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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Feb 8, 2012

...as emoções fazem falta!

Retirei o texto abaixo do blogue de Lídia Craveiro (Outros Olhares)
Uma visão da natureza que ignore o poder das emoções é tristemente míope. As emoções são impulsos para agir e enfrentar a vida. A raiz da palavra emoção vem do termo latino "motere" que significa mover, mais o prefixo "e" fica "mover para"- As investigações indicam que cada emoção prepara o corpo para um tipo de resposta muito diferente: com o ira, o sangue flui para as mãos, tornando mais fácil pegar numa arma ou bater num inimigo, a adrenalina gera uma onda de energia; com o medo, o sangue corre para os grandes músculos, empalidecendo a face; o bem estar activa zonas do cérebro que impedem os sentimentos negativos; o amor provoca excitação parassimpatica que gera um estado geral de calma e contentamento, facilitando a cooperação; a surpresa permite o alargamento do campo de visual, em virtude do arquear das sobrancelhas e a entrada de mais luz na retina; a repulsa gera uma resposta facial; a tristeza ajuda a adaptarmo-nos a uma perda significativa, como a morte de alguém querido ou, um grande desapontamento, causa uma grande quebra de energia e do entusiasmo pela vida, aproxima a depressão e a baixa do metabolismo do corpo.
In "Inteligência emocional" Goleman ( 1997)
Inteligência Emocional de Daniel Goleman
O livro que mudou o conceito de inteligência.
Edição/reimpressão: 2010 Páginas: 376
Editor: Temas e Debates ISBN: 9789896440909

Feb 3, 2012

...olhar e VER

..."todas as cartas de amor são ridículas" (de Pessoa para Ofélia)

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) escreveu que todas as cartas de amor são ridículas. No link abaixo podemos ler 9 cartas dele (o "nininho", Ibis) e as 9 respostas de Ofélia (o seu "bébé pequenino")
Duas dessas cartas abaixo.
Porque estou a escrever este post? Porque tem a ver com expressar emoções ... sem medo do "ridículo"...ou antes expressar emoções, ponto. SEM MEDO.
(para ver a imagem total das cartas abaixo, clique na imagem)

Jan 25, 2012

...Como ajudar alguém (Parte 2 de 3)


O golfinho (cuidado e controlo na medida certa)*
No livro referido abaixo, Janet Treasure e outros descrevem através de analogias com animais alguns comportamentos e reacções das pessoas que dão apoio e cuidam dos doentes com anorexia, bulimia e outros TCA. O comportamento 'golfinho' e 'são bernardo' são positivos.

Treasure, J., Smith, G. D., & Crane, A. M. (2007). Skills-based learning for caring for a loved one with an eating disorder. Hampshire: Routledge: Taylor and Francis Group.

Citando: "A melhor maneira de ajudar alguém com TCA é empurrá-la gentilmente, como o golfinho. Imagine o seu filho/a no mar. O TCA é o colete salva-vidas dele/a. Ela/ele não quer abrir mão não quer perder a 'segurança' [falsa segurança] num mundo perigoso e hostil. E você é o golfinho, empurrando-a para a zona de segurança, às vezes nadando à frente e mostrando o caminho, outras vezes nadando lado a lado e dando coragem, ou mesmo nadando atrás em silêncio" Janet Treasure
*nota de esqueciaana: o problema é mesmo ' a medida certa'. Quando nadar ao lado, atrás ou à frente é de facto essencial. Ver mais (aqui)
Sobre o mesmo assunto pode ler, entre outros:

Jan 16, 2012

...23 ideias erradas sobre doenças do comportamento alimentar (fonte: NEDA-US)

" ESTÁ NA HORA DE FALARMOS SOBRE O ASSUNTO"Encontrei esta informação sobre os mitos relativos às doenças do comportamento alimentar ( no Brasil um termo frequentemente usado é Transtornos Alimentares-TA) (em inglês ED= EATING DISORDERS) aqui no National Eating Disorders Information Centre-Educator Toolkit.
Apenas transcrevo a lista dos 23 mitos fica a promessa de os comentar um a um em futuros posts (promessa ainda não cumprida pelo esqueciaana).
Gostaria de conhecer também os vossos comentários e interrogações sobre cada um dos 23 (ou acrescentar outros).
Nota: a ordem porque são apresentados não corresponde necessáriamente à importância de cada um dos mitos.
Algumas afirmações podem ser  'verdadeiras apenas parcialmente', logo falsas. Não há meias-verdades.
mito #1. Os transtornos alimentares (TA) não são uma doença FALSO
mito #2. Os transtornos alimentares são raros FALSO
mito #3. Os transtornos alimentares são uma escolha do doente FALSO
mito #4. Só as jovens e mulheres podem ter transtornos alimentares FALSO
mito #5. Homens que sofrem de transtornos alimentares tendem a ser gay FALSO
mito #6. A anorexia nervosa é a única doença grave do comportamento alimentar FALSO
mito #7. Não se pode morrer de bulimia FALSO
mito #8. Os transtornos alimentares sem sintomas graves (não diagnosticados) não são graves FALSO
mito #9. Fazer dieta é um comportamento normal(aceitável) do adolescente FALSO
mito #10. A anorexia é apenas uma dieta que 'deu para o torto' FALSO
mito #11. Uma pessoa com anorexia não come FALSO
mito #12. Pela a parência percebe-se sempre se uma pessoa sofre de uma TA FALSO
mito #13. Os transtornos alimentares têm a ver com a aparência e com a beleza FALSO
mito #14. Os transtornos alimentares são causados por imagens não saudáveis e irrealistas divulgadas pelos meios de comunicação FALSO
mito #15. Apenas pessoas de nível socioeconómico elevado sofrem de transtornos alimentares FALSO
mito #16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara FALSO
mito #17. As doenças do comportamento alimentar são meras tentativas para chamar a atenção FALSO
mito #18. Purgar/Vomitar é apenas expelir a comida FALSO
mito #19. Purgar ajuda a perder peso FALSO
mito #20. Se não estiver 'pele e osso' então não está doente FALSO
mito #21. Crianças com menos de 15 anos são muito novas para terem uma doença do comportamento alimentar FALSO
mito #22. Apenas se pode ter um tipo de doença do comportamento alimentar de cada vez FALSO
mito #23. Quando o peso normal é alcançado a anorexia está curada FALSO

AQUI o original em inglês
5 comentários, interrogações e afins:
Exahmia disse...
É curioso este post, hoje uma amiga falou comigo sobre este assunto, ela quer fazer uma curta metragem sobre este tema e pediu me ajuda para escrever o argumento, sobre TA e sobre o facto de não ser só sobre anorexia e bulimia, há mais do que esses dois.

