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Apr 8, 2016

Angelina Jolie e Júlia Pinheiro - Anorexia , Celebridades e Famosos



Regularmente chegam-nos notícias sobre a anorexia que atinge directa ou indirectamente o que são designadas de 'celebridades'. É o caso das notícias (ou boatos sobre Angelina Jolie na fotografia acima num campo de refugiados sírios no Líbano no passado mês de Março , ver mais aqui) :

“Será que a atriz e realizadora norte-americana sofre de anorexia? Está muito magra, pesará só 36 kg. Especialistas afirmam que pode sofrer dessa doença que a leva a perder peso excessivamente.”
[…]
A atriz norte americana confessou, em 2013, ter perdido bastante peso em 2007, após a morte da mãe, mas que tenta ser saudável pelo bem dos seus seis filhos. Em 2014, uma ex-babysitter dos filhos casal de atores revelou que Jolie terá sofrido de anorexia durante a adolescência, informa o site Celebrity.
O site Gossip Cop, conhecido por desmentir rumores sobre celebridades, afirma que a atriz se sente de boa saúde e que os rumores são totalmente falsos, citando uma fonte próxima do casal.”
Ler mais aqui no Observador de 9 de Abril 2016.


A apresentadora Júlia Pinheiro tem sido notícia  relativamente à anorexia que atingiu as filhas. A filha Carolina declarou o mês passado (Março 2016):
Estou ótima. Foi um momento mau, claro que sim, mau para toda a família, mas uniu-nos imenso. É uma doença que sempre nos acompanhou a vida toda e é comum entre gémeas, como nos disseram os médicos que nós não somos o primeiro caso. Graças a Deus está para trás das costas. Isto é quase como ter diabetes, lidar com isso e não fazer disso um estigma”. Foi desta forma, com um sorriso no rosto que Carolina, de 22 anos, filha de Júlia Pinheiro, falou sobre a doença que sofre, uma anorexia grave, que a levou a um internamento de urgência em novembro. Recorde-se que a irmã, Matilde também tinha o mesmo problema. Fonte:
Desejamos que estes  casos amplamente divulgados nas redes sociais (sendo que em relação ao primeiro não existe confirmação) sirvam para alertar para os sinais, características e perigos da doença. Infelizmente por vezes a forma como são abordados contribuem para dar algum 'glamour' a uma doença que tem tudo menos glamour.Que as vítimas, celebridades, famosas ou ilustríssimas desconhecidas e as famílias e amigos contribuam para negar as thinspiration.
 
 

Feb 22, 2014

...como ajudar uma amiga

(nota de esqueciaana: já antes tinha publicado este post, uma leitora do blogue pediu-me para o divulgar outra vez)
Sei por experiência própria como 'os outros' podem ser muito importantes no tratamento e recuperação. Não quaisquer 'outros' mas sim quem, mesmo que não entenda completamente nem sequer parcialmente a doença, nos faz ter novos olhares para a vida. Quem construa as pontes entre o nosso mundo interior de sofrimento e a vida lá fora onde podemos descobrir a alegria.

Os sites informativos e de apoio a familiares e amigos sobre a anorexia e bulímia (ver links do lado direito) por vezes fornecem indicações específicas para grupos dos que são próximos do doente, tais como a familia e em particular os pais, os professores e ...AS AMIGAS (cito adaptando: "Caso suspeite ou tenha a certeza de que uma amiga sua tem problemas relacionados coma a alimentação..."). Pergunto eu: e OS AMIGOS? e O NAMORADO? Os rapazes e homens são não apenas uma minoria dos doentes anorécticos e bulímicos (pelo menos no que é estatisticamente conhecido), ELES também parecem estar um tanto à margem na informação sobre os OUTROS que podem ajudar.
 
No entanto, encontramos em vários testemunhos a importância do NAMORADO, do NOIVO, do MARIDO na procura de cura e recuperação da doença de TA. Sendo a partilha mútua nas relações amorosas mais intensa que noutras, não é de admirar que nelas seja possivel ultrapassar dificuldades em expressar sentimentos por parte de quem está doente, e que por isso sejam os namorados quem, ainda antes de pais, irmãos, amigas ou amigos se apercebem que alguma coisa não está bem. Não encontrei ainda no entanto nenhum texto que 'explique' e dê o devido destque a importância dos NAMORADOS (os príncipes! alguns que precisam ter uma coragem extrema!) .
 
