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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Oct 21, 2011

...se fugires persegue-te, se olhares olhos nos olhos recua (video)

O que ela diz é  básicamente: se fugires as chitas perseguem-te se as olhares nos olhos recuam. Não acham que se aplica a outras situações?Este video vale como metáfora.

Oct 19, 2011

...5,2631579% a invadir os dias e a estragar a alegria?


5,2631579%, é a parcela de 3 quilos em relação a 57 quilos.
Pergunto-te, racionalmente, achas que tão pouco merece tamanha focagem, abrangência da tua vida, e pressa em alcançar?
OK, queres ter menos 5,2631579 % do peso que agora tens. Admitamos que depois disso, o peso continua a ser saudável segundo os padrões dos especialistas (IMC etc.). Porque não escolhes então a alternativa de multiplicar por 3 ou por 4 o tempo em que queres concretizar essa ‘meta’?
E aqui claro entra a ‘irracionalidade’ que eu já experimentei quando estava doente. Pensava: “consigo tanta coisa que traço como objectivo que vou também conseguir ESTA…e JÁ!”. E fui ‘conseguindo’, menos   5,2631579%, menos 10,5263158%, menos…26,3157895% …e por aí adiante ...e a morte a rondar cada vez mais perto… Não estou a exagerar. Alguns dos leitores deste blogue sabem bem quanto é verdade.

Oct 15, 2011

...Notícias e Videos no Público sobre Anorexia 10.10. 2011

Reproduzo abaixo uma notícia [ com alguns comentários do esqueciaana] do Público que pode ser lida aqui assim como videos e outras notícias referentes à anorexia em geral e em Portugal.
Texto de Amanda Ribeiro • 10/10/2011 - 11:06

"A minha nova amiga anorexia
Não queria perder os amigos. Emagreceu. No alto dos seus 1,73 metros, chegou aos 34 quilos. Hoje comemora-se o Dia Mundial da Saúde Mental


Ana (nome fictício) quer resgatar a juventude. Quer ir aos festivais de Verão com que sonhou durante quatro anos. "Bolas, passava a minha vida em concertos, sempre quis ir a Paredes de Coura. Nunca fui." Agora o problema é "com quem". "Os amigos que supostamente me acompanhariam já não estão comigo. Só damos os parabéns uns aos outros."

Morreu a amizade, ficou o estigma, que tanto "dificulta o tratamento da doença mental", salienta António Roma Torres, director do serviço de psiquiatria do Hospital de São João, no Porto (ouvir áudio à esquerda).

Ana concorda: "Quem não entende que a anorexia nervosa é uma doença mental, olha-nos de lado. É impossível. Fazem-nos companhia porque têm pena. Terem pena de mim é o pior que me podem fazer. Para isso, prefiro estar sozinha."

[tive a 'vantagens' da doença não ser ainda conhecida, o estigma creio ser agora maior, felizmente não perdi amigos]
Uma nova amiga

Foi ao perder os amigos que encontrou uma nova: a anorexia. Tinha 14 anos, queria "ser a maior" no seu grupo. Tudo parecia bem, até que alunos de outras turmas começaram a integrar o seu grupo. A serem amigos dos seus amigos. Ana não gostava deles. Deixou de ir almoçar, deixava-se ficar sozinha no intervalo.

Em casa, não lhe apetecia comer. Não era por se achar gorda. Simplesmente, não lhe apetecia. Depressa começou a perceber que quanto mais magra ficava, mais os seus colegas se preocupavam com ela. "Era isso que eu queria, alguma atenção da parte deles, que eu já tinha perdido." Entrou num ciclo "vicioso e doentio": comer cada vez menos para tentar recuperar os amigos.
[o não apetecer comer por vezes é falso é uma luta de nós para nós recordo-me de ter fome e muita apesar de quando comia o estomago - ou a cabeça- recusava e doia]

O espelho

Nem todas as anorécticas se acham gordas ao olhar para o espelho. Ana via-se magra, mas não via uma doença. Só percebeu que poderia ter um problema quando as calças de uma amiga "muito pequenina e magrinha" lhe ficaram largas. Aí viu os pequenos pormenores. A cara enfezada, as clavículas, os ossos das costas que não queria tocar quando passava creme depois do banho.
 [eu também não me via gorda ao espelho...apenas não suficientemente magra]
Escondeu-se durante uns tempos. Usava roupas largas, dizia que jantava, mas atirava a comida para o lixo. Um dia, a mãe viu-a a vestir-se e percebeu. Foi encaminhada para a ala de psiquiatria do São João, onde chegou a estar internada por duas e cinco semanas. "Foi a pior experiência da minha vida." O isolamento, a rigidez do plano alimentar, os horários. "É um tratamento demorado. Cheguei a estar uma semana com o mesmo peso. Depende de pessoa para pessoa."

"A anorexia nervosa é uma doença rara, muito grave, mas rara. É uma doença tratável. Demora tempo, pode demorar anos, e por isso é fundamental que o tratamento seja certeiro", refere a psiquiatra Isabel Brandão, que acompanhou a doente desde o primeiro momento. Tudo indica que o número de casos não esteja a aumentar, mas começam a surgir um novos comportamentos associados à doença.

