o que não lhe diz respeito (o mundo inteiro) numa coisa pequenina. Assim como a arte tem de ser pela arte e a ciência pela ciência (seria um horror ouvir alguém dizer «Eu quero ser pintor ou biólogo para ganhar muito dinheiro e ir a muitas festas e ter duas carrinhas Volvo com galgos do Afeganistão lá dentro»), o amor tem de ser só pelo amor. Custe o que custar. Ora, o amor é uma coisa rara.
Para se ser feliz, é preciso ser-se um pouco cegueta. Entre as coisas que as pessoas miseráveis, normais, estão sempre a chamar às pessoas felizes, há: ingénua, lírica, naif, boazinha. Aquela de que gosto mais é «Vives noutro mundo!». Haverá coisa melhor que viver noutro mundo, para quem conheça minimamente este? Não acreditar que alguém nos queira fazer mal é um sinal seguro de felicidade. Quem é mesmo feliz é a pessoa que pensa «No fundo, até os meus inimigos gostam um bocadinho de mim...». É por isso que as pessoas felizes são sempre bastante convencidas.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'
 

Oct 21, 2013

programa de Ana Maria Braga (Globo Brasil) e anorexia . Procure Ajuda!


 
O programa de Ana Maria Braga da Globo Brasil apresenta alguns vídeos de testemunhos da anorexia assim como são indicados alguns sites no Brasil que apoiam os doentes. Apresento os títulos e os links abaixo e no final a lista dos locais de apoio listados na página da Globo.

A autora do programa:
http://globotv.globo.com/rede-globo/mais-voce/v/ana-maria-conta-os-dados-alarmantes-da-anorexia-nervosa-que-mata-em-15-dos-casos/2891561/

Deborah Evelyn relembra anorexia na adolescência foi uma fase muito difícil:
http://globotv.globo.com/rede-globo/mais-voce/v/deborah-evelyn-relembra-anorexia-na-adolescencia-foi-uma-fase-muito-dificil/2891582/

http://tvg.globo.com/programas/mais-voce/O-programa/noticia/2013/10/deborah-evelyn-relembra-anorexia-na-adolescencia-foi-uma-fase-muito-dificil.HTML



Mulher que sofre de anorexia mostra o rosto e conta como enfrenta a doença



http://tvg.globo.com/programas/mais-voce/videos/t/programas/v/ana-maria-conta-os-dados-alarmantes-da-anorexia-nervosa-que-mata-em-15-dos-casos/2891561/


http://tvg.globo.com/programas/mais-voce/videos/t/programas/v/especialista-em-transtornos-alimentares-explica-como-comeca-a-anorexia-nervosa/2891586/
Procure ajuda

Em todo o Brasil existem programas que ajudam pessoas que estão passando por este problema, e se você conhece alguém que esteja precisando de amparo, confira a lista de telefones e nomes de instituições que fornecem subsídios a estes casos:
Rio de Janeiro

 Nuttra - Núcleo de Transtornos Alimentares e Obesidade - Telefone: (21) 9367-2369

 PUC - Telefone: (21)221-7577

 GOTA - Serviço de Psiconeuroendocrinologia - Telefone: (21)2507-0065

 UFRJ -Telefones: (21) 295-3208 ramal 22 / 295-3499

 Ambulatório de Transtornos Alimentares do Instituto de Diabetes do RJ - Telefone: (21) 295-3796 / 274-8585

 Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro - Telefones.: (21) 9367-2369 / (21) 2221-4986 / (21) 2533-0118

São Paulo - Capital

 GATDA - Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares - Telefones: (11) 3873-7817

 GENTA - Grupo de Estudos em Nutrição e Transtornos Alimentares - Telefone/Fax: (11) 3672-3869

 AMBULIM - Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares - do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP - Telefone: (11) 3069-6975

 PROATA - Programa de Orientação e Assistência aos Pacientes com Transtornos Alimentares UNIFESP - Telefone: (11) 5579-1543
Campinas

 Instituto de Psiquiatria de Campinas  - Telefone: (19) 3234-6577

Marília

 Programa de Transtornos Alimentares da Famema/Faculdade de Medicina de Marília - Telefone: (14) 421-1744 Fax: (14) 423-594

Ribeirão Preto

 Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP - Telefones: (016) 602-2559 ou 602-2327

 Bahia

 Irismar Reis de Oliveira - Professor titular de psiquiatria da UFBA - Telefone: (71) 351-5296.

