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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Dec 16, 2009

>> Natal, Consumo e ...

Encontrei esta informação sobre os resultados de um questionário on line efectuado por uma empresa, a Multidados (aqui), que obtever 3219 respostas. Este tipo de questionários apresenta problemas de representatividade, no entanto seguem alguns resultados, sugerindo grandes mudanças nesta época natalícia por vezes referida como a 'Festa da Família'.
Destacamos 4 percentagens:
20% desejam bom natal pessoalmente
72% das passagens de ano são em casa
na passagem de ano (meia-noite) 10% dá um beijo a amigos/familiares
13% desejam pessoalmente um bom ano
"À semelhança de anos anteriores, a MultiDados levou a cabo, na sua plataforma de inquéritos online e ao seu painel de utilizadores registados, de ambos os sexos, residentes em Portugal Continental e Ilhas, tendo sido validadas 3219 respostas, obtidas entre os dias 4 e 14 de Dezembro de 2009.
Alguns resultados :
***Natal 2009***
época de compras: "61,35% da totalidade dos inquiridos já tinha feito, até ao dia 14 de Dezembro, as suas compras de Natal. (...)"
local de compra "17,96% continua a preferir o comércio tradicional e apenas 4,29% compra online"
presentes: "20,38% roupa, 14,21% brinquedos, 12,71% livros, 11,61% chocolates e 10,47% perfumes."
desejar FELIZ NATAL: "O SMS continua a ser o meio mais usado para desejar FELIZ NATAL (56,96%), havendo 19,98% de inquiridos que o desejam pessoalmente e 13,82% por telefone"
***Passagem de ano 2009/2010***
em casa:" (72.34%), sendo que 56,82% vão para casa de amigos/familiares e 15,52% ficam na própria casa; verificou-se ainda que 8,98% do total tenciona passar o ano numa festa de rua"
tradições no dia 31 de Dezembro: "20,43% bebe champanhe, 19,80% come uvas-passas, 14,32% pede desejos e 10,49% dá um beijo aos seus amigos / familiares"
desejar FELIZ ANO:" o SMS é o meio mais usado (63,38%), havendo 16,06% de inquiridos que o desejam por telefone e 13,48% pessoalmente".
O conjunto dos resultados pode ser encontrado no site da empresa Multidados (aqui)

Dec 13, 2009

>> Entrevista sobre anorexia (Dra. Isabel do Carmo HSM-Lisboa)

Transcrevemos a entrevista da Dra. Isabel do Carmo do serviço de Endocrinologia do Hospital de St. Maria em Lisboa. Foi originalmente puclicada aqui.
"Como é que se sabe se uma jovem sofre ou não de anorexia nervosa?
A anorética é uma jovem - e eu digo uma jovem porque geralmente são pessoas jovens do sexo feminino - que, voluntariamente, deixa de comer o suficiente. Ela, de facto, não tem falta de apetite mas impõe-se a si mesma uma restrição alimentar. Em consequência disso, perde peso (pelo menos 15% para ser considerado como anorexia). Esta desnutrição reflecte-se no resto do organismo: perda de cabelo, atrofia muscular, magreza acentuada, debilidade, falta de menstruação. Esta rapariga, apesar de ter uma aparência tão magra, vê-se a si própria como tendo excesso de peso - há uma deformação da imagem do corpo que é característica destas situações.
Mas este não é o único distúrbio alimentar. Como se distingue a anorexia da bulimia?
É uma situação diferente. A bulímica é uma rapariga com peso normal que tem grandes períodos de restrição, seguidos de compulsões alimentares. Estes ataques de gula são, depois, geralmente seguidos de manobras compensatórias como o vómito.
Então pode haver casos de jovens com anorexia e com bulimia ao mesmo tempo.
Sim, pode haver uma doente com anorexia nervosa que tenha compulsões alimentares e que induça o vómito mas, neste caso, se tiver anorexia, é uma pessoa muito magra.
Quais os sintomas mais evidentes da anorexia?
Começar a comer muito pouco, ter manias alimentares, a perda de peso e deixar de ser menstruada - tem de ter pelo menos 3 meses sem menstruação para ser considerada como anorética.
Quando falamos de anorexia, falamos então de uma doença meramente psicológica.
Sim, é uma doença psicológica. Não é uma doença física, tanto quanto se pode separar o físico do psicológico.
E o tratamento como é que se processa? Demora muito tempo?
É, acima de tudo, um tratamento psíquico. Às vezes as pessoas pensam que é só um problema de dieta e de alimentação mas isto é, apenas, uma consequência. Tem que ser uma psicoterapia. Quanto ao tempo de tratamento, ele varia muito mas, em geral, é longo. Pode demorar meses, anos... É uma doença que leva muito tempo a instalar-se e que, depois, demora muito tempo a passar. Não é de um momento para o outro.
A anorexia marca muito a pessoa. Que implicações pode ter no futuro?
Há pessoas que ficam completamente bem, enquanto que há outras que ficam com problemas, essencialmente, ao nível dos ossos. O problema principal ao nível físico é a osteoperose. Ainda estamos para saber se será definitivo ou não, porque os aparelhos de osteoperose - para medir a intensidade dos ossos - são relativamente recentes e os estudos nas anoréticas também. Por isso, ainda não sabemos se, a longo prazo, estas raparigas ficam curadas ou não. É difícil responder.
E o mesmo se passa a nível psicológico.
Sim, se há doentes que recuperam bem, outras há em que a doença deixa alguns traços para o resto da vida.
Aonde e a quem se podem dirigir estas jovens ou os seus familiares?
Temos 3 consultas: uma no Porto, no Hospital de S. João, outra em Coimbra, no Hospital da Universidade e aqui em St. Maria [nota de autora do blogue, ver mais aqui] . Mas, é preciso que se diga, estamos neste momento em situação de saturação, com falta de técnicos. Existem casos de risco outros mais ligeiros que podiam receber o apoio do médico de família, aliviando o nosso serviço. Estamos mesmo sem técnicos no hospital e não temos nem psicólogos nem psiquiatras e esta ajuda seria preciosa.
O principal grupo de risco são as jovens adolescentes. Haverá alguma razão para o elevado número de raparigas que sofrem de anorexia e para o número reduzido de doentes do sexo masculino?
Não há nenhuma explicação que nos diga, com toda a certeza, porque são as raparigas as principais vítimas. Biologicamente as raparigas são diferentes dos rapazes, a relação rapariga/ mãe também é diferente e o mesmo se passa com o ambiente social. O que é certo é que, segundo as estatísticas, só há 1 rapaz para cada 10 raparigas a sofrer desta doença.
Culpa-se muito a moda por exercer pressão sobre as jovens. As imagens das top models enchem as revistas, os ecrans da televisão...
Existe, de facto, pressão no sentido da magreza, das pessoas serem magras e de terem um peso inferior ao seu peso saudável. Este é um dos factores, mas não é o único.
Então é uma doença do nosso século?
Não, é uma doença de longa data. Há casos datados desde o século XIV, muito ligados aos excedismos religiosos. A St. Catarina de Siena é um caso clássico.
O papel da escola e da família na prevenção desta doença é muito importante.
Sim, informando... Sobretudo informando que, no período da adolescência, as pessoas crescem em altura e em largura e que os tecidos do corpo necessitam de alimento para esse crescimento. Parece óbvio mas, nem sempre, a mensagem passa. Há que fazer saber aos jovens que eles precisam de carne, de peixe, de leite, de fruta, de pão, de massa ou de arroz para serem saudáveis.
Acha que a escola e a sociedade têm passado esta mensagem?
A escola tem estado muito desperta para estas coisas. Os programas falam muito neste problema e os professores, de um modo geral, estão despertos para estas situações. A sociedade em geral também. Eu penso que, neste momento, a informação circula muito bem.
Existem números concretos quanto aos casos de anorexia em Portugal?
Nas escolas secundárias, num estudo que fizemos nos distritos de Lisboa e de Setúbal, há uma rapariga em cada 200 com anorexia. Bulímicas são mais: 3 em cada 100 na população universitária. No Porto, os números são semelhantes. Falta-nos números a nível nacional mas parece que o Departamento de Psicologia da Universidade de Braga está a fazer um estudo neste âmbito (alguns projectos e publicações aqui).