Voltando às AMIGAS (supondo que quem sofre de AN é uma rapariga) existem algumas recomendações que abaixo alinho comentando. E o meu primeiro comentário é que não existindo receitas para a amizade, o que a seguir se escreve são apenas algumas indicações que em média se ajustam a cada caso concreto.
 
COMO PODES AJUDAR A TUA AMIGA?
 
(texto adaptado do original aqui e aqui)
 
+ A tua amiga é inteligente, informada, determinada...mas é característica da doença negá-la e recusar opiniões dos outros (mesmo das amigas) sobre o seu problema (que geralmente não identifica como tal). São raros os casos em que a doente resolve tratar-se por iniciativa própria. Como amiga dela procura em conjunto com outros que lhe são próximos que ela tome consciência do problema e comece a tratar-se com especialistas adequados. Não fiques frustrada com a tua (muitas vezes aparente) impotência para alterar a situação. Ela também se sente possivelmente muitas vezes impotente para se mudar. Não fiques zangada se muitas vezes ela 'te deixar a falar sozinha'.
 
+ A tua amiga pode estar está em risco de vida.A anorexia alimentar e os transtornos alimentares (TA) são doenças graves. Procura que contacte uma equipa especializada. Ajuda-a a dar o primeiro passo para o tratamento. Procura informar-te mais sobre a doença e encontrar os serviços de apoio a familiares e amigos e os serviços médicos públicos ou privados a que ela poderá recorrer na tua região. Mas atenção, por muito que julgues saber sobre a doença, lembra-te que apenas os profissionais poderão fazer um correcto diagnóstico e traçar caminhos para o tratamento e cura.
 
+ Evita centrar todas as conversas com ela na comida ou na aparência física. Comentários mais ou menos irónicos como 'qualquer dias desapareces', 'és só pele e osso', 'andas com dietas malucas' ou até elogiosos ' estás com um corpo fantástico! quem me dera vestir o 36 como tu'. Ou mesmo de incentivo a ganhar peso ' estás mais gordinha e fica-te bem' (pessoalmente tenho a impressão que se este último comentário vier de um amigo não será muito negativo, mas estamos a falar de amigas).Não te esqueças que a tua amiga tem parte da vida focada na aparência física (tentando dizer com o corpo o que ninguém é capaz de escutar) e nas calorias por isso, não lances mais fogo para essa fogueira. Fala com ela sobre arte, música, estudos, trabalho, viagens, projectos futuros.
 
+ Faz a tua amiga sentir (não por palavras de preferência) que ela tens excelentes qualidades e que ninguém é perfeito. Mostra-lhe a tua amizade por actos. Lembra-lhe que todos cometemos erros. E que a errar se aprende. Abre-lhe também o teu coração. É dos livros que quem sofre de TA mente sobre o comportamento e por vezes mente também compulsivamente (é uma componente da doença e como tal deve ser compreendida). Mas a identificação por ti de uma inverdade pode ser positivo. E mostrar que de quem gostamos esperamos sinceridade, não falsidade.
 
+ Procura que ela saia. Há muitas formas de sair. Sair da casca por exemplo ;) Conviver com outras pessoas diferentes. Pessoas com projectos, ideias, imaginação. Pessoas abertas a outras pessoas. Por vezes com a mesma idade as pessoas apresentam maturidades muito diferentes. E não raro quem sofre de TA tem níveis de maturidade e culturais acima da média. Muito possivelmente a tua amiga questiona-se e questiona os outros e o sentido da vida. Por isso ambientes em que dominem pessoas fúteis e vazias podem ser agressivos para ela. Mas cada um de nós é uma caixinha de surpresas. As possibilidades de convívio hoje em dia são imensas. procura que ela retome a alegria e sociabilidade que tinha antes da doença, mas sem pressas, sem forçar. A doença por vezes vai-se instalando de-va-ga-ri-nho e não é do dia para a noite que desaparece.
 