Quatro anos depois, aos 18 anos, Ana entrou na faculdade. Quer ser psicóloga. Pelo que foi no passado e pelo que é hoje. "

Oct 11, 2011

...16 tipos de "não sei" (pedir socorro em silêncio)

(design-dautore.com) Oleg Dou


(Os "Não sei"s ;  clique sobre a imagem acima para a ampliar

[Nota de esqueciaana: este post tem dedicatória: a todos os que como eu dizem demasiadas vezes não sei...sabendo ]
Do blogue de Laura Collins transcrevo este texto: [tradução livre de esqueciaana; texto original, em inglês,  pode ser encontrado aqui]

"Os doentes com doenças do comportamento alimentar (dca; transtorno alimentar) frequentemente têm dificuldade em descrever suas emoções. Isso tem um rótulo científico: "alexitimia" (definição da wikipedia aqui; a=ausência + lexi=palavra + timia=emoção)).
Uma definição de ALEXITIMIA da F.E.A.S.T- Families Empowered And Supporting Treatment of Eating Disorders, Eating Disorders Glossary:
"Alexitimia é um conceito que define a incapcidade de identificar ou expressar emoções. Vários estudos mostraram que os indivíduos em situações agudas de anorexia nervosa e bulimia nervosa apresentam níveis mais elevados nos testes de alexitimia quando comparados com os doentes recuperados" Fonte original (aqui)

Uma coisa é reconhecer  a alexitimia, mas encontrar resposta para ela é outra coisa completamente diferente. Gosto bastante do Diagrama Grey Thinking's : o "NÃO SEIs" [esqueciaana: 16 significados para as palavras 'não sei';  aqui no original e na figura acima].
Os pais podem querer imprimir e guardar!!"Laura Collins no blogue "Are you eating with your anorexic?"

Imagem sobre os "Não seis" originalmente publicada aqui.Para ampliar a imagem cliquar.
Iremos analisar aqui no esqueciaana em posterior post estes "não sei"

Oct 8, 2011

...transtorno psíquico>>>subnutrição>>>transtorno psíquico>>>subnutrição ( a possível espiral)

antes-depois
uma das mais antigas representações de anorexia nervosa (1874)

A anorexia nervosa foi diagnosticada há mais de 100 anos. Muitos aspectos da doença encontram-se ainda por conhecer, como ilustra o título desta página do King's College London do Reino Unido : O que já sabemos .

Encontrei o texto abaixo numa página brasileira de apoio a familiares e amigos de doentes com transtornos alimentares. Gerald Russel (o sinal de Russel que talvez algumas leitoras conheçam relaciona-se com este investigador). O transtorno psíquico levar à menor ingestão de alimentos e a desnutrição levar ao transtorno psíquico ajuda a perceber a dificuldade para quem está doente de 'ver' a doenças e de 'fugir'.


Citando: Gerald Francis Morris Russell (1928- ) em 1970 e 1977 tenta mostrar a relação entre as teorias biológicas da origem da doença com as psicológicas e sociológicas, e chegou às seguintes conclusões:

  • O transtorno psíquico provoca a diminuição da ingestão de alimentos e a perda de peso
  • A perda de peso é a causa do transtorno endócrino
  •  A desnutrição piora o transtorno psíquico
  • O transtorno psíquico também pode agravar de maneira directa a função hipotalamica e produzir amenorréia (nota do esqueciaana: perda menstruação) 
  • É provável que exista uma relação entre um transtorno do controle do hipotálamo na ingestão e na recusa da alimentação, característico da anorexia
  • O transtorno hipotalamico poderia alterar as funções psíquicas, gerando atitudes anómalas face ao alimento, imagem corporal e sexualidade.
 continuar a ler aqui: http://gatda.psc.br/anorexia.htm

Oct 4, 2011

...Aos pais (Laura Collins)


O texto abaixo é uma tradução de um post encontrado aqui. A autora, Laura Collins é defensora do tratamento das doenças de transtorno alimentar pelo Maudsley Approach, uma aproximação à doença que o esqueciaana desconhece se é aplicada em Portugal. Centrar o tratamento na família é um dos vectores fundamentais. O post abaixo refere-se à necessidade de não ceder á doenças e aos argumentos (por vezes de muito 'peso' para os pais) invocados pelas(os) doentes.

Escreveu Laura Colins:

"Ela diz que ir para a universidade é a única coisa que planeia para a vida”
"Ele ficaria de rastos se não pudesse jogar futebol"
"Ir nesta viagem foi planeado durante um ano"
"Seria matá-la perder isto"

Pais, quando tiverem receio sobre fazerem o que está certo, porque acham que podem magoar, piorar as coisas, causar mais resistência, ou desapontá-la(o) tanto que poderia perder a vontade de viver .. .lembrem-se que o que "matará" é a doença.

Ceder à Doença, por QUALQUER motivo é o que "irá matar" a vossa filha(o).