foto flickr cc (aqui)

Dec 11, 2009

>> anorexia masculina, oculta e desconhecida

A anorexia masculina é muito pouco conhecida e as estatísticas existentes são (ainda mais) raras que as referentes às mulheres. Imagine um rapaz que receia estar com um distúrbio alimentar e telefona para um serviço de apoio a marcar uma consulta. Pode acontecer perguntarem-lhe 'quem é a familiar com o problema? . Imagine que procura informação na net e encontra sites informativos vários em que sem ser referindo o sexo masculino ou feminino apenas se fala de 'as doentes', 'elas', 'as jovens'. Imagine que procura informação sobre os sintomas associados à anorexia nervosa e encontra uma listagem que, sem destinguir sexo feminino ou masculino, indica que um sintoma é a perda de menstruação (sim é possível encontrar isso!). Imagine que sendo um homem com orientação heterosexual encontra a doença caracterizada como sendo associada a comportamentos homosexuais. Imagine que consulta o 'Catálogo' das doenças mentais, o DSM (5 páginas em relação à ANOREXIA NERVOSA em português , aqui, obtidas neste site) também aí não ficaria completamente esclarecido, mais, poderia até encontrar razão para 'ter vergonha' da doença.
A ANOREXIA NERVOSA MASCULINA é muito desconhecida: Porque é que as doenças do comportamento alimentar são muito menos frequentes no sexo masculino que no sexo feminino? Existem múltiplas hipóteses mas as respostas ainda estão em aberto.
A ANOREXIA NERVOSA MASCULINA encontra-se oculta: Para além disso, existe possivelmente uma subestimação do número de indivíduos afectados, porque, no caso dos homens, os sintomas são mais facilmente ocultados ou aceites socialmente.
Texto original em inglês, seguinte encontrado (aqui) e parcialmente reproduzido abaixo:"Apesar dos valores habitualmente aceites [ para os Estados Unidos] sejam os da National Eating Disorders Association (NEDA) que indicam que 10% dos 10 milhões de doentes norte americanos com transtornos alimentares são do sexo masculino, em 2007 um estudo dea Universidade de Harvard , envolvendo 3.000 participantes do sexo masculino e feminino mostrou que quase 25% dos casos de anorexia e bulimia ocorrem em homens e que 40 % dos comedores compulsivos [no original: binge eaters] são do sexo masculino.
Enquanto a maioria das pessoas sabe da prevalência da anorexia nervosa, bulimia e compulsão alimentar nas jovens e mulheres, poucas reconhecem que os jovens e homens sofrem com igualmente desses transtornos alimentares. Uma razão para a falta de atenção em relação aos transtornos alimentares nos homens, de acordo com um médico norte-americano [Kennington], é que essas doenças são mais facilmente camufladas neles que nelas. Enquanto as mulheres fazem por vezes dietas extremas que abrem caminho a um distúrbio alimentar, o que pode levantar suspeitas por parte da família e dos amigos, os homens geralmente concentram-se em fazer exercício físico excessivo, o que pode parecer aos outros uma prática enganosamente saudável. "Um homem que pratica exercício intenso [na 'malhação' no Brasil] duas ou três horas por dia pode ser considerado como sendo apenas alguém 'disciplinado' ou ‘em fitness’ [a 'abater os pneus' em Portugal], e pode não chamar a atenção da mesma forma que uma mulher que se recusa a comer ou com um aspecto esquelético". "Na verdade, um homem magro e musculoso suscita geralmente comentários positivos e elogios pelo seu corpo, o que faz com que o seu comportamento auto-destrutivos aparenta ao doente ‘valer a pena’.
Outro aspecto que dificulta a identificação e diagnóstico de transtornos alimentares no sexo masculino é o facto dos critérios de diagnóstico para os transtornos alimentares serem basicamente concebidos para as mulheres. Por exemplo, a amenorréia (perda de menstruação, 'período' ou 'regras'), é um dos critérios de diagnóstico para a anorexia nervosa que claramente exclui os homens. Um estudo recente do Rhode Island Hospital e da Brown University, sugere que os critérios do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, o DSM-IV [Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, publicado pela American Psychiatric Association] na parte referente aos transtornos alimentares tem uma utilidade clínica limitada, existindo recomendações dos investigadores para alargar os critérios para a bulimia, anorexia e transtorno de compulsão alimentar, o manual de diagnóstico [DSM-IV] [*]não é adequado aos milhares de homens com transtornos nos comportamentos e hábitos alimentares. "Porque o material de diagnóstico nem sequer trata as especificidades do doente do sexo masculino com transtornos alimentares, tais como alterações nos níveis de testoesterona ou perda do desejo sexual, o DSM-IV, de uma certa forma pode ser um veículo de vergonha", afirma Kennington. "Alguns homens vêem aspectos que não lhes são aplicáveis e simplesmente fecham o livro."
Desse manual DSM-IV, as páginas referentes à ANOREXIA NERVOSA ( aqui, em português, na lista de documentos deste blogue)
[*]Pelo blogue da Vanessa Mardsen fiquei a saber que a nova edição do manual, a DSM-V (esse manual vai sendo actualizado) teve a edição adiada até Maio de 2013.
2 comentários, interrogações e afins:

Vanessa Marsden disse...
Ola ex-ana!
Muito legal este post sobre a anorexia masculina. Ainda 'e um assunto muito pouco debatido. Lembrei-me de um cantor americano, lider da banda Silverchair que lutou muitos anos contra a anorexia. Nao sei se sabias da historia. A banda foi muito conhecida uns 7 anos atras.
Abracos!
12 de Dezembro de 2009 10:35
ex ana disse...
Obrigada Vanessa pelo comentário e pela informação sobre o lider dos Silverchair.(*) A anorexia masculina para mim é muito importante por duas razões. Uma negativa porque os doentes que para além da anorexia nervosa podem acrescentar o estigma de ser uma 'doença de mulheres'e existirem tratamentos 'formatados' para mulheres.Outra positiva, porque - e posso estar errada mas já tenho visto referências nesse sentido- em termos de investigação podem fornecer chaves para um melhor conhecimento (e tendencialmente tratamento!) da doença. Há estudos de gémeos que mais tarde irei referir.
Mais uma vez obrigada pelo comentário e dica.
(*) Vou voltar caso, encontrei a notícia numa revista Rolling Stones de 1999 http://www.rollingstone.com/artists/silverchair/articles/story/5921593/silverchair_frontman_reveals_battle_with_anorexia