+ O que ela deve ou não comer deve ser recomendado pelos especialistas em nutrição e/ou endocrinologista. Se estiveres com ela durante as refeições principais, festas ou outras situações que envolvam comida procura comportar-te normalmente. Não adoptes uma posição de vigilância ou controlo sobre o que ela come ou de recomendações do tipo 'lá estás com a mania das calorias, não sejas parva vá lá come a bolacha', etc.
 
+ NÃO DESISTAS. O teu apoio pode não dar de imediato resultado. Tens que ter paciência se a tua amiga depois de parecer estar a recuparar tiver uma recaída. Não desistas da tua amiga, mantém o teu apoio mesmo durante uma recaída, evita comentários do tipo 'és uma fraca desisto'.´A tua amiga se tiver uma recaída já se sente suficientemente mal sem esses comentários 'amigos (por vezes pretendem ser para mostrar a dura realidade').Se ela for internada e os médicos não virem inconveniente e perceberes (as amigas verdadeiras percebem os sins mesmo quando ouvem não e vice versa) que ela o quer visita-a.
 
+ Se o conhecimento que com ela tiveres for principalmente ou exclusivamente virtual procura que ela reforce os laços com o MUNDO REAL. Os ombros virtuais não passam disso...virtuais. Nada substituí os ombros REAIS. para além disso estando a tua amiga psicologicamente fragilizada pode ser alvo de comportamento predatórios no mundo real e na internet.
 
+ Na Internet circula muita informação errada, nuns casos inconscientemente noutros, mais graves, conscientemente e criminosamente errada. Medicamentos, práticas e dietas que pululam na internet nos sites pro-ana e pro-mia e também noutros sites orientados comercialmente são muito perigosos. Dicas de emagrecimento que são fornecidas, por vezes sob capa de fundamentos científicos são autênticas 'receitas de morte'.
 
+ Lembra-te SEMPRE: A TUA AMIGA NÃO TEM CULPA. DEIXAR DE COMER NÃO É A DOENÇA, É O SINTOMA.
Procura ajuda para a tua amiga. Alguns contactos AQUI.
Foto f
Comentários recebidos a mensagem identica antes publicada no esqueciaana:

foreveryoung disse...
Qerida "esqeci-a-ana"...
Antes de mais qero voltar a agradecer pela maneira como te tens exprimido comigo porqe nota-se mesmo qe já passaste por isto tudo e és perfeitamente consciente a falar sem nunca "exigires" de mim coisas exageradas como às vezes me acontece por parte de pessoas qe desconhecem o problema em si! Quanto ao qe escreveste tens toda a razão..a fluoxetina tira-me o apetite e altera o meu humor (às vezes..ultimamente mais!)..mas a verdade é qe fico mesmo sem fome nenhuma e se o esforço por comer é grande já quando temos fome (contraditório?) então quando não temos aínda mais complicado é. Suponho qe me estejas a perceber. Mas ao mesmo tempo não qero de maneira nenhuma dizer isto ao psiquiatra porqe vou ser sincera..tenho medo qe ele me recomende tomar algo para abrir o apetite. Isso aterroriza me! Beijinho enorme, parabéns pelo post, até o patrocinei no meu blog :) ehehe
ex ana disse...
Eu já passei não direi por tudo, mas por algumas coisas parecidas.
Se o teu fim de semana foi inesquecível o que achas de ter a seguir uma semana igualmente BOA e inesquecível?
p.s.- Agradeço muito o 'patrocínio'. Não queres juntar sugestões? Prometo fazer uma actualização do post e prestar devida atribuição (ou não) como preferires. 30 de Novembro de 2009 20:41
aqui

Fotografia de flick cc aqui

Jul 22, 2013

...Dircursos sobre Anorexia Nervosa (artigo científico 2012; em português)