 Ceará

 CETRATA - Centro de Estudos e Tratamento em Transtornos Alimentares - do Hospital das Clínicas da UFC - Telefone: 288-8149

 NEATA - Núcleo de Estudo e Atendimento aos Transtornos Alimentares - do Hospital de Saúde Mental de Messejana, Fortaleza -  Telefone: 488-5880

 Goiás

 Centro de Estudos, Pesquisa e Prática e Prática Psicológica da UCG - Telefone: (62) 227-1198

 Minas Gerais

 G.O.T.A - Grupo Interdisciplinar de Obesidade e Transtornos Alimentares - do Hospital SOCOR - Telefone: (31) 3330-3182

 Paraná

 Ambulatórios de Transtornos Alimentares da Clínica de Psicologia Faculdade de Ciências Biológicas e de Saúde - Universidade Tuiuti do Paraná -Telefones: 331-7845 ou 331-7846

 Rio Grande do Sul

 GEATA - Grupo de estudo e assistência em Transtornos Alimentares - Telefones: (51)3331-7208 / 3333-2540

ansiedade, depressão e outros (ilustrações em slideshow e texto de Toby Allen 2013)


(click na imagem para ampliar)
 
As imagens e texto são do artista Toby Allen (também  aqui) e a tradução do inglês de uma equipa de psicólogos brasileira
Podem ver o ppt completo aqui:
http://www.photosnack.com/FEEBED5C5A8/pti2759j

Oct 14, 2013

...Terapia pela Arte (link e livro) Não posso culpar a chuva...


Mais um post do blogue Salpicos que destaco aqui. Este é sobre a terapia pela arteAlain de Botton é o autor do site e também co-autor com John Armstrong  de livro com o mesmo nome.

Por exemplo, o "Não posso culpar a chuva"
http://100087-adb-art-as-therapy-app.twotwentyseven.com/#free-time/i-cant-bear-the-rain
 
 
imagem: David Hockney,  Portrait of an Artist (Pool with two figures), 1972

Oct 3, 2013

...anorexia mata (Laura Ferguson, 26 anos )



Jovem com anorexia morre durante sono; a causa ainda  esta a ser investigada

Após cinco anos de tratamento contra anorexia, Laura Ferguson, 26 anos, morreu enquanto dormia. Praticante hipismo, Laura adquiriu o distúrbio alimentar após a morte da mãe. No dia de seu falecimento, chegou em casa, disse ao pai que estava cansada e com ardor nos olhos. Laura foi dormir e não acordou mais. 

Laura postou fotos das pernas magras no Facebook (imagem postada por Laura acima). Nos últimos meses,  apresentou melhoras e ganhou peso com tratamento  numa clínica de reabilitação de transtornos alimentares. Pouco antes de morrer, partilhou uma mensagem no Facebook sobre estar a gostar da “sopa de cenoura e coentros”, também contou a amigos que estava feliz e até que sentia desejo por alguns alimentos. Escreveu: estou a voltar a viver! e disse que não se sentia tão feliz há muitos anos. (*)



Segundo o pai de Laura, Joe Ferguson, a filha chegou e foi dormir. “Desci as escadas para passear o cão, olhei para a Laura no quarto e pensei que estava a  dormir. A TV estava ligada, achei que ela estava a descansar. Na hora do jantar, fui acordá-la, corri e telefonei para o serviço de emergência, mas já era tarde demais”, relatou. Testes ainda serão realizados para determinar a causa da morte de Laura.
 