>> Perfeccionismo e transtornos alimentares (artigo científico)

Publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria (Ago-2009) e disponível integralmente online (aqui) o artigo científico Perfectionism in obsessive-compulsive and eating disorders /Perfeccionismo no transtorno obsessivo-compulsivo e nos transtornos alimentares, tem como autores: Berta Rodrigues MaiaI; Maria João SoaresI; Ana GomesII; Mariana MarquesI; Ana Telma PereiraI; Ana CabralI; José ValenteI; Sandra Carvalho BosI; Michele PatoI; Fernando PocinhoIV; Maria Helena AzevedoI; António MacedoI IInstitute of Medical Psychology, School of Medicine, Universidade de Coimbra, Portugal IIDepartment of Educational Sciences, Universidade de Aveiro, Portugal IIIDepartments of Psychiatry and Behavioural Sciences, University Southern California, Los Angeles, USA IVPsychiatric Clinic, Hospital Universidade de Coimbra, Portugal
Perfeccionismo no transtorno obsessivo-compulsivo e nos transtornos alimentares, conforme texto online aqui
RESUMO
"OBJETIVO: Este estudo tem dois objetivos principais. Primeiro, avaliar as dimensões do perfeccionismo no transtorno obsessivo-compulsivo e nos transtornos alimentares em comparação com duas amostras controle: psiquiátrica (depressão/ansiedade) e não clínica. Segundo, avaliar se o perfeccionismo é um traço de personalidade especificamente relacionado com estas diferentes condições clínicas.
MÉTODO: 39 pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo, 24 com transtornos alimentares, 65 com um diagnóstico de depressão e/ou ansiedade (todos estes pacientes encontravam-se em regime de ambulatório) e 70 controles não clínicos completaram a versão portuguesa da Multidimensional Perfectionism Scale.
RESULTADOS: Comparativamente à amostra não clínica, todas as amostras clínicas apresentaram níveis significativamente mais elevados na Multidimensional Perfectionism Scale total, no Perfeccionismo Auto-Orientado e no Perfeccionismo-Socialmente-Prescrito. Não houve diferenças estatisticamente significativas no Perfeccionismo-Auto-Orientado e na Multidimensional Perfectionism Scale total nas três amostras clínicas. No entanto, a amostra com transtornos alimentares apresentou níveis significativamente mais elevados de Perfeccionismo-Socialmente-Prescrito, comparativamente à transtornos alimentares e à amostra psiquiátrica (depressão/ansiedade). CONCLUSÃO: O perfeccionismo revelou estar associado a uma grande variedade de condições psicopatológicas. Contudo, as diferenças encontradas entre a amostra de transtornos alimentares, de transtorno obsessivo-compulsivo e a psiquiátrica no Perfeccionismo-Socialmente-Prescrito necessitam de investigação subsequente no sentido de clarificar a especificidade desta dimensão com os transtornos alimentares.
Descritores: Personalidade; Transtorno obsessivo-compulsivo; Transtornos alimentares; Depressão; Ansiedade "
Das REFERÊNCIAS retiramos ainda esta em português: Soares M, Gomes A, Macedo A, Santos, V, Azevedo MH. Escala multidimensional do perfeccionismo: adaptação à população portuguesa. Revista Portuguesa Psicos. 2003;5(1):46-55.


>> sessão informativa em Chaves

Vamos tendo notícias de sessões informativas sobre os distúrbios alimentares frequentemente promovidas por escolas, associação de pais, centros de saúde, e outras organizações. Nunca serão demais essas iniciativas. Esta ocorreu em Chaves no passado dia 30 de Novembro (aqui). Parabéns aos organizadores! Se conhecerem mais actividades similares enviem notícia para esqueciaana@gmail.com .
Imagem: Cartaz do evento

Dec 9, 2009

>> testemunho de um pai

Abaixo transcrevo parte de uma entrevista dada à revista Activa à Jornalista Cristina Correia em 27 de Outubro de 2009. Toda a entrevista pode ser lida aqui
Foto flickr cc, título my life (aqui)
José Delgado, 48 anos, viu definhar de dia para dia o corpo e o sorriso da filha mais nova, Sofia. Ainda hoje, com a quase completa recuperação, não sabe dizer o que levou a menina de então 11 anos (hoje tem 18) a olhar para o seu corpo magro ao espelho e a dizer que o odiava, a esconder comida, a recusar refeições, a bater no estômago vazio para ver se ele abatia ainda mais, a pensar em suicídio.
O alerta soou depois da família ver uma reportagem sobre anorexia nervosa, onde reconheceu alguns dos sintomas da filha. (...)
Apesar de muita gente lhe chamar 'mania', a anorexia nervosa é um distúrbio alimentar que pode levar à morte. Estima-se que as taxas de mortalidade da doença se situem entre os 10% e os 15%; o suicídio ronda os 2,5%, segundo dados da Associação de Familiares e Amigos de Anorécticos e Bulímicos (AFAAB). 'A minha filha chegou a dizer-me que se suicidava. Isso mexe muito com um pai. Nessas alturas, dizia-lhe que, se isso acontecesse, iríamos ficar muito mal, mas que quem tinha mais a perder era ela.' Na pior fase da doença, a jovem ficou acamada em casa, em regime ambulatório, durante três meses. (...)
(...)
José Delgado acrescentar-lhe-ia outros traços: quase todos os anorécticos são excelentes alunos e demonstram uma maturidade precoce.
'A minha filha não teve adolescência; passou da pré-adolescência à idade adulta. E hoje está numa fase em que os colegas da idade dela são putos que não cresceram.'
(...)
Na sua luta de sete anos, José Delgado aprendeu muita coisa. 'É preciso estarmos muito atentos aos momentos em que eles querem falar connosco, porque são poucos e são muito subtis a demonstrá-lo. Aprendi que a educação que demos aos nossos filhos não tem nada que ver com a doença há muitos pais que se culpabilizam que os nossos filhos precisam de segurança e firmeza; que, num distúrbio alimentar como este, a comida não é o essencial. Como diz Daniel Sampaio, a comida já está na mesa, não é preciso falar sobre ela. Aprendi a desligar a televisão à hora das refeições. Quantas vezes a minha família esteve toda à mesa e a Sofia não comeu o que estava estipulado, mas existiu diálogo.' Para um anoréctico, esta é a hora de todas as angústias. Sentir-se pressionado a comer só piora tudo.
(...)