Pode ser lido na integra um artigo científico publicado  na revista Psicologia & Sociedade; 24 (2), 472-483, 2012, basta seguir o link :
http://www.scielo.br/pdf/psoc/v24n2/24.pdf
OS HERÓIS, VÍTIMAS E VILÕES:DISCURSOS SOBRE A ANOREXIA NERVOSA
AUTORES: Maria Araújo e Margarida Henriques (Universidade do Porto, Porto, Portugal) ;Isabel Brandão e António Roma Torres (Centro Hospitalar de São João do Porto, Porto, Portugal)
RESUMO:
"Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre os discursos dominantes sobre a anorexia nervosa da Idade Média à actualidade. Coloca em destaque os heróis, vilões e vítimas, culminando num olhar sistémico-familiar. Se durante séculos predominaram narrativas individuais de heroínas santas, posteriormente, na era do pensamento médico, estas heroínas passaram a vítimas de uma doença mental. Mais tarde, com os movimentos da anti-psiquiatria e da terapia familiar, emergem novas narrativas com mais protagonistas: os familiares. Se, primeiramente, as famílias são retratadas como vilãs, dadas as suas influências nocivas, nas últimas décadas as famílias são ilustradas como sistemas vítimas do impacto da doença. Na actualidade, surgem narrativas de famílias competentes, capazes de superar o problema. Este artigo termina refletindo sobre esta multiplicidade de leituras e suas implicações.
Palavras-chave: anorexia nervosa; relações familiares; história."

Do texto  destaco esta referência:

"De acordo com um estudo realizado por Nilsson e Hagglof (2006) (*) quando questionadas 58 mulheres recuperadas relativamente
sobre as pessoas que foram mais importantes para a recuperação,
 
38% referiram os familiares,
 
35% apontaram para os profissionais de saúde,
 
33% os amigos e
 
24% o namorado,
 
o que coloca em evidência a importância dos diferentes elementos do sistema para a recuperação, ou seja, familiares, técnicos e amigos enquanto possíveis colaboradores activos para a mudança.
 
 
 
 
 
 

(*) Nilsson, K. & Hagglof, B. (2006). Patient perspectives of recovery
in adolescent onset anorexia nervosa. Eating Disorders,14, 305 – 311.

 
imagem retirada de flick cc aqui

Nov 27, 2012

...AFAAB (reunião dia 30 Novembro, Porto)

Recebi esta informação da AFAAB que como habitualmente divulgo.
Recebi também a informação que a AFAAB irá ter
página no FACEBOOK, logo que conheça o endereço informo aqui.

Nov 23, 2012

... "Conselhos de uma filha" (T.) e 10 "Dicas de um pai" (actualizado em 25.11.2012)

 
Antes das '10 dicas', junto um comentário que recebi da T. e que vale mais que qualquer lista de dicas publicada algures.
 
  • Quando tiver dúvidas em como lidar com uma situação, pergunte ao médico...
  • Não culpe a sua filha pela tristeza ou mesmo depressão, sua ou de outro membro da família.
  • Não faça de conta que não viu ou não percebeu só para não ter de confrontar-se com ela.
  • LEMBRE-SE que apesar de ser a mesma doença, não faça a mesmas coisas que viu um amigo seu fazer à filha...cada doente tem as suas particularidades (*) e o que a umas pode ajudar, a outras pode ser altamente prejudicial.
(*)[ ver por exemplo no esqueciaana cada caso é um caso artigo científico]
 
Seguem 10 conselhos gerais de um pai com experiência de terapia familiar e de apoio familiar que lidou durante anos com uma filha com anorexia nervosa. (Fonte Suzanne Abraham 2010, pág. 173 mais informação sobre o livro aqui) (nota do esqueciaana: eu resumiria as 10 dicas numa palavra: amor)
 
"1. Lute contra a doença, não contra a pessoa.
 2. Não se acuse a si próprio de causar a doença.
 3. Procure ajuda profissional o mais rapidamente possível.
 4. Tente normalizar a vida familiar.
 5. Informe-se sobre a doença.
 6. Dê amor e apoio incondicionais.
 7. Tente não ser muito reservado a respeito da doença.
 8. Tente manter o seu sentido de humor.
 9. Actue com respeito pela pessoa doente.
10. Seja firme quando necessário. "
 
 
Desenho de Andrea Joseph em  flickr creative commom (aqui;http://www.flickr.com/people/andreajoseph/)
Fotografia de Carl Sagan com o filho Nick (fonte blogue do filho aqui)

Nov 9, 2012

...efeito das críticas da família sobre a forma e o peso (artigo científico)


