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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

May 27, 2011

... "Já" (poema de Alexandre O'Neill)

JÁ


já não é hoje ?
não é aquioje?

já foi ontem?
será amanhã?

já quandonde foi?
quandonde será?
eu queria um jàzinho que fosse
aquijá
tuoje aquijá.

May 24, 2011

... Anorexia Nervosa em Homens ( R.M. Freire Lucas, Hospital da Universidade de Coimbra)

Foi publicado recentemente um texto do Investigador português (Hospitais da Universidade de Coimbra) que foi apresentado no 19º Congresso Europeu de Psiquiatria. REproduzimos abaixo o resumo. Pode ser analisado o original aqui.

Anorexia Nervosa nos Homens/ Anorexia nervosa in males

R.M. Freire Lucas
Coimbra University Hospitals, Coimbra, Portugal
Disponível on line desde 4 de Maio 2011

Resumo (original em inglês tradução de esqueciaana)
As Doenças do Comportamento Alimentar (DCA; Eating disorders) são de longe mais prevalentes nas mulheres que nos homens. Nos homens ocorrem apenas 10% dos casos. Esta discrepância pode ser parcialmente explicada por factores biológicos e culturais, mas também sugere dificuldades de diagnóstico.
Este trabalho inicia-se com uma descrição da situação clínica de Anorexia Nervosa (AN) no caso de um doente do sexo masculino, e passa em revista e compara os aspectos de diagnostico das Doenças do Comportamento Alimentar , nomeadamente a AN, nos dois sexos, enfatizando as falhas mais comuns na sua identificação nos homens, fazendo reduzir o número de casos não diagnosticados.
Foram pesquisados artigos científicos sobre este tópico na base de dados MEDLINE, LILACS e PsycINFO, usando como palavras de pesquisa “eating disorder”, “anorexia nervosa” e “male” . Optou-se por incluir artigos originais e resenhas de literatura recentes.
European Psychiatry
Volume 26, Supplement 1, 2011, Page 718
Abstracts of the 19th European Congress of Psychiatry

May 20, 2011

...Livro (actualizada em 20.11.2012): Distúrbios Alimentares de Suzanne Abraham, edições Texto

Estou a ler este livro e darei sobre ele mais informações. A autora é uma especialista no assunto como ilustrado pelas publicações científicas cujas lista parcial pode ser encontrada aqui. A edição original em inglês é da Oxford University Press.
actualização em 20.11.2012: testemunho do labirinto em que a anorexia nos enreda aqui retidado da página 170-171.
Título do Livro: Distúrbios Alimentares

"Os distúrbios alimentares - anorexia nervosa, bulimia nervosa e obesidade - afectam muitos milhares de pessoas todos os anos, em particular as mulheres jovens. É um assunto que os pais de hoje não poderão estudar em excesso; crê-se que cerca de um milhão de pessoas, apenas no Reino Unido, tenha um problema significativo de distúrbio alimentar. Distúrbios Alimentares é um guia dos três principais distúrbios alimentares: aborda a razão pela qual estes distúrbios ocorrem e analisa cada uma individualmente, descrevendo os comportamentos alimentares, o diagnóstico e os tratamentos disponíveis. " (da sinopse do livro disponível em diversos sites)
Editora: Texto Editores; Ano: 2010; 260págs.

May 18, 2011

... "Perturbações alimentares na adolescência: coreografias protectoras e de risco em bailarinos e ginastas" (Tese de Doutoramento 2011, Rita Mafalda Costa Francisco )


Damos notícia de mais um trabalho de investigação que contribui para um melhor conhecimento da situação das doenças do comportamento alimentar em Portugal e fornece algumas informações preciosas para uma política e comportamentos de prevenção. Parabéns à Investigadora!

Foi recentemente defendida por Rita Mafalda Costa Francisco, uma Tese de Doutoramento na Faculdade de Psicologia de Lisboa cujo título é: Perturbações alimentares na adolescência : coreografias protectoras e de risco em bailarinos e ginastas . A Tese pode ser lida na íntegra aqui.
Fica abaixo o resumo e o convite à leitura. [os bold no Resumo e os parágrafos são do esqueciaana]

"Enquanto desportos estéticos, a dança clássica e a ginástica são considerados contextos de risco para o desenvolvimento de perturbações alimentares na adolescência. Nesta dissertação pretende-se compreender os processos subjacentes a esse risco, tendo como base teórica uma perspectiva ecossistémica e conceptualizando as perturbações alimentares como um continuum, desde as preocupações com o peso e comportamentos restritivos até às perturbações alimentares enquanto doença psiquiátrica.

Utilizando metodologias qualitativas e quantitativas, num processo de investigação abdutivo, exploraram-se relações entre o comportamento alimentar perturbado e variáveis específicas destes contextos, bem como com variáveis sócio-relacionais, familiares e individuais de jovens bailarinos e ginastas.

No primeiro estudo, de carácter qualitativo e exploratório da realidade portuguesa em que se inserem os jovens bailarinos e ginastas de elite, realizaram-se quatro focus groups com estudantes de dança de ensino profissionalizante e ginastas de alta competição, de ambos os sexos (N = 24; 12-17 anos).

Utilizando uma metodologia de análise indutiva-dedutiva, foram identificados diversos factores de risco e factores protectores específicos, associados a diversas fontes de influência. A pressão para a magreza, enquanto regra implícita da sub-cultura dos desportos estéticos de elite, e enquanto regra explícita, transmitida na escola de dança/clube de ginástica, por exemplo, através de comentários críticos sobre o peso, alimentação e imagem corporal (especialmente por parte dos professores/treinadores), é considerada o factor de risco mais importante. Todavia, os pares e os pais parecem ter também um papel relevante na protecção ou risco de desenvolvimento de comportamentos alimentares perturbados entre estes adolescentes.