Pais, podem ser parte da solução para a(o) vossa(o) filha(o), ou podem ser parte do problema - se fazem algumas das afirmações acima podem ser apenas parte do problema. “

Oct 3, 2011

... "Eu estava tãoooo doente", " ...procurem ajuda!" ( testemunho )


Transcrevo abaixo com a permissão da Filipa um post de há dias no blogue Renascer das Cinzas de onde retirei também a imagem:

"Olá minhas lindas! Como é que vocês estão? :)

Vim cá só para vos dizer que no próximo Sábado, dia 1, vou fazer as minhas mudanças rumo à "capital" :)
Começo as aulas dia 4 de Out. :)
Estou empolgada e feliz! Nem acredito que vou voltar a estudar de novo! :D :D
Estive, ainda há pouco, a ler o meu blog desde o início. Woooow! Assustei-me com os primeiros posts. Eu estava tãoooo doente. Eu olho para trás e pergunto-me: como é que ninguém se apercebeu que eu andava a "bater mal"? Que textos negros!
Acho que finalmente, estou livre de todo aquele sofrimento! Eu consegui, muito graças à minha psicóloga, à minha psiquiatra e a Deus :)
É por isso que vos digo, se ainda estão a sofrer e até a ponderar por fim à vossa vida, como eu há uns meses atrás, procurem ajuda! Procurem mesmo, porque sozinhos é muito mais difícil para recuperar e encontrarem a vossa luz perdida. :)
Vou andar sempre por aqui. :)
Quanto à Bulimia. Não é totalmente passado. Há dias que tenho "aquelas vontades" ou mesmo depois das refeições, vem-me o pensamento de vomitar. Isto é verdade. Mas também é verdade que eu agora já não presto atenção a esses pensamentos e estou bem assim.:)
Bem...vou passar pelos vossos blogues. Um beijinho grande."
[...]

Sep 24, 2011

..." Cortar o tempo" (poema de Carlos Drummond de Andrade)

Cortar o tempo
(de Carlos Drummond de Andrade)


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Sep 21, 2011

...Qual o IMC e peso daqueles de quem gostas?

Uma das justificações que costumamos usar é a de que sendo mais magras nos aceitam melhor, gostarão mais de nós. É certo que num mundo em que a imagem é tão valorizada (porque também uma excelente fonte de negócio) esse sentimento é natural. Sugiro no entanto que se perguntem: As pessoas de quem gosto e admiro são magras, gordas ou assim-assim? (para quem gosta dos detalhes qual será o seu Indice de Massa Corporal IMC?). Talvez a resposta ajude a relativizar a importância que por força da doença se atribui à balança.
Imagens: (1) ad (2) Jorge Colombo artista português residente em Nova Iorque.

Sep 18, 2011

..." A evolução da beleza" (artigo de Anabela Natário Publicado na Única (Expresso de 28.08.2011 )

O texto integral do artigo pode ser lido aqui.
(...)
"Olhemos para uma daquelas estátuas de menina que os artistas do século VI a.C. esculpiam...", começa por dizer Umberto Eco, na sua "História da Beleza". "Os pitagóricos teriam explicado que a rapariguinha era bela porque nela um justo equilíbrio dos humores produzia um colorido agradável e porque os seus membros estavam numa relação certa e harmónica, dado que eram regulados pela mesma lei que regia a distâncias entre as esferas planetárias. O artista do século VI estava obrigado a realizar aquela beleza imponderável de que falavam os poetas e que ele próprio teria captado numa manhã de primavera, observando o rosto da rapariga amada, mas obrigado a ter de a realizar na pedra e concretizar a imagem da rapariga numa forma."

Avançando até à Renascença, assiste-se a uma nova visão e utilização do corpo, apoiada na redescoberta e recriação da Antiguidade Clássica. Entre o fim do século XIII e o princípio do XVII, o corpo passa a ser algo que se deve enfeitar com arte e de modo a ver-se bem. Os ourives criam peças para ostentar pelo corpo, artigos concebidos "segundo cânones de harmonia, proporção e decoro", como refere o professor italiano licenciado em Estética, lembrando que "o Renascimento é um período de empreendimento e atividade para a mulher, que na vida de corte dita leis na moda, se adequa ao fausto imperante, mas não se esquece de cultivar a sua mente, participa ativamente nas belas-artes, tem capacidades discursivas, filosóficas e polémicas".

"Mais tarde, o corpo da mulher, que se mostra publicamente, será contrabalançado pela expressão privada, intensa e quase egoísta dos rostos, de não fácil decifração psicológica e, por vezes, intencionalmente misteriosa: eis a Vénus de Urbino de Ticiano ou a mulher da Tempestade de Giorgione. A Vénus de Velázquez aparece-nos de costas, enquanto só lhe percebemos o rosto por reflexo, no espelho.

Artificialidade do espaço e caráter fugidio da beleza feminina encontrar-se-ão ainda, nos séculos seguintes, nas mulheres de Fragonard, em que o caráter onírico da beleza preludia já a extrema liberdade da pintura moderna: se não há vínculos objetivos para a representação da beleza, porque não colocar uma bela nudez numa merenda burguesa sobre a relva?"




Quanto ao corpo do homem, por esta época, o entendimento é diferente. Quando eles são retratados, não interessam as regras da proporção e da simetria, sim personificar o poder ou, talvez, dar o grito do Ipiranga em relação aos preceitos clássicos. "As formas do corpo não escondem a força nem os efeitos do prazer: o homem de poder, gordo e entroncado, quando não musculoso, tem e ostenta os sinais do poder que exerce. Certamente não são esbeltos Ludovico, o Mouro, nem Alexandre Bórgia (que goza da fama de objeto de desejo das mulheres do seu tempo), nem Lourenço, o Magnífico, nem Henrique VIII. E, se Francisco I de França, no retrato de Jean Clouet, dissimula debaixo de amplas vestes a sua esbelteza démodée, a sua amante Ferronière, retratada por Leonardo, enriquece a galeria de olhares femininos indecifráveis e fugidios", diz Umberto Eco.