O artigo científico publicado em 2012 na European Eating Disorders Review analisa a relação entre os transtornos do comportamento alimentar e as tentativas de suicídio e o papel que a família pode desempenhar.
Pode ser feito o dowload (formato pdf) e lido em inglês aqui: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/erv.1070/pdf
Unikel, C., Von Holle, A., Bulik, C. and Ocampo, R. (2012), Disordered eating and suicidal intent: The role of thin ideal internalisation, shame and family criticism. European Eating Disorders Review, 20: 39–48.
fotografia de flick cc aqui

Jul 23, 2012

...mãe(s)


O livro de Ana Granja, "Sem ti, Inês" expõe os sentimentos de uma mãe em luta contra a doença da filha (anorexia nervosa) e em luto (após o falecimento com 16 anos). É um livro corajoso e bem escrito. Gostaria muito que a minha mãe o tivesse lido quando eu estive doente. Teria certamento ajudado a um melhor entendimento da complexidade da doença. Porque não basta a informação científica.

Existem "falsas ideias e preconceitos que a maior parte das pessoas alimenta acerca desses males. Temos então de aprender a lidar com a ignorância e a incompreensão daqueles para quem a anorexia é um capricho, uma doença da moda que só atinge os fracos...Um alerta, que é também um testemunho carregado de emoção: o sofrimento de um adolescente anoréctico é real, profundo e genuíno!!! Sendo a fuga à dor e ao sofrimento uma motivação básica no ser humano, a anorexia não pode resultar de uma escolha voluntária, racional e consciente. E daí [...]" Ana Granja in "Sem ti, Inês", p.12.
"Nos primeiros tempos da doença, movida mais pela emoção do que pela razão, fiz tudo errado! Em conversa com outras mães percebi que é comum que assim seja. Ver a minha filha comer menos a cada dia que passava, perder peso a um ritmo assustador, apelou ao mais profundo instinto maternal: necessidade de (super) proteger, vigiar, controlar, pressionar, exigir. Assim, [...] Ana Granja in "Sem ti, Inês", p. 17
"As consequências da subnutrição notam-se na mente e no corpo a cada dia que passa. Para além dos efeitos só perceptíveis através de exames especializados, é notório que se tornam mais lentos e apáticos, têm dificuldade em adormecer e acordam muito cedo, a pele torna-se seca e enrugada, a temperatura do corpo baixa considerávelmente, o que os torna mais sensíveis ao frio, e o cabelo cai a um ritmo assustador. Só eu sei o que me custava secar o cabelo à minha filha e perceber que o seu cabelo forte e bonito era agora uma mera recordação." Ana Granja, in "Sem ti, Inês", p.23
"Infelizmente, perdi a luta contra uma doença devastadora que ameaça tornar-se uma epidemia do século. Quando me lembro de que a anorexia afecta cerca de um por cento dos jovens e que, desses, morrem cerca de 20 por cento (na perspectiva mais pessimista), não posso deixar de pensar que a minha filha foi sorteada duplamente numa lotaria fatal" Ana Granja in "Sem ti, Inês"
"Se algum dia a minha mãe soubesse o quanto sofro ao vê-la assim, sabendo que é por minha causa...Não gosto de ver as pessoas que mais amo sofrerem por mim. Gostava de poder dizer: não se preocupem, eu estou bem, mas eu sei que não estou. É tão difícil não me sentir capaz de cuidar de mim, sabendo que estou doente!" Inês Granja da Silva (1992-2008) , in "Sem ti, Inês" de Ana Granja.
imagem aqui:http://www.flickr.com/photos/doug88888/3538414354/sizes/n/