Numa etapa intermédia desta investigação, procedeu-se à adaptação e estudo da validação de um instrumento de avaliação da insatisfação com a imagem corporal para adolescentes e adultos (N = 1423), a Contour Drawing Rating Scale (M. A. Thompson & Gray, 1995), bem como de um instrumento de avaliação de factores de risco e factores protectores do desenvolvimento de perturbações alimentares para adolescentes (N = 793), o McKnight Risk Factor Survey-IV (The McKnight Investigators, 2003), em relação ao qual se adaptou também uma versão masculina que não existia originalmente. Ambos os instrumentos revelaram boas qualidades psicométricas, pelo que foram utilizados nos três estudos empíricos seguintes, de cariz quantitativo, juntamente com outros instrumentos, de forma a avaliar o comportamento alimentar perturbado, a auto-estima, a vinculação aos pais e a percepção de pressão para a magreza e de suporte no contexto desportivo.

No primeiro estudo empírico quantitativo, compararam-se potenciais factores de risco, factores protectores e nível de comportamento alimentar perturbado, bem como a relação entre estes, em atletas de desportos estéticos de elite, atletas não-elite e num grupo de controlo de adolescentes da população em geral (N = 725; 12-22 anos).

Entre as raparigas, as atletas elite apresentaram maior risco de desenvolvimento de perturbações alimentares que as atletas não-elite e raparigas do grupo de controlo, enquanto os três grupos de rapazes não diferiram entre si. Por outro lado, as análises multi-grupos, realizadas com recurso a modelos de equações estruturais, revelaram diferenças quanto à relação entre os factores de risco incluídos no modelo e o comportamento alimentar perturbado dos adolescentes dos três grupos.

Apesar da relevância da pressão social como preditora de comportamento alimentar perturbado (que corresponde ao preditor mais forte entre os atletas não-elite e grupo de controlo), entre os atletas elite a insatisfação com a imagem corporal contribui ainda mais para a explicação da variância do seu comportamento alimentar perturbado. Este grupo de atletas é, também, o único em que as influências parentais assumem significância enquanto preditor (directo e indirecto) do comportamento alimentar perturbado.

Estes resultados indicam, assim, eventuais especificidades individuais e dos contextos familiares dos atletas elite que suscitaram o desenho dos estudos seguintes, já que os grupos de controlo e atletas não-elite se revelaram mais semelhantes entre si.

Para examinar diversas influências familiares na insatisfação com a imagem corporal e comportamento alimentar perturbado de atletas elite (comparativamente com um grupo de controlo), recorreu-se também a uma amostra de pais (223 mães e 198 pais), em relação aos quais se avaliou a insatisfação com a imagem corporal e o nível de comportamento alimentar perturbado. Em termos de valores médios das variáveis familiares investigadas, atletas e grupo de controlo diferirem apenas nalguns padrões de vinculação insegura aos pais. Todavia, surgem diferenças nas variáveis familiares que contribuem para a explicação da variância da insatisfação com a imagem corporal e do comportamento alimentar perturbado nos dois grupos. A variável influências parentais, sob a forma de comentários críticos em relação ao peso e importância da magreza para os pais, foi considerada a única variável familiar preditora entre os atletas, segundo os modelos de regressão múltipla. Por seu turno, entre os adolescentes em geral, para além das mesmas influências parentais, também a qualidade do ambiente familiar e a modelagem de alguns comportamentos maternos em relação ao peso e alimentação parecem ter um impacto importante.

Assim, os pais de atletas devem ser incluídos nos eventuais programas de prevenção a ser desenvolvidos, pois comentários positivos em relação ao desempenho dos atletas e comentários que valorizem a saúde e o bem-estar físico, em detrimento da magreza, poderão ser promovidos e revelar-se potenciadores de comportamentos alimentares mais saudáveis.

Por último, compararam-se especificamente variáveis individuais e contextuais entre os atletas, separando bailarinos (n = 113) e ginastas (n = 136) por sexo e nível de competição. As bailarinas de nível recreativo mostraram menor risco de desenvolvimento de perturbações alimentares que as restantes atletas, sendo que, entre os rapazes, não se verificaram diferenças. Uma usefulness analysis revelou que um indicador de insatisfação com a imagem corporal específica para a prática da modalidade é um melhor preditor de comportamento alimentar perturbado entre os atletas do que o indicador de insatisfação com a imagem corporal geral. A análise de regressões hierárquicas revelou ainda que, para além da baixa auto-estima e da insatisfação com a imagem corporal, a percepção de pressão para a magreza no contexto desportivo (mas não a fraca percepção de suporte) é preditora de comportamento alimentar perturbado nos atletas, sendo efectivamente mais relevante do que a prática da modalidade ao nível de alta competição ou não. Este é um dado importante e que pode facilitar o desenho de intervenções preventivas eficazes.

A prática de desportos estéticos de elite parece colocar as raparigas em maior risco de desenvolvimento de perturbações alimentares, comparativamente com as raparigas da população em geral. Contudo, tal parece verificar-se, sobretudo, com as bailarinas, cuja prática a um nível recreativo parece ser até protectora, já que as bailarinas não-elite apresentam comportamento alimentar significativamente menos perturbado que as raparigas da população em geral.

Pelo contrário, as praticantes de ginástica não-elite apresentam nível semelhante de comportamento alimentar perturbado ao das ginastas elite, diferindo também menos entre si nos factores de risco estudados, nomeadamente em relação à insatisfação com a imagem corporal. Para os rapazes, todavia, a prática de desportos estéticos não parece constituir um factor de risco adicional.

Não pretendendo alterar a cultura dos desportos estéticos, em que a regra “magreza=sucesso” está bastante enraizada, diversas pistas para a prevenção de perturbações alimentares em atletas podem ser delineadas com base nos resultados dos vários estudos realizados, de forma a dotar os seus intervenientes de ferramentas que proporcionem aos atletas uma vivência mais positiva e saudável do seu corpo. Neste sentido, para além de um trabalho mais individualizado, o papel que os pais e os intervenientes no contexto desportivo (professores/treinadores, pares) mostraram desempenhar em relação ao comportamento alimentar perturbado dos atletas, constitui uma indicação da necessidade de os incluir nas acções preventivas (participativas e ecológicas), que devem ser desenvolvidas em escolas de dança de ensino profissionalizante e em clubes de ginástica onde treinem atletas de diversos níveis de competição." A Tese pode ser lida na íntegra aqui.