Sobre estes 23 mitos, acho que o 16 não está bem claro.

16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara FALSO

Não é assim tão falsa, certo? Na verdade a recuperação total é realmente rara se não impossível.
Seria uma completa mentira dizer que certas coisas não vão ficar provavelmente para sempre, também depende muito do estado da pessoa, mas de uma forma geral a recuperação nunca é total, é possível viver bem e com uma certa paz em relação a comida mas provavelmente em 10, talvez o que? 1 recupere totalmente SE levar o tratamento até ao fim.

Claro que uma pessoa com 17 anos que teve TA durante 2 tem mais hipóteses de recuperar que uma com 30 que teve TA durante 14 anos, acho que o ponto 16 envolve muita coisa, não é assim tão linear responder a isso.

24 de Fevereiro de 2010 23:21
ex ana disse...
Por isso é indispensável analisar cada um dos 23 em seprado. Por isso referi as meias verdades...que são mentiras. Ou seja algumas das afirmações podem ter um certo grau (variável) de alguma verdade mas não podem ser tomadas em absoluto como ideias 100 verdadeiras e incontestáveis.
E sim pode existir recuperação total. E sim, quanto mais cedo o tratamento e portanto menor a duração maior a probabilidade de ela ocorrer.
Agradeço o comentário e irei tratar cada um dos pontos com os dados e argumentos objectivos que conheço. Pois como sabes o conhecimento científico ainda não é completo e consensual...

25 de Fevereiro de 2010 06:29
ex ana disse...
Exahmia,
Quando quiseres dar mais notícias da curta metragem terei muito gosto em divulgar aqui...
Sim há mais que dois TA, aliás esse é um aspecto actualmente em discussão no DSM V. Os outros são uma parcela grande no conjunto e por vezes nomeadamente nos US são falsamente classificados em A ou B por questõe spráticas associadas aos seguros de saúde (irei procurar tb informação sobre isso).

25 de Fevereiro de 2010 20:27
Sil disse...
Olá,
Tudo bem?
Bom e útil este post. A muitos mitos a serem desmitificados acerca dos Transtornos Alimentares. Estes que listastes e tantos outros que podem povoar a mente de muitos de nós. O importante é buscar-se as informações fidedignas, assimilá-las e transmiti-las, assim com estás a fazer.
Muitos Parabéns!!
Fica sempre com Deus.

6 de Março de 2010 13:16
Anónimo disse...
mito #7. Não se pode morrer de bulimia FALSO
-eu nem sonhava que isso era falso!
mito #9. Fazer dieta é um comportamento normal(aceitável) do adolescente FALSO
-eu nesse penso que é verdadeiro olha so se nao esta contente com seu corpo, melhor doque criar ilusoes e dar errado.
mito #11. Uma pessoa com anorexia não come FALSO
.nem sempre é assim é possivel passar um tempao sem comer ou entao comendo muito pouco
#16. A recuperação nas doenças do comportamento alimentar é rara FALSO
-é muito rara uma recuperacao total
mito #18. Purgar/Vomitar é apenas expelir a comida FALSO
-essa tambem pensava que era verdade
mito #19. Purgar ajuda a perder peso FALSO
-e essa tambem
mito #23. Quando o peso normal é alcançado a anorexia está curada FALSO
-tem ainda uma parte mental enorme pra recuperar
EU PENSO QUE MUITA GENTE TA MUITO MAL INFORMADA,E ISSO AJUDA A ESCLARECER MUITA COISA!

24 de Fevereiro de 2011 21:37

Jan 13, 2012

...7 efeitos - Estudantes com Anorexia e Bulimia

Sendo a anorexia uma doença com maior incidência na população jovem ela afecta muitos estudantes. As anorécticas/os e bulímicas/os são frequentemente, antes da doença ou até mesmo em alguma fase dela muito bons estudantes e com bons desempenhos em actividades físicas (como o desporto ou a dança). Estudantes brilhantes em alguns casos. Atletas de excelência noutros. Já referimos no esqueciaana a relação entre inteligência e anorexia usando um texto do blogue Finding Melissa.


Mas qual o efeito das doenças do comportamento alimentar sobre a actividade escolar/académica?


Uma associação norte americana a NEDA inclui no seu site um conjunto de materiais orientados para os educadores/escola e outros para os pais. De entre os inúmeros para os educadores retirámos e traduzimos (bolds nossos) este sobre os efeitos das doenças do comportamento alimentar no desempenho escolar (fonte original, em inglês, aqui em pdf).
Efeito dos problemas do Comportamento Alimentares nas capacidades cognitivas e no desempenho escolar

"Apesar de a desnutrição, a atitude perfeccionista de quem sofre de anorexia e bulimia pode estimular os doentes a manter um elevado nível de desempenho académico, que é ainda mais difícil dado o seu estado físico e mental." [nota de esqueciaaana: este aspecto é particularmente relevantes para os pais e familiares que muitas vezes pensam erradamente que 'se vai bem nos estudos' tudo vai bem...]

