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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Jun 10, 2013

...Grupo de Apoio no FACEBOOK (sejam bem-vindos!)

 
 Uma iniciativa da Sílvia Coelho a saudar e participar. Um grupo de entre-ajuda assim definido:
 
"Sendo uma plataforma virtual, onde doentes; ex-doentes; terapeutas; amigos;familiares, dada como necessária no Facebook, uma entidade de e para portugueses ligados ás doenças do comportamento alimentar, foi criado este grupo, com o objectivo de cada um expor os seus receios, dúvidas, experiências de vida, sem quaisquer recriminações, criticas por parte de outros membros.
Aproveito para dizer que isto é um grupo de ajuda e qualquer acto contra qualquer publicação de um membro acerca da sua doença, será excluído do mesmo.
Quero que nos ajudemos uns aos outros, que quem está melhor, que ajude quem ainda está "assombrado" pela doença."

Sejam bem-vindos! Visitem  https://www.facebook.com/groups/575143249164978/

 

 

Jun 5, 2013

...as pequenas coisas (o não exótico)




Numa crónica recente no Jornal Público intitulada "À frente do nariz" o Miguel Esteves Cardoso escreveu assim:

"Foi Georges Perec(*) que criou o neologismo endótico para ser antónimo de exótico. O exótico faz exorbitar os olhos por ser tão estranho e surpreendente. O endótico torna os olhos cegos por ser tão familiar e esperado."
É uma perpectiva que me agrada. Olhar o familiar e esperado de outra forma.
Quantas vezes a viagem diária  se torna diferente só porque por engano (seria?) virámos na rua 'errada'?
Quem repara na beleza (complexa? simples?) de uma pinha?
 (*) George Perec escreveu o livro Life: A User's Manual


May 25, 2013

Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais


Notícia publicada no Diário de Notícias (aqui) e abaixo sobre o 'Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais' (DSM5) agora aprovado. Também no site da bbc-Brasil há uma referência aqui.

No esqueciaana escrevemos alguns posts sobre a discussão em torno deste manual (uma listagem e caracterização das doenças mentais onde se incluem a Anorexia e a Bulimia). Ficam a lista de alguns desses posts, dois deles do blogue da Vanessa Mardsen:

Ainda há tempo para salvar o normal:

http://psiquiatriaetoxicodependencia.blogspot.pt/2010/03/ainda-ha-tempo-de-salvar-o-normal.html
visitar o livro do coordenador  da versão DSM4 (aqui)
 
A discussão do DSM as duas versões (anterior e em discussão)a anorexia e a bulimia (quadro comparativo)
http://esqueciaana.blogspot.pt/2010/02/diagnostico-da-anorexia-discussao-dsm.html
 
Ainda a discussão do DSM:
Anorexia : doença não opção:
Classificar as doenças:

Mude de mentalidade...

Fonte: Diário de Notícias

A nova edição da "bíblia da psiquiatria" cria 18 novos distúrbios e acende forte polémica em todo o mundo.
 
"Em algumas idades, uma birra pode ser vista como normal. Duas nem por isso. Três é já um distúrbio psiquiátrico. Três já é um distúrbio psiquiátrico. Pelo menos segundo a quinta e última edição do 'Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais' (mais conhecido por DSM5), aprovada esta semana e que está a criar polémica em todo o mundo", escreve o Expresso na edição deste sábado.
"A nova edição - que resulta do debate entre 1500 especialistas e das descobertas feitas desde a última versão, há 13 anos - aumenta o número de doenças mentais para 297 (mais 18 do que até agora) e, com isso, o universo de 'doentes' a precisar de tratamento. Muitos especialistas, no entanto, consideram que se foi longe de mais, classificando-se como patológicos comportamentos que podem não sê-lo", refere aquele semanário.
"Apesar de elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria, o DSM é referência em todo o mundo. O reconhecimento de uma nova doença ou uma alteração dos critérios de diagnóstico tem impacto na prática diária de milhares de consultórios, clínicas ou hospitais europeus. Portugal - onde o consumo de psicofármacos não tem parado de crescer - não é exceção", refere o Expresso.

