Começámos em Maio 2009, recebemos 358 comentários aos 687 posts

Obrigada a todos os que de múltiplas formas contribuem para o esqueciaana Escrevam: esqueciaana@gmail.com




os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Showing posts with label fotografia. Show all posts
Showing posts with label fotografia. Show all posts

Jun 4, 2015

...anúncio de Yves Saint Laurent da revista Elle banido no Reino Unido

 
 

"Esta modelo parece "pouco saudável e demasiado magra"? Autoridade Britânica achou que sim.
Um anúncio da Yves Saint Laurent foi banido no Reino Unido. Em causa está a extrema magreza da modelo da marca francesa, que levou a Autoridade para Padrões Publicitários do Reino Unido (ASA na sigla inglesa) a censurar a imagem que apareceu na última edição da Elle.
 
A ASA considerou que a modelo parece "pouco saudável e demasiado magra" na imagem e que o anúncio é "irresponsável". Segundo a autoridade, viola o código da publicidade no país, uma vez que este diz que os anúncios têm de ser preparados com um sentido de responsabilidade para com os consumidores e a sociedade".

Fonte: Diário de Notícias online 3 de Maio de 2015

A ASA refere em relação à fotografia: "a posição da modelo chama a atenção para peito, onde é visível a proeminência da caixa torácica, e para as pernas, em que coxas e joelhos parecem da mesma a largura, e muito magros", sobretudo em contraste com os sapatos.

Segundo o jornal Guardian, a Yves Saint Laurent não concordou com a argumentação mas não fez comentários. Em 2014 uma petição para a YSL deixar de usar modelos tão magras conseguiu quase 50 mil assinaturas.
 
A magreza das modelos é um tema que está na ordem do dia: as preocupações com os distúrbios alimentares e a imagem aumentaram à medida que os corpos nos anúncios e passerelles foram perderam peso. França, por exemplo, quer banir das 'passerelles' as manequins demasiado magras para combater os distúrbios alimentares.
 
Fonte: Diário de Notícias online 3 de Maio de 2015
 
[ nota de esqueciaana: a fotografia abaixo representa o criador da casa de moda Yves Saint Laurent ; para além de questões estéticas a 'normalidade' dos corpos representados parece-me contrastar; e quanto à 'normalidade' refiro-me tão só à não apologia da doença/anorexia  numa delas. Estarei enganada?]
 
 
 
Fotografia de Yves Saint Laurent em 1971
 
 
 

 

Feb 16, 2015

Modelo sem Photoshop (Cindy Crawford 2013)


 
Cindy Crawford fez 400 capas como modelo. Hoje tem 48 anos é casada e tem dois filhos. Fez parte de um pequeno grupo se supermodelos dos anos 90 (Linda Evangelista, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Christy Turlington e Kate Moss).
Já tínhamos falado da Cindy Crawford no esqueciaana (aqui) e também aqui, a propósito do que ela designou como ditadura da magreza. Hoje o Público dá notícia de uma fotografia da Cindy Crawford que foi tirada em 2013 para a revista Marie Claire do México mas que nunca foi publicada apesar da atriz ter feito capa na sequência dessa sessão.
(nota em 17 de Fevereiro: já depois de publicar este post vi que pelo menos uma revista-cor-de-rosa reproduz numa pequena fotografoa na capa a imagem abaixo. Alguns comentários que ouvi a essa mesma fotografia - de homens e de mulheres!- fizeram-me ter vontade de tirar a fotografia daqui! Desde 'coitada' até 'sem-vergonha' e outros menos citáveis por uma questão de bom gusto...há de tudo um pouco. Como é 'bonitinho', o 'mundinho' tratado a photoshp!
Citando o Público:
“É um corpo que desafia as expectativas. É real, honesto e é lindo”, descreve uma editora da Marie Claire, explicando que não sabe como chegou à Internet mas que a imagem é verdadeira. “Independentemente do sítio de onde veio, a foto é esclarecedora. Sempre soubemos que a Cindy Crawford era linda mas vê-la assim só nos faz gostar ainda mais dela”, acrescentou.
No Twitter, os utilizadores, tanto homens como mulheres, aplaudiram. “Está maravilhosa e dá-nos mais confiança. O Photoshop desmoraliza” ou “espero ficar com um corpo como este depois de ter dois filhos” são alguns dos comentários. Seguem-se elogios como “linda”, “impressionante” ou “inspiradora”. “É um bom lembrete ver que mesmo as estrelas de cinema e as supermodelos também envelhecem”, diz a revista feminina The Gloss.
A responsável pela divulgação da foto escreve, no Guardian, que ler todos os comentários positivos têm sido “emocionante” mas deixa um desafio à publicação. “Sabem o que seria realmente maravilhoso? Que esta não fosse uma foto não oficial mas sim uma imagem de uma sessão fotográfica utilizada nas páginas de uma revista. Conseguem imaginar o poder que teria?”.
No início de Fevereiro, por ocasião da estreia do seu novo documentário Hospital in the Sky, Cindy Crawford disse à Marie Claire norte-americana que todas as mulheres deviam aprender a sentir-se confortáveis com o seu corpo e em qualquer idade. “O que torna uma mulher mais atraente é a sua autoconfiança. E é isso que as pessoas vêem”.