“Os transtornos alimentares (TA) podem afectar profundamente a capacidade de aprendizagem de uma criança ou jovem. Compreender como algumas das formas de um distúrbio alimentar podem afectar a função cognitiva pode ajudar os educadores a reconhecer que um aluno está com problemas. Abaixo são listadas os principais efeitos de um transtorno alimentar sobre o funcionamento cognitivo. A função cognitiva também será afectada pelo transtorno mental que frequentemente coexiste com um distúrbio alimentar, tal como a ansiedade, a depressão e o transtorno obsessivo-compulsivo.
Resumo dos resultados da investigação sobre o impacto da desnutrição nos estudantes:
1. pode ter efeitos prejudiciais para o desenvolvimento cognitivo em crianças e jovens;
2. tem um impacto negativo sobre o comportamento do estudante e o desempenho escolar;
3.
faz os estudantes sentirem-se irritados, diminui a capacidade de concentração e atenção, diminui a capacidade de ouvir e processar informação, pode causar náuseas, dor de cabeça, e faz com que os estudantes se sintam cansados e com falta de energia;
4.
faz com que os estudantes com doenças do comportamento alimentar sejam menos capazes de executar tarefas comparando com restantes os colegas;
5.
leva a carências de nutrientes específicos, como o ferro, que tem um efeito imediato na memória  e na capacidade de concentração;
6.
pode fazer com que os estudantes se tornam menos activos e mais apáticos, se isolem, e tenham pouco convívio social;
7. pode prejudicar o sistema imunológico e tornar os estudantes mais vulneráveis a doenças ao aumento do absentismo." Fonte: NEDA
Mais posts no esqueciaana sobre Estudantes no search e :
aqui: Sobre estudantes e dca
Imagem: flickr cc (aqui)

Jan 12, 2012

...ajudar a tua amiga

Sei por experiência própria como 'os outros' podem ser muito importantes no tratamento e recuperação. Não quaisquer 'outros' mas sim quem, mesmo que não entenda completamente nem sequer parcialmente a doença, nos faz ter novos olhares para a vida. Quem construa as pontes entre o nosso mundo interior de sofrimento e a vida lá fora onde podemos descobrir a alegria.
Os sites informativos e de apoio a familiares e amigos sobre a anorexia e bulímia (ver links do lado direito) por vezes fornecem indicações específicas para grupos dos que são próximos do doente, tais como a familia e em particular os pais, os professores e ...AS AMIGAS (cito adaptando: "Caso suspeite ou tenha a certeza de que uma amiga sua tem problemas relacionados coma a alimentação..."). Pergunto eu: e OS AMIGOS? e O NAMORADO? Os rapazes e homens são não apenas uma minoria dos doentes anorécticos e bulímicos (pelo menos no que é estatisticamente conhecido), ELES também parecem estar um tanto à margem na informação sobre os OUTROS que podem ajudar.
No entanto, encontramos em vários testemunhos a importância do NAMORADO, do NOIVO, do MARIDO na procura de cura e recuperação da doença de TA. Sendo a partilha mútua nas relações amorosas mais intensa que noutras, não é de admirar que nelas seja possivel ultrapassar dificuldades em expressar sentimentos por parte de quem está doente, e que por isso sejam os namorados quem, ainda antes de pais, irmãos, amigas ou amigos se apercebem que alguma coisa não está bem. Não encontrei ainda no entanto nenhum texto que 'explique' e dê o devido destque a importância dos NAMORADOS.
Voltando às AMIGAS (supondo que quem sofre de AN é uma rapariga) existem algumas recomendações que abaixo alinho comentando. E o meu primeiro comentário é que não existindo receitas para a amizade, o que a seguir se escreve são apenas algumas indicações que em média se ajustam a cada caso concreto.
COMO PODES AJUDAR A TUA AMIGA?
(texto adaptado do original aqui e aqui)
+ A tua amiga é inteligente, informada, determinada...mas é característica da doença negá-la e recusar opiniões dos outros (mesmo das amigas) sobre o seu problema (que geralmente não identifica como tal). São raros os casos em que a doente resolve tratar-se por iniciativa própria. Como amiga dela procura em conjunto com outros que lhe são próximos que ela tome consciência do problema e comece a tratar-se com especialistas adequados. Não fiques frustrada com a tua (muitas vezes aparente) impotência para alterar a situação. Ela também se sente possivelmente muitas vezes impotente para se mudar. Não fiques zangada se muitas vezes ela 'te deixar a falar sozinha'.
+ A tua amiga pode estar está em risco de vida.A anorexia alimentar e os transtornos alimentares (TA) são doenças graves. Procura que contacte uma equipa especializada. Ajuda-a a dar o primeiro passo para o tratamento. Procura informar-te mais sobre a doença e encontrar os serviços de apoio a familiares e amigos e os serviços médicos públicos ou privados a que ela poderá recorrer na tua região. Mas atenção, por muito que julgues saber sobre a doença, lembra-te que apenas os profissionais poderão fazer um correcto diagnóstico e traçar caminhos para o tratamento e cura.
+ Evita centrar todas as conversas com ela na comida ou na aparência física. Comentários mais ou menos irónicos como 'qualquer dias desapareces', 'és só pele e osso', 'andas com dietas malucas' ou até elogiosos ' estás com um corpo fantástico! quem me dera vestir o 36 como tu'. Ou mesmo de incentivo a ganhar peso ' estás mais gordinha e fica-te bem' (pessoalmente tenho a impressão que se este último comentário vier de um amigo não será muito negativo, mas estamos a falar de amigas).Não te esqueças que a tua amiga tem parte da vida focada na aparência física (tentando dizer com o corpo o que ninguém é capaz de escutar) e nas calorias por isso, não lances mais fogo para essa fogueira. Fala com ela sobre arte, música, estudos, trabalho, viagens, projectos futuros.
+ Faz a tua amiga sentir (não por palavras de preferência) que ela tens excelentes qualidades e que ninguém é perfeito. Mostra-lhe a tua amizade por actos. Lembra-lhe que todos cometemos erros. E que a errar se aprende. Abre-lhe também o teu coração. É dos livros que quem sofre de TA mente sobre o comportamento e por vezes mente também compulsivamente (é uma componente da doença e como tal deve ser compreendida). Mas a identificação por ti de uma inverdade pode ser positivo. E mostrar que de quem gostamos esperamos sinceridade, não falsidade.
+ Procura que ela saia. Há muitas formas de sair. Sair da casca por exemplo ;) Conviver com outras pessoas diferentes. Pessoas com projectos, ideias, imaginação. Pessoas abertas a outras pessoas. Por vezes com a mesma idade as pessoas apresentam maturidades muito diferentes. E não raro quem sofre de TA tem níveis de maturidade e culturais acima da média. Muito possivelmente a tua amiga questiona-se e questiona os outros e o sentido da vida. Por isso ambientes em que dominem pessoas fúteis e vazias podem ser agressivos para ela. Mas cada um de nós é uma caixinha de surpresas. As possibilidades de convívio hoje em dia são imensas. procura que ela retome a alegria e sociabilidade que tinha antes da doença, mas sem pressas, sem forçar. A doença por vezes vai-se instalando de-va-ga-ri-nho e não é do dia para a noite que desaparece.
+ O que ela deve ou não comer deve ser recomendado pelos especialistas em nutrição e/ou endocrinologista. Se estiveres com ela durante as refeições principais, festas ou outras situações que envolvam comida procura comportar-te normalmente. Não adoptes uma posição de vigilância ou controlo sobre o que ela come ou de recomendações do tipo 'lá estás com a mania das calorias, não sejas parva vá lá come a bolacha', etc.
+ NÃO DESISTAS. O teu apoio pode não dar de imediato resultado. Tens que ter paciência se a tua amiga depois de parecer estar a recuparar tiver uma recaída. Não desistas da tua amiga, mantém o teu apoio mesmo durante uma recaída, evita comentários do tipo 'és uma fraca desisto'.´A tua amiga se tiver uma recaída já se sente suficientemente mal sem esses comentários 'amigos (por vezes pretendem ser para mostrar a dura realidade').Se ela for internada e os médicos não virem inconveniente e perceberes (as amigas verdadeiras percebem os sins mesmo quando ouvem não e vice versa) que ela o quer visita-a.
+ Se o conhecimento que com ela tiveres for principalmente ou exclusivamente virtual procura que ela reforce os laços com o MUNDO REAL. Os ombros virtuais não passam disso...virtuais. Nada substituí os ombros REAIS. para além disso estando a tua amiga psicologicamente fragilizada pode ser alvo de comportamento predatórios no mundo real e na internet.
+ Na Internet circula muita informação errada, nuns casos inconscientemente noutros, mais graves, conscientemente e criminosamente errada. Medicamentos, práticas e dietas que pululam na internet nos sites pro-ana e pro-mia e também noutros sites orientados comercialmente são muito perigosos. Dicas de emagrecimento que são fornecidas, por vezes sob capa de fundamentos científicos são autênticas 'receitas de morte'.
+ Lembra-te SEMPRE: A TUA AMIGA NÃO TEM CULPA. DEIXAR DE COMER NÃO É A DOENÇA, É O SINTOMA.
Procura ajuda para a tua amiga. Alguns contactos AQUI.
Foto f
Comentários recebidos a  mensagem identica antes publicada no esqueciaana:

foreveryoung disse...
Qerida "esqeci-a-ana"...
Antes de mais qero voltar a agradecer pela maneira como te tens exprimido comigo porqe nota-se mesmo qe já passaste por isto tudo e és perfeitamente consciente a falar sem nunca "exigires" de mim coisas exageradas como às vezes me acontece por parte de pessoas qe desconhecem o problema em si! Quanto ao qe escreveste tens toda a razão..a fluoxetina tira-me o apetite e altera o meu humor (às vezes..ultimamente mais!)..mas a verdade é qe fico mesmo sem fome nenhuma e se o esforço por comer é grande já quando temos fome (contraditório?) então quando não temos aínda mais complicado é. Suponho qe me estejas a perceber. Mas ao mesmo tempo não qero de maneira nenhuma dizer isto ao psiquiatra porqe vou ser sincera..tenho medo qe ele me recomende tomar algo para abrir o apetite. Isso aterroriza me! Beijinho enorme, parabéns pelo post, até o patrocinei no meu blog :) ehehe
ex ana disse...
Eu já passei não direi por tudo, mas por algumas coisas parecidas.
Se o teu fim de semana foi inesquecível o que achas de ter a seguir uma semana igualmente BOA e inesquecível?
p.s.- Agradeço muito o 'patrocínio'. Não queres juntar sugestões? Prometo fazer uma actualização do post e prestar devida atribuição (ou não) como preferires. 30 de Novembro de 2009 20:41
fotografia de liela moreira
aqui

Jan 11, 2012

...o primeiro amor (de MEC : 'Os Meus Problemas')


"O Primeiro Amor Leva Tudo. É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo. Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal «só porque acaba». Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo.
O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói — porque parece que vai acabar de repente. E o primero amor dói sempre de mais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte «um único bocadinho de nós». Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. E inobservável. E difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.
Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

Jan 6, 2012

...Perturbações do Comportamento Alimentar na Adolescência (artigo em português, Março 2011)


Perturbações do Comportamento Alimentar na Adolescência

Helena Fonseca
(Revista Portuguesa de Clínica Geral 2011, n.27)


RE SU MO
O objectivo deste artigo é o de examinar o modo como a epidemiologia, o diagnóstico, as complicações médicas e nutricionais, as questões psicológicas, o tratamento e o prognóstico dos adolescentes com uma Perturbação do Comportamento Alimentar diferem dos adultos, sobretudo no que respeita à prevenção e às questões ligadas com o desenvolvimento que caracterizam este período.
Palavras-chave: Perturbação do Comportamento Alimentar; Adolescente; Prevenção.
Para ler todo o texto (em português) fazer o download aqui (pdf)

Jan 5, 2012

..."Put Your Hand in the Hand..." (com dedicatória)

Esta música tem dedicatória. Imagino que seria possível cantá-la em coro. Porque as vozes (e as mãos) são muitas. 