Mar 7, 2013

...Parabéns Andreia!

 
 
 
 Para conhecerem mais trabalhos de uma artista em crescimento visitem:

 

Mar 4, 2013

...Anorexia e funcionamento dos rins (artigo científico de investigadores portugueses em British Medical Journal (2013)

Foi publicado recentemente (17 de Janeiro 2013) um artigo de investigadores portugueses na revista científica BMJ British Medical Journal  (que pode ser lido aqui). Transcrevemos a tradução adaptada do resumo e pedimos desculpa aos Autores se não somos completamente fiéis que pode ser lido em inglês aqui.
 
Título: Anorexia nervosa e diálise: não temos tempo quando o corpo está tão danificado!
Autores: 1. Eva Osório,2. Isabel Milheiro,3. Isabel Brandão,4. António Roma Torres
1. Departamento de Psiquiatria, Centro Hospitalar de São João, EPE, Porto, Portugal
1. Correspondência para o Dr. Eva Osório, eva.agape @ gmail.com
BMJ Case Reports2013; doi:10.1136/bcr-2012-007294
RESUMO
 
"Anorexia nervosa é díficil de tratar  e difícil de prevenir. Cerca de 5% dos indivíduos afectados morrem desta doença e 20% desenvolvem um transtorno alimentar crónico. A anorexia nervosa pode associar-se a várias complicações médicas de gravidade variável, incluindo a disfunção do sistema renal (rins). Embora existam alguns relatos de insuficiência renal em pacientes com anorexia nervosa, poucos são os relatos sobre pacientes que necessitaram de diálise de manutenção. Relatamos um caso de um paciente com  anorexia nervosa-compulsão alimentar/tipo purgativo persistentes e não tratadas durante muito tempo. Esse paciente iniciou   o tratamento psiquiátrico, quando estava numa situação de risco de vida (insuficiência renal com necessidade de diálise), com insucesso na recuperação de peso enquanto em diálise e que faleceu de septicemia. São descritos os mecanismos que parecem ter estado envolvidos no desenvolvimento da fase final da doença renal no paciente e os lutas associadas ao seu tratamento. Os pacientes com anorexia nervosa devem ser cuidadosamente acompanhados para descobrir as manifestações subtis de insuficiência renal."

Feb 2, 2013

...como ajudar a minha amiga ?