(fotografia de Caeser Lima)

May 16, 2011

...aos pais (ionline 16.05.2011) sobre a anorexia (prevenção)


Foi hoje publicada pelo ionline (aqui) a notícia que abaixo reproduzimos:
Esta doença [Anorexia Nervosa] afecta maioritariamente adolescentes do sexo feminino, no entanto, já se começa a sentir este problema no sexo masculino. Muitos são os pais que vivem na angústia e desespero sem saberem o que fazer.

Por essa razão, deixamos algumas dicas, com a ajuda do site educare (aqui), para prevenir o aparecimento desta doença no seu filho:

1- Ajude-o a desenvolver auto-estima (ver sobre este assunto um texto de Adriana Campos aqui)

Uma das razões para o desenvolvimento da anorexia nervosa é a falta de auto-estima do adolescente. A percepção que ele tem de si próprio pode não ser a mais correcta, levando-a a tentar emendar o que está mal consigo. Esta percepção constrói-se ao longo da vida, em resultado das várias interacções que o indivíduo vai estabelecendo em diferentes contextos. A família tem um papel fundamental. Aproveite para dizer ao seu filho o quanto está orgulhoso dele, independentemente do seu percurso académico. É importante que ele seja elogiado em todas as áreas, para sentir que os pais o amam por ser como é.

2- Incentive a autonomia
Ao longo do processo de desenvolvimento, estimule o seu filho a ser cada vez mais autónomo. Nunca faça por ele o que ele pode fazer sozinho. É necessário que ele aprenda a lidar com os problemas e a resolvê-los. Ao chegar à adolescência, é fundamental flexibilizar algumas regras que foram estipuladas pelos pais, até porque, durante o crescimento, há necessidade de estipular outras regras.

3- Respeito o espaço do seu filho

Respeite a sua necessidade crescente de espaço. Ele tem direito e necessidade de ter o seu canto e a sua privacidade.


4- Mantenha uma relação positiva com o seu cônjuge

Cultive relações positivas com o seu cônjuge. Uma relação conflituosa do casal faz com que, muitas vezes, os filhos se tornem a única razão para a existência deste. A missão dos filhos não é servir de elo de ligação de casamentos desfeitos.

5- Exprima os seus sentimentos

Além de ser pai ou mãe, é também um ser humano com sentimentos. Por essa razão, não deve ter medo de exprimi-los e incentivar o seu filho a exprimir os seus. A não expressão de sentimentos pode levar o adolescente a pensar que o que se passa com ele (tristeza, cólera, fúria) é algo anormal. A relação familiar pode melhorar consideravelmente.

May 7, 2011

...2 anos de blogue

ANOS
Reparei que o blogue esqueciaana faz hoje dois anos. Agradeço a todos os que de alguma forma contribuiram para que o esqueciaana crescesse. Cada vez tenho mais certezas em relação às possibilidades de vitória sobre a anorexia (ana), bulimia (mia) e outras doenças do comportamento alimentar (DCA). Junto hoje ao esqueciaana mais uma página de testemunhos de quem venceu as DCAs.

As respostas estão ali fora à procura de serem encontradas! Vamos procurá-las? 

[tradução adaptada da legenda: "querido, deixa de escrever no teu blogue pessoal sobre este mundo velho e louco e vem conversar".]

May 5, 2011

... Anorexia mata

Segundo entrevista de Jennifer Santos (psiquiatra HSM) mata 10% dos doentes

... No Programa " A Tarde é Sua " na TVI ( doenças do comportamento alimentar)

Hoje,  no programa de Fátima Lopes " A Tarde é Sua "  ( TVI) , a temática foram as Doenças do Comportamento Alimentar (DCA). Três testemunhos de diferentes situações: anorexia ( testemunho de Cristina ), bulimia (testemunho de Sara) e compulsão alimentar ( testemunho de Cláudia).  Identifiquei-me com alguns dos aspectos relatados por Cristina Serralheiro .
A Dra. Jennifer Santos do Hospital de Santa Maria esteve em estúdio e precisou alguns aspectos importantes em relação à doença e ao tratamento. Faremos referência mais detalhada e comentaremos aqui no esqueciaaana se possível com video(s) do programa.
Não encontro nenhum video desses testemunhos, alguém me pode indicar algum link?
fotografia:flickr cc aqui

May 2, 2011

..."tão belo como a Vénus de Milo" (Fernando Pessoa)




O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).
s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

May 1, 2011

..."palavras para a minha mãe" ( poema de José Luis Peixoto )

...Princesas (testemunho da Princesa Victoria, futura Rainha da Suécia)

Nestes dias em que se comenta do casamento do Príncipe William e Kate, lembrei-me de uma outra Princesa, a Princesa Victoria, futura rainha da Suécia. Esta Princesa esteve doente com anorexia o que foi oficialmente divulgado pela própria em declarações públicas e num livro chamado “VICTORIA, VICTORIA!”


Numa entrevista dada pela Princesa Victoria da Suécia em 1999 disse “Foram tempos difíceis. Este tipo de doença é violenta, não apenas para a pessoa mas também para quem a rodeia. Actualmente estou bem” (1) Em 2002 foi publicado o livro “Victoria, Victoria!” [imagem da capa em baixo] onde a doença de transtorno alimentar (DTA) é analisada. Victoria: “ Sentia-me como um comboio em velocidade e desgovernado,…a descer, sempre a descer. Eu tinha uma DTA e sabia-o, a minha angústia era enorme. Detestava a minha aparência, detestava como era…eu, Victoria, não existia. Era como se tudo na minha vida e em redor dela fosse controlado pelos outros. E uma coisa que eu podia controlar era aquilo que comia”. “O que aconteceu teve custos e fui eu que tive que pagar. Agora sinto-me bem e com a experiência por que passei posso possivelmente ajudar mais alguém” (3).