Jan 2, 2012

...ajudá-la olhos nos olhos

Para quem puder estar com ela esta atitude é muito importante:
 " estou aqui contigo para te apoiar, ajudar, ouvir"


Jan 1, 2012

...SOS


Nunca estamos sozinhas (mesmo quando parece que estamos)

Dec 30, 2011

...um fantástico 2012


Aos visitantes:
Um ano de 2012 fantástico e feliz
(afinal todos os dias 'recebemos' um dia novinho em folha)

Dec 22, 2011

...Adele na capa (ainda) é notícia


A cantora Adele é um sucesso de vendas de discos. Não será portanto de estranhar que seja capa de revistas . Na Vogue, na Cosmopolitan, etc. Mas...há um detalhe que faz com que Adele ser ou não capa de revista se torna notícia. Hoje por exemplo no diário de notícias dá-se conta dessa discussão que se resume a : será que a capa de Março da Vogue incluirá a Adele, apenas o rosto? corpo interiro? É que  Adele não cabe nos estreitos padrões do que é um corpo de mulher com direito a capa de revista. Dias virão em que deixará de ser notícia a bem de todos e todas.

Dec 19, 2011

...depressão->compulsão // compulsão-> depressão



Vai ser publicado na revista científica Journal of Adolescent Health um artigo que, com base na observação de dados para cerca de 5 mil adolescentes e mulheres jovens dos Estados Unidos conclui pela relação entre depressão e compulsão alimentar e também pela relação em sentido inverso, compulsão e depressão. O artigo foi divulgado num jornal online que pode ser lido aqui.
Abaixo uma tradução dapatada do RESUMO.

Título: A Prospective Study of Overeating, Binge Eating, and Depressive Symptoms Among Adolescent and Young Adult Women
data de divulgação:13 December 2011
Autores: Hayley H. Skinner, Jess Haines, S. Bryn Austin, Alison E. Field

RESUMO 

Objectivo: Investigar a relação no tempo entre sintomas de depressão e overeating (comer em excesso) bing eating (compulsão alimentar) em adolescentes e jovens mulheres adultas nos Estados Unidos.
Methods: Investigámos a incidência de comer em excesso, ter compulsões alimentares e os sintomas depressivos em 4.798 mulheres no estudo Growing Up Today Study um estudo de adolescentes e adultos americanos , sendo reconhidas informações para mais que um momento no tempo. Os participantes que declararam pelo menos episódios mensais relativos a comerem uma larga quantidade de alimento num curto periodo de tempo durante o ano passado, mas que não sentiram perda de controlo, foram classificados como overeaters (comerem em excesso). Aqueles que assinalaram terem perdido o controlo enquanto se alimentavam em excesso foram classificados como binge eaters (terem compulsão alimentar). Os sintomas de depressão foram avaliados pelo teste McKnight Risk Factor Survey. Os participantes foram seguidos de 1999 a 2003. Foram estimadas equações onde foram incluídos desfasamentos nas variáveis explicativas (comentário do esqueciaana sobre as variáveis desfasadas: significa que algo que por exemplo uma situação de depressão no ano t pode ser explicada -estatisticamente- por uma situação ocorrida 1 ano antes, ou seja t-1). As análises foram ajustadas em função da idade, da idade do início da menstruação, do índice de massa corporal e do período de acompanhamento.
Results: as mulheres que apresentaram sintomas depressivos no início do estudo tinham uma probabilidade duas vezes maior de ter overeating quando comparadas com as que não tinham sintomas depressivos (odds ratio [OR] = 1.9; 95% intervalo de confiança [CI] = 1.4, 2.5) . O mesmo se passando em relação à compulsão alimentar (OR = 2.3; 95% CI = 1.7, 3.0) . Por outro lado, as mulheres envolvidas em overeating ou em compulsão alimentar no início do estudo apresentam duas vezes mais probabilidade de desenvolvel sintomas de depressão no período seguinte (OR = 1.9; 95% CI = 1.1, 3.4) e (OR = 1.9; 95% CI = 1.2, 2.9) respectivamente.
CONCLUSÕES: estes resultados indicam que é importante considerar os sintomas depressivos na prevenção e tratamento do overeating e compulsão alimentar no caso das adolescentes e jovens adultas.  
Palavras chave: Binge eating, Overeating, Depressive symptoms, Overweight, Obesity, Adolescent, Young Adult, Females

Dec 17, 2011

...Cada caso é um caso (artigo científico no International Journal of Eating Disorders)


Acaba de ser publicado (Dezembro 2011) um artigo numa revista científica (INTERNATIONAL JOURNAL OF EATING DISORDERS ) que apresenta os resultados de um estudo que acompanhou ao longo de cinco anos 136 doentes com Anorexia Nervosa e 110 com Bulimia Nervosa. Foram analisados três sintomas centais: baixo peso corporal, compulsão alimentar e purgação. (nota do esqueciaana: nos artigos científicos a designação de anorexia e bulimia é sempre feita com o adjectivo NERVOSA ao contrário da linguagem comum. Mas não existem duas anorexias e duas bulimias, umas nervosas e outras não, como já ouvi ignorantemente alguém dizer.) Abaixo o resumo (tradução livre de esqueciaana e um dos gráficos a mostrar trajectórias).

Para ler todo o artigo (eminglês) fica o link abaixo (pode ser descarregado sem custo):
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/eat.20880/pdf

Uma investigação das trajectórias conjuntas de baixo peso corporal, compulsão e purgação
em mulheres com anorexia nervosa e bulimia nervosa
(título original: An Investigation of the Joint Longitudinal Trajectories of Low Body Weight, Binge Eating, and Purging in Women with Anorexia Nervosa and Bulimia Nervosa )
Autores (s): Lavender, JM (Lavender, Jason M.)**; De Young, KP (De Young, Kyle P.)**; Franko, DL (Franko, Debra L.)*,***; Eddy, KT (Eddy, Kamryn T.)*,*v; Kass, AE (Kass, Andrea E.)*; Sears, MS (Sears, Meredith S.)*; Herzog, DB (Herzog, David B.)*,*vINTERNATIONAL JOURNAL OF EATING DISORDERS Volume: 44 Issue: 8 Pages: 679-686 DEC 2011