 

 

 
 
 

Oct 20, 2014

Para Mulheres Reais (carta de Jessica Athayde)


A Jessica é uma atriz portuguesa que recentemente desfilou num evento de moda e algumas fotografias divulgadas (não a que acima reproduzo, que são da autoria da própria e retiradas do blogue que possui a jessyjames) derem origem a ataques verbais nas redes sociais, blogosfera. Houve muitas respostas de várias origens. Prefiro esta na primeira pessoa que abaixo transcrevo. Os sublinhados são do esqueciaana.
 "Para mulheres reais"
"As palavras que vos escrevo poderiam não ser escritas. Era mais fácil “não dar importância assunto” e “deixar morrer a coisa”. Era mais fácil…. mas não é o que vou fazer porque as palavras que vos escrevo não são só sobre mim: são sobre as mulheres e a forma como são permanentemente olhadas, julgadas e atacadas. São sobre uma ditadura de imagem imposta, uma tendência redutora de nos verem e de nós próprias olharmos umas para as outras. Isto tem de ser denunciado. Este bulliyng permanente tem de acabar e pretendo ser uma voz activa neste caminho que tem de ser percorrido por todas nós.
Sou actriz. Não sou modelo. Optei há muito por um estilo de vida saudável, com escolhas que faço todos os dias em relação à minha alimentação e prática de exercício físico.
Faço-o porque quero viver muito. Quero viver bem. Quero ser saudável e feliz como tantas outras mulheres.
Desfilei na Moda Lisboa como convidada. Desfilei com o corpo que tenho que é o meu e no qual me sinto muito bem.
Qual não foi a minha perplexidade quando observo que, a propósito de uma fotografia menos feliz, sou alvo de críticas, comentários desagradáveis e uma série de mimos, próprios deste mundo das redes sociais, em que ainda nos estamos a habituar a viver.
Estes comentários foram feitos na maioria por mulheres. Mulheres, vou repetir.
Mulheres que são filhas, mulheres que são mães, mulheres que ainda não perceberam que cada vez que cedem à tentação de atacar outra mulher com base nas suas características físicas, estão a enfraquecer a condição feminina, em vez de lhe dar força.
Estão a cultivar as inseguranças, as desordens alimentares, a escravidão da imagem.
Sou uma mulher segura, pelo menos trabalho nesse sentido. Se este incidente fosse só sobre mim, posso garantir-vos que pouca importância lhe daria.
Mas questiono-me sobre a quantidade de mulheres menos seguras, de todas as idades, mais ou menos felizes, magras, gordas, altas, baixas sofrem este tipo de perseguição no seu dia-a-dia. Mulheres que ao contrário de mim, não têm uma voz que se faça ouvir… Para alguma coisa tem de servir o facto de ser figura pública. Que seja então para dar voz a um grito que sei ser de muitas que me estão a ler neste momento: CHEGA!
Cada mulher é um mundo muito para além do corpo que a recebe. Apoiem -se. Defendam -se. Não permitam olhares redutores sobre aquilo que somos.
A dignidade da condição feminina passa também pelas mulheres perceberem que têm se unir nessa procura e nessa luta.
Queremos um mundo com mulheres felizes, inteligentes, pró-activas, inovadoras, solidárias e que façam a diferença.
Temos de estar juntas nesse objectivo.
Há pouco tempo perguntaram-me numa entrevista quem é que eu admirava, foi fácil responder. Emma watson, 22 anos, penso eu.
Emma Watson (actriz como eu) no seu primeiro discurso como Embaixadora das Nações Unidas para a Boa Vontade, inspirou o mundo lançando a campanha ONU #HeForShe, que fala sobre a liberdade e a igualdade entre os sexos.
Fala sobre a importância dos homens apoiarem as mulheres neste caminho.
Eu acrescento e peço em Portugal que abracemos também o #SheForShe
Ela por ela. Cada uma de nós pela mulher ao nosso lado. Seja no autocarro ou numa fotografia no ecrã do computador.
Beijinhos
Jessy"
FONTE da imagem e texto: http://jessyjames.pt/?p=3054