Em algumas fases da doença mentem muito.' Mas há sinais ainda mais subtis. 'Os irmãos mais novos e os animais de estimação engordam de repente. (...)
(...)
Foi por pensar que a partilha da sua experiência poderia ajudar na cura dos filhos que José Delgado se envolveu na associação AFAAB. 'São mais as pessoas que nos telefonam com dúvidas do que aquelas que participam nas reuniões de pais. Ainda há muita vergonha e medo de falar sobre a doença. Há quem não saia de casa porque tem vergonha dos filhos ou porque não querem perguntas de vizinhos e família. Só fecham mais o ciclo de isolamento da família. Alguns pais adoecem com depressões. Há casos de rupturas familiares quando as pessoas não aguentaram a carga.'
(...)
'A maior parte das doentes fica curada ou têm uma vida normal, apesar de manterem traços da doença.' O primeiro passo no tratamento é também o mais difícil de dar, diz o médico Abel Matos Silva. 'Antes de tudo, é preciso que a doente admita ter um problema.
(...)
Normalmente, é a família que a leva ao médico, dado que a própria se recusa a aceitar a gravidade da situação. O tratamento pode incluir psicoterapia individual, de grupo e familiar, aconselhamento nutricional e medicação e, nos casos mais graves, o internamento um índice de massa corporal inferior a 15 já o sugere.'

Dec 8, 2009

>> uma jovem na terra (actualizada em Julho 2012)

 (actualizada em Julho 2012, com mais notícias da Severn Cullis-Suzuki aqui)
Chama-se Severn Cullis-Suzuki, tem 30 anos e uma história de vida muito rica (ver mais aqui).Tinha 12 anos quando fez este discurso no United Nations Earth Summit 1992 (Rio de Janeiro). Hoje, que se discute (mais uma vez) a TERRA no conforto das cadeiras gostamos de a lembrar.

Dec 7, 2009

>> Jovens e distúrbios alimentares

Transcrevemos as declarações da psicóloga Ercília Duarte, coordenadora do Projecto Escola e Família em Santa Maria da Feira.
(notícia do passado dia 2 de Dezembro, encontrada
aqui)
"Os jovens, e até mesmo as crianças que padecem deste tipo de distúrbio, acabam por adquirir estratégias de manipulação dos sintomas e conseguem mesmo desviar as atenções dos adultos sobre estes problemas."

"Falar de distúrbios alimentares implica falar de uma espiral negativa de sentimentos em relação à imagem de si mesmo, que vêem e passam aos outros; implica falar de factores hereditários e vivências familiares e da forma como estes influenciam o 'sentir' do jovem/criança. Implica inevitavelmente falar do meio/grupo e respectivas crenças que os acompanham, da sociedade e dos conceitos de beleza que transmite e respira."
Um jovem precisa de se sentir integrado num grupo, que assume um papel determinante sobretudo na adolescência. "No entanto, ninguém é feliz com o outro sem que antes seja feliz consigo mesmo, por isso as discrepâncias de sentimentos muitas vezes leva o jovem a recorrer a tentativas erradas de modificar algo que pensa e sente ser um defeito que os outros criticam." Por isso, não se devem fechar os olhos aos distúrbios alimentares. "Para além de ser um assunto sério, é uma realidade que tem vindo a crescer de forma evidente, o que anuncia a necessidade de aumentar a atenção para com os jovens que se preocupam demasiado com a imagem que os outros têm de si", refere.
Para Ercília Duarte, a intervenção em casos de anorexia e bulimia tem de envolver todo o núcleo familiar, mais uma equipa multidisciplinar. "A primeira grande dificuldade é fazer o jovem entender que precisa de ajuda, o que muitas vezes é impensável, pois para eles o problema está nos outros e não em si mesmo. Num processo de intervenção, o primeiro passo é o reconhecimento do problema que tem de estar entendido e devidamente fundamentado, ou seja, como, porquê, quando começou e como poderá acabar." Reconhecido o problema é preciso colaboração de todas as partes, até porque o jovem precisa de "compreensão, tolerância, força, auto-estima, vontade, coragem e harmonia". "Tudo o que não precisa é de sentimento de culpa e de críticas que em nada o ajuda a restabelecer a auto-estima".
A escola tem também um papel importante, uma missão preventiva (cont
aqui)
Foto flickr aqui

>> Colóquio Caldas de Vizela (11 Dezembro)

Saudamos a iniciativa e divulgamos:
(fonte: blogue de alunos de Caldas de Vizela ,aqui )No próximo dia 11 de Dezembro pelas 21h00 realiza-se na Sala de Alunos de Caldas de Vizela um colóquio subordinado ao tema "Doenças do Séc. XXI". O painel será moderado pelo Dr. João Cocharra e será aberto a toda a comunidade. Do Programa do Colóquio (clique na imagem à esquerda) destacamos dois pontos:
1. Anorexia, Bulimia e Obesidade
pelo Dr. João Cocharra
5. Como Devem Lidar os Pais com as Doenças do Séc. XXI?
Pela Psicóloga Estela Silva

Dec 6, 2009

>> o corpo: como é e como nos apercebemos

Ter uma imagem distorcida do próprio corpo é várias vezes referido como um sintoma dos doentes anorécticos. Sentirem-se gordas/os mesmo quando o índice de massa corporal (IMC) está em níveis tão baixos que a vida se encontra em risco ( IMC, relação entre peso e altura que permite quantificar as situações de magreza ou obesidade). Os ossos espetam-se para fora da pele, mas mesmo assim os doentes acham-se 'veêm-se" gordos. Contudo, isso não é verdade para todos os doentes. Como foi divulgado em dois artigos de Novembro na revista Psychological Medicine podem existir também doentes que olhando para o espelho se apercebem de que estão muito magros, mas apesar disso não conseguem parar os comportamentos anorécticos.Eu fui uma delas pois estavam muito magra e via-me ao espelho magra (mas nunca 'suficientemente magra') mas recentemente, em contacto com outras doentes e ex-doentes apercebi-me que não fui excepção, elas também se viam magras ou esqueléticas ao espelho).Independentemente de estarmos ou não afectados por uma doença de comportamento alimentar, o que vimos no espelho depende de vários factores, como informam as notas seguintes etiradas do site espanhol STOP OBSESION . Para uma explicação mais detalhada sobre os padrões estéticos, pode ler-se (em espanhol) o artigo de Carmen Bañuelos Madera (aqui , no arquivo de documentos deste blogue; contributos e sugestões para or arquivo são mais que bem-vindos)
"Qual a diferença entre o nosso corpo e a percepção que temos dele? O corpo é algo objectivo que se pode medir, quantificar. A percepção do nosso corpo é subjectiva, a ideia que temos dele. O corpo físico pode manter-se igual e no entanto a percepção que temos dele modificar-se.
A percepção do nosso corpo ( ou seja a “forma como nos vemos, tendo aqui a visão um sentido lato) depende entre outros factores, dos seguintes:
Da observação visual:
o que vimos quando nos olhamos ao espelho.
Dos sentimentos e o nosso estado de espírito .
As nossas ideias e pensamentos,
ou seja os nossos conhecimentos a informação que detemos, o que aprendemos.
O ambiente e factores sócio-culturais (por exemplo a moda, a publicidade, os meios de comunicação). Actualmente o padrão de beleza dominante está associado a um culto exagerado da magreza."