RESUMO

Objectivos: Descrever o comportamento ao longo do tempo de mulheres com anorexia nervosa (AN) bulimia nervosa (BN) em relação a três sintomas nucleares associados às doenças do comportamento alimentar: baixo peso, compulsão e purgação. É usada uma metodologia estatística inovadora.
Método: Doentes a necessitarem de tratamento de Anorexia Nervosa (136 mulheres) e de Bulimia Nervosa (110 mulheres) foram entrevistadas de seis em seis meses durante um período de cinco anos. A entrevista baseou-se no questionário Eating Disorders Longitudinal Interval Follow-Up Evaluation foi recolhida informação semanal dos sintomas de distúrbio de comportamento alimentar todas as semanas durante 5 anos. Para identificar as trajectórias de cada um dos três sintomas (nota da esqueciaana o gráfico acima mostra 4 trajectórias) foi usado um método semiparamétrico misto (nota da esqueciaana método estatístico de análise de comportamentos).
Resultados: Foram identificadas quatro trajectórias específicas para cada um dos três sintomas analisados (nota do esqueciaana: a Figura 1 acima posta os resultados para o peso). O valor a o traçado geral de cada uma dessas trajectórias são similares nos sintomas, pois em cada modelo existem trajectórias com uma estabilidade na preseça (ou na ausência) de sintomas assim como uma ou mais mostrando o declínio dos sintomas. Para o peso corporal foram encontradas trajectórias originais com peso fluctuante e aumento da compulsão. Foram encontradas trajectories únicas: para o pso baixo fluctuação e para a purgação crescimento. Foram ainda efectuadas análises conjuntas de duas trajectórias de sintomas: peso baixo e compulsão, peso baixo e purgação e compulsão e purgação.

Discussão: Em cada pessoa doente com AN ou BN, a  evoluação dos sintomas das doenças do comportamento alimentar é muito variável (nota da esqueciaana MUITO VARIÁVEL, leram senhores e senhoras que pensam que um modelo serve para todos?) . A investigação futura permitirá identificar os factores clínicos que aumentam a probabilidade de pertender a uma ou outra trajectória o que contribuirá para o tratamento e para a investigação sobre o conceito das doenças (nota da esqueciaana: chama-se em termos técnicos investigação  nosológica ) "Palavras chave: anorexia nervosa; bulimia nervosa; symptom trajectories; course; longitudinal FOLLOW-UP; DIAGNOSTIC CROSSOVER; DISORDER PHENOTYPES; NATURAL-HISTORY; PREDICTORS; ADOLESCENTS; PATTERNS; RECOVERY; CLASSIFICATION; STABILITY
*. Massachusetts Gen Hosp, Dept Psychiat, Boston, MA 02114 USA
**. SUNY Albany, Dept Psychol, Albany, NY 12222 USA
***. Northeastern Univ, Dept Counseling & Appl Educ Psychol, Boston, MA 02115 USA
*v. Harvard Univ, Sch Med, Dept Psychiat, Boston, MA 02115 USA

Dec 16, 2011

..." ...a viagem no sentido supremo, de descoberta, de testemunho e redenção." (Agustina)


"Não é coisa usual eu incluir prefácio nos meus livros. Entendo que eles se recomendam como os peregrinos de Santiago, pelas conchas que têm no chapéu e que simbolizam a viagem no sentido supremo, de descoberta, de testemunho e redenção." Agustina Bessa-Luís  no livro  "Fanny Owen"

imagem flickr cc aqui

Dec 14, 2011

..."Somos a primeira pessoa do plural " José Luis Peixoto


Somos a primeira pessoa do plural - José Luís Peixoto, in revista Visão (Dezembro 2011)

"Estamos tão perto uns dos outros. Somos contemporâneos, podemos juntar-nos na mesma frase, conjugarmo-nos no mesmo verbo e, no entanto, carregamos um invisível que nos afasta. (continuar a ler aqui) "
imagem em flickr cc: aqui

...humor natalício

Dec 12, 2011

...APP para acompanhar a recuperação!



Um aplicativo para telemóvel que permite acompanhar a recuperação
(criado por uma estudante asutraliana Jenna Tregarthen e agora desenvolvido pela Stanford University)  
Tive conhecimento da notícia por EdBites e ela pode ser lida integralmente aqui. Isto tinha que ser criado, já devia ter sido criado há muito twempo. Claro que não é apenas descarregar a aplicação...e já está! Há uma equipa envolvida na preparação e depois no acompanhamento da informação recebida. Seria tão bom que o exemoplo fosse seguido....Srs especialistas, Srs informáticos , estão a ouvir?
A estudante de doutoramento australiana Jenna Tregarthen (fotografia abaixo)  criou a aplicação informática (app) motivada pela batalha de dez anos contra a bulimia de um/a amigo/a.
Chama-se “Recovery Record” app (aplicação Registo da Recuperação) e é muito possivelmente o primeiro aplicativo deste tipo que oferece apoio anónimo e incentiva a procurarem ajuda e 24h por dia a doentes com anorexia e bulimia .
A ideia foi apoiada por uma instituição australiana sem fins lucrativos  Butterfly Foundation e seleccionada entre mil projectos para ser desenvolvido no “Summer Institute for Entrepreneurship” no Silicon Valley nos Estados Unidos. 
ou

Dec 11, 2011

...TV Realidade ( a sério?) Starving Secrets

A Casa dos Segredos é um sucesso de audiências em Portugal subindo a programa mais visto (quando jogos de futebol não se interpõem). O Peso Pesado também aparece nos 15 mais  (marktest/mediamonitor aqui). Os 'reality shows' (mas por que não traduzem?  é uma contradição nos termos: ESPECTÁCULO DO REAL !!!) são importados por isso pode bem ser que um dia destes algum canal importe o modelo do 'reality show Starving Secrets' que pretende ser 'muito bem intencionado' acompanhando (em directo) casos de doentes com anorexia e bulimia. Ainda o programa não começou e já há,  e ainda bem polémica. Por exemplo aqui com alguns comentários. Não gosto da doença transformada em espectáculo! Não me convencem quanto aos benefícios de chamar a atenção para uma realidade blá blá blá. A anorexia e a bulimia são doenças do foro psicológico. No processo de recuperação, podem explicar-me  o que 'ajuda' uma câmara instalada para milhares de 'espectadores' observarem? No caso desse programa vir a ser importado desejo vivamente que alguns especialistas em Portugal manifestem a sua opinião. Eu, como ex-ana apenas posso dizer que a doença promovida a espectácula não me faria sentir melhor certamente.