1.  Rönn, Cina (28 May 1999). "’Det var en jätte-jobbig tid för mig’" (in Swedish). Aftonbladet. http://wwwb.aftonbladet.se/nyheter/9905/28/vict.html. Retrieved 18 June 2010.
2. Conradi, Peter (23 May 2010). "The next Queen Victoria, the glamour model and a right royal scandal". The Sunday Times. http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/europe/article7127348.ece. Retrieved 18 June 2010. "she also fell victim to anorexia. To reduce the pressure on her, her family sent her to America in 1998"
3. Bah, Alice; Tarras-Wahlberg, Elisabeth; Hansen, Paul (2002) (in Swedish). Victoria, Victoria!. Ekerlids. p. 115. ISBN 91-89617-36-3.


Imagem da ´Princesa Victoria no site oficial sueco
Mais informação na Wikipédia (aqui)

Apr 30, 2011

...VIAGEM (poema de Miguel Torga)

Viagem
Poema de Miguel Torga


Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


fotografia flickr cc (aqui)

Apr 29, 2011

..."voz interna, anorexia e violência doméstica" (investigação)


Foi publicado recentemente este artigo cujo resumo transcrevemos abaixo:
“Aprisionadas numa relação envenenada: comparação das perspectivas de mulheres com anorexia nervosa e mulheres vítimas de violência doméstica” (artigo de investigação)


Trapped in a toxic relationship: comparing the views of women living with anorexia nervosa to those experiencing domestic violence , Journal of Gender Studies, Volume 20, Issue 1, 2011, Pages 31 -41. Authors: Stephanie Tierneya; John R. E. Foxbc [ show biographies ]
http://www.informaworld.com/smpp/content~db=all~content=a935703182
DOI: 10.1080/09589236.2011.542018

Resumo

"As pessoas que vivem com anorexia nervosa (AN), muitas dizem ouvir voz interior que domina o seu pensamento e comportamento, e as impede de progredir no sentido da recuperação. Tem sido realizada pouca investigação em relação a este aspecto. Foi realizado um estudo qualitativo para explorar as experiências de vida das pessoas com uma voz interior "anoréxica". Os dados foram recolhidos sob a forma de reflexões escritas por pessoas com anorexia. Foi efectuada uma análise qualitativa […] Poemas, cartas, reflexões e pensamentos foram recolhidos junto de 21 mulheres com anorexia nervosa AN. Um dos temas fundamentais que ressaltou desses dados foi uma relação de dependência envenenada com essa voz interior. Esta ideia foi explorada por analisar e comparar esses textos com pesquisas que investigam as perspectivas das mulheres vítimas de violência doméstica; a análise revelou existirem aspectos comuns nos dois grupos. Uma nova maneira de abordar o problema da anorexia é destacada no artigo, alguém que está doente com anorexia pode estar aprisionada num relacionamento de dependência. Estes resultados possuem implicações para a prática clínica e para futuras pesquisas. "

Apr 28, 2011

..."o que importa mesmo é que eu consegui vencer a DOENÇA" (testemunho)

Partilho convosco este testemunho de B.

"* este seguinte é mais um testemunho, escrevi depois de vencer

Senti que já não me conhecia, estava tão obssecada por aquela minha nova "amiga", não a deixava quer para onde fosse..

Talvez mesmo que a tentasse deixar não conseguiria, não tinha forças para a deixar, naquele momento NÃO! Afinal "ela" fazia-me sentir "feliz", estava cada vez mais magra e mesmo assim não dava conta.

Olhava-me milhares de vezes ao espelho e todos os dias via aquilo que mais ninguém conseguia ver, pensava que me diziam que não estava gorda para me sentir melhor e começar a comer, sim porque eu não sabia mais o que era comer. Perdi a fome (como se pode perder a fome?) , acho que nunca perdi a fome, mas sempre tentei parar de ter vontade de comer. Na escola recusava-me a comer fosse o que fosse, e aí as mentiras começaram a fazer parte da minha vida, pois de todas as vezes que me perguntavam se já tinha comido dizia que sim (MENTIRA!) estava em jejum até ao jantar (um dia inteiro praticamente) .

Todos os dias eram diferentes, quando somos levados por "ela" somos duas pessoas num corpo só, eu não fui excepção! Tinha dias em que apenas comia gomas e gelatina, não conseguia resistir aos doces, era mais forte do que eu :S e depois de "atacar" aquele comida culpava-me por o ter feito.. Aí , aí eu prometia a mim mesma que não ia comer mais nada até adormecer, tinha cometido um "pecado" e tinha que pagar pelo que tinha feito, dava muitas vezes comigo a pensar "aquilo engorda! porquê que comes-te? agora vais ter que comer menos!" ..

Comer ainda menos? No meu caso era não comer, cheguei aos meus poucos 37kg em menos de NADA, estava com sensivelmente menos 10kg do peso ideal. Foi aí que para desespero daqueles que me amam fui internada no inicio de uma "anorexia nervosa" aí foi como o mundo se desaba-se sobre mim e me deixasse sem qualquer possibilidade de reagir, foi um choque nem tanto pela doença, eu lá no fundo sabia que o que eu fazia estava errado, mas "ELA" tomava conta de mim todos os dias mais um pouco..

Foi o desespero dos meus pais que me trouxe à realidade, reagi, estava a chorar .. desesperada com medo de não conseguir lutar. Eu tinha que lutar! ( Ainda me lembro quando me pesaram nas urgências do hospital, o rosto das duas enfermeiras mudou completamente de expressão e eu olhei para a balança .. eram os 37kg que as tinham chocado :s ) .