Dec 5, 2009

>> as "vozes" dentro de nós

O texto seguinte tenta descrever o que são as chamadas vozes "negativas" ouvidas pelos que sofrem de Doenças do Comportamento Alimentar. Foi retirado do site pró-recuperação Something Fishy. Tratam-se de “vozes” no sentido figurado.
"Quando sofremos de uma doença do comportamento alimentar, as "vozes" que ouvimos, são as "vozes" que damos ao nosso próprio auto-ódio e à falta de auto-estima. São muitas vezes referidas como vozes negativas, registos negativos ou pensamentos negativos. Para alguém que nunca tenha sofrido de uma doença do comportamento alimentar (anorexia nervosa, bulimia), a melhor forma de compreender o que são as "vozes" é imaginar diálogos que pode ter consigo próprio. Por exemplo, se cometeu um erro e se auto-censurou em pensamento em relação a esse erro. Outro exemplo, quando é necessário tomar uma decisão difícil e se reflecte sobre os prós e os contras.
Imagine agora que a sua auto-reflexão e os seus pensamentos eram apenas negativos e que a única maneira de se livrar dessa voz "negativa" era pensar em comida, peso e alimentação. Se sofremos de anorexia nervosa e/ou bulimia sentimos uma confusão enorme em escutar essas “vozes” … elas falam de um lugar algures dentro de nós que está invadido pela baixa auto-estima. Que quer acreditar que não merecemos ser felizes, que não prestamos para nada.
Por vezes essas vozes são descritas pelos doentes como “pensamentos em voz alta”, “ a minha cabeça” ou como “voz ou vozes”.
Essas vozes dizem coisas que nos convencem que somos estúpidas/os, inúteis, merecemos ser infelizes, para não comermos, para continuar a comer ou pra nos livrarmos do que comemos. Dizem-nos que “ o mundo seria melhor sem ti”. Vêm de um lugar dentro de nós atormentado pelo pessimismo e auto-ódio incentivando-nos a continuar com o distúrbio alimentar e a convencer-nos que não merecemos recuperar, que merecemos uma vida de dor.
As “vozes” dos nossos distúrbios alimentares tentam também convencer-nos que não temos força de vontade, que somos fracas/os quando comemos, e que nunca ninguém irá gostar de nós. Essas “vozes” intimidam-nos com culpas e por vezes repreendem-nos pelo comportamento alimentar anormal.
A recuperação não é fácil e exige esforço. Estamos a lutar contra nós próprias/os ( e contra o que as nossas “vozes” negativas nos estão sempre a lembrar) estamos a lutar de facto pelo que merecemos (recuperação, felicidade e amor-próprio!). Aprender a lidar com essas “vozes” é uma tarefa difícil ... aprender a não as ouvir pode ser como matar a/o nossa/o melhor amiga/o. É confuso e assustador. Em muitos casos a nossa doença de comportamento alimentar manteve-nos focadas/os fora de nós próprias/os e das nossas emoções, e se pararmos de ouvir as "vozes", então o que irá alimentar a nossa doença?
Um dos ingredientes essenciais para a recuperação está a aprender a amarmo-nos a nós próprias/os, e as “vozes” lutam desesperadamente para que isso não aconteça. Se conseguirmos combater a voz ou as vozes dentro de nós que continuam a reforçar a nossa negatividade, vamos conseguir encontrar o nosso caminho para o outro lado, para a cura. (...)
Se ama alguém que está neste sofrimento, recorde estas breves notas. Procure que esse alguém encontre também apoio especializado. O apoio a quem ama constrói-se com amizade, incentivo, optimismo e não a ampliar as “vozes” negativas com culpas ou criticismos. (...).
Na recuperação os doentes lutam contra as “vozes negativas” dentro deles e encontram os próprios caminhos para (…)
Nota: É também possível para um doente com anorexia ou bulimia ouvir vozes de facto, [tal como acontece com um doente esquizofrénico] Essas vozes reais podem ser resultado da má nutrição extrema ou desidratação, ou de alguma doença relacionada com outros transtornos psiquiátricos. Na maioria dos casos, o uso mais comum para o termo "vozes", é como foi descrito anteriormente, mas existem casos em que um doente pode realmente ter alucinações auditivas (...). As alucinações podem também ser um efeito secundário de alguns medicamentos (...).
Foto flickr cc aqui

>> "verdades inventadas"

Parabéns Foreveryoung!

Dec 4, 2009

>> Ilusão de óptica ( I )

Concentre o olhar durante algum tempo no ponto negro no centro da imagem. O que acontece? As manchas coloridas parecem desaparecer durante uns segundos. Como a vista nos engana...

>> Perfeccionismo e Atitudes Alimentares dos Estudantes Portugueses (resultados de uma investigação)

Foi publicado muito recentemente o estudo abaixo resumido e que recolheu informação junto de 382 estudantes portuguesas. Foram aplicados questionários internacionais (sobre perfeccionismo e sobre atitudes alimentares) . Apresentamos abaixo um resumo e recomendamos a leitura.(o texto em inglês pode ser lido na íntegra aqui)
Perfectionism and eating attitudes in portuguese students: A longitudinal study
European Eating Disorders Review, Volume 17, Issue 5, Date: September/October 2009, Pages: 390-398
Maria João Soares, António Macedo, Sandra Carvalho Bos, Mariana Marques, Berta Maia, Ana Telma Pereira, Ana Gomes, José Valente, Michele Pato, Maria Helena Azevedo
O estudo baseado em recolha de informação em diferentes anos para as mesmas estudantes, teve por objectivo “investigar o papel do perfeccionismo no desenvolvimento dos distúrbios do comportamento alimentar”. Foram analisadas 382 estudantes universitárias com base no Hewitt & Flett MPS [Escala de Perfeccionismo Multidimensional] e no EAT-40 [Teste de Atitudes Alimentares / Eating Attitudes Test] no início da investigação e um ano depois (T1) e 206 estudantes dois anos depois (T2).”
Os resultados permitiram concluir que “O perfeccionismo na situação inicial estava associado significativamente com o comportamento anormal no longo prazo no que se refere a atitudes e comportamentos alimentares. O Perfeccionismo Auto-Orientado [ou seja, padrões irrealistas auto impostos e auto escrutínio/avaliação crítico; em inglês Self-Oriented Perfectionism (SOP)] e o Perfeccionismo Induzido Socialmente [percepção de que os outros possuem padrões irrealisticamente elevados e exigem a perfeição do próprio; em inglês Socially Prescribed Perfectionism (SPP)] foram predictores significativos das doenças do comportamento alimentar [disordered eating behaviours]. A análise de regressão revela que o SOP inicial foi predictivo das preocupações com dieta [Diet Concerns] e das perturbações do comportamento alimentar no geral ( nível de EAT total) passado um ano e dois [T1 e T2]. O SPP foi um predictor significativo da Pressão Social para Comer [que inclui a pressão dos outros para ganhar peso, que é apercebida pelo indivíduo ] passado um ano e dois (T1 e T2) e do comportamento bulímico passado um ano (T1).
Conclusão: os resultados contribuem para uma melhor compreensão da associação entre o perfeccionismo e as doenças do comportamento alimentar . O Perfeccionismo Auto-Orientado e o Perfeccionismo Induzido Socialmente antecipam atitudes e comportamentos alimentares anormais e o Perfeccionismo Auto-Orientado conclui-se ser preditivo de preocupações com dieta e de uma modo geral perturbações alimentares.
Da Introdução
"Muitos estudos têm demonstrado que o perfeccionismo é um factor que permite prever inadaptações psicológicas que desempenham um papel importante no estudo das causas, manutenção e evolução de um largo espectro de estados psicopatológicos tais como a depressão, comportamentos obscessivo-compulsivos, fobia social, comportamento suicidário, doenças do comportamento alimentar (Shafran & Mansell, 2001) problemas de sono (Azevedo et al., 2007). O perfeccionismo tem sido descrito, em particular, como um importante factor de risco das doenças do comportamento alimentar [eating disorders ED], com alguns estudos a revelarem que os níveis elevados de perfeccionismo nos adolescentes são factores predictivos de doenças do comportamento alimentar no futuro (Tyrka, Waldron, Graber, & Brooks-Gunn, 2002).
No início da década de 90 , aperspectiva unidimensional tradicional do perfeccionismo alterou-se para uma perspectiva multidimensional mais completa baseada na visão de que o perfeccionismo tem componentes pessoais e sociais e que as suas dimensões interpessoais são da maior relevância para compreender as dificuldades de adaptação experimentadas pelos perfeccionistas. Nesta linha de aproximação multidimensional, Hewitt and Flett (MPS-H&F, 1991) e Frost, Marten, Lahart, e Rosenblate (MPS-F, 1990) desenvolveram medidas de perfeccionismo auto-apercebido designadas por Escala Multidimensional de Perfeccionismo [Multidimensional Perfectionism Scale (MPS)]" (continuar a ler)