Jun 29, 2014

UM Padrão de Beleza ÚNICO? (e Photoshop...) projeto de Esther Honing



Esther Honing, uma jornalista dos Estados Unidos desenvolveu um projeto interessante para analisar até que ponto os padrões de beleza são universais.

Enviou uma fotografia sem retoques a uma serie de indivíduos de dezenas de países (designers amadores e profissionais) pedindo para eles a 'fazerem bonita' usando Photoshop (programa de tratamento de imagem).

Os resultados até agora divulgados podem ser vistos aqui. Apresentamos dois exemplo, um da Índia e outro dos Estados Unidos.
A autora do projeto resume-o assim (tradução livre e abreviada do esqueciaana):
"Nos  EUA o Photoshop tornou-se um símbolo de padrões de beleza inatingíveis. Este meu projeto, BEFORE & AFTER [Antes & Depois], examina como esses padrões variam entre culturas  numa escala global.
Contactei plataformas de Free-lancers, como Fiverr, que me permitiram contratar cerca de 40 pessoas, de mais de 25 países. Alguns são profissionais outros amadores.
Com um custo variando de cinco a trinta dólares, e na esperança de que cada designer iria  usar da sua concepção pessoal e cultural de beleza para melhorar a minha imagem original (fotografia sem qualquer photoshop, ou seja imagem não alterada) tudo o que eu lhes pedi foi “façam-me bonita”.
 
[nota de esqueciaana: no site de Esther Honing, encontra-se  uma seleção das 22 imagens resultantes, até agora]. Elas são intrigantes e elucidativas; cada uma é um reflexo  das concepções pessoais e culturais de belezados respectivos criadores.
O Photoshop permite-nos  atingir  os nossos padrões inatingíveis de beleza, mas quando comparamos essas normas à escala mundial, obter o ´padrão ideal´continua a ser impossível."
 
Já antes no esqueciaaana tínhamos postado sobre este assunto. Por exemplo:
 

Dec 4, 2011

... nem os ossos são o limite ( a propósito de uma notícia do Expresso do jornalista Carlos Afonso Monteiro)

 


Já várias vezes no esqueciaaana temos referido o poder das imagens e como elas podem ser manipuladas para criar rostos e caras perfeitos mas que de facto não existem ( por exemplo aqui nem os ossos são o limite ) . Ficámos agora a saber por uma notícia de Carlos Afonso Monteiro do Expresso (de 30 de Novembro 2011 Expresso on line, aqui) que foi criado um software anti-Photoshop, ou seja que permite detectar a manipulação das imagens. Hany Farid, um professor e engenheiro informático "criou um programa que identifica fotografias alteradas e consegue ainda julgar, com notas de 1 a 5, o nível de alteração das mesmas."
Podem ser encontradas on-line várias imagens (antes e depois, bastando carregar no botão TOGGLE, as duas imagens acima foram assim obtidas por exemplo aqui).


