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os 10 posts mais lidos (esta semana) seguidos dos posts mais recentes (26 Outubro 2016):

Oct 11, 2009

>> Anorexia e Bulimia - Associações em Espanha

Já antes chamámos a atenção para a falta de acessibilidade às consultas relativas à anorexia nervosa em Portugal. A lista abaixo que encontrámos num dos sites que acompanhamos mostra também como nuestros hermanos possuem uma mais forte rede de associações nacionais e regionais de apoio aos doentes, familiares e amigos. Alguma informação de utilidade geral pode ser encontrada nessas páginas. Recordamos que foi também em Madrid onde pela primeira vez foram impostos limites mínimos de peso a uma passagem de moda. Em Portugal, a AFAAB , criada há alguns anos mantém uma actividade regular.
ADANER Asociación en Defensa de la Atención a la Anorexia Nerviosa y Bulimia; ARBADA Asociación Aragonesa de Familiares de Enfermos con Trastornos de la Conducta Alimentaria: Anorexia y Bulimia; ADEFAB Asociación de Familiares de Anorexia y Bulimia; ASTRA Asociación de Afectados de Trastornos Alimentarios; ACLAFEBA Asociación Castellano-Leonesa de Ayuda a Familiares y Enfermos de Bulimia y Anorexia; ACAB Asociación Contra la Anorexia y la Bulimia; ADATAEX Asociación en Defensa de los Trastornos Alimentarios en Extremadura; ABAP Asociación de Bulimia y Anorexia de Pontevedra; ACAB RIOJA Asociación Contra la Anorexia y la Bulimia de La Rioja; ABAN Asociación Contra la Bulimia y la Anorexia Nerviosas. ACABE Asociación Contra Anorexia y Bulimia de Euskadi; AVALCAB Asociación Valenciana de Familiares de Enfermos con TCA.
Imagem: site da AVALCAB Asociación Valenciana de Familiares de Enfermos con TCA.

>> mulheres na linha ou desalinhadas?

A revista Glamour é mais outra revista 'feminina' que anuncia estar na linha da frente da "revolução da imagem do corpo feminino" (palavras deles!). Quer nesta quer noutras revistas soa-me a estratégia de marketing.... Na próxima edição de Novembro 2009 (pelo menos na edição para os Estados Unidos) a supermodelos que não são supermagras irão estar em destaque. Mais (aqui).
Imagem: capa recente da revista Glamour.

Oct 9, 2009

>> 4 mitos sobre os distúrbios alimentares

Mito 1: Só os magros sofrem de distúrbios alimentares. FALSO. Há pessoas com vários pesos e estaturas. Algumas apresentam peso médio ou são obesas.
Mito 2: Apenas as jovens e as mulheres são afectadas. FALSO: Apesar dos distúrbios alimentares serem mais frequentes nas adolescentes jovens, as doenças de comportamento alimentar vitimam homens e mulheres de todas as idades.
Mito 3: As pessoas que têm distúrbios alimentares são pessoas vazias, frívolas. FALSO. As pessoas com comportamentos alimentares extremos e obcecadas pelo corpo não o fazem por vaidade mas sim numa tentativa de lidar com sentimentos de vergonha, ansiedade e impotência.
Mito 4: Os distúrbios alimentares não são de facto muito perigosos. FALSO: Todos os transtornos alimentares podem levar a danos irreversíveis e até à morte. Alguns problemas de saúde associados: doenças cardíacas, osteoporose, atrofia do crescimento, infertilidade, danos nos rins.
Texto original aqui
Escultura de Brancusi

>> ainda sobre mulheres reais


Ainda a propósito de mulheres "reais" e "não-reais" (ou o que a publicidade entende por isso) não resistimos apresentar aqui duas imagens (reais? as imagens nunca são!). Uma das capas é verdadeira. Será a Marge Simpson na Playboy ou as bailarinas da Paula Rego na Elle?

Oct 7, 2009

>> Brigitte: negócios e 'mulheres reais' ...