(nota de esqueciaana: já antes tinha publicado este post, uma leitora do blogue pediu-me para o divulgar outra vez)
Sei por experiência própria como 'os outros' podem ser muito importantes no tratamento e recuperação. Não quaisquer 'outros' mas sim quem, mesmo que não entenda completamente nem sequer parcialmente a doença, nos faz ter novos olhares para a vida. Quem construa as pontes entre o nosso mundo interior de sofrimento e a vida lá fora onde podemos descobrir a alegria.
Os sites informativos e de apoio a familiares e amigos sobre a anorexia e bulímia (ver links do lado direito) por vezes fornecem indicações específicas para grupos dos que são próximos do doente, tais como a familia e em particular os pais, os professores e ...AS AMIGAS (cito adaptando: "Caso suspeite ou tenha a certeza de que uma amiga sua tem problemas relacionados coma a alimentação..."). Pergunto eu: e OS AMIGOS? e O NAMORADO? Os rapazes e homens são não apenas uma minoria dos doentes anorécticos e bulímicos (pelo menos no que é estatisticamente conhecido), ELES também parecem estar um tanto à margem na informação sobre os OUTROS que podem ajudar.
No entanto, encontramos em vários testemunhos a importância do NAMORADO, do NOIVO, do MARIDO na procura de cura e recuperação da doença de TA. Sendo a partilha mútua nas relações amorosas mais intensa que noutras, não é de admirar que nelas seja possivel ultrapassar dificuldades em expressar sentimentos por parte de quem está doente, e que por isso sejam os namorados quem, ainda antes de pais, irmãos, amigas ou amigos se apercebem que alguma coisa não está bem. Não encontrei ainda no entanto nenhum texto que 'explique' e dê o devido destque a importância dos NAMORADOS.
Voltando às AMIGAS (supondo que quem sofre de AN é uma rapariga) existem algumas recomendações que abaixo alinho comentando. E o meu primeiro comentário é que não existindo receitas para a amizade, o que a seguir se escreve são apenas algumas indicações que em média se ajustam a cada caso concreto.
COMO PODES AJUDAR A TUA AMIGA?
(texto adaptado do original aqui e aqui)
+ A tua amiga é inteligente, informada, determinada...mas é característica da doença negá-la e recusar opiniões dos outros (mesmo das amigas) sobre o seu problema (que geralmente não identifica como tal). São raros os casos em que a doente resolve tratar-se por iniciativa própria. Como amiga dela procura em conjunto com outros que lhe são próximos que ela tome consciência do problema e comece a tratar-se com especialistas adequados. Não fiques frustrada com a tua (muitas vezes aparente) impotência para alterar a situação. Ela também se sente possivelmente muitas vezes impotente para se mudar. Não fiques zangada se muitas vezes ela 'te deixar a falar sozinha'.
+ A tua amiga pode estar está em risco de vida.A anorexia alimentar e os transtornos alimentares (TA) são doenças graves. Procura que contacte uma equipa especializada. Ajuda-a a dar o primeiro passo para o tratamento. Procura informar-te mais sobre a doença e encontrar os serviços de apoio a familiares e amigos e os serviços médicos públicos ou privados a que ela poderá recorrer na tua região. Mas atenção, por muito que julgues saber sobre a doença, lembra-te que apenas os profissionais poderão fazer um correcto diagnóstico e traçar caminhos para o tratamento e cura.
+ Evita centrar todas as conversas com ela na comida ou na aparência física. Comentários mais ou menos irónicos como 'qualquer dias desapareces', 'és só pele e osso', 'andas com dietas malucas' ou até elogiosos ' estás com um corpo fantástico! quem me dera vestir o 36 como tu'. Ou mesmo de incentivo a ganhar peso ' estás mais gordinha e fica-te bem' (pessoalmente tenho a impressão que se este último comentário vier de um amigo não será muito negativo, mas estamos a falar de amigas).Não te esqueças que a tua amiga tem parte da vida focada na aparência física (tentando dizer com o corpo o que ninguém é capaz de escutar) e nas calorias por isso, não lances mais fogo para essa fogueira. Fala com ela sobre arte, música, estudos, trabalho, viagens, projectos futuros.
+ Faz a tua amiga sentir (não por palavras de preferência) que ela tens excelentes qualidades e que ninguém é perfeito. Mostra-lhe a tua amizade por actos. Lembra-lhe que todos cometemos erros. E que a errar se aprende. Abre-lhe também o teu coração. É dos livros que quem sofre de TA mente sobre o comportamento e por vezes mente também compulsivamente (é uma componente da doença e como tal deve ser compreendida). Mas a identificação por ti de uma inverdade pode ser positivo. E mostrar que de quem gostamos esperamos sinceridade, não falsidade.
+ Procura que ela saia. Há muitas formas de sair. Sair da casca por exemplo ;) Conviver com outras pessoas diferentes. Pessoas com projectos, ideias, imaginação. Pessoas abertas a outras pessoas. Por vezes com a mesma idade as pessoas apresentam maturidades muito diferentes. E não raro quem sofre de TA tem níveis de maturidade e culturais acima da média. Muito possivelmente a tua amiga questiona-se e questiona os outros e o sentido da vida. Por isso ambientes em que dominem pessoas fúteis e vazias podem ser agressivos para ela. Mas cada um de nós é uma caixinha de surpresas. As possibilidades de convívio hoje em dia são imensas. procura que ela retome a alegria e sociabilidade que tinha antes da doença, mas sem pressas, sem forçar. A doença por vezes vai-se instalando de-va-ga-ri-nho e não é do dia para a noite que desaparece.
+ O que ela deve ou não comer deve ser recomendado pelos especialistas em nutrição e/ou endocrinologista. Se estiveres com ela durante as refeições principais, festas ou outras situações que envolvam comida procura comportar-te normalmente. Não adoptes uma posição de vigilância ou controlo sobre o que ela come ou de recomendações do tipo 'lá estás com a mania das calorias, não sejas parva vá lá come a bolacha', etc.
+ NÃO DESISTAS. O teu apoio pode não dar de imediato resultado. Tens que ter paciência se a tua amiga depois de parecer estar a recuparar tiver uma recaída. Não desistas da tua amiga, mantém o teu apoio mesmo durante uma recaída, evita comentários do tipo 'és uma fraca desisto'.´A tua amiga se tiver uma recaída já se sente suficientemente mal sem esses comentários 'amigos (por vezes pretendem ser para mostrar a dura realidade').Se ela for internada e os médicos não virem inconveniente e perceberes (as amigas verdadeiras percebem os sins mesmo quando ouvem não e vice versa) que ela o quer visita-a.
+ Se o conhecimento que com ela tiveres for principalmente ou exclusivamente virtual procura que ela reforce os laços com o MUNDO REAL. Os ombros virtuais não passam disso...virtuais. Nada substituí os ombros REAIS. para além disso estando a tua amiga psicologicamente fragilizada pode ser alvo de comportamento predatórios no mundo real e na internet.
+ Na Internet circula muita informação errada, nuns casos inconscientemente noutros, mais graves, conscientemente e criminosamente errada. Medicamentos, práticas e dietas que pululam na internet nos sites pro-ana e pro-mia e também noutros sites orientados comercialmente são muito perigosos. Dicas de emagrecimento que são fornecidas, por vezes sob capa de fundamentos científicos são autênticas 'receitas de morte'.
+ Lembra-te SEMPRE: A TUA AMIGA NÃO TEM CULPA. DEIXAR DE COMER NÃO É A DOENÇA, É O SINTOMA.
Procura ajuda para a tua amiga. Alguns contactos AQUI.
Foto f
Comentários recebidos a mensagem identica antes publicada no esqueciaana:

foreveryoung disse...
Qerida "esqeci-a-ana"...
Antes de mais qero voltar a agradecer pela maneira como te tens exprimido comigo porqe nota-se mesmo qe já passaste por isto tudo e és perfeitamente consciente a falar sem nunca "exigires" de mim coisas exageradas como às vezes me acontece por parte de pessoas qe desconhecem o problema em si! Quanto ao qe escreveste tens toda a razão..a fluoxetina tira-me o apetite e altera o meu humor (às vezes..ultimamente mais!)..mas a verdade é qe fico mesmo sem fome nenhuma e se o esforço por comer é grande já quando temos fome (contraditório?) então quando não temos aínda mais complicado é. Suponho qe me estejas a perceber. Mas ao mesmo tempo não qero de maneira nenhuma dizer isto ao psiquiatra porqe vou ser sincera..tenho medo qe ele me recomende tomar algo para abrir o apetite. Isso aterroriza me! Beijinho enorme, parabéns pelo post, até o patrocinei no meu blog :) ehehe
ex ana disse...
Eu já passei não direi por tudo, mas por algumas coisas parecidas.
Se o teu fim de semana foi inesquecível o que achas de ter a seguir uma semana igualmente BOA e inesquecível?
p.s.- Agradeço muito o 'patrocínio'. Não queres juntar sugestões? Prometo fazer uma actualização do post e prestar devida atribuição (ou não) como preferires. 30 de Novembro de 2009 20:41
aqui