Bem, a partir do meu internamento só pensava na recuperação talvez nem era tanto por mim, mas sim pelos meus pais e pelo meu irmão. Eles tinham me avisado, tantas vezes me disseram que estava a percorrer o caminho errado e eu não os queria ouvir e naquele momento um turbilhão de sentimentos invadiu-me, eu estava a correr contra o tempo, estava fraca tanto fisicamente como psicologicamente e teria que me agarrar à vida de qualquer maneira!

Nos primeiros dias de internamento pedi à minha mãe para me trazer comida (dentro de mim havia uma constante guerra psicológica) até que eu decidi esquecer tudo, tudo o que me tinha levado àquele sitio.. Podia não ser a melhor maneira de lutar, mas para mim era a única maneira e tinha de tentar (sabia que não ia esquecer definitivamente e que a minha doença, sim porque ANOREXIA é DOENÇA, ia ter um fim no meu corpo mas NUNCA na minha mente) e foi aí que VENCI :D !

Hoje penso em tudo o que me levou àquele estado e ainda não descobri exactamente o motivo, mas não me importa qual foi, o que importa mesmo é que eu consegui vencer a DOENÇA e hoje estou bem ."

fotografia de Paulete Matos

Apr 26, 2011

...Reunião da AFAAB REUNIÃO DE FAMILIARES E AMIGOS (dia 29, Poto HSJ 21:30)

REUNIÃO DE FAMILIARES E AMIGOS NO PORTO
2011-04-29 - Auditório do Serviço de Psiquiatris do HS João no Porto pelas 21H30

Imagem flickr cc (aqui)

Apr 23, 2011

...dia mundial do livro

Bibliotecas, Livrarias, Alfarrabistas, Internet...vivam os livros! Todos os dias!

..."Resumindo, o que eu ganhei foi uma vida. A minha vida de volta. " (Testemunho)


Recebi esta mensagem de uma ´guerreira' que transcrevo com muito gosto. É de alguém que escreve com o coração.

"Inspirada pelo post anterior decidi escrever também sobre o que é que eu ganhei desde que me tornei uma mulher saudável, livre da anorexia:

- posso aproveitar melhor o meu tempo, ler um livro, ir ao cinema, ver séries em casa, etc, já que não tenho a obrigação de me exercitar por horas e horas diariamente

- posso dormir até tarde já que não tenho alguem a acordar-me às quatro da manhã com pensamentos horriveis só por eu estar descansada a dormir

- posso sentir-me pela primeira vez uma mulher

- posso ter filhos!

- posso sair à rua com um casaco de malha nos dias mais frescos porque a minha temperatura corporal permite-me manter quente

- posso comprar pão acabado de cozer numa padaria para o lanche

- posso sentir-me orgulhosa de mim pelos motivos certos: ter lutado e vencido a anorexia!

- posso ir dormir a casa das minhas amigas sem me preocupar com o que vou comer fora de casa

- posso apreciar toda a independencia que ganhei desde que fiquei boa: a confiança dos meus pais em mim, a felicidade nos olhos da família nos jantares de Natal quando eu como mais que a salada

- posso finalmente comer uma fatia do meu bolo de anos no meu aniversário!

- posso experimentar comidas de outras pessoas e dar-lhes a provar a minha! Antes, com a anorexia, o meu controlo era tão grande que nunca me passava sequer pela cabeça experimentar a comida da colega ou do amigo que estava comigo à mesa em determinada refeição! Muito menos dár-lhe a provar da minha..ficava com uma raiva enorme porque por vezes estava a tentar ao máximo enganar o estômago com umas rodelas de tomate e quando me pediam "um bocadinho" parecia ter perdido o controlo todo.

- Hoje em dia, mesmo quando não tenho fome, se passo na cozinha e vejo alguma coisa que me chame à atenção consigo come-la sem culpa. Antes, comer sem apetite estava totalmente fora de questão! Se já comer com apetite era penoso, quanto mais outra forma qualquer. Agora sentir o sabor da comida na minha boca por si só chega e vale muito a pena.

- Arranjei um namorado incrivel, que todos os dias me relembra o quanto me adora a mim e ao meu corpo e o quão atraente me acha, e o quão interessante me acha..Durante quatro anos de anorexia nunca isto teria sido possivel. Ainda que o meu namorado tenha sido o ingrediente principal para a cura, nunnca antes tinha conseguido cativar a atenção de um homem. Não só pelo meu aspecto débil mas também pelo desinteresse que mantive durante tanto tempo em tudo o que não tivesse a ver com peso/calorias(comida.

- Posso continuar a ter uma alimentação saudável sem oscilações de peso. Ora, como explicar isto..antes, devido à restrição que eu fazia ser tão dura e tão excessiva, sempre que tinha as chamadas "compulsões" o corpo ressentia-se, o peso ressentia-se, enfim, era o meu organismo a implorar por sobrevivência. Hoje em dia sair da rotina, cometer um pecado aqui ou ali, comer mais um bocadinho do que o que "deve ser" não altera em nada o meu peso. Nada. Aliás, às vezes, quando como mais no dia seguinte acontece estar umas gramas mais magra devido à aceleração provocada na minha taxa metabólica.

- Não perco tempo a contar calorias. Isto foi uma vitória enorme. Apesar de saber que no geral me mantenho sempre na faixa das 1800/2200 eu não as conto. Sei que é assim por ser bastante improvavell (digo mesmo impossivel) esquecer todas as tabelas caloricas que já vi na minha vida. E por isso tenho sempre alguma noção..ainda assim nada me sabe melhor do que comer a minha posta de salmão sem a pesar.

- ganhei uma pele mais bonita! Antes tinha uma pele tão seca que fazia impressão..nenhum creme me resolvia o problema. Hoje em dia não uso cremes. A minha pele está incrivel.

- O meu cabelo está quase tão forte como era antes da anorexia. Por sorte, sempre tive um cabelo forte e grosso mas só eu sei a tristeza nos olhos da minha mãe quando me penteava o cabelo a seguir ao banho..e quantas vezes me lembro de pentea-lo no autocarro à ida para a universidade e de toda a gente - toda a gente mesmo - ficar a olhar para mim devido à quantidade absurda de cabelos que me saiam pelas mãos.