Seja como for, para a mulher e para o homem, o ideal de beleza foi mudando e... repetindo-se. A dada altura, regressámos aos tempos em que gordura volta a ser formosura e as mulheres se querem pequenas como a sardinha.

Foi no século VIII e, na centúria de 20, depois da morte dos espartilhos e das cinturas finíssimas, quando o corpo feminino se libertou, literalmente. Não chegou às formas do paleolítico, mas andou perto...
Só que, entretanto, surgiu a inglesa Lesley Hornby, mais conhecida por Twiggy, a primeira supermodelo do mundo, que impôs, no final dos anos 1960, o corpo franzino, o cabelo curto e olhos rasgados encimados por longas sobrancelhas, transmitindo um ar andrógino.
A partir daí, os corpos foram-se querendo, por força dos desfiles de moda, cada vez mais finos, esquálidos, mesmo. Tanto de mulheres como de homens. O primeiro sinal foi dado pela Calvin Klein, nos anos 1990, quando fotografou a modelo Kate Moss, seminua, macérrima, com ar de viciada em drogas duras. E todos começaram a aparecer muito magros, olheirentos, num estilo de "heroinómanos chiques". De tal forma se regressou ao fino, mas acrescentando-lhe o ar de doente terminal, que alguns países resolveram impedir a disseminação da ideia de que magreza é beleza.

Em 2006, o governo regional de Madrid proibiu desfiles de looks anoréticos e a polémica resolução foi bem aceite pela Cibele, uma das mais importantes semanas da moda europeias que decorre anualmente na capital espanhola. Perto de 40 por cento das manequins foram vetadas: todas as que apresentavam um aspeto doentio e um índice de massa corporal abaixo dos 18.
"Estamos magras mas não doentes", queixaram-se as excluídas, estranhando o comportamento espanhol (em França e em Inglaterra houve apelos no mesmo sentido, mas não se chegou a medidas drásticas). As modelos poderão ter alguma razão, face às exigências do outro lado do mundo.


Ainda no passado mês de outubro, a Ralph Lauren despediu uma das suas modelos com o argumento de que era muito gorda, isto depois de abusar do Photoshop (ver post no esqueciaana) para lhe adelgaçar o corpo nas fotos das suas campanhas publicitárias e com tanto exagero que a modelo aparecia com a cabeça muito mais larga do que o corpo. Ora, Filippa Hamilton, de 23 anos, que trabalhava para a marca desde 2002, pesava 54 quilos e media 1,77 de altura, com estes números não poderia desfilar em Espanha e, segundo a Organização Mundial de Saúde, o seu peso ideal deveria ser de 70,9 kg...

(a modelo com tratamento de imagem e a modelo quando despedida).
De facto, o mundo parece esquizofrénico. Nos Estados Unidos, onde os corpos do cidadão comum são cada vez mais volumosos, a marca que redefiniu o "estilo americano" quer cabides. Na Alemanha, a revista feminina de maior tiragem (Brigitte post no esqueciaana)decidiu substituir as fotografias de corpos de manequins moldados por programas informáticos por "mulheres reais". A causa? A diretora da publicação, Andreas Lebert, disse estar farta de engordar corpos com Photoshop para que as raparigas parecessem pessoas normais. "O peso médio das modelos é cerca de 23% menor do que a maioria das mulheres", disse, adiantando que também tinha recebido muitas queixas de leitoras incapazes de se identificarem com as modelos das capas.
(páginas da revista Brigitte; a 'modelo' trabalha numa loja)
O corpo, independentemente da beleza, é o património natural do ser humano. "As sociedades humanas agem sobre o corpo através de regras de etiquetas, sanções e proibições, de prémios e castigos, de leis e penas e tudo isso se reflete na forma de andar, sentar, dormir, amar, de se alimentar, etc. Nesse sentido, o corpo é uma encruzilhada de acontecimentos culturais e sociais, animais e psíquicos, uma confluência de fenómenos, uma rede de emoções, uma teia de movimentos, um repertório inesgotável de gestos", dizia, no século XIX, o pensador brasileiro José Carlos Rodrigues.
(fotografia de Stephen Chernin nos bastidores da Semana da Moda de NY 2011) 

...A beleza na arte (video)

Ontem, por lapso,  coloquei um post  sobre os padrões de beleza ao longo do tempo que ainda não está finalizado. Entretanto deixo aqui um video de 'morphing' sobre a mulher na arte.
Outros posts relacionados:
http://esqueciaana.blogspot.com/2010/03/500-anos-de-retratos-de-mulheres-na.html
http://esqueciaana.blogspot.com/2009/07/e-se-as-modelo-de-monet-boucher-e.html


Sep 17, 2011

...Reunião AFAAB 30 de Setembro

Divulgamos a informação da AFAAB (aqui)
REUNIÃO DE FAMILIARES E AMIGOS NO PORTO
2011-09-30 - Auditório do Serviço de Psiquiatria do H. S. João no Porto pelas 21H30

fotografia de flickr cc (aqui)

Sep 3, 2011

..."Atitudes e comportamentos alimentares em uma população adolescente portuguesa" (artigo científico 2011)

Foi publicado recentemente por uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina Universidade de Coimbra  um artigo na Pediatria (São PaPaulo) 2011;33(1), p. 21-8 que pode ser lido integralmente aqui que apresenta os resultados de um estudo sobre os transtornos do comportamento alimentar (TCA) baseado num inquérito realizado a 997 jovens entre os 14 e os 20 anos vivendo em Coimbra e em Cantanhede. A escolha dessas duas localizações permitiu comparar confrontar uma zona rural com uma zona urbana.É o primeiro estudo que aplica em Portugal o teste de atitudes alimentares. A prevalência global é de 4% (5,9% nas raparigas).