Fotografia de flick cc aqui

Jan 30, 2013

...Emoções Anorexia e Bulimia (textos científicos)

 
Estão disponíveis online todos os artigos que integram o número especial da revista European Eating Disorders Review (clique na figura acima ou no link abaixo)
Pode conhecer outros artigos (alguns relativos a Portugal) aqui

Jan 29, 2013

...peso e VALOR

 
ATENÇÃO
"Isto não tem a capacidade de medir o teu VALOR"
Fonte: ANAD - National Association of Anorexia Nervosa and Associated Disorders

Jan 26, 2013

... Tenho anorexia, mas não sou anoréctica (blog Little Steps to Freedom)

(hoje descobri este o blog Little Steps to Freedom e gostei da forma simples, com gosto pela vida como a autora escreve sobre a recuperação . Escreveu: "Uma coisa vos digo já. Tenho anorexia, mas não sou anoréctica." e "Desculpa lá, anorexia, mas começa a fazer as malas e arruma a tralha toda, que não tarda a nada vais embora. De vez!"

 
Transcrevo parte de dois  posts
 
Coisas Ridículas
 
"Isto hoje quase que podia ser coisas ridículas #1, quase em jeito de crónica. Porém, com o andar da carruagem, já estaríamos, por esta altura, no coisas ridículas #1386 (na melhor das hipóteses, a puxar cá para os mínimos). Por isso, mais vale deixar só assim, simples.
Ontem referi que existiam pequenos pormenores que faziam toda a diferença e que me têm deixado orgulhosa. Também já referi, para que não se sintam enganados, que são ridículos. Eu consigo perceber que sim. Aliás, se formos a analisar a cena, toda esta palhaçada é ridícula. Ridícula ao ponto de matar pessoas, mas ridícula. Sempre achei que quem se metia em processos de dependência só podia ser duas coisas - ou parvo ou parvo. Hoje percebo que não. E não é por me ter acontecido a mim, não mesmo. É porque pode acontecer a qualquer um, independentemente do nível de parvoíce. Adiante."
(continuar a ler aqui : http://littlestepstofreedom.blogspot.pt/2013/01/coisas-ridiculas.html)

Resumindo

"Por aí perguntava-se se eu era anoréctica ou também bulímica. Meus amigos, antes de responder, deixem-me ironizar um bocadinho. Deu-me vontade de rir quando li aquele . Só? Como se não fosse suficiente lutar apenas contra uma delas!.. Eu sei que o propósito de quem quer que tenha feito a pergunta - e, agora aproveito para dizer que é uma maravilha ler comentários, mas mais maravilhoso se torna quando estão devidamente identificados - bem, continuando, eu sei que o propósito não era diminuir a dimensão da luta, mas quando li dita frase pela primeira vez foi a primeira coisa que me ocorreu e não deixei de me sentir um bocadinho irritada."

Jan 21, 2013

...PUB.

Ficámos a saber por um artigo na revista do Expresso de 19 de Janeiro alguns aspectos comerciais dos blogs de moda portugueses. Por exemplo algumas tabelas de preços dos posts 'por encomenda'. Se as notícias/anúncio necessitam de incluir  as letras  'PUB.', se a publicidade incluídas na ficção televisiva por exemplo tem que incluir um sinal no canto superior direito(*), porque é que os leitores dos blogs não devem ter direito a saber se  um post é escrito por encomenda ou não?
 
 
 
(*)


 

Jan 12, 2013

...'fome' ou vários tipos de 'fome'?

