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Nov 25, 2011

...no ano passado 31.679 mulheres bateram na maçaneta da porta...(APAV)

Um dos cartazes da Campanha da APAV para Sensibilização Contra a Violência Doméstica.
“E milhares de portugueses continuam a finjir que não vêem. Todos os dias mulheres são vítimas de violência doméstica. Não contribua para que esta situação continue. Quebre o silêncio.” (APAV)
Este ano morreram 43 mulheres em Portugal vítimas de violência doméstica.
(e porque a violência também pode ser psicológica não deixando muitas vezes marcas visíveis, junto abaixo um cartaz já antes divulgado no esqueciaana)
 Cartaz criado em 2009 pelo artista brasileiro Juliano Zachias para uma campanha no Brasil (para ampliar clique na imagem)

Sep 1, 2010

...Voltar de férias (I) : Reencontros e Conversas ( e campanha End FatTalk)

Regresso de férias! Reencontro de amigos e colegas! "Pôr a conversa em dia" em directo e ao vivo.Ter conversas de circunstância ou não. E entre elas algumas sobre o corpo (mais ou menos moreno, mais ou menos pesado etc.).  Quando li um comentário num blogue em que alguém lamentava a  terem chamado de anoréctica por estar mais magra (é grande a ignorância sobre a anorexia nervosa, há falsos mitos sobre a doença (4 aqui) e muitas ideias erradas sobre a doença (ver 23 dessas ideias aqui)). Lembrei-me de uma campanha que tem lugar há vários anos nos Estados Unidos: End Fat Talk.

Se alguém pretende ajudar uma amiga que pensa ter anorexia tem várias formas de o fazer e por vezes comentários bem intencionados fazem o efeito oposto. A anorexia não é 'ter a mania das dietas', não é  uma escolha, a anorectica não é 'culpada' de nada.


A tal campanha norte-america, que vai decorrer durante uns dias em Outubro, chama-se "Take Action. End Fat Talk" tem página (aqui) e também no Facebook (aqui). A minha primeira reacção ao tomar conhecimento da campanha foi: que disparate! com as minhas amigas falo do que quiser e me apetecer! ..estes americanos têm umas manias....Mas depois reconsiderei a opinião inicial. Afinal não custa muito pensar antes de fazer comentários que podem magoar quem os recebe ....sejam eles sobre o corpo ou sobre qualquer outro aspecto. [ Recordo-me por exemplo de um rapaz com anorexia numa entrevista ter dito que o que tinha desencadeado o seu comportamento de transtorno alimentar - factor próximo, não a 'explicação' - tinha sido o comentário de um tio sobre ele ser 'gordo'].

Reproduzo abaixo e parcialmente o manifesto FAT Talk / Freinds don't let friends Fat Talk. Para mim, o desejo de uma peso saudável é bom e desejável...o problema é quando estamos perante um transtorno alimentar (sobre 10 sinais de aviso e a minha experiência ( aqui) ; sobre diagnóstico ver por exemplo aqui).A campanha vale o que vale...mas se ajudar alguém a libertar-se ou a não entrar na doença...
"Participa! Aprende! Faz a diferença!
" dez milhões de mulheres debatem-se com transtornos do comportamento alimentar neste pais [Estados Unidos , 2010], o que é mais do que as mulheres que sofrem de cancro na mama. É tempo de tomarmos sermos donas do nosso destino, dos nossos corpos, das nossas consciências. Estamos a mudar o tema de conversa para criar em todo o lado uma imagem do corpo mais positiva para as mulheres!
Fat Talk [Falar de peso] corresponde a afirmações feitas nas conversações do dia a dia que reforçam o ideal de magreza e contribuem para a insatisfação das mulheres em relação aos seus corpos.
Alguns exemplos de Fat Talk:
"Estou tão gorda!"
"Isto faz-me gorda?"
"Tenho que perder uns quilos!"
"Ela é muito gorda para usar aquele bikini!"
Afirmações que são consideradas Fat Talk podem també incluir afirmações 'pela positiva' mas que reforçam a necessidade de ser magra:
"Estás fantástica!Perdeste peso?" [ do Manifesto do End Fat Talk]

Querem as leitoras e leitores acrescentar algumas frases ligadas ao Fat Talk ouvidas por estes dias?
adicionado em 22 de outubro: história da campanha fat talk (aqui)
Fotografia flickr cc (aqui)

Feb 5, 2010

>> "O silêncio aprisiona"

Cartaz criado em 2009 pelo artista brasileiro Juliano Zachias para uma campanha no Brasil (para ampliar clique na imagem)

Jan 27, 2010

>>> "A Anorexia não é apenas sobre comida" ( poster)

'Anorexia Nervosa'
Selina Turfus
University of Plymouth
BA(Hons) Illustration
24 November 2009 (aqui)
(para ampliar clique na imagem)
Sobre este cartaz escreveu a artista Selina Turfus: "Com estas imagens quero ilustrar os pensamentos de uma vítima da anorexia. Há três figuras, todas do mesmo indivíduo. A figura da direita representa o lado 'bom' e saudável [ironia] e o lado esquerdo representa o lado 'mau'.