A mais vendida 'revista feminina' alemã, a Brigitte, tomou (ou vai tomar) uma iniciativa que está a ser noticiada há alguns dias. Como campanha de marketing já provou ser eficaz. Informam que a partir de 2 de Janeiro (reparem a subtileza do anúncio prévio a lembrar uma campanha há anos para lançar a coca-cola com diferente gosto...) passarão a usar mulheres reais em vez de modelos.
O texto on line (ver abaixo) é de um pretenso feminismo hipócrita! Descobriram, assim, da noite para o dia que havia mulheres reais!
Para além do debate on-line no site da própria revista já com mais de uma centena de opiniões ( "resolveram cortar nos custos, pois as vendas estão a descer") uma notícia num jornal inglês o Guardian, pode ler-se:
"No que é visto como uma tentativa de eliminar o "tamanho zero" a editora da revista diz que vai passar a usar mulheres com estatura normal ( já aqui reportámos a posição contrária ao tamanho zero por parte da directora da revista Vogue). "Vamos deixar de trabalhar com modelos a partir de 2010" disse Andreas Lebert editor chefe da Brigitte, acrescentando que vai abandonar os retoques usando o Photoshop. Diz que o fez para responder aos protestos dos leitores que diziam não corresponderem as imagens às mulheres reais. "Hoje o peso das modelos está cerca de 23% abaixo do peso de uma mulher normal. Toda a indústria de modelos é uma indústria de anorexia" disse Andreas. Acrescentou ainda que a revista está à procura de mulheres que tenham a sua própria identidade. Podem ser jovens estudantes brilhantes, empresárias, músicas ou futebolistas [ a lista exemplificativa é curta convenhamos]. Quer um misto de mulheres conhecidas e completamente desconhecidas. E dizem que até vão pagar o mesmo que às anteriores modelos [perguntamos: ou às agências?].
Do outro lado do NEGÓCIO, a reacção não se fez esperar. Louisa von Minckwitz, a proprietária da agência alemã Louisa Models onde
os modelos são de tamanho 36 (UK 10) tendendo para o modelo 34 (UK 8) afirma que não tem dúvidas de que "os leitores querem de facto comprar uma revista em que as roupas sejam vestidas por pessoas bonitas, elegantes e simpáticas"
Perguntamos nós será que a dita negociante (perdão, empresária) proprietária da agência de modelos conhece a probabilidade de haver seres humanos adultos E SAUDÁVEIS que usem tamanho 36, a tender para o 34?]
Imagem: capa de uma outra revista feminina, a Harper's Bazaar dos anos 50.
****

Citando a revista, texto on-line (tradução livre e possível do alemão; original disponível aqui):

"Porque a beleza tem muitas faces a Brigitte tomou resolveu lançar a iniciativa “Sem Modelos” . A partir de agora todas as fotografias que aparecerão na revista não serão fotografias de modelos, mas de mulheres como vocês e como nós. Convidamos a juntar-se a nós.
A moda mudou.
As mulheres mudaram.
O nosso mundo está diferente.


A partir de hoje [ou de 2 de Janeiro de 2010?] todas as fotografias da moda à beleza dos estilos de vida ao ginásio não serão feitas com modelos mas sim com mulheres comuns.
Porque as mulheres não precisam de procuração.
Porque elas podem ser exigentes.
Porque a roupa/moda não é hoje uma questão de tendências, mas sim de personalidade.
Porque queremos criar novos olhares na passarela, nas ruas, nas escolas, nos palcos , no cinema, no café da esquina.
Porque queremos mostrar no futuro moda e beleza das mulheres que não estão sujeitas às leis, muitas vezes perversas dos negócios, mas as suas vidas reais.
Porque não há nada melhor do que as MULHERES.
Convidamos a leitora a participar.
Se quiser, clique aqui. Esperamos por si.
Sem Modelos
Uma iniciativa de Brigitte" (fim de citação)