Jun 23, 2012

...Anorexia mata jovem de 17 anos


A anorexia  mata. As estatísticas exactas nomeadamente em Portugal não são conhecidas, também porque em alguns casos as mortes ocorrem por problemas de saúde em consequência da anorexia (paragem geral dos orgãos, ataque cardíaco, etc.)
A Charlote Seddon uma jovem inglesa de 17 anos sofria de anorexia (que escondia da família) desde os 13 anos. Era uma “excelente aluna, popular entre os colegas e confiante”, assim é descrita por amigos, colegas e professores. Mas…agora que os pais encontraram o diário que ia escrevendo nos últimos anos onde são descritos os dramas de contagem das calorias, falta de confiança e auto-estima, exercício compulsivo, purgação, numa espiral crescente sabe-se que a ‘verdadeira Charlote’ era diferente. (esqueciaana aos pais que leiem este blogue: não se iludam com o que a vossa filha ou filho inteligente e brilhante ‘mostra’ que é…)
Morreu com muito pouco peso, com um IMC (Índice de Massa Corporal) muito baixo (esqueciaana aos leitoras deste blogue que sofrem de anorexia: possivelmente um IMC parecido ao vosso).  Também o coração dela era anormalmente leve: a autópsia feita ao corpo da Charlotte’s revelou que o coração dela pesava só 190g (7oz) quando o peso normal seria 320g (11oz) (já antes aqui no esqueciaana referimos a questão de o coração ser um músculo…que também enfraquece se não for alimentado) . Todos os músculos à volta do coração apresentavam também estarem fragilizados e com falta de nutrientes.
Recusava-se a comer com os pais dizendo que já tinha comido. Os pais dela agora alertam para que os pais estejam mais atentos ao que os filhos comem. (comentário do esqueciaana, porque não é a comida o problema, a comida é o ‘lado vísivel’ –quando é- do problema: que estejam ATENTOS AO QUE OS FILHOS SENTEM!)
A Charlotte ganhou diversos prémios escolares (na fotografia o momento de receber um deles há 2 anos atrás) e foi nomeada para o Young Burnley Achiever Award pelo trabalho de voluntariado que realizava (nota do esqueciaana:  quem sofre de anorexia não são jovens fúteis egoistas e egocêntricas, são muitas vezes jovens excepcionalmente generosas, voluntariosas, genuinamente empenhadas em praticar o bem)

May 28, 2012

... Frases que nos dizem (corpo exposto)

 
(…) as  pessoas geralmente têm ideias erradas sobre as doenças do comportamento alimentar e  pensam que sabem o que são essas doenças com base no que  vêem nos meios de comunicação (…)
Encontrei num blogue (original e em inglês aqui) o seguinte post de que apresento tradução adaptada:

Desde os meus  15 anos que tive familiares e amigos que me deram dicas e conselhos sobre como "melhorar", bem como dizer as coisas que eram apenas totalmente tolas e despropositadas  Aqui estão algumas ‘perolas’:
"Ela não tem anorexia, eu vi-a a comer um gelado." (Amigo)
"Não precisa ir a um médico, eu sei o que é saudável para para a sua alimentação." (Pai)
"És a raparigra mais magra que eu conheço, não precisas de fazer dieta." (Amigo)
"Podias comer um monte de hamburgers  para ganhar peso." (Pai)
"Então, parece que estás a ir para um festival/acampamento  de verão." (Irmão em relação à minha ao meu internamento para tratamento)
"Da próxima vez, tente e não comer o pacote inteiro da  manteiga." (Pai)
"É apenas uma fase. Eu vomitei  o que comi uma ou duas vezes. Todos temos  feito  isso." (Amigo)
“Espero que percebas quanto me está a custar pagar ao terapeuta/médico” (Pai)
"Comeu a caixa inteira de donuts? CREDO!" (Pai depois que eu tentei ser honesta sobre uma compulsão)
"Estes são para a família, pode tentar não comer todos?" (Pai depois de comprar um pacote  de bolachas de chocolate)
"Parece que ela ganhou algum peso!" (Depois de voltar para casa de visitar o meu irmão por uma semana.)
"Foi para algum rapaz?" (Uma amiga a perguntar-me a razão da anorexia)
"Perdeu os  seios?" (Depois de contar a um amigo que eu era anoréxica.)
"Não és assim tão magra." (Depois de contar a alguém que estava em tratamento da  anorexia.)
"Ela não parece ter anorexia." (É uma longa história - quando a minha mãe morreu, o  meu pai tentou entrar num desses programas em que se ‘contactam’ os  entes queridos falecidos . O meu pai fez questão de dizer do show que eu tive anorexia e uma pessoa do show fez esse comentário . )
"Tu não és gorda." (TODOS  na face do Mundo)
Eu tenho certeza que  existem muitas mais frases. Sinta-se livre para partilhar as ‘suas’…

Imagem retirada do album do escultor:RON MUECK
http://www.facebook.com/?ref=logo#!/photo.php?fbid=9485502013&set=a.9466057013.19903.9465677013&type=3&theater