Segundo o artigo do Expresso, "O objetivo de Hany Farid é que este software venha a ser usado para dar "avisos de saúde" nas revistas, especificamente revistas de estilo e moda, onde este tipo de alterações é mais comum, e muitos defendem que cria expectativas irrealistas quanto aos corpos, tanto masculinos como femininos. (...) O projeto começou com a análise de 468 conjuntos de fotografias nas suas versões originais e retocadas, para depois desenvolver um programa que avalia as fotografias e as classifica consoante as suas alterações, com notas de 1 a 5, com o nível máximo a querer dizer que uma fotografia foi muito modificada."
"Agora temos um modelo matemático para medir as alterações fotográficas", disse o professor, que acredita nos dados que ligam este tipo de imagens às doenças alimentares como a anorexia e bulimia, assim como à insatisfação de homens e mulheres com os seus corpos."
Para saber mais sobre os projectos e trabalho deste investigador, ver os links abaixo. O autor disponibiliza também para download e Código do programa Matlab (Matlab code).
http://www.cs.dartmouth.edu/farid/Hany_Farid/Research/Entries/2011/6/4_Photo_Retouching.html
http://www.cs.dartmouth.edu/farid/downloads/publications/pnas11/
http://www.cs.dartmouth.edu/farid/Hany_Farid/Research/Entries/2011/6/3_Computer_Generated_or_Photographic.html

A fotografia abaixo não foi certamente uma das 468 analisadas ("Mulheres reais...sem publicidade a sabonete ou creme"):

Nov 25, 2011

...Estigma e Doença Mental (fonte: ADEB)


Encontrei  um texto sobre o estigma de que são tantas vezes alvo os doentes e as doenças mentais. Esse estigma prejudica muitas vezes a procura de tratamento. Abaixo transcrevo parcialmente no site da Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares, (ADEB) (aqui):

A doença mental é com frequência relacionada com o mendigo que deambula pelas ruas, que fala sozinho, com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades e com o homicida “louco” que aparece nos filmes.
Palavras como “maluco”, “esquizofrénico”, “psicopata” e “maníaco”, são vulgarmente utilizadas na linguagem do dia-a-dia.
As pessoas olham-se e dizem: “Isto não me vai acontecer de modo nenhum, não sou maluco, venho de uma família sólida”, ou, então, “ a doença mental não me afecta, isso é problema dos outros.”
O Estigma relacionado com a doença mental provém do medo do desconhecido, dum conjunto de falsas crenças que origina a falta de conhecimento e compreensão.
Com este texto, procura-se que haja uma melhoria do conhecimento, desmistificando falsas crenças e estereótipos e fornecendo novos dados acerca da doença mental e das pessoas que dela sofrem.

As pessoas que sofrem de doenças mentais não irão nunca recuperar?
As doenças mentais tratam-se e muitos doentes recuperaram a saúde.
As doenças mentais devem ser encaradas do mesmo modo como se olha para as doenças físicas. Tal como o cancro e as doenças de coração, sabe-se que muitas doenças mentais têm causas definidas, requerendo cuidados e tratamento. Quando os cuidados e o tratamento são prestados, é de esperar uma melhoria ou recuperação, permitindo às pessoas regressarem à comunidade e retomarem vidas normais. Infelizmente, os preconceitos impedem que as pessoas, uma vez recuperadas das doenças mentais, consigam dar os passos para reingressar na vida vocacional, familiar e social, com total plenitude. Este obstáculo, vem bloquear os esforços que permitiriam que as suas vidas seguissem cursos tão normais e produtivos quanto possível.

imagem de Helena Almeida

Jun 3, 2011

...Vogue Italia capa junho 2011 e petição (campanha real ou marketing?)