Photo from here

Dec 2, 2009

>> Natal, festividades e ansiedade

No blogue colectivo SALPICOS, que acompanho, e da autoria de Elsa Gomes Neto, foi colocado um post muito interessante e oportuno nesta época de 'festividades'. Recomendo a leitura aqui. Começa assim:
"A ideia da família reunida a festejar o Natal está longe de despertar afectos consensuais, pois a forma como cada pessoa sente a sua família e a sua relação com cada um dos seus elementos, pais, irmãos, primos, etc, é única. Ora se nesta época é socialmente obrigatório que essa re-união aconteça é também psicologicamente obrigatório que ...."[
continuar a ler no blogue Salpicos]
Na mesma linha de época festiva:
A imagem foi retirada
daqui (site ed-bites), é a propósito do 'Dia de Acção de Graças' (a 'festa da família' nos Estados Unidos) e dos sentimentos negativos que pode criar. Alegra-te! Ao menos não és o Pássaro Grande (quem conhece a série, que atravessa gerações, sabe quem é o pássaro gigante amarelo aqui despromovido a vulgar perú sem sorte).
Podem ainda ser encontrados,
dois links (em inglês) no mesmo site ed-bites (um deles sobre festividades e alimentação, que irei reproduzir em português), sobre como manter um bom estado de espírito durante as festividades. Sou contra receitas, mas algumas podem ser úteis.

Dec 1, 2009

>> EUs

muitas numa só
Foto flickr aqui

Nov 27, 2009

>> Jovem brilhante morreu devido a anorexia (UK)

Tive conhecimento desta triste notícia pelo blogue da Vanessa Marsden, médica psiquiátrica e investigadora . A notícia original pode ser lida no Mail online (aqui) , foi publicada há 15 horas e recebeu até agora 193 comentários.
É uma má notícia mas é também um alerta para a mortalidade causada pela anorexia e bulimia. Porque sabemos que a doença ataca jovens com diferentes perfis. Alice Rae "tinha tudo para ser feliz" (diziam, dizem), era inteligente (e por isso devia pensar e agir correctamente, pensam), atingiu níveis muito elevados de excelência e de perfeição, era sociável tinha amigos e amigas, página no Facebook, tinha futuros promissores, etc.etc.etc.
Chamava-se Alice Rae, tinha 18 anos sofria de anorexia e bulimia durante os últimos 2 anos. Tinha sempre sido uma aluna brilhante, com classificações máximas e tinha sido aceite para entrar na prestigiada Universidade de Cambridge para estudar economia. Vivia com os pais Christine e Peter. Tinha três irmãos: William, Tom e Georgina. "Era uma jovem encantadora, amorosa, bonita, inteligente extraordinariamente dotada." Os pais "tinham muito orgulho nela". "A Alice era muito inteligente, feliz, participante activa na comunidade escolar com um enorme potencial. A sua morte chocou-nos a todos" . Algumas semanas antes de falecer tinha sido admitida num hospital com níveis de potássio no sangue que punham a vida em risco, mas tinha tido alta poucas horas depois. [ Este caso dramático está a motivar também discussão no Reino Unido sobre a qualidade dos serviços públicos de saúde prestados aos doentes com anorexia e bulimia.]
Foto flickr cc (aqui)

Nov 26, 2009

>> Site Informativo (Para Além da Imagem)

Este é um site desenvolvido no Brasil com muita informação para diferentes públicos. Cliquem na imagem acima e visitem!
(existe também uma versão espanhola igual gráficamente mas com conteúdos ligeiramente diferentes; Há um site também espanhol STOP OBSESION ligado a esta campanha (um exemplo a seguir em Portugal?) que terá post próprio)

Nov 25, 2009

>> Termos e Siglas sobre Transtornos Alimentares (TA) na web

Ana - Anorexia Nervosa.
Mia - Bulimia
Anjo, Boneca, Criança, Princesa - Algumas das formas como se designam as doentes entre elAs. [nota:Infelizmente sabe-se muito pouco sobre elEs].[mas atenção, como é óbvio os termos carinhosos não são exclusivo dos sites pro-ana e pro-mia! Quantas vezes não designamos os que nos são queridos de princesas ou bonecas! ]
Compulsão - Crise de voracidade
ED - Eating Disorders (Perturbações do Comportamento Alimentar ou Transtornos Alimentares = TA)
Miar - Vomitar
LF - Low Food (pouca comida)
LFC - Low Food Colectivos,
NF - No Food (nenhuma comida)
NFC - No Food Colectivo.