Dec 8, 2011

...distenção do estomago e saciedade (artigo científico na Physiology & Behavior )

No artigo científico publicado em Novembro 2011 na revista Physiology & Behavior (autores: Sara L. Hargrave e Kimberly P. Kinzig conclui-se, de experiências em laboratório e em não humanos que “[...] the act of regularly distending the stomach can have effects on the regulation of energy balance that are independent from those related to caloric consumption, and may be related to disorders such as BN, BED, and certain types of obesity in which meal termination is impaired.”
O artigo e resumo podem ser lidos aqui.

Dec 4, 2011

... nem os ossos são o limite ( a propósito de uma notícia do Expresso do jornalista Carlos Afonso Monteiro)

 


Já várias vezes no esqueciaaana temos referido o poder das imagens e como elas podem ser manipuladas para criar rostos e caras perfeitos mas que de facto não existem ( por exemplo aqui nem os ossos são o limite ) . Ficámos agora a saber por uma notícia de Carlos Afonso Monteiro do Expresso (de 30 de Novembro 2011 Expresso on line, aqui) que foi criado um software anti-Photoshop, ou seja que permite detectar a manipulação das imagens. Hany Farid, um professor e engenheiro informático "criou um programa que identifica fotografias alteradas e consegue ainda julgar, com notas de 1 a 5, o nível de alteração das mesmas."
Podem ser encontradas on-line várias imagens (antes e depois, bastando carregar no botão TOGGLE, as duas imagens acima foram assim obtidas por exemplo aqui).


Segundo o artigo do Expresso, "O objetivo de Hany Farid é que este software venha a ser usado para dar "avisos de saúde" nas revistas, especificamente revistas de estilo e moda, onde este tipo de alterações é mais comum, e muitos defendem que cria expectativas irrealistas quanto aos corpos, tanto masculinos como femininos. (...) O projeto começou com a análise de 468 conjuntos de fotografias nas suas versões originais e retocadas, para depois desenvolver um programa que avalia as fotografias e as classifica consoante as suas alterações, com notas de 1 a 5, com o nível máximo a querer dizer que uma fotografia foi muito modificada."
"Agora temos um modelo matemático para medir as alterações fotográficas", disse o professor, que acredita nos dados que ligam este tipo de imagens às doenças alimentares como a anorexia e bulimia, assim como à insatisfação de homens e mulheres com os seus corpos."
Para saber mais sobre os projectos e trabalho deste investigador, ver os links abaixo. O autor disponibiliza também para download e Código do programa Matlab (Matlab code).
http://www.cs.dartmouth.edu/farid/Hany_Farid/Research/Entries/2011/6/4_Photo_Retouching.html
http://www.cs.dartmouth.edu/farid/downloads/publications/pnas11/
http://www.cs.dartmouth.edu/farid/Hany_Farid/Research/Entries/2011/6/3_Computer_Generated_or_Photographic.html

A fotografia abaixo não foi certamente uma das 468 analisadas ("Mulheres reais...sem publicidade a sabonete ou creme"):

Dec 1, 2011

...dificuldade em identificar e expressar emoções ( questionário )


A alexitimia relaciona-se com o problema em identificar e expressar emoções. Qual a relação entre isso e a anorexia nervosa (ou outras doenças do comportamento alimentar)? A tese de Sandra Torres Brandão Ferreira, O CORPO E O SILÊNCIO DAS EMOÇÕES - ESTUDO DA ALEXITIMIA NA ANOREXIA NERVOSA, cujo resumo abaixo se reproduz e que pode ser lida integralmente aqui (ver anterior post de esqueciaana) contribui para essa resposta. Nessa tese apresenta-se este questionário que é a adaptação da escala de alexitimia de Toronto [nota do esqueciaana, eescalas deste tipo são frequentemente adoptadas pelos técnicos de saúde mental e necessitam ser adaptadas em função das idades, contextos, etc.]
RESUMO

A anorexia nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar que afecta principalmente mulheres jovens. Diversos investigadores neste campo têm proposto formulações teóricas que definem esta psicopatologia como uma perturbação da regulação dos afectos. Com base nesta concepção, o presente estudo teve como objectivo geral analisar o funcionamento emocional de indivíduos com anorexia nervosa.
Objectivamente, procurou-se
(1) definir o padrão emocional associado à anorexia nervosa, com base no estudo das emoções sentidas e na avaliação das capacidades meta-emocionais;
(2) avaliar a alexitimia, ansiedade, depressão e auto-eficácia geral, bem como a relação que estas variáveis estabelecem entre si;
(3) analisar a influência da alexitimia, da ansiedade, da depressão e da auto-eficácia geral na predição da anorexia nervosa. No estudo participaram dois grupos (clínico e não-clínico), apenas com participantes do sexo feminino.
O grupo clínico foi composto por 80 sujeitos com anorexia nervosa (critérios DSM-IV), entre os 12 e os 34 anos. O grupo não-clínico foi composto por 80 sujeitos não-anorécticos, com características semelhantes ao grupo clínico em termos de idade, escolaridade e profissão.
As anorécticas foram seleccionadas em instituições de saúde e o seu diagnóstico foi confirmado com a aplicação da Entrevista de Diagnóstico das Perturbações do Comportamento Alimentar - IV. As não-anorécticas foram maioritariamente seleccionadas em instituições de ensino e preencheram um questionário inicial breve para despistar eventuais problemas alimentares. Ambos os grupos foram avaliados relativamente à ansiedade, depressão, alexitimia e auto-eficácia geral. Em comum registou-se também o preenchimento do Questionário de Avaliação das Emoções para a Anorexia Nervosa, desenvolvido por nós para o presente estudo.
Os resultados encontrados sugerem que as anorécticas apresentam um padrão emocional distinto das não-anorécticas apenas nos estímulos que envolvem situações relacionadas com a anorexia nervosa. Perante estas, as anorécticas registaram uma emocionalidade negativa, voltada para o interior e mais intensa. Este padrão de emoção é também o mais frequente no seu dia-a-dia. Em termos meta-emocionais, as anorécticas demonstraram ter capacidade para imaginar emoções em situações hipotéticas, conseguindo relembrá-las e nomeá-las. As anorécticas apresentaram ainda níveis mais elevados de alexitimia, depressão e ansiedade e níveis inferiores de auto-eficácia geral, quando comparadas com o grupo não-clínico. A depressão e a alexitimia constituem preditores significativos do diagnóstico de anorexia nervosa. No global, os resultados reforçam a relevância da intervenção psicológica orientada para a regulação dos afectos ao nível do tratamento da anorexia nervosa.