May 10, 2012

..."tratamento para Anorexia Nervosa em Adolescentes:: Tratamento Familiar e Tratamento Multidisciplinar

"Comparação de efetividade entre duas modalidades de tratamento para anorexia nervosa em adolescentes: tratamento familiar e tratamento multidisciplinar"
Tese de Mestrado de Gisela Turkiewicz, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brasil, 2011
Esta tese, defendida o ano passado no Brasil contribui para um melhor conhecimento dos efeitos de diferentes tratamentos da Anorexia Nervosa. Abaixo os resumos em português e em inglês. A tese, publicada em português pode ser lida integralmente (aqui nesta página), ficheiro pdf.
 
Resumo
"Adolescentes do sexo feminino são a população mais frequentemente acometida pela anorexia nervosa (AN), com prevalência média de 2,5%, quando considerados critérios diagnósticos adaptados para esta faixa etária. A apresentação da AN em adolescentes é semelhante a de adultos, no entanto existem particularidades nos sintomas relacionadas ao nível de desenvolvimento cognitivo e emocional. A AN manifesta-se por: perda de peso, perturbações na forma de vivenciar a forma corporal, medo de engordar, restrição alimentar, comportamentos compensatórios e alterações menstruais. No Brasil, existem poucos recursos especializados para o tratamento da AN na adolescência e não foram realizados previamente estudos sistematizados sobre o tema. Estudos realizados em países de língua inglesa demonstram que o tratamento familiar (TF) apresenta bons resultados no tratamento da AN em adolescentes. Este estudo tem como objetivo a comparação de efetividade e de custos entre o TF e o tratamento multidisciplinar (TM). Inicialmente foi realizado um estudo piloto, incluindo nove pacientes de 11 a 17 anos do sexo feminino com diagnóstico de AN, tratadas com o TF. Posteriormente foi realizado um estudo comparativo, com os mesmos critérios de inclusão, com 20 pacientes que receberam o TF e foram comparadas com um grupo-controle histórico de 24 pacientes tratadas com TM. Foram calculados os custos diretos de ambas as modalidades de tratamento. Foram utilizadas como medidas de avaliação: DAWBA, CGAS, EDE-Q. No estudo piloto, as variáveis peso, IMC, EDE-Q, CGAS e amenorreia foram comparadas antes e após o TF. Foram observados resultados estatisticamente significativos em recuperação de peso e IMC (p=0,036). Foi observada melhora das demais variáveis após o tratamento, no entanto estes resultados não foram estatisticamente significativos. No estudo comparativo, 75% das pacientes que receberam o TF e 62,5% das pacientes que receberam TM apresentaram recuperação dos sintomas de AN, sem diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p=0,378). Ambos os grupos apresentaram recuperação de peso, IMC e CGAS satisfatórias após o tratamento, sem diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Tanto no TF quanto no TM, o maior tempo de sintomas antes do início do tratamento interferiu negativamente na resposta ao tratamento, reduzindo a chance de recuperação dos sintomas. Os custos diretos do TM são aproximadamente o dobro dos custos do TF. Tanto o TF quanto o TM demonstraram-se alternativas efetivas de tratamento para AN  na população estudada. No entanto, o custo do TM é consideravelmente maior. O TF é uma alternativa de tratamento efetiva e economicamente viável, podendo ser disseminado para outros centros, possibilitando maior acesso a tratamento para adolescentes com AN."
Palavras-chave em português: Adolescência, Anorexia nervosa/terapia, Terapia familiar, Tratamento
 