Pró-Mia - A favor da bulimia
Pró-Ana - a favor da anorexia
Informação adaptada a partir do blogue: http://sos-ana-mia.blogs.sapo.pt/
A borboleta aparece muitas vezes associada à anorexia e bulimia (veja-se por exemplo o site espanhol: És  mais que uma imagem) 

>> Dicionário de Termos Psiq

Dicionário de Termos Psiq (Por exemplo Anorexia Nervosa aqui)

Tive conhecimento deste dicionário pelo blogue Psiquiatruras (aqui)

>> Portugal Artigos científicos sobre Doenças do Comportamento Alimentar / Eating Disorders

Na revista científica European Eating Disorders Review foram publicados vários artigos sobre Anorexia Nervosa e Bulimia em PORTUGAL (lista abaixo). Um deles, publicado no passado mês de Outubro é sobre " Perfeccionismo e atitude em relação aos alimentos entre os estudantes portugueses: um estudo longitudinal". Em algumas bibliotecas universitárias é possível o acesso online a estes textos. Daremos resumo deste texto um destes dias.
Perfectionism and eating attitudes in portuguese students: A longitudinal study
European Eating Disorders Review
Volume 17, Issue 5, Date: September/October 2009, Pages: 390-398
Maria João Soares, António Macedo, Sandra Carvalho Bos, Mariana Marques, Berta Maia, Ana Telma Pereira, Ana Gomes, José Valente, Michele Pato, Maria Helena Azevedo
The Portuguese short form of the Eating Attitudes Test-40
European Eating Disorders Review
Volume 16, Issue 4, Date: July/August 2008, Pages: 319-325
Ana Telma Pereira, Berta Maia, Sandra Bos, Maria João Soares, Mariana Marques, António Macedo, Maria Helena Azevedo
Attachment styles, memories of parental rearing and therapeutic bond: a study with eating disordered patients, their parents and therapists
European Eating Disorders Review
Volume 16, Issue 1, Date: January/February 2008, Pages: 49-58
Susana Tereno, Isabel Soares, Carla Martins, Mariana Celani, Daniel Sampaio
A study of bone density change in patients with anorexia nervosa
European Eating Disorders Review
Volume 15, Issue 6, Date: November/December 2007, Pages: 457-462
Isabel do Carmo, Mário Mascarenhas, Ana Macedo, Armanda Silva, Inês Santos, Dulce Bouça, John Myatt, Daniel Sampaio
Perfectionism and eating attitudes in Portuguese university students
European Eating Disorders Review
Volume 15, Issue 4, Date: July/August 2007, Pages: 296-304
António Macedo, Maria João Soares, Maria Helena Azevedo, Ana Gomes, Ana Telma Pereira, Berta Maia, Michele Pato
FPI profiles in a European sample of 1068 female patients suffering from anorexia or bulimia nervosa
European Eating Disorders Review
Volume 13, Issue 3, Date: May/June 2005, Pages: 201-210
C. Massoubre, B. Jaeger, G. Milos, U. Schmidt, I. Soares, H. Papezova, M. Denia, G. Faragalli, A. M. Westerlund, J. Pellet, F. Lang

Psychometric and cross-national evaluation of a Portuguese version of the Impact of Weight on Quality of Life-Lite (IWQOL-Lite) questionnaire
European Eating Disorders Review
Volume 13, Issue 2, Date: March/April 2005, Pages: 133-143
Scott G. Engel, Ronette L. Kolotkin, Pedro J. Teixeira, Luis B. Sardinha, Paulo N. Vieira, António L. Palmeira, Ross D. Crosby

The Portuguese version of the Eating Disorders Inventory: evaluation of its psychometric properties
European Eating Disorders Review
Volume 9, Issue 1, Date: January/February 2001, Pages: 43-52
Paulo P. P. Machado, Sonia Gonçalves, Carla Martins, Isabel C. Soares
The Prevalence of Disturbances of Eating Behaviour in a Portuguese Female University Population
European Eating Disorders Review
Volume 4, Issue 4, Date: December 1996, Pages: 260-270
Fernando Baptista, Daniel Sampaio, Isabel do Carmo, Dinis Reis, Alberto Galvão-Teles
Prevalence of Anorexia Nervosa: a Portuguese Population Study
European Eating Disorders Review
Volume 4, Issue 3, Date: September 1996, Pages: 157-170
Isabel do Carmo, D. Reis, P. Varandas, Dulce Bouça, Dione Padre Santo, A. Neves, Isabel André, D. Sampaio, A. Galvão-Teles
*
Fonte: site do Journal European Eating Disorders Review

Nov 24, 2009

>> tan ge ri na, tan ge ri na

FRUTOS
Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas;
tangerina, tangerina.

Eugénio de Andrade,
As Mãos e os Frutos

>> Calling all ED sufferers

Recebemos da Carrie Arnold (ver mais sobre esta autora aqui) a informação abaixo referente a um livro que se encontra em preparação por June Alexander e outros autores e que está a recolher testemunhos diversos (apelo à participação abaixo). À esquerda capa de outro livro (My kid is back) de June Alexander escrito com Daniel le Grange( Medical Center, Chicago University)
A solicitação de testemunhos (eng):
"ED sufferers and caregivers have an opportunity to share their experience in a new international textbook aimed at educating primary care health practitioners. The book, co-authored by June Alexander and Professor Janet Treasure (King's College London), will be published by Routledge (UK) in 2011. Carrie is among those contributing their story in this exciting new book.
June particularly would like to hear from you if you:
--have experienced DBT or know a family member who has;
--have experienced CBT;
--are an elite female athlete who has suffered AN;
--are an Hispanic family, or black family, whose child developed AN and the family assisted recovery through FBT; or
--are a sufferer of bulimia who has experienced/is experiencing a drug therapy strategy.
If you fit any of the above criteria, and are willing to share your story, please contact June who will arrange to collect your story via email, Skype or phone. Anonymity is assured unless specifically stated
. Write to June Alexander at june@junealexander.com or Carrie at carrie@edbites.com For more details about June go to http://www.junealexander.com/"

Nov 23, 2009

>> rio e margens

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem” B. Brecht
Foto: flickr CC (aqui)

Nov 20, 2009

>> o coração é um músculo...

"Se o corpo humano não receber comida suficiente, começa a definhar: entre outras coisas, queima a proteína dos músculos, e o coração é um músculo. As pessoas com anorexia correm o risco de enfraquecer o coração e podem até morrer com um ataque cardíaco."
Texto encontrado num interessante site, Diálogo de Gerações (aqui). Nele é apresentada a vida de Kim, 13 anos, (personagem fictícia), desde os primeiros sinais de anorexia até ao tratamento. Relata episódios comuns da vida de uma adolescente a que vai juntando informação e comentários numa linguagem muito acessível para os muito jovens. Os textos em português da história de Kim fazem parte do livro de Janine Amos "Que efeitos tem a anorexia no corpo e mente de Kim?" Everest Editora, 2004, Brasil.Título original"Why Won't Kim Eat? ". O texto é em certos pontos 'adocicado' evitando dramatismos e relatos 'sensíveis' sempre existentes nas histórias reais. Adoptando um estilo descritivo de situações e evitando detalhes sobre os sentimentos que atravessam quem nelas participa. Mas compreende-se o motivo: é literatura dirigida a um público muito jovem, de 13 ou menos anos.
Foto flickr cc (aqui)

Nov 19, 2009

>> Ana e Mia um Mundo Falso


Este site Anorexia e Bulimia um Falso Mundo existe disponível em várias línguas (o link para a versão portuguesa está infelizmente quebrado).Aparentemente e segundo notícia de 2007 (aqui) é uma iniciativa de duas organizações não governamentais (ONGs) uma brasileira e uma espanhola mas apenas a última parece estar activa e com o apoio do municipio de Madrid. A versão cujo texto se encontra mais completo é a espanhola. Faz uma análise e esclarece algumas das incorrecções e falsidades dos blogues pró anorexia e bulimia. Para além do conteúdo que é de facto muito interessante (pena a autoria dos textos não estar explícita) são também páginas esteticamente muitos bonitas. Fica a ideia de visita e a promessa de divulgarmos em português alguns dos textos. Porque informar é necessário e urgente. Tive conhecimento deste site pelo blogue Pasos Y Pensamientos.