[ nota prévia aos vários questionários apresentados na Tese:]

FACULDADE DE PSICOLOGIA E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE DO PORTO

Os questionários que se seguem estão inseridos num projecto de investigação sob a responsabilidade da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, no âmbito do curso de Doutoramento em Psicologia.

Não existem respostas certas ou erradas, ou seja, qualquer resposta que for dada está correcta. Todas as respostas são confidenciais.

A sua participação é muito importante para este estudo, mas se por qualquer motivo não quiser participar, tem todo o direito de o fazer e agradecemos de igual modo a sua atenção.

Obrigada pela sua colaboração
No esqueciaana outros posts sobre emoções:
http://esqueciaana.blogspot.com/2010/11/emocoes-e-anorexia-artigo-cientifico.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2010/07/anorexia-e-emocoes-investigacao.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2010/07/identificar-e-expressar-emocoes-e-nao.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2010/09/abracos-medos-tacto-emocoes-ciencia-e.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2011/06/dependencia-emocional-no-blogue-de.html

http://esqueciaana.blogspot.com/2011/04/quinze-por-cento-dos-jovens-magoam-se.html

...Coruja e Raposita (esculturas feitas em papel)


podem ver outras esculturas em papel (aqui)
Encontrei estas esculturas em papel que gostei tanto que mostro aqui duas que por acaso
se relacionam com dois blogues que visito
Ao comentário recebido respondo que para mim é Arte simplesmente porque me faz sonhar.
O autor das duas esculturas acima é Calvin Nicholls (a página do artista aqui).
A escultura abaixo é de Isaac Salazar.


Nov 28, 2011

... A anorexia e a bulimia matam (artigo científico, resultados de 36 estudos publicados entre 1966 e 2010 )


Taxas de Mortalidade em Doentes com Anorexia Nervosa e outras Doenças do Comportamento Alimentar:
uma meta análise de 36 estudos  
[Mortality Rates in Patients With Anorexia Nervosa and Other Eating Disorders: A Meta-analysis of 36 Studies ]
Autores (*): Jon Arcelus, LMS, MSc, FRCPsych, PhD; Alex J. Mitchell, MRCPsych; Jackie Wales, BA; Søren Nielsen, MD
Revista: Archives of General Psychiatry, Vol. 68 No. 7, July 2011

RESUMO

Contexto: a taxas de morbilidade e de mortalidade nos doentes com doenças do comportamento alimentar pensa-se que são altas, mas a taxas exactas carecem de clarificação. [nota do esqueciaana: as doenças do comportamento alimentar são doenças mentais, definidas entre outros pelo DSM (ver mais aqui no esqueciaana) . É portanto um erro considerrar a obesidade -excepção da obesidade mórbida- como uma espécie de 'anorexia ao contrário' . A obesidade não é uma doença mental]
Objectivo: analisar e compilar de forma sistemática as taxas de mortalidade dos indivídios com anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e outras doenças do comportamento alimentar não especificadas (EDNOS).
Fonte de dados: pesquisa sitemática da literature, avaliação e metaanálise com base nos repositórios MEDLINE/PubMed, PsycINFO, e Embase  e ainda 4 colecções completas de bases de dados bibliográficas (ie, ScienceDirect, Ingenta Select, Ovid, and Wiley-Blackwell Interscience).
Selecção: artigos em língua inglesa, artigos com revisão pelos pares e publicados entre 1 de Janeiro de 1966 e 30 de Setembro 2010 e que apresentem taxas de mortalidade para os doentes com AN, BN ou EDNOS.
Extracção dos dados: os dados foram retirados em relação aos valores ou aos intervalos de confiança e corrigidos pelos anos de observação e pela dimensão da amostra (ou seja, pessoa-ano de observação) . Foi usada uma meta anaálise ponderada apra ajustar pela dimensão do estudo usando o modelo DerSimonian-Laird para permitir incluir a heterogeneidade na análise.

Síntese de dados: foram numa primeira fase seleccionados 143 artigos potencialmente relevantes, nos quais estavam integrados 36 estudos quantitativos com dados suficientes para serem integrados no estudo. Os estudos descrevem os resultados de The 166,642 pessoas com Anorexia Nervosa, 32,798 pessoas com Bulimia Nervosa, e 22,644 pessoas com EDNOS. As taxas de mortalidade ponderadas (ou seja as mortes por cada 1000 doentes) são:5,1 para a Anorexia Nervosa, 1,7 para a Bulimia Nervosa
3,3 para a EDNOS. As taxas de mortalidade normalizadas foram de 5,86 para a AN, 1,93 para a BN, e 1,92 para EDNOS. Um em cada 5 indivíduos com AN que morreu a causa foi suicídio. 
CONCLUSÕES: os doentes com doenças do comportamento alimentar apresentam elevadoas taxas de mortalidade, com as taxas mais elevadas a ocorrerem no caso da Anorexia Nervosa. É necessário prosseguir a investigação em relação aos factores que afectam a mortalidade dos doentes com BN e EDNOS.

(*)Instituições a que percencem os autores do artigo: Loughborough University Centre for Research into Eating Disorders, Loughborough University (Dr Arcelus), Brandon Unit, Eating Disorders Service (Dr Arcelus and Ms Wales), and Department of Psycho-Oncology (Dr Mitchell), Leicester Partnership Trust, Leicester General Hospital, and Department of Cancer and Molecular Medicine, Leicester Royal Infirmary, University of Leicester (Dr Mitchell), Leicester, England; and Region Sjælland, Child and Adolescent Psychiatric Services, Næstved, Denmark (Dr Nielsen).

fotografia flick cc (aqui)