Fonte 1 BBC link :http://bbb-news.com/blog/2013/09/26/laura-ferguson-tragedy-as-showjumper-who-complained-of-headaches-dies-in-her-sleep-after-battle-with-anorexia/
Fonte 2  blogue A anorexia nervosa http://aanorexianervosa.blogspot.co.uk/2013/09/jovem-com-anorexia-morre-durante-sono.html

(*)Escreveu : 'Omg why am I starting to come to life now when it's bed time!'She had also told friends she had 'not been this happy for years' and had even developed a craving for certain foods, leading her father to believe she had beaten the illness. - See more at: http://www.coloradonewsday.com/national/19173-laura-ferguson-tragedy-as-showjumper-who-complained-of-headaches-dies-in-her-sleep-after-battle-with-anorexia.html#sthash.feQN677y.dpuf

 

Sep 4, 2013

..."Do vazio mental ao vazio corporal: um olhar psicanalítico...(artigo científico)



Um estudo baseado na análise de 10 comunidades pró anorexia e bulimia (pro-ana e mia) no Brasil:  
Do vazio mental ao vazio corporal: um olhar psicanalítico sobre as comunidades virtuais pró-anorexia1
Autores: Melina Vianna Fava , Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP, Brasil;  Rodrigo Sanches Peres2
Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia-MG, Brasil
 
 Resumo:
Ambientes virtuais “pró-anorexia”, ou seja, voltados à promoção e perpetuação do transtorno em questão, têm se proliferado na internet pelo mundo todo.
 
O presente artigo tem como objetivo empreender uma leitura psicanalítica de comu­nidades virtuais desta natureza. Trata-se de um estudo documental, no qual se privilegiou a abordagem qualitativa e o enfoque naturalístico. As descrições de dez comunidades virtuais “pró-anorexia” brasileiras foram submetidas a análises descritivas e exploratórias. Tais análises evidenciam que a negação da natureza psicopatológica do transtorno e a recusa da própria fe­minilidade fomentam a conduta anoréxica. Observou-se também uma tendência à personificação da anorexia nervosa, o que pode ser indicador de uma importante fragilidade narcísica. Dessa forma, consideramos oportuno alinhar a anorexia nervosa ao conceito nosográfico de vazio mental, condição patológica potencializada pela sociedade atual. Portanto, entendemos que, na anorexia nervosa, os ditames repressores da cultura promovem uma espécie de transposição do vazio mental ao vazio corporal.
Palavras-chave: anorexia nervosa, psicanálise, internet (rede de computador).
O artigo pode ser lido na totalidade e gravado (pdf) seguindo o link abaixo:
Transcrevo parte de um texto retirados desses sites (assustador!): "Fome passa; gordura não. Se vc comer vai estragar o esforço q fez ontem. Comer é vício. Comer é para fracos. Vc controla a sua mente. Olha essas gordu­ras, tudo o q vc come aumenta elas. (...) As Anas estão com vc;e elas não estão comendo... E estão ficando mais magras q vc. Beba um copo de água. Comer não é normal... (...). Não é pq todo mundo come vc tem q comer Tb. Não pense q está fazendo algo de errado, vc não está. "

Aug 30, 2013

...VIAGEM (Miguel Torga) e VAGABUNDO DO MAR (Manuel da Fonseca)

 

VIAGEM (POEMA DE Miguel TORGA)

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


 



VAGABUNDO DO MAR (Poema de Manuel da Fonseca)


O vagabundo do mar

Sou barco de vela e remo...

sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...

Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?

Sei lá.

Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.

É por isso, meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.

E agora,
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se
E tais coisas acontecem
aos vagabundos do mar.


imagem retirada daqui




 

Aug 29, 2013

...Retratos ( como me vejo; como sou vista)

A campanha Beleza Real de uma conhecida empresa de produtos de higiene  e cosmética tem alguns videos  curiosos. O seguinte apresenta vários desenhos em que o artista não vê o rosto que desenha, apenas ouve a descrição por palavras da própria e de outra pessoa.
(vejam os resultados! duração do video 6 minutos precedido de um anúncio)


Jul 30, 2013

...personagem Inês de Dancing Days [ 'Cortar-se'] Salpicos "Auto-Mutilação: uma simples chamada de atenção? " NÃO!!!