Nov 17, 2009

>> Coragem escreve-se com S

Coragem
2009-11-15 por Sofia
"Sou rapariga, tenho 16 anos e frequento o 12ºano.
Há já algum tempo que pensava em deixar aqui uma opiniao mas, só agora fui capaz de o fazer.
Sempre exigi o máximo de mim, levava o perfeccionismo ao máximo. Nunca gostei de mim mesma mas nao falava disso, como que essa omissao que eu fazia de mim me fizesse esconder dos "outros" - pura ilusão.
Há cerca de 3 anos atrás decidi começar a fazer uma dieta. E consegui. Perdi 5, 10, 15, 20kg; julgava-me capaz de controlar a situaçao e ignorava tudo aquilo que me diziam.
Perdi completamente a noçao da realidade. Quando dei por mim estava mergulhada numa anorexia e depressão profundas. Desliguei de tudo e todos. Deixei ter objectivos, sonhos, passatempos e estabilidade emocional. Vivia, para perder peso!
Era obcessivo: contava as calorias de tudo aquilo que comia, mentia aos meus pais sobre a comida (quando sozinha nao comia o que quer que fosse), era doentio!
A minha mae ja nao sabia como lidar com a situaçao. Muitas vezes quis desistir e eu também - aquilo nao era viver. Nada me dava prazer, excepto pesar-me e ver a balança sempre a descer.
A minha família definhava de dia para dia, como eu, de resto.
Nao dormia, nao comia, nao falava com ninguém, perdi a contas às vezes que deitei comida pela sanita ou na balde do lixo. Perdi-lhe a conta.
Poucos foram os dias em que fui para a escola sem ser a chorar - estava no limite, limite de tudo.
A agonia em que vivia parecia suplantar-se a tudo o resto; eu nao era feliz, queria parar mas nao conseguia. Queria parar mas já nao conseguia!
Viver daquela maneira era um suplício, algo que cada vez mais parecia ser impossível de suportar.
Os psicólogos, os nutricionistas, os avisos nada resultava. Embora (apenas parcialmente) consciente da debilidade que estava continuava a nao comer... Uma noite, após uma discussao enorme com os meus pais, tomei cerca de 14,15 calmantes. Queria dormir, dormir para sempre.
Nao tinha forças p'ra lutar mas, também nao era justo "obrigar" os pais a viver daquela maneira. (...) Ainda hoje, me culpo por esse acto (cobarde talvez mas, mais ainda, desesperado)
Ninguém imagina o que é o dia-a-dia de uma anorexia, ninguém imagina.
Ironicamente, a tentiva de a terminar talvez me tenha trazido de novo a ela, à vida!
Lembro-me, de chorar abraçada à minha mae e de lhe suplicar ajuda - uma ajuda "extra" que ela tantas vezes me ofereceu e eu tantas outras recusei. Aceitei, finalmente, a ajuda de um profissional. (A 1ª grande vitória de uma guerra que se arrastava há dois anos)
Cerca de duas semanas depois, fui à 1ª consulta com o Dr. Roma Torres; estava nessa altura do limite do peso mínimo e nessa mesma consulta o Dr. fez-me um plano alimentar. À medida que ele escrevia as refeiçoes, as lágrimas escorriam-me face abaixo. Pensava excessiva a quantidade de comida que ele me estava recomendar; De lágrimas nos olhos, vim para casa com o plano alimentar na mao. Nao o cumpri, minimamente.
15 dias depois lá estava eu para mais uma consulta, tinha perdido 2kg - o que era "proibido" de acontecer. Prometi ao Dr. e à minha mae que aquilo nao mais aconteceria e que na próxima consulta eu já havia recuperado o peso perdido. 15 dias mais tarde, lá estava eu novamente para uma consulta. O Dr. manda-me para o balança e o peso estava igual ao de há duas semanas atrás - nao tinha emagrecido, mas também nao tinha recuperado o peso como eu havia prometido.
Estava eu, o Dr. e a minha mae no consultório quando o telefone toca. Era a mae de outra paciente a ultimar os pormenores do internamento da filha - também ela vítima de uma anorexia nervosa. Eu, feita em lágrimas, e a minha mae assistimos à conversa do Dr. Roma Torres. Assim que termina a chamado, o Dr. olha para mim e diz-me "isto é o que lhe vai acontecer, senao começar a alimentar-se devidamente".
Uma vez mais, vim para casa a chorar. Estava como que presa num problema que me consumia, segundo após segundo. Mais uma discussao "forte" com a minha mae nessa noite. Discussao essa que me fez tomar consciência de que a poderia perder! A ela, aos meus amigos, à minha felicidade, ao meu futuro. O internamento era ... o "fim". Um fim que eu nao queria.
Estava na altura de dizer basta, com determinação e com vontade, de facto. A satisfaçao que o constante emagrecimento me provoca tinha de ser vencido pelo amor que eu ainda tinha à vida, aos meus amigos, à minha família e sobretudo a ela - à minha grande mae.
Por ela, por mim, por nós percebi que viver vale a pena! Sorrir vale a pena; lutar vale a pena; ser feliz vale a pena.
Hoje, melhor, ainda caio na tentaçao de olhar p'ras calorias ou de evitar certo tipo de alimentos. Ainda caio nessa tentaçao, mas cada vez menos.
Recuperei o brilho no olhar, a estabilidade emocional e familiar, o sonho da entrada em medicina, o gosto pela poesia e, sobretudo, o prazer de viver. Cada dia é, para mim, uma vitória, uma batalha vencida de uma guerra que cheguei a julgar ser incapaz de ultrapassar.
Hoje sei que nao é assim, o ser humano tem limtes de resistência enexcedíveis.
A todas (os) aqueles que se encontram numa situaçao como aquela que eu vivi, peço-lhes que Lutem, porque viver "vale sempre a pena".
Como um dia um amigo me disse, "é preciso viver nao apenas exitir e a vida é uma vitória mesmo que nem sempre ganhe"!
Coragem!
"
Este texto da Sofia foi publicado originalmente na página da afaab. Escrevi à autora a pedir autorização para a sua publicação neste blogue. Respondeu-me terminando assim:
"Mas o mais importante é vencer; histórias como a minha e como a sua são um incentivo à luta daqueles que se debatem com a guerra que é (sobre)viver numa anorexia. Tal como me ajudaram a mim, é com todo o gosto que disponibilizo o meu testemunho para ajudar todos aqueles que mais necessitam. Pois, quando frágeis, toda a ajuda nos parece pouca e, como tal, quanto maior os recursos fornecidos mais pessoas poderemos ajudar e maior é o conforto connosco mesmos.Nem que seja uma pessoa, já valeu a pena ter publicado o meu testemunho."
Obrigada Sofia !
Imagem: flickr andersn (aqui)