Como já aqui escrevi várias vezes, com base na minha experiência, as doenças de distúrbio alimentar ou transtorno alimentar (TA) estão associadas à alimentação, mas o problema essencial não está no prato…são doenças mentais. Claro que para recuperar é necessário retomar uma alimentação saudável, claro que muitos dos sintomas passam pela alimentação (abandonar as práticas de não comer ou comer compulsivamente), mas insisto, o problema não está no prato.
Muitas vezes se pergunta: alguém doente com anorexia tem fome? A resposta pode ser sim ou não. Pode ter fome - eu acho que tem sempre - só que algures no cérebro são enviadas mensagens para ‘controlar’ essa fome. Por outro lado, e isto é frequente no período de recuperação, recomeçar a comer normalmente pode gerar nos primeiros tempos dores de estômago (ou mesmo uma sensação de que o corpo ‘não quer comer’). Por isso se alguém em recuperação vos disser ‘se comer dói-me a barriga’ pode não ser ‘fita’. Contudo, no caso da anorexia sem comer mais, sem ganhar um peso mínimo recomendado, a recuperação é impossível.
E será que há uma ‘fome’ ou várias fomes?
Não me estou a referir à fome enquanto flagelo mundial: 925 milhões de pessoas no mundo não comem o suficiente para serem consideradas saudáveis. Isso significa que uma em cada sete pessoas no planeta vai para a cama com fome todas as noites. (Fonte: FAO, 2012). Mais informação aqui: https://www.fao.org.br/oqvpssf2012.asp
Estou a referir-me à ‘fome’ sentida por quem sofre de um Transtorno Alimentar. No blogue recoveringanorexic a autora identifica 5  tipos de fome pois acha que a podem ajudar a combater a doença. No essencial concordo com essas categorias. O post original com a definição de cada um dos tipos de fome pode ser lido aqui.
Fome normal ou média
 
Fome intensa com impulsos e desejos
Fome extrema, com queda de açúcar no sangue
Fome emocional
Desejo compulsão / fome falsa
 
 

Dec 29, 2012

..."A Solidão no Feminino" (Ana Almeida, Blogue Salpicos)


Respostas dadas por Ana Almeida (Blogue Salpicos) à jornalista Sofia Cardoso. Notas do esqueciaana: Transcrevo a resposta à questão 3 (convido a ler as restantes 13 respostas aqui: http://psisalpicos.blogspot.pt/2012/12/solidao-epidemia-secreta-da-era-da.html

3. A partir de que momento, deixamos de estar perante uma solidão saudável? Quais são os sinais de alarme que indicam que a solidão passou a ser uma“obsessão” ou um problema psíquico, resultante da dificuldade de integração social?
Sinais de Alarme:
- Sentimentos de tristeza constantes associados ao fato de estar sozinho
- Sentimentos constantes e persistentes de vazio emocional
- Consciência dolorosa de isolamento social e emocional
- Evitar persistentemente ir para casa para não se confrontar com a casa vazia
- Dormir pouco (porque nunca se consegue estar em casa ou não se consegue descansar em casa) ou dormir muito (refugiar-se da consciência da solidão no sono)

- Evitar pessoas por ter a sensação de que já não sabe o que dizer nem como estar
- Passar frequentemente mais de 48horas (habitualmente fins-de-semana para as pessoas que trabalham fora de casa) sem falar com ninguém seu conhecido
- Perda de apetite recorrente quando está sozinho ou inversamente incapacidade de controlar a ingestão de alimentos muito calóricos
- Ficar num estado de grande ansiedade quando está sozinho por períodos prolongados
- Sentir-se mal quando está com pessoas
- Abandonar relações amorosas por se sentir incapaz de fazer cedências ou modificar o seu estilo de vida autocentrado."