A revista Vogue em Itália publica este mês uma capa especial. Dizem que não acontecia na capa há cerca de 10 anos, incluir modelos que vestem tamanhos grandes. A revista tem também on line uma petição anti sites pro anorexia (aqui). As modelos são Tara Lynn, Candice Huffine e Robyn Lawley. O título original italiano Belle Vere (ou Belas de Verdade ou Beleza Verdadeira) pretende chamara a atenção para a existência de beleza em todas as formas e feitios. A directora da Vogue italiana Franca Sozzani  declarou "Por é que estas mulheres mulheres deveriam emagrecer? Muitas que têm quilos a mais são especialmente bonitas e também mais femininas". Já há anos a editora da Vogue Britânica se tinha declarado contra o tamanho zero (aqui). Mesmo que seja mero marketing (e em minha opinião é mesmo)  é interessante acompanhar esta tendência e a importância nos padrões de beleza que se vão formando.
Imagens: Capa da Vogue Italiana de Junho 2011 (Belle Vere) e capa de uma vogue do Brazil onde o photoshop é mais que evidente e os ossos não são limite para o photoshop e outros programas de tratamento de imagem.

Mar 12, 2011

... quem vê caras não vê corações

"Quem vê caras não vê corações"
(dito popular português)
Fonte de imagem: aqui

Mar 23, 2010

.."Dias Estranhos" projecto jornalístico (...) distúrbios alimentares



"A Fnac associa-se ao Prémio PHotoEspaña OjodePez de Valores Humanos e apresenta, nos seus espaços, uma selecção das reportagens fotográficas premiadas. A edição deste ano galardoou a fotógrafa italiana Simona Ghizzoni com a reportagem “Dias Estranhos”, um projecto jornalístico que acompanha diferentes raparigas que padecem de distúrbios alimentares e que vivem em clínicas especializadas naquele tipo de doenças.
Tendo como cenário as instalações de clínicas italianas, esta selecção de fotografias documenta vários instantes da vida destas jovens, desde os primeiros momentos em que a magreza extrema ainda é sinónimo de risco de vida, até ao longo e árduo caminho da recuperação, através de sessões de terapia." (cont.) Fonte Agenda FNAC Para quem vive na zona de Lisboa: Alfragide 14.01.2010-22.04.2010

Feb 12, 2010

>> ' Graham, anorexic teenager ' ( Laura Pannack, World Press Photo, 1º prémio retrato)

Laura Pannack (galeria online), United Kingdom
Lisa Pritchard Agency for The Guardian Weekend magazine.
Graham, anorexic teenager
1º prémio retrato (ind.)WORLD PRESS PHOTO (Winners Gallery 2010)
(ampliar a imagem aqui)
A jovem fotógrafa Laura Pannack em declarações à British Journal of Photography on line (aqui) disse: A fotografia vencedora faz parte de um trabalho para a The Guardian Weekend Magazine, "Graham foi anoréctico durante muitos anos. Conversámos muito e intensamente. Criei empatia com ele. Ele continua a lutar e está fortemente envolvido em actividades de voluntariado"

Jan 29, 2010

>> Terapia pela fotografia II (um caso)

Já antes tinhamos aqui referido aqui uma informação sobre a eventual existência de terapias associadas à anorexia envolvendo fotografia. Uma notícia recente relata um caso em Inglaterra em que a fotografia foi importante para a doente (Samantha Smith) tomar consciência da situação em que se encontrava, no fundo assumir a doença, grande passo para iniciar a recuperação. Samantha Smith fez também um diário fotográfico da sua recuperação (algumas imagens na notícia original). A notícia publicada há dias no dailymail (texto e fotografias aqui, em inglês) foi também dada num site do Brasil (aqui) que resumimos abaixo:

O primeiro passo para que uma pessoa com anorexia nervosa procure tratmento é admitir que tem o problema. E isso não é tão fácil como pode parecer (afinal 'ninguém' quer estar doente). Dizer simplesmente ao doente que está magro demais normalmente não o faz aperceber-se da situação. No caso da inglesa Samantha Smith, de 38 anos, a salvação foram as fotografias que tinha e que tirou a ela própria durante a recuperação.