Effectiveness comparison of two treatment modalities for anorexia nervosa in adolescents: family-based treatment and multidisciplinary treatment
Abstract
"Female adolescents are the population most frequently affected by anorexia nervosa (AN), with average prevalence of 2.5% when adapted diagnostic criteria for this age group are considered. AN presentation in adolescents is similar to that of adults, but there are peculiarities in symptoms related to the level of cognitive and emotional development. AN main symptoms are: weight loss, disturbance in the way body shape is experienced, fear of becoming fat, dietary restriction, compensatory behaviors and menstrual abnormalities. In Brazil, there are few specialized resources for AN treatment in adolescence and no previous systematic studies have been conducted on this theme. In English-speaking countries, some studies have shown that the family-based treatment (FBT) is effective for adolescent AN. The aim of this study is to compare the effectiveness and the costs between the FBT and the multidisciplinary treatment (MT). Initially, a pilot study was conducted, including nine female patients from 11 to 17 years old diagnosed with AN, and treated with FBT. It was later performed a comparative study with the same inclusion criteria. Twenty patients who received FBT were compared with a historical control group of 24 patients treated with MT. We calculated the direct costs of both treatment modalities. The evaluation measures were: DAWBA, CGAS, EDE-Q. In the pilot study, the variables weight, BMI, EDE-Q, CGAS and amenorrhea were compared before and after FBT. We observed statistically significant results in weight and BMI recovery (p=0.036). The other variables have improved after treatment, although results were not statistically significant. In the comparative study, 75% of patients receiving FBT and 62.5% of patients receiving MT recovered from AN symptoms, no statistically significant difference was found between groups (p=0.378). Both groups have shown satisfactory recovery of weight, BMI and CGAS after treatment, with no statistical significant difference between groups. Both in the FBT and in the MT, the greater duration of symptoms before starting treatment had negative influence on treatment response, reducing the chance of recovery. The direct costs of the MT are approximately twice the cost of the FBT. Both the FBT and the MT were shown to be effective for AN treatment in the study population. However, the costs of MT are considerably higher. The FBT is an effective and economically viable treatment alternative and, can be disseminated to other centers, allowing ! greater treatment access for adolescents with AN."

Apr 11, 2012

..."Vivemos Livres numa Prisão" (Daniel Sampaio) + comentário recebido


Vivemos Livros Numa Prisão é uma obra que nos fala de duas problemáticas particularmente pertinentes. A segunda parte debruça-se sobre a Anorexia Nervosa, nomeadamente o diagnóstico, as causas, a avaliação e o tratamento, o internamento e a prevenção desta doença. A primeira parte aborda um tema já tratado em obras anteriores, mas com necessidade permanente de novas abordagens, aprofundando o problema da adolescência no espaço escolar e as estratégias para se lidar com situações problemáticas. Uma obra útil e oportuna para adolescentes, pais, professores e especialistas da saúde.

Recebi este comentário de Passarinho:

"Li este livro há uns anos atrás, naquele que foi o meu primeiro internamento. Curiosa como sou, tenho uma necessidade de absorver informação sobre tudo e mais alguma coisa que me influencie ou me chame a atenção. E saber mais sobre distúrbios alimentares não foi excepção.
Cheguei a ler partes do livro aos meus pais para que eles percebessem aquilo que eu sentia e pensava, de modo a me distanciar um pouco de toda a emotividade associada. Já sabemos como funciona falar de sentimentos quando a anorexia anda a mexer com o nosso cérebro. Exprimir emoções = causar um dilúvio digno de um filme."

Jan 25, 2012

...Como ajudar alguém (Parte 2 de 3)


O golfinho (cuidado e controlo na medida certa)*
No livro referido abaixo, Janet Treasure e outros descrevem através de analogias com animais alguns comportamentos e reacções das pessoas que dão apoio e cuidam dos doentes com anorexia, bulimia e outros TCA. O comportamento 'golfinho' e 'são bernardo' são positivos.

Treasure, J., Smith, G. D., & Crane, A. M. (2007). Skills-based learning for caring for a loved one with an eating disorder. Hampshire: Routledge: Taylor and Francis Group.

Citando: "A melhor maneira de ajudar alguém com TCA é empurrá-la gentilmente, como o golfinho. Imagine o seu filho/a no mar. O TCA é o colete salva-vidas dele/a. Ela/ele não quer abrir mão não quer perder a 'segurança' [falsa segurança] num mundo perigoso e hostil. E você é o golfinho, empurrando-a para a zona de segurança, às vezes nadando à frente e mostrando o caminho, outras vezes nadando lado a lado e dando coragem, ou mesmo nadando atrás em silêncio" Janet Treasure
*nota de esqueciaana: o problema é mesmo ' a medida certa'. Quando nadar ao lado, atrás ou à frente é de facto essencial. Ver mais (aqui)
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