Atitudes e comportamentos alimentares em uma população adolescente portuguesa
Carmen Bento1, Jorge Manuel Tavares Saraiva2, Ana Telma Fernandes Pereira3, Maria Helena Pinto Azevedo4, António João Ferreira Macedo e Santos5; 1Mestre; Assistente Convidada de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra;2Doutor; Professor Associado Convidado com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; 3Doutora; Investigadora Auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra;4 Doutora; Professora Catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra;5Doutor; Professor Associado com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
RESUMO
Introdução: Os transtornos do comportamento alimentar (TCA) têm aumentado nas últimas décadas. Um dos principais motivos para esse aumento é a pressão sociocultural exercida sobre os adolescentes, que consideram a magreza como um sinal de perfeição e beleza. Devido a essa pressão, muitos jovens adquirem comportamentos alimentares inadequados, e um pequeno número de indivíduos desenvolve TCA.
Objetivos: Identificar as atitudes e comportamentos alimentares em uma população de adolescentes, de duas localidades portuguesas (Coimbra - meio urbano e Cantanhede - meio rural), e verificar se existiam diferenças quanto à localização geográfica de residência dos jovens, ao sexo, à idade e ao índice de massa corporal (IMC).
Métodos: Estudo epidemiológico, transversal, descritivo e de correlação. O instrumento utilizado foi a versão Portuguesa do Teste de Atitudes Alimentares-25 (TAA-25). Resultados: Obtivemos 997 inquéritos válidos. As idades situaram-se entre os 14 e os 20 anos (média = 16,38; desvio padrão (DP) = 1,19). Um total de 86,6% tinham IMC dentro dos valores normais para a idade. Encontramos atitudes e comportamentos alimentares mais inadequados no sexo feminino, na cidade maior, mas não no grupo de jovens com o IMC mais elevado.
Conclusões: A prevalência de atitudes e comportamentos alimentares disfuncionais foi baixa (4%). Foram mais frequentes no sexo feminino e nos que vivem em ambiente urbano, mas não nos adolescentes com IMC mais elevado. Consideramos interessante este último resultado, que contrasta com a restante literatura quanto ao fato de que os comportamentos alimentares disfuncionais são mais frequentes nos adolescentes com IMC mais elevado."
Da discussão:
"Este estudo é o primeiro do nosso país em que foi aplicada a versão abreviada do versão Portuguesa do Teste de Atitudes Alimentares-25 (TAA-25) em uma população geral adolescente. Os resultados confirmam a já conhecida presença de atitudes e comportamentos alimentares disfuncionais em estudantes do ensino secundário, principalmente no sexo feminino. Usando-se como ponto de corte o valor 19, verificamos que 40 alunos (4%) apresentaram atitudes e comportamentos alimentares com elevada probabilidade de serem disfuncionais (5,9% das raparigas e 1,7% dos rapazes). Estudos em países não ocidentais usando a versão abreviada do TAA revelam que a prevalência de atitudes alimentares disfuncionais situa-se entre os 4,6 e 20%, enquanto que, em países ocidentais, situa-se entre os 7,5 e 30%."

Imagem: Woman stencil, Lisbon flickr cc aqui

Sep 2, 2011

... ("body-ism" do blogue http://oblogouavida.blogspot.com)


Li o post aqui blogue de gui castro felga e partilho:

body-ism
"Pedi à senhora da tabacaria para segurar nesta revista para eu lhe tirar uma fotografia. Ainda pensei em comprá-la para 'scannar' a capa. Mas pensei - tentemos não alimentar estes sacripantas. Devia ser proibido, num mundo em que uma Kate Moss esquálida dita a moda, com coca no cariz e tudo, de se ser demasiado magro. Magreza = Sucesso. Com os homens e as mulheres, no trabalho com homens e mulheres. Estamos sempre a negociar com gente e ser atraente compensa." (continuar a ler)
fotografia: gui castro felga

Aug 29, 2011

...a recuperação ( não é fácil...mas ganhamos!)

clique e veja
O texto original pode ser encontrado aqui:
O que segue é uma tradução adaptada com comentários do esqueciaana em []
1.Quando os nossos distúrbios alimentares deixam de dominar a nossa auto-estima e começamos a centrar-nos na saúde, é mais fácil ter tempo para nós e não estar sempre a sobrevalorizar o que os outros pensam de nós ou o que significamos para os outros.
[viver a nossa vida e gostarmos de nós]

2.A recuperação permite redefinir as nossas prioridades. Em vez de acreditar que a única coisa que importa é perder x quilos, ou correr uma certa distância, ou. . . a recuperação permite-nos ver que há amigos que nos amam, que existem metas saudáveis para alcançar, e que existe uma vida que precisa ser vivida.
[as metas que associamos à doença não são metas de vida…são de morte; isto precisa ser escrito, dito, repetido muitas vezes]