Oct 5, 2009

>> escrever sobre a anorexia

Causa-me alguma estranhesa existirem poucas páginas, blogues, etc construídos por pessoas recuperadas da anorexia e orientados para a discussão desse distúrbio alimentar. Não estou a referir testemunhos (que são abundantes) ou divulgação de livros sobre o assunto (que são alguns). Encontrei num site criado em 2006 por cinco norte americanos em diferentes fases da doença uma possível resposta para essa relativa escassez de páginas e blogues. O site está em vias de ser encerrado, ou melhor inactivado e transferido por decisão dos autores. Chama-se Disordered Times (ver ligações), nele se encontra abundante informação (em inglês) incluindo o texto justificativo da inactivação escrito por uma das cinco autoras:

"Este site irá ser encerrado, um dos motivos é porque "estou a numa situação em que estou a conseguir abandonar o meu distúrbio alimentar. Ele deixou de fazer parte significativa da minha vida, como fazia quando criei este site. De uma certa forma, ler e escrever sobre doenças do comportamento alimentar prolongou o processo [de recuperação] porque me manteve presa ao assunto. Agora é tempo de ficar liberta. Não estou completamente recuperada, ou irei esquecer aquilo porque passei. Mas é algo que sinto cada vez mais como fazendo parte do meu passado, não do presente, e espero nem do futuro. É tempo de fazer outras coisas." [esta autora criou o blogue oh the profanity!]

Oct 4, 2009

>> Terapia pela fotografia I




"O uso da chamada terapia pela fotografia nos transtornos alimentares, particularmente no caso da anorexia onde existe uma disfunção da imagem corporal, surge como um "instrumento" adicional na construção/reconstrução da imagem corporal. [...]Podemos utilizar esta técnica de modo experimental.
Sabe-se que numa foto não temos apenas o aspecto visível, o que nos interessaria. Porque, desta forma, alguém que se "visse" como gorda, embora estivesse extremamente magra, ao se "ver" numa fotografia perceberia a sua magreza.
Porém um outro aspecto envolvido numa foto (imagem), são os aspectos invisíveis, as evocações e significados que a foto suscita na mente de cada observador.
Sendo que este observador mantém intacto o seu sentido de visão, mas não o da percepção. A maneira como ele se vai aperceber nesta foto, pode não ter nada a ver com o que ele vê. Se há sensação deficiente (ou distorcida) no sentido "invisível" da percepção, o que será experimentado então ao olhar uma foto, será profundamente estranho, o equivalente quase inexprimível a estar cego ou surdo.
Se o sentido de percepção estiver muito comprometido ( o que varia de pessoa para pessoa), o corpo torna-se, cego para si mesmo [...]
Por isso a terapia pela fotografia pode ser benéfica para alguns pacientes, enquanto que outros permanecerão "cegos", e por isso incapazes de "verem" o que um retrato é capaz de revelar. "
Texto de da psicóloga brasileira Valéria Lemos Palazzo (CRP 06/35173) recolhido (
aqui)
Desconhecemos se em Portugal esta terapia é usada e com que resultados. Aparentemente tem potencialidades. Abundante literatura técnica associada a este tipo de terapia pode ser encontrada também (aqui), incluindo teses académicas recentes e um trabalho do António Damásio.
Foto CC (aqui)

Oct 2, 2009

>> e onde não há? Um mapa muito incompleto

Distritos/Zonas onde parecem não existir Consultas de Comportamento Alimentar. (indicamos aqui algumas de que temos conhecimento) Escrevemos parecem porque ainda estamos a pesquizar na Internet. Nessas zonas, quem devem contactar os próprios, familares e amigos? (por ordem decrescente da população total) Setúbal, Aveiro, Santarém, Leiria, Faro, Viseu, Viana do Castelo, R.A. Madeira, R.A. Açores, Vila Real, Castelo Branco, Guarda, Évora, Beja, Bragança, Portalegre.

>> Magricelas? Comilonas ? ...ou?