Ler as restantes respostas aqui: http://psisalpicos.blogspot.pt/2012/12/solidao-epidemia-secreta-da-era-da.html

Imagem de Flickr cc http://www.flickr.com/photos/25297401@N08/4299430183/in/photostream/

Dec 21, 2012

... Natal, e não Dezembro [...] Das mãos dadas talvez o fogo nasça[...](poema de David Mourão-Ferreira)

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sitio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois : somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira


Imagem:  
Maria Helena Vieira da Silva, História Trágico-Marítima ou O Naufrágio, 1944

Dec 11, 2012

...Testemunho (T.:"Quem dera que a anorexia fosse um capricho de miuda mimada")

Testemunho de T.
" E as pessoas não imaginam o quanto gostariamos que isto fosse apenas uma "doença/fase da adolescência"... Teria por certo um fim prometedor...
mas o maior problema (do que tenho pensado) da anorexia é que depois de algum tempo em tratamento: anos, muitos anos! é que quando começamos a comer vemos que o mais difícil de tratar não é recompor os valores do corpo nem sequer é comer adequadamente... o que tudo isto esconde é que é verdadeiramente dificil de pensar e resolver...
Hoje digo QUEM ME DERA QUE CURAR UMA ANOREXIA FOSSE COMER E TER UM IMC 18,5! Os medos profundos, a tristeza, a raiva, a revolta, a extrema necessidade de afecto, de nos sentirmos amadas... tanta coisa tão mais dificil de resolver que um dia abafámos por trás de um medo imenso da balança, de comer isto ou aquilo, de controlar medidas, calorias, refeições...
Quem dera que a anorexia fosse um capricho de miuda mimada..."
 
 

Dec 10, 2012

...Ada Lovelace (1815-1852) programadora

Matemática, programadora (para alguns a primeira) vale a pena conhecer a vida desta mulher (em português; em inglêsque hoje o Google homenageia assim:
 

Dec 5, 2012

...Descodificação da Anorexia (Decoding Anorexia de Carrie Arnold)





 
Podemos 'espreitar' este livro da Carrie Arnold acabado de publicar aqui ou fazendo clique na imagem da capa acima. Da apresentação do livro da Amazon retiramos:(cito)
 



"Decodificação da Anorexia (Decoding Anorexia)  é o primeiro e único livro que explica a anorexia nervosa na perspectiva da biologia. As descrições claras relativas à genética e à neurociência  são acompanhadas de descrições na primeira pessoa e testemunhos pessoais sobre o significado das diferenças biológicas para os doentes. A autora, Carrie Arnold, é uma cientista experiente, uma escritora científica, e sofreu de anorexia. Carrie dialoga com médicos, investigadores, pais e outros familiars e com os doentes sobre os factores que tornam as pessoas vulneráveis à anorexia.  Carrie fala também da neuroquimica por detrás da restrição alimentar, e de como é difícil abandonar a anorexia. A autora trata ainda de :
-Como o ambiente envolvente é ainda importante e afecta os comportamentos,
-As características das pessoas com risco mais elevado de desenvolverem anorexia
-Porque é que as pessoas com anorexia consideram a fome “recompensadora”
-Porque é que a negação da doença é tão característica e como é que os doentes a podem superar
Carrie ainclui ainda entrevistas com figuras ligadas à doença que explicam o trabalho desenvolvido e como contribui para compreender a anorexia.
Durante muito tempo pensada como uma doença psicosocial de adolescentes (*), este livro altera a forma como a anorexia é compreendida e tratada e dá aos doentes, aos médicos e especialista  que os acompanham e às famílias factores de esperança."

(*) Nota de esqueciaana: Testemunho de T. recebido como comentário e que transcrevo: 
" E as pessoas não imaginam o quanto gostariamos que isto fosse apenas uma "doença/fase da adolescência"... Teria por certo um fim prometedor...
mas o maior problema (do que tenho pensado) da anorexia é que depois de algum tempo em tratamento: anos, muitos anos! é que quando começamos a comer vemos que o mais difícil de tratar não é recompor os valores do corpo nem sequer é comer adequadamente... o que tudo isto esconde é que é verdadeiramente dificil de pensar e resolver...
Hoje digo QUEM ME DERA QUE CURAR UMA ANOREXIA FOSSE COMER E TER UM IMC 18,5! Os medos profundos, a tristeza, a raiva, a revolta, a extrema necessidade de afecto, de nos sentirmos amadas... tanta coisa tão mais dificil de resolver que um dia abafámos por trás de um medo imenso da balança, de comer isto ou aquilo, de controlar medidas, calorias, refeições...
Quem dera que a anorexia fosse um capricho de miuda mimada..."