3. A recuperação dá-nos a oportunidade de exteriorizar questões há muito escondidas e crescer a partir de nosso passado em vez de viver sempre nele.
[‘o que não nos mata’ – quando não nos mata, percebemos na recuperação que ficamos mais fortes, mais seguras. Passamos a conviver com as incertezas e imperfeições de outra forma, a reduzi-las às devidas proporções]

4.Recovery pode ensinar-nos coisas para a vida. Seja dizer não, falando quando se precisa de apoio, usando a yoga / a meditação / o jornalismo para encarar os problemas , ou algo completamente diferente, identificando os passos necessários para contrariar um ataque de ansiedade, uma noite com muita gente, um momento, uma hora, uma semana ou um ano, o processo de recuperação permite-nos recorrer a uma variedade de técnicas e capacidades que - às vezes, pelo menos - parece que os outros não possuem.
[passar a gerir de outra forma as emoções, é isso!]

5.Recovery permite-nos construir a vida à nossa maneira, e ver que há momentos em que não vamos ter o controle - e que isso pode acontecer.
[construir a nossa vida e antecipar problemas…sem dramas, encontrando as soluções. Procurando pelo menos, não fugindo]

6.A recuperação permite-nos aprender mais sobre nós próprias mesmos aqueles aspectos que antes ocultámos - e, muitas vezes, apesar disso poder estar relacionado com alguma dor, dá-nos força.
[somos fortes não deixamos de ser fortes, não 'perdemos a nossa natureza' apenas passamos a conviver com ela de outra forma. ou seja VIVER]

... Canção "A Pirata" (filme: Conte d'été" de Èric Rohmer)

Aug 21, 2011

...Bulimia ( pela psicóloga Eva Delgado Martins, 21.08.2011 , Notícias Magazine)

 

Li no Notícias Magazine (21.08.2011) e transcrevo abaixo um texto de Eva Delgado Martins sobre Bulimia. Talvez menos referida que a Anorexia (até porque os sinais físícos exteriores são menos nítidos) atinge, segundo esta especialista 3 a 7% da população e tem maior incidência na adolescência.

Bulimia 

por Eva Delgado-Martins, psicóloga.

 

"A palavra bulimia é usada para descrever uma alteração do comportamento caracterizada por ingestões excessivas e descontroladas de alimentos, pelo menos duas vezes por semana e pelo menos durante três meses, muitas vezes seguidas de idas à casa de banho para vomitar.

Ambos os momentos podem provocar reacções emocionais negativas como vergonha, embaraço, sensação de falta de controlo e sentimento de culpa generalizado. Normalmente, os índices de peso mantêm-se. Esta definição resultou da necessidade de se estabelecer um critério objectivo reconhecível médica e legalmente. Tem incidência maior a partir da adolescência e regista-se em três a sete por cento da população. Cerca de noventa por cento dos casos ocorrem em mulheres. Muitas vezes o termo é aplicado à simples ingestão excessiva de alimentos durante períodos seguidos pelo sentimento de culpa e tentativas para evitar o ganho de peso com jejuns, exercícios, vómitos auto-induzidos, laxantes, diuréticos e/ou enemas.

O adolescente, de preferência quando está em casa sozinho, lança-se sobre a comida e ingere instintivamente tudo o que lhe aparece à frente (chega a abrir latas de conserva e a consumir directamente). Como rotina o adolescente instala-se na cama ou no sofá com comida à sua volta, ou numa atitude de vergonha devora comida na cozinha ou num lugar escondido. No final sente-se muitas vezes mal, enjoado e provoca vómitos com os dedos, ficando num estado mais ou menos longo de vergonha, de prostração e fechado sobre si mesmo. Pode ainda jejuar por um dia ou mais, também na tentativa de compensar o facto de comer compulsivamente, muitas vezes entrando num repetitivo ciclo de intensa restrição alimentar, alternada com ingestões excessivas. A própria restrição alimentar excessiva pode desencadear os episódios compulsivos. A estabilidade do peso dificulta a identificação do problema, o que pode atrasar a procura de ajuda.

Em fase bulímica o adolescente pode reconhecer o absurdo do seu comportamento e ao não conseguir controlá-lo sente-se inferiorizado, incapaz de se conter. Vê-se como uma pessoa desprezível, isola-se, procura esconder os seus problemas dos outros, tem pensamentos suicidas, baixa auto-estima, sentimento de incapacidade face ao controlo do seu comportamento, vergonha e culpa.

Pode haver ainda sintomas e sinais físicos associados com astenia, diarreia/prisão de ventre, desidratação, dores de estômago, cara inchada (hipertrofia das glândulas parótidas), úlceras gastrintestinais, garganta dorida, corrosão do esmalte dos dentes."