Nov 26, 2009

>> Site Informativo (Para Além da Imagem)

Este é um site desenvolvido no Brasil com muita informação para diferentes públicos. Cliquem na imagem acima e visitem!
(existe também uma versão espanhola igual gráficamente mas com conteúdos ligeiramente diferentes; Há um site também espanhol STOP OBSESION ligado a esta campanha (um exemplo a seguir em Portugal?) que terá post próprio)

Nov 2, 2009

>> Imagens manipuladas

Uma deputada (Valérie Boyer) propôs no parlamento francês em Setembro uma legislação que obrigasse a indicar nas imagens manipuladas digitalmente: 'manipulada por um programa de tratamento de imagem'. A proposta gera polémica num país em que uma fotografia de férias de Sarkosy foi manipulada para o emagrecer.
A mesma deputada propôs em conjunto com outros cerca de 46 medidas de saúde pública com particular atenção para as mulheres. Entre elas diversas medidas de prevenção junto dos jovens de doenças relacionadas com comportamentos alimentares (no blogue da deputada, em francês, aqui).
A manipulação das fotografias sempre existiu. Há umas décadas, em Portugal, recordo que a concorrência entre fotógrafos profissionais era também efectuada a partir do chamado 'retoque' que por vezes usava cor e fazia maravilhas (procurem em fotografias antigas e encontrarão muitos produtos desses retoques mais ou menos conseguidos). Opiniões diversas em relação à proposta sobre a identificação de imagem manipuladas (em português) aqui.
Qual o interesse desta discussão? Alertar para o facto de certas imagem que servem de 'padrão' ou 'modelo' para quem tem doenças de comportamento alimentar são de facto meras criações...nalguns casos artísticas.
Em baixo um exemplo de transformação por maquilhagem clássica (40 segundos) e digital (35 segundos).

Oct 7, 2009

>> Brigitte: negócios e 'mulheres reais' ...

A mais vendida 'revista feminina' alemã, a Brigitte, tomou (ou vai tomar) uma iniciativa que está a ser noticiada há alguns dias. Como campanha de marketing já provou ser eficaz. Informam que a partir de 2 de Janeiro (reparem a subtileza do anúncio prévio a lembrar uma campanha há anos para lançar a coca-cola com diferente gosto...) passarão a usar mulheres reais em vez de modelos.
O texto on line (ver abaixo) é de um pretenso feminismo hipócrita! Descobriram, assim, da noite para o dia que havia mulheres reais!
Para além do debate on-line no site da própria revista já com mais de uma centena de opiniões ( "resolveram cortar nos custos, pois as vendas estão a descer") uma notícia num jornal inglês o Guardian, pode ler-se:
"No que é visto como uma tentativa de eliminar o "tamanho zero" a editora da revista diz que vai passar a usar mulheres com estatura normal ( já aqui reportámos a posição contrária ao tamanho zero por parte da directora da revista Vogue). "Vamos deixar de trabalhar com modelos a partir de 2010" disse Andreas Lebert editor chefe da Brigitte, acrescentando que vai abandonar os retoques usando o Photoshop. Diz que o fez para responder aos protestos dos leitores que diziam não corresponderem as imagens às mulheres reais. "Hoje o peso das modelos está cerca de 23% abaixo do peso de uma mulher normal. Toda a indústria de modelos é uma indústria de anorexia" disse Andreas. Acrescentou ainda que a revista está à procura de mulheres que tenham a sua própria identidade. Podem ser jovens estudantes brilhantes, empresárias, músicas ou futebolistas [ a lista exemplificativa é curta convenhamos]. Quer um misto de mulheres conhecidas e completamente desconhecidas. E dizem que até vão pagar o mesmo que às anteriores modelos [perguntamos: ou às agências?].
Do outro lado do NEGÓCIO, a reacção não se fez esperar. Louisa von Minckwitz, a proprietária da agência alemã Louisa Models onde
os modelos são de tamanho 36 (UK 10) tendendo para o modelo 34 (UK 8) afirma que não tem dúvidas de que "os leitores querem de facto comprar uma revista em que as roupas sejam vestidas por pessoas bonitas, elegantes e simpáticas"
Perguntamos nós será que a dita negociante (perdão, empresária) proprietária da agência de modelos conhece a probabilidade de haver seres humanos adultos E SAUDÁVEIS que usem tamanho 36, a tender para o 34?]
Imagem: capa de uma outra revista feminina, a Harper's Bazaar dos anos 50.
****

Citando a revista, texto on-line (tradução livre e possível do alemão; original disponível aqui):

"Porque a beleza tem muitas faces a Brigitte tomou resolveu lançar a iniciativa “Sem Modelos” . A partir de agora todas as fotografias que aparecerão na revista não serão fotografias de modelos, mas de mulheres como vocês e como nós. Convidamos a juntar-se a nós.
A moda mudou.
As mulheres mudaram.
O nosso mundo está diferente.


A partir de hoje [ou de 2 de Janeiro de 2010?] todas as fotografias da moda à beleza dos estilos de vida ao ginásio não serão feitas com modelos mas sim com mulheres comuns.
Porque as mulheres não precisam de procuração.
Porque elas podem ser exigentes.
Porque a roupa/moda não é hoje uma questão de tendências, mas sim de personalidade.
Porque queremos criar novos olhares na passarela, nas ruas, nas escolas, nos palcos , no cinema, no café da esquina.
Porque queremos mostrar no futuro moda e beleza das mulheres que não estão sujeitas às leis, muitas vezes perversas dos negócios, mas as suas vidas reais.
Porque não há nada melhor do que as MULHERES.
Convidamos a leitora a participar.
Se quiser, clique aqui. Esperamos por si.
Sem Modelos
Uma iniciativa de Brigitte" (fim de citação)

Jul 9, 2009

e se as modelo de Monet, Boucher e Ingres fossem...

A Galeria Nacional de Londres alberga actuamente uma exposição organizada pela agência publicitária Ogilvy de Frankfurt bastante curiosa:
em quadros famosos as imagens das mulheres foram manipuladas digitalmente para chamar a atenção para a anorexia.
A ideia e encomenda foi da National Association of Anorexia Nervosa and Associated Disorders (ANAD) e parece ter produzido resultados com o aumento de visitas ao site.
E por cá...alguém quer aplicar a boa ideia?