- Ganhei um novo respeito pela comida. Sempre tive uma relação de amor/ódio com ela..controlava-a e desejava-a mas ao mesmo tempo repugnava-a. Culpei a comida por todos os meus problemas. Cheguei a desejar que não houvesse comida no mundo. Deitei caixas e caixas de comida fora /yogurtes, barritas, cereais, etc) que fingia ter comido para os meus pais não se preocuparem e acharem que estava tudo bem. Hoje, ainda que esteja completamente cheia, o meu prato fica limpo. Não deixo um grão de arroz.

- Acima de tudo: um novo respeito pelo meu corpo. Há partes em mim que ainda não gosto? Que talvez nunca venha a gostar? Há de certeza. Mas eu não posso muda-las e a unica coisa que tenho a fazer é aceita-las. Entretanto, todas as outras me fascinam. A minha estrututra alta, os meus braços, o meu peito tão elegante, as minhas curvas tão femininas.

- entre muitos outros :)

Resumindo, o que eu ganhei foi uma vida. A minha vida de volta. "

Apr 22, 2011

...a recuperação (testemunho)

Um dos leitores do blogue ED bites enviou a lista abaixo que a autora publicou (original em inglês aqui)

20 RAZÕES PORQUE A RECUPERAÇÃO É FANTÁSTICA
1. A cada novo dia, pareço-me cada vez menos com uma esquelética doente.
2. O meu rabiosque está de volta! E é sexy!
3. Há mais de cabelo na minha cabeça do que na minha escova de cabelo / ralo do chuveiro.
4. Sinto-me parte do mundo e não fluctuando acima dele como uma sombra. Sinto os meus pés no chão e o vento no meu cabelo, e meus sentidos estão despertos.
5. A minha pele e as minhas mãos não estão secas e não preciso por cremes.
6. Quando acordo, os meus primeiros pensamentos não são sobre comida!
7. Como feminista, já não me sinto culpada sobre pressão cultural sobre as compras que me diz que meu valor depende do meu tamanho.
8. Recomecei a comer tudo o que me dá na gana (bem, dentro de certos limites...)!
9. Fazer um pedido da ementa é emocionante e não me cria ansiedade.
10. A temperatura do meu corpo está mais alta pois o metabolismo voltou a funcionar. Não tenho mais arrepios e camadas de agasalhos!
11. Consigo compartilhar momentos significativos com pessoas de quem gosto, seja ao jantar, nas compras, ou outra coisa qualquer, sem questões de comida a atrapalhar.
12. Energia! Sem litros de cafeína!
13. Pela minha experiência, parece que o peso corporal e senso de humor estão correlacionados positivamente. Alguém deve realmente realizar um estudo sobre isso ... Pensa nisso.
14. Melhorei a função hormonal => A puberdade (Round Two) => Giddy como uma estudante que tem a mente ‘atrevida’ de um jovem. E sim, isso é uma coisa boa.
15. O meu cérebro pode CONCENTRAR-SE e ANALISAR e CRIAR novamente. Sentirmo-nos inteligentes e produtivas é um grande impulso na auto-estima!
16. Dizendo SIM para a comida é também dizer SIM a tudo o que é delicioso na vida.
17. Ser uma "santa alimentar” (ou seja, ter uma dieta composta apenas de alimentos “saudáveis” e de baixas calorias) é uma m…. chata e deprimente. Ninguém quer sair com uma santa.
18. Agora gosto de sair e festejar e sinto-me alegre. "Outra bebida? Ah, porque não ... nem sou eu que pago "(comentário do esqueciaana: em relação a este ponto tenho algumas reservas, mas…estou a publicar na integra o texto)
19. Cabo dentro dos tamanhos de roupas vendidas na maioria das grandes lojas, e sinto-me solta em vez de espartilhada. (comentário do esqueciaana: penso que a autora se estará a referir ao contexto norte americano)
20. Aprendi que a vida não é a preto e branco, bom ou mau, maravilhoso ou terrível, e que existirem zonas cinzentas é normal, saudável, e até mesmo - ouso dizê-lo?- emocionante!


Apr 21, 2011

..."Perdi bem mais do que quilos..." (testemunho)

Recebi como comentário o testemunho que abaixo transcrevo:(os bolds são do esqueciaana)

Deixei a minha vida quando me agarrei aos números rodeavam a minha mente. Deixei a porta fechada para todos os que me tentavam ajudar, e escondi-me por detrás de um mundo que só a mim me pertencia. Ninguém tem que sofrer por mim!
O espelho não retribuía a imagem que eu desejava. Ria-se de mim, e eu convencida de que um dia veria, tudo o que sempre quis reflectido no vidro. A luta contra mim, é sempre maior do que a luta travada como mundo exterior!
Deixei de comer porque o meu treinador me pediu apenas para perder dois quilos, afinal a competição de andebol estava a começar.
Dois quilos foram dez, que passaram a 20, e perdi 26 quilos. O pouco que comia, vomitava, o meu corpo não suportava a comida! Como se não bastasse, nunca dispensei o exercício físico.
De 62 kg, e 1, 74m de altura, passei a pesar 36 kg!

Perdi bem mais do que quilos. Perdi amigos, namorado, a confiança dos meus pais, perdi os estudos!

A família entrou em dificuldades para me ajudar. Oceanos de dinheiro perderam-se em oito anos. De Anorexia, passei a praticar Bulimia, escondida dos pais, com esquemas que vocês não imaginam.

O que mais custou?

Ver, ouvir, sentir a minha mãe a fazer os impossíveis para me agradar na comida. Eu a passar pela mesa, trancar-me no quarto sem a olhar de frente. Quantas não eram as vezes em que me doía o coração só de a ouvir a chorar à mesa.