 
Estou a reeditar este post porque uma cena na novela Dancin Days (da personagem Inês) mostrou imagens para muitos incompreensíveis para outros familiares.

Para ler todo o post clique aqui, no Blogue Salpicos (Alexandra Barros)
 Transcrevo abaixo um dos parágrafos do post da autoria de Alexandra Barros. Recomendo a leitura integral do post no blogue Salpicos (clique aqui)
 (...)
"A auto-mutilação ou a dor auto-infligida é sinónimo de grande sofrimento emocional que requer intervenção urgente. A dor emocional é tão avassaladora que, não encontrando outra forma de se expressar ou exteriorizar, é expulsa através da dor física que mascara a primeira, trazendo um certo alívio. Mas este alívio é obviamente temporário, levando à busca repetitiva da dor física, que acaba por assumir características obsessivo-compulsivas. Por outro lado, o sofrimento emocional, ao tornar-se insuportável, conduz a uma espécie de anestesia afetiva e a um sentimento de morte interior que faz com que a dor física (e o sangue) seja a única forma de confirmar que se está vivo e que se sente algo."

Existem estatísticas para Portugal sobre a  auto-mutilação?  Sim, e são preocupantes:
No esqueciaana (clique aqui) tinhamos dado conta de uma estatística muito preocupante em relação aos jovens portugueses:15,6 por cento referem "ter-se magoado de propósito nos últimos 12 meses, mais do que uma vez" (este comportamento é conhecido como auto-mutilação). Os dados são de um estudo internacional promovido pela Organização Mundial de Saúde. Em Portugal foram estudados  5050 adolescentes portugueses, com uma média de 14 anos. (ler mais aqui)
 



 

Jul 22, 2013

...Dircursos sobre Anorexia Nervosa (artigo científico 2012; em português)


Pode ser lido na integra um artigo científico publicado  na revista Psicologia & Sociedade; 24 (2), 472-483, 2012, basta seguir o link :
http://www.scielo.br/pdf/psoc/v24n2/24.pdf
OS HERÓIS, VÍTIMAS E VILÕES:DISCURSOS SOBRE A ANOREXIA NERVOSA
AUTORES: Maria Araújo e Margarida Henriques (Universidade do Porto, Porto, Portugal) ;Isabel Brandão e António Roma Torres (Centro Hospitalar de São João do Porto, Porto, Portugal)
RESUMO:
"Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre os discursos dominantes sobre a anorexia nervosa da Idade Média à actualidade. Coloca em destaque os heróis, vilões e vítimas, culminando num olhar sistémico-familiar. Se durante séculos predominaram narrativas individuais de heroínas santas, posteriormente, na era do pensamento médico, estas heroínas passaram a vítimas de uma doença mental. Mais tarde, com os movimentos da anti-psiquiatria e da terapia familiar, emergem novas narrativas com mais protagonistas: os familiares. Se, primeiramente, as famílias são retratadas como vilãs, dadas as suas influências nocivas, nas últimas décadas as famílias são ilustradas como sistemas vítimas do impacto da doença. Na actualidade, surgem narrativas de famílias competentes, capazes de superar o problema. Este artigo termina refletindo sobre esta multiplicidade de leituras e suas implicações.
Palavras-chave: anorexia nervosa; relações familiares; história."

Do texto  destaco esta referência:

"De acordo com um estudo realizado por Nilsson e Hagglof (2006) (*) quando questionadas 58 mulheres recuperadas relativamente
sobre as pessoas que foram mais importantes para a recuperação,
 
38% referiram os familiares,
 
35% apontaram para os profissionais de saúde,
 
33% os amigos e
 
24% o namorado,
 
o que coloca em evidência a importância dos diferentes elementos do sistema para a recuperação, ou seja, familiares, técnicos e amigos enquanto possíveis colaboradores activos para a mudança.
 
 
 
 
 
 

(*) Nilsson, K. & Hagglof, B. (2006). Patient perspectives of recovery
in adolescent onset anorexia nervosa. Eating Disorders,14, 305 – 311.

 
imagem retirada de flick cc aqui