Aug 11, 2011

...10 coisas importantes (que não são peso nem comida)

10 Coisas que a recuperação de uma doença do comportamento alimentar me ensinaram: (NÃO estão relacionadas com comida ou peso)

1. “Perder tempo” não é de facto perder tempo. [e a recuperação leva tempo]
2. A atitude é de facto tudo.[a decisão de recuperar é essencial]
3. Tenho que criar espaço para o que efectivamente é importante porque senão , “o que realmente é importante” nunca irá acontecer. [a recuperação não vem ter connosco]
4. Há um bastante para cada um.
5. Eu basto.[a minha vida é suficientemente importante]
6. A perfeição não existe. O que existe é o perfeccionismo. [procurar a perfeição não é um ‘mal’ mas ser perfeccionista é uma prisão]
7. Posso tomar decisões com base nos meus pensamentos. E as minhas decisões são as minhas decisões. [não deixo que a doença tome as decisões por mim]
8. Preciso das pessoas. E isso é bom.
9. O impossível é de facto possível. [SIM A RECUPERAÇÃO É POSSÍVEL].
10. É bom ser feliz. [ninguém é feliz doente e prisioneiro]


As doenças do comportamento alimentar não são realmente sobre comida e peso. Portanto a recuperação não é realmente sobre alimentos e peso. Partilhe connosco os seus comentários.
Jenni
Fonte: http://www.eatingdisordersblogs.com/recovery/2011/02/10-things-ed-taught-me-not-related-to-food-and-weight.html
entre [ ] esqueciaana.

Aug 10, 2011

...Problemas Alimentares em Alunas Universitárias da Península Ibérica (artigo científico de Paulo P.P. Machado et al 2004)


Eating related problems amongst Iberian female
college students


Autores: Paulo P. P. Machado2 (Universidade do Minho, Portugal), María Lameiras Fernández (Universidad de Vigo, España), Sónia Gonçalves (Universidade do Minho, Portugal), Carla Martins (Universidade do Minho, Portugal), María Calado Otero (Universidad de Vigo, España), Barbara César Machado (Universidade do Minho, Porgutal), Yolanda Rodríguez Castro (Universidad de Vigo, España), and Montserrat Fernández Prieto (Universidad de Vigo, España)

Publicado no :International Journal of Clinical and Health Psychology ISSN 1697-2600
2004, Vol. 4, Nº 3, pp. 495-504


"O presente estudo avalia a a prevalência de problemas alimentares numa amostra de alunas universitárias do primeiro ano que frequentavam uma universidade de uma de duas áreas do noroeste da Península Ibérica. Trata-se de um estudo descritivo, mediante observação. Um total de 1079 mulheres participaram neste estudo, 486 de uma universidade do Norte de Portugal (Minho) e 595 de duas universidades do Noroeste de Espanha (Galiza). Os participantes responderam ao Inventário de Perturbações Alimentares (EDI) e a um questionário desenvolvido para avaliar problemas relacionados
com a alimentação. Os resultados mostraram que um número significativo de estudantes obtiveram um resultado elevado no EDI e apresentavam uma prevalência considerável de problemas relacionados com a alimentação. Com base nos dados de auto relato foi estimada que a prevalência de perturbações do comportamento alimentar nestas áreas periféricas de ambos os países não é significativamente diferente da que é comum noutros países e áreas da Europa."


Fotografia: flicr cc (aqui)

Aug 8, 2011

...Metade ( poema de Ferreira Gullar, ou seja, José Ribamar Ferreira, Prémio Camões 2010)

METADE
Autor: Ferreira Gullar (ou seja José Ribamar Ferreira, Prémio Camões 2010)

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.
E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.
Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…
também

infos sobre o autor, Ferreira Gullar:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar
José Ribamar Ferreira explica o pseudónimo que criou: "Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome".
imagem: Picasso

Aug 4, 2011

..."Anorexia infantil é rara mas já afecta crianças em Portugal" (Diário de Notícias 3 de Agosto 2011)


Apenas o Hospital de Santa Maria em Lisboa e o Maria Pia no Porto têm consultas de distúrbios alimentares para crianças
Aos nove anos, Marta (nome fictício) media 1,35 metros e pesava 20 quilos. Sofria de anorexia, uma doença que já afecta algumas crianças em Portugal e é cada vez mais diagnosticada, apontam os médicos.
Em Portugal ainda não existem dados sobre esta doença na sua vertente infantil. Mas, no Reino Unido, nos últimos três anos, foram tratadas 98 crianças entre os 5 e os 7 anos e 99 crianças entre os 8 e os 9 anos com anorexia infantil. As crianças podem sofrer de anorexia nervosa, similar à dos adultos e adolescentes, ou de anorexia fisiológica, que é conhecida como a verdadeira anorexia infantil, conforme explica Isabel do Carmo, médica da consulta de distúrbios alimentares para adultos do Hospital Santa Maria.

Jun 30, 2011

...Reunião da AFAAB

REUNIÃO DE FAMILIARES E AMIGOS NO PORTO


2011-07-01 - Auditório do Serviço de Psiquiatria do H. S. João (Porto) pelas 21H30

(recebemos esta informação da AFAAB que divulgamos como é habitual)

Jun 26, 2011

...atletas portugueses e transtornos alimentares (2 artigos científicos 2011)

A revista European Eating Disorders Review, publicou um número especial sobre exercício compulsivo (Special Issue: Special edition on compulsive exercise) Volume 19, Issue 3, May/June 2011. Nas páginas 190–200 pode ler-se o artigo de três investigadores portugueses da Universidade do Minho  (tradução adaptada do resumo do artigo: Doenças do Comportamento Alimentar em atletas portugueses: a influência das características pessoais, desportistas e variáveis psicológicas.)
Eating disordered behaviours in Portuguese athletes: The influence of personal, sport, and psychological variables