Quando comecei a tentar comer, o corpo rejeitava. Todo o esforço que a minha mãe tinha para me agradar, era em vão.
Hoje escondo a bulimia que resta, mas recuperei muito do que perdi. Tenho o peso normalizado, e vivo a minha vida melhor do que antigamente, mas sempre oculta atrás do medo do passado.

Adormeço todos os dias a pedir que tenha terminado. Peço por mim, por todos os que me amam e se esforçaram para eu ganhar a guerra.

Perdida neste mundo tão nosso, desfaço lágrimas para construir diamantes. Um dia verei uma enorme riqueza reflectida em mim.
O amor-próprio.

História de Vida de "Renata" - Nome ficticio

...5 livros = 5 euros sobre Alimentação Saudável ( autora: Dra. Isabel do Carmo)

Está disponível nas bancas uma série de 5 livros (a um euro cada um) sobre alimentação saudável. Foram escritos pela Dra. Isabel do Carmo (no esqueciaana  referimos a Dra Isabel do Carmo em anteriores posts. Por exemplo aqui, aqui e aqui ).
A colecção dos 5 livros foi concebida com recurso a obras anteriores da mesma autora: Alimentação Saudável, Alimentação Segura; Alimentos e Mitos que nos engordam; 222 Perguntas e Respostas; Saber Emagrecer (Editado pelos Livros d'Hoje).
Do último livro da colecção ( 5. Perguntas e respostas para emagrecer e manter o peso ideal) algumas perguntas retiradas relativamente ao acaso:
  • O que é preferível: açucar, açucar escuro (amarelo) adoçante ou frutose? (p.37)
  • É verdade que passar muitas horas sem comer engorda? (p.57)
  • O que é o regime iô-iô? (p.77)
  • Fala-se também nas pessoas, sobretudo mulheres, que estão sempre a fazer restrição alimentar. São essas as restritivas ou, em língua inglesa, dieters? (p.77)
  • Perder muitos quilos em pouco tempo traz problemas de saúde no futuro? (p.85)
  • Emagrecer muito de repente pode causar problemas de fertilidade? (p.86)
  • Há pessoas que conseguem perder bastante peso rapidamente, mas depois se sentem fracas e com menos capacidade de trabalho. Como contrariar isso? (p.100)
  • Algumas pessoas comem e nunca se sentem saciadas, terminando as refeições com sensação de fome. Porque sucede? (p.107)
  • Porque é que o meu peso às vezes varia um quilo ou dois de um dia para o outro? (p.115)
  • Como é que pessoas com a mesma estatura e aspecto físico podem ter às vezes pesos tão diferentes? (p.134)

Apr 14, 2011

..."15% dos jovens portugueses magoam-se de propósito" 5050 adolescentes inquiridos (Público 14.04.2011)


(Posta actualizado em 19 de Janeiro 2012: no Programa da SIC Boa Tarde, a Conceição Lino entrevistou uma mãe que publicou um livro sobre um filho adolescente que se auto-mutilava ('dor física para esquecer dor de alma').
O Público dá hoje notícia num texto assinado por Catarina Gomes sobre os resultados obtidos para Portugal de um estudo que será brevemente divulgado e que é promovido pela organização Mundial da Saúde. Já antes notícámos um estudo similar (aqui)
"Estudo com 5050 adolescentes portugueses, com uma média de 14 anos, mostra que consumo de tabaco e do álcool está a descer e o de haxixe a aumentar.

É um fenómeno que tem sido detectado noutros países: há adolescentes que se magoam a si próprios com pequenos cortes, pequenas queimaduras. No estudo sobre adolescentes portugueses que hoje é apresentado em Lisboa fez-se a pergunta pela primeira vez e a resposta deixou a coordenadora do estudo "assustada": 15,6 por cento referem "ter-se magoado de propósito nos últimos 12 meses, mais do que uma vez" (este comportamento é conhecido como auto-mutilação). Em idas a congressos internacionais onde se falava destes comportamentos, Margarida Gaspar de Matos, a coordenadora do estudo português que é feito no âmbito da Organização Mundial de Saúde e em que participam mais 43 países, sempre achou que a realidade não afectaria Portugal da mesma forma. Mas, como sabia que era "um fenómeno geracional" em vários países, decidiu incluir perguntas sobre o tema no estudo dos comportamentos dos jovens em idade escolar, realizado no ano passado, e que já tinha sido feito em 1998, 2002 e 2006. Os resultados, admite, surpreenderam-na. São 15,6 por cento os adolescentes dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, com uma média de idades de 14 anos, que referem ter-se magoado de propósito nos últimos meses. Cerca de metade (52,9 por cento) disse tê-lo feito nos braços, 24,7 por cento nas pernas, 16,7 na barriga e 22,5 por cento noutros locais do corpo. A amostra é representativa desta população: foram inquiridos 5050 jovens.

"Magoam-se normalmente em sítios não visíveis", explica Margarida Gaspar de Matos, que dirige a equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana e Centro de Malária e Doenças Tropicais, em Lisboa. Trata-se de agressões autodirigidas que servem "como forma de auto-regulação emocional", sintoma "da dificuldade em gerir emoções". "São adolescentes que não conseguem lidar de outra forma com o facto de estarem tristes, irritados, desesperados", continua. Tentando compreender quem são estes miúdos, a equipa de investigadores constatou que os que fazem mal a si próprios são "uma minoria preocupante com vários comportamentos de risco": são quem mais fuma, bebe, consome drogas (nomeadamente cannabis), têm maior envolvimento em provocações, maior dificuldade em fazer amigos. Estes jovens ou acham-se muito gordos ou muito magros, sem que isto corresponda a um índice de massa corporal real. São ainda os que mais têm pais que pouco ou nada sabem sobre os seus amigos, o seu tempo livre e para onde saem à noite. Por fim, "são os que mais frequentemente dizem estar tristes e não aguentar...".Para a investigadora, "este é um comportamento que possivelmente tem vindo a aumentar sem que ninguém se tivesse apercebido". "Temos que estar atentos", diz, para ressalvar que, em países como Estados Unidos, Canadá e Finlândia, as prevalências andam entre os dez e os 15 por cento, não muito longe de Portugal.