Com 1,63 m, 35 kg, cabelos ralos e usando roupas de crianças, ignorava qualquer apelo da família até que seu pai lhe mostrou, em 2008, uma fotografia recente ao lado de uma tirada quando tinha peso normal. Ficou chocada. "Parecia 30 anos mais velha e, finalmente, pude ver o que todo mundo podia: uma mulher morrendo. Queria voltar a parecer como a mulher que costumava ser", disse ao jornal Daily Mail.
(...)
Samantha passou a introduzir aos poucos mais alimentos à sua dieta e decidiu fotografar-se mensalmente durante 16 meses para registar seu progresso
. Resolveu também tornar seu diário fotográfico público com o intuito de ajudar outros doentes. "Graças ao diário, podia ver o meu rosto a transformar-se. As maçãs do rosto a encherem, as rugas a ficarem menos visíveis e minha pele a deixar de estar pálida e acinzentada. Meu cabelo começou também a ficar mais saudável"
Por volta de maio do ano passado, já havia voltado a usar a antiga numeração de roupa. Mas, ao longo do processo, precisou muito do apoio da família. No começo, chorava durante todas as refeições, achando que cada pedacinho de comida a deixaria gorda.
Imagem: flickr cc aqui

Oct 17, 2009

>> os ossos não são limite para ...o Photoshop!

Nas imagens publicadas em catálogos da marca de roupa e perfumes Ralph Lauren o programa de tratamento de imagem Photoshop dá uma ajuda no emagrecimento contra natura das modelos. Os ossos já não são o limite! Apenas uma má qualidade do 'artista de Photoshop' ou algo mais? ( a empresa, reincidente, já pediu desculpas...)
Nota: Neste blogue evitamos disponibilizar fotografias de pessoas que sofrem de distúrbios alimentares. Seguimos uma recomendação da beat associação do Reino Unido que luta contra a anorexia e a bulimia. Segundo nota à imprensa pede essa associação para os meios de comunicação evitarem publicar fotografias a ilustrar pessoas com anorexia: "Em alguns casos, ver a própria imagem pode perturbar ainda mais o doente e atrasar a recuperação" . Esta afirmação parece contrariar as vantagens da terapia pela fotografia. Mas é apenas mais uma das muitas interrogações e falta de consensos associdos à doença.


Oct 4, 2009

>> Terapia pela fotografia I




"O uso da chamada terapia pela fotografia nos transtornos alimentares, particularmente no caso da anorexia onde existe uma disfunção da imagem corporal, surge como um "instrumento" adicional na construção/reconstrução da imagem corporal. [...]Podemos utilizar esta técnica de modo experimental.
Sabe-se que numa foto não temos apenas o aspecto visível, o que nos interessaria. Porque, desta forma, alguém que se "visse" como gorda, embora estivesse extremamente magra, ao se "ver" numa fotografia perceberia a sua magreza.
Porém um outro aspecto envolvido numa foto (imagem), são os aspectos invisíveis, as evocações e significados que a foto suscita na mente de cada observador.
Sendo que este observador mantém intacto o seu sentido de visão, mas não o da percepção. A maneira como ele se vai aperceber nesta foto, pode não ter nada a ver com o que ele vê. Se há sensação deficiente (ou distorcida) no sentido "invisível" da percepção, o que será experimentado então ao olhar uma foto, será profundamente estranho, o equivalente quase inexprimível a estar cego ou surdo.
Se o sentido de percepção estiver muito comprometido ( o que varia de pessoa para pessoa), o corpo torna-se, cego para si mesmo [...]
Por isso a terapia pela fotografia pode ser benéfica para alguns pacientes, enquanto que outros permanecerão "cegos", e por isso incapazes de "verem" o que um retrato é capaz de revelar. "
Texto de da psicóloga brasileira Valéria Lemos Palazzo (CRP 06/35173) recolhido (
aqui)
Desconhecemos se em Portugal esta terapia é usada e com que resultados. Aparentemente tem potencialidades. Abundante literatura técnica associada a este tipo de terapia pode ser encontrada também (aqui), incluindo teses académicas recentes e um trabalho do António Damásio.
Foto CC (aqui)