A. Rui Gomes, Carla Martins, Luiz Silva
RESUMO
Objectivo - O estudo descreve transtornos do comportamento alimentar numa amostra de atletas de elite portugueses e analisa o impacto de factores pessoais e desportivos esses comportamentos.
Método- Duzentos e noventa atletas (51,7% homens) praticantes de desportos colectivos (64,8%) e individuais foram incluídos no estudo. O protocolo de avaliação incluiu o Eating Disorder Examination Questionnaire; o Sport Condition Questionnaire; o Sport Anxiety Scale; o Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire; o Cognitive Evaluation of Sport–Threat Perceptions e o Self-Presentation Exercise.
RESULTADOS
ndivíduos do sexo feminino, atletas com maior índice de massa corporal, e aqueles com um desejo de pesar menos, manifestaram mais transtornos do comportamento alimentar. Não foi encontrada nenhuma relação com variáveis desportivas. Finalmente, uma maior prevalência de distúrbios do comportamento alimentar foi prevista para os que tinham menor satisfação em termos de forma do corpo e da aparência física, maior ansiedade e impression motivation.
CONCLUSÃO
As características pessoais dos atletas, assim como a sua satisfação corporal, ansiedade, motivação, e percepção de ameaça e comentários do treinador em relação ao peso, representam aspectos que poderem elevar o risco de transtornos do comportamento alimentar nos atletas.

Luiz Silva, A. Rui Gomes, and Carla Martins também um outro artigo, disponível aqui:
Psychological Factors Related to Eating Disordered Behaviors: A Study with Portuguese Athletes, The Spanish Journal of Psychology,  2011, Vol. 14 No. 1, 323-335
Transcrevemos o resumo (em castelhano)
"Este estudio analiza los trastornos alimentarios en una muestra de atletas portugueses y explora la relación de este problema con algunas dimensiones psicológicas. Participaron en el estudio 299 atletas (153 hombres, 51.2%), practicantes de modalidades
colectivas (65.2%) e individuales (34.8%). El protocolo de evaluación incluyó los siguientes instrumentos: Cuestionario de Evaluación de los Trastornos Alimentarios (CETA, Fairburn y Beglin, 1994); Cuestionario de Evaluación del Estado Físico y Deportivo (Bruin et al., 2007; Hall et al., 2007); Escala de Ansiedad en el Deporte-2 (Smith et al., 2006); Cuestionario de Orientación Motivacional para el Deporte (Duda, 1992; Duda y Whitehead, 1998); Escala de Evaluación Cognitiva de la Competencia: Percepción de Amenaza(Cruz, 1994; Lazarus, 1991); y el Cuestionario de Auto-presentación en el Deporte (Gammage et al., 2004).
Los resultados revelaron:
i) inexistencia de valores con significación clínica en las dimensiones evaluadas simultáneamente en el CETA;
ii) las mujeres presentaron valores superiores en la dimensión global del CETA y los atletas con mejores resultados deportivos asumieron unamayor tendencia para la restricción en el CETA;
iii) atletas con el deseo de pesar menos obtuvieron resultados más elevados enel valor global del CETA;
iv) atletas con valores inferiores en el CETA total mostraron resultados más positivos en las dimensionespsicológicas;
v) diferentes dimensiones psicológicas fueron identificadas como predictoras de los trastornos alimentarios.
En conclusión, y a pesar de que la prevalencia de trastornos alimentarios no fue significativa en este estudio, los resultados relativos ala relación con los factores personales, deportivos y psicológicos fueron muy evidentes."

Jun 25, 2011

...Recuperar (breves testemunhos)

O blogue ed-bites, de Carrie Arnold convidou os leitores no post “Six Word Recovery Stories” que escrevessem a “história da recuperação em seis palavras”. Até agora mais de 60 leitores responderam, nem sempre cumprindo a métrica mas seguindo o espírito que é o que importa.

Transcrevo abaixo algumas das histórias breves e copiando a ideia de Carrie Arnold convido também os leitores do esqueciaana a escrever uma micro história de recuperação. Os comentários recebidos serão acrescentados a este post.

  • “Deixa de tentar; começa a viver”
  • “O meu filho merece uma mãe saudável”
  • “A minha vida merece a luta”
  • “Dois passos em frente um passo atrás”
  • “Ficamos melhor sem a ajuda da ana”
  • “Lutando para reconquistar a minha vida”
  • “Tentar. Falhar. Tentar outra vez. Falhar melhor”
  • “Pequenos passos numa grande caminhada”
  • “Tentar. Um pouco de cada vez”
  • “A recuperação é um processo, não é um episódio”
  • “Libertei-me! Pode haver melhor prazer?” (esqueciaana, ex-ana)
  •  cont.
Nota de esqueciaana: Existem várias micro contos atribuidos a diversos escritores, mas cuja autenticidade ainda se discute. É o caso do que dizem ser conto mais pequeno da literatura mundial escrito por Augusto Monterroso e citado por Italo Calvino "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá". É também o caso da história atribuída a Ernest Hemingway “Anúncio: Vende-se, sapatinhos de bébé, nunca foram usados”.

Imagem retirada de aqui, artista Lee Hufan