Nov 27, 2012

...AFAAB (reunião dia 30 Novembro, Porto)

Recebi esta informação da AFAAB que como habitualmente divulgo.
Recebi também a informação que a AFAAB irá ter
página no FACEBOOK, logo que conheça o endereço informo aqui.

Nov 23, 2012

... "Conselhos de uma filha" (T.) e 10 "Dicas de um pai" (actualizado em 25.11.2012)

 
Antes das '10 dicas', junto um comentário que recebi da T. e que vale mais que qualquer lista de dicas publicada algures.
 
  • Quando tiver dúvidas em como lidar com uma situação, pergunte ao médico...
  • Não culpe a sua filha pela tristeza ou mesmo depressão, sua ou de outro membro da família.
  • Não faça de conta que não viu ou não percebeu só para não ter de confrontar-se com ela.
  • LEMBRE-SE que apesar de ser a mesma doença, não faça a mesmas coisas que viu um amigo seu fazer à filha...cada doente tem as suas particularidades (*) e o que a umas pode ajudar, a outras pode ser altamente prejudicial.
(*)[ ver por exemplo no esqueciaana cada caso é um caso artigo científico]
 
Seguem 10 conselhos gerais de um pai com experiência de terapia familiar e de apoio familiar que lidou durante anos com uma filha com anorexia nervosa. (Fonte Suzanne Abraham 2010, pág. 173 mais informação sobre o livro aqui) (nota do esqueciaana: eu resumiria as 10 dicas numa palavra: amor)
 
"1. Lute contra a doença, não contra a pessoa.
 2. Não se acuse a si próprio de causar a doença.
 3. Procure ajuda profissional o mais rapidamente possível.
 4. Tente normalizar a vida familiar.
 5. Informe-se sobre a doença.
 6. Dê amor e apoio incondicionais.
 7. Tente não ser muito reservado a respeito da doença.
 8. Tente manter o seu sentido de humor.
 9. Actue com respeito pela pessoa doente.
10. Seja firme quando necessário. "
 
 
Desenho de Andrea Joseph em  flickr creative commom (aqui;http://www.flickr.com/people/andreajoseph/)
Fotografia de Carl Sagan com o filho Nick (fonte blogue do filho aqui)

Nov 20, 2012

...LABIRINTO (5 promessas e 5 realidades) fonte: Suzanne Abraham p.170-171

O texto foi escrito por Stephanie que sofria de Anorexia Nervosa e a nutricionista/psicóloga pediu-lhe para comparar as PROMESSAS que a doença lhe fizera com o que REALMENTE sucedera.

" O LABIRINTO

1.
PROMESSA: ordem e satisfação na minha vida.
REALIDADE:desapontamento e depressão.

2.
PROMESSA:disciplina e controlo.
REALIDADE: confusão e incerteza.

3.
PROMESSA:popularidade e sociabilidade.
REALIDADE:isolamento e solidão.

4.
PROMESSA:respeito e admiração.
REALIDADE:pena.

5.
PROMESSA:perfeição em todas as áreas da vida.
REALIDADE: auto-destruição física e mental. " (*)

Já antes no esqueciaana tinhamos referido o livro (aqui) de onde foi retirado este 'labirinto', um testemunho importante.
(*) Fonte: Distúrbios Alimentares de Suzanne Abraham, ed. Texto 2010, páginas 170-171.
Tradução da 6ª edição de Eating Disorders, The Facts  da Oxford University Press (aqui na amazon podem ser consultadas algumas páginas)