O estudo, financiado pelo Alto Comissariado da Saúde e pela Coordenação Nacional para o VIH/Sida, defende que é preciso arranjar estratégias para ajudar estes jovens "a auto-regular-se do ponto de vista emocional sem recurso a "extras", quer virados para fora, como a violência, o consumo de substâncias, quer virados para dentro, como o magoar-se a si próprio, isolar-se, comer em demasia".Mas há várias boas notícias no estudo, sublinha Margarida Gaspar de Matos. Uma nota positiva é que se vem assistindo a um aumento crescente da escolaridade dos pais (que se situa no 2.º e 3.º ciclos) e outra é que "todos os miúdos têm computador e metade tem acesso à Internet em casa", o que coloca Portugal a par dos países europeus mais avançados nesta área.

O reverso da medalha deste último aspecto é o aumento do tempo pas- sado em frente ao ecrã - quer do com- putador, quer da televisão - e o conse_ quente sedentarismo e aumento de peso por falta de actividade física. Fazendo eco de muitos outros estudos que têm feito soar o alarme da obesi- dade infantil, os dados agora reco- lhidos confirmam a tendência: 18,8 por cento sofrem de excesso de peso ou obesidade. O consumo de tabaco e álcool continua a descer, mas o consumo de haxixe apresenta uma tendência de aumento, o que faz a coordenadora temer pelo "desinvestimento nas políticas de prevenção desta área".

E há dois dados que persistem nos vários estudos e em que Portugal tem dos piores indicadores da Europa: os jovens nacionais são dos que mais dizem sofrer de stress relacionado com os trabalhos de casa e são dos alunos que acham que os professores menos os acham capazes.

Muitos assistem a lutas no recreio e não fazem nada

Mais de metade dos adolescentes portugueses (59,4 por cento) referiram ter assistido a situações de provocação na escola, das quais cerca de metade ocorreu no recreio. Dos que dizem ter presenciado, cerca de dois terços referem não ter feito nada e terem-se afastado, 54,8 por cento não fizeram nada e ficaram a ver e houve mesmo 10,7 por cento que incentivaram o provocador. Para a coordenadora do estudo, esta "é uma forma de violência pela passividade, os que assistem e não fazem nada ou até incentivam". "São - resume - os espectadores". Também a Internet pode ocasionar novas formas de violência (ciberbullying), mas a grande maioria (84,1 por cento) não se envolveu neste tipo de provocações. Nos que o fizeram, o Messenger foi o meio mais usado, seguido das mensagens de telemóvel. Entre os que se viram envolvidos nestas situações, a grande maioria conseguiu ultrapassar o problema."

Apr 2, 2011

..."É possivel vencer a anorexia, é possivel e é tao bom" (testemunho de I. )

Transcrevo um testemunho recebido por email de I. e que transcrevo com muito gosto. Cruzei-me com ela por acaso na blogosfera já há algum tempo e numa fase complicada. Voltei a ter notícias (e muito boas!) há dias. Leiam e comentem (os bolds são do esqueciaana). Espero que gostem tanto como eu. Há alguma chave ou segredo  para sair da anorexia? Qual é? Onde está? Na minha opinião a única certeza para a encontrar é termos consciência de que estamos doentes...depois é uma caminhada única e intransmissível. Mas uma caminhada que vale a pena!

"Claro que podes =) eu acho que lá diz tudo mas há uma coisa que eu adorava dizer e não tive oportunidade que as entrevistas são so de 3/5 minutos..a par com todo o apoio que tive do meu namorado especialmente que me fez questão de relenbrar centenas de vezes por dia o quanto me achava bonita, o quanto me achava inteligente, o quanto gostava de mim gorda magra obesa esquelética, o quanto não se importava de nada em mim..desde que eu fosse feliz..houve uma coisa que me ajudou muito: eu passei a ler uns blogs de umas raparigas Americanas com disturbios alimentares MAS ou em corrente recuperação ou já recuperadas. leio dezenas deles..são tão inspiradores..especialmente porque esta doença deixa tantas marcas e tem tantas armadilhas que às vezes quando dava por mim a "comer saudável só porque sim" me esquecia que a minha mente conseguia num abrir e fechar de olhos passar de comer saudável para deixar de comer simplesmente..porque quando começo já não consigo parar. Estes blogs são tão bons, tão bons, tão bons..são literalmente o meu "porto de abrigo" quando me sinto a recair porque vou lá, vejo tanta gente na mesma situação que eu que consegue, que luta, que enfrenta a doença que acabo de ler e me sinto cheia de confiança. É bom saber que não sou a única a passar por isto..e isso ajudou.me.

De resto, é mesmo passar uma mensagem de esperança a todas..eu batalhei-me diarimante durante cinco anos com a questão "eu já sou infeliz, se engordar só vou ficar mais infeliz"..e mal eu sabia o quanto eu estava errada..É possivel vencer a anorexia, é possivel e é tao bom.

Todas as pessoas que eu achava que olhavam para mim antes e me achavam gorda, e não se davam comigo porque eu era feia, ou eu era parva, ou eu era chata, hoje, veêm-me e contam-me o medo que tinham de se aproximar de mim "por terem medo que eu morresse". A minha vida mudou tanto..não há nada que me possa vencer enquanto eu não deixar.


A ana não existe, os males de que fogem estão em vocês. Os problemas existem sim. Para serem resolvidos de frente. Não para serem mortos à fome.
imagem flickr cc (aqui)




...programa "Nós vencedores, Venci a Anorexia" Antena 1

A I. é uma vencedora. Podem ouvir a entrevista  à Antena 1 no programa 
"Nós Vencedores - venci a anorexia " o link é este aqui.

Imagem flickr cc (aqui)