O texto da faab destaca os efeitos e sintomas da anorexia nervosa e da bulimia nas jovens.
É baseado no livro:“Anorexia e Bulimia“Autor: "Katherine Byrne (pseudônimo) Tradução: Ana Sassetti da Mota
Adaptação e revisão técnica: Leonor Sassetti, médica pediatra, percussora de uma consulta para adolescentes no Hospital de Santa Maria (Lisboa), actual responsável pela consulta de adolescentes no Hospital Fernando da Fonseca (Amadora/Sintra).Prefácio: Isabel do Carmo, médica endocrinologista no Hospital de Santa Maria, onde coordena a consulta de doenças do comportamento alimentar.
"As doenças do comportamento alimentar tornaram-se doenças da moda. Mas a anorexia e bulimia são demasiado sérias para que se possam encarar com ligeireza. Quem mais precisa de ajuda são os jovens, quase sempre raparigas, mas a família também sofre e muito..." (texto continua aqui)
imagens: Leonardo Da Vinci e Fernando Botero.

Sep 29, 2009

>>Carrie Arnold : uma cientista em luta com a ana


Carrie Arnold, autora de diversos livros sobre distúrbios alimentares, travou/trava uma luta de vários anos contra a anorexia.O que a distingue de outros autores? Ela sabe do que fala por experiência própria, destaca com grande rigor as dúvidas científicas que ainda existem nesta área e não raras vezes contrapõe aos textos científicos de outros (artigos e livros académicos ou de divulgação, etc.) a sua própria experiência uma vezes confirmando outras pondo em causa. Possui um blogue que está nos nossos favoritos (ed-bites) . Iremos voltar às questões por ela levantadas mais vezes e em português.
Link para um
1 livro da Carrie Arnold e do Tomothy Walsh:

CARRIE ARNOLD definida por ela própria: "Escrevo sobre ciência, sou designer de joias, adoro livros, uma autêntica geek (viciada num assunto) e mãe de uma criança encantadora. Estou também a recuperar de uma batalha de 9 anos com a anorexia nervosa. Acredito que a recuperação completa é possível, e que o primeiro passo para o conseguir é uma alimentação completa"
AUTORES do livro Next to Nothing (capa acima):
Carrie Arnold possui o Mestrado em Public Health in Epidemiology. É activista em diferentes movimentos de divulgação e prevenção dos distúrbios alimentares. É também autora do livro Running on Empty (Um Diário da Anorexia e da Recuperação).
B. Timothy Walsh, MD, é professor de Pediatric Psychopharmacology no Department of Psychiatry do College of Physicians & Surgeons, Columbia University nos Estados Unidos. Walsh é também ex-presidente da Academy for Eating Disorders e actualmente, Editor Associado do International Journal of Eating Disorders,criador do Eating Disorders Research Unit, New York State Psychiatric Institute.

Sep 28, 2009

>> Crystal Renn - uma modelo


Crystal Renn, uma modelo que se debateu com a anorexia durante vários anos, decidiu passar a ser modelo de tamanhos acima do zero. Sente-se mais feliz e continua a ser modelo. “Quero ver todas as formas a vestir todos os tamanhos na passerelle” “O tamanho zero não pode ser a norma”No vídeo abaixo fala também do seu livro Hungry.


Sep 22, 2009

>> Chamada URGENTE (actualizada em 21 Fevereiro 2010)


LISBOA - Consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de Santa Maria - 217805000

A Associação de Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos tem actividades na região de Lisboa (+info)

COIMBRA - Consulta de Comportamento Alimentar dos Hospitais de Coimbra - 239402901

A Associação de Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos está a reactivar o Núcleo de Coimbra (+info)

PORTO - Consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de São João no Porto - 225512100 e Consulta de Pedo-Psiquiatria do Hospital de Crianças Maria Pia no Porto (funciona nas instalações do Magalhães Lemos) - 226089900

A Associação de Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos promove reuniões regulares em horário pós laboral no São João (+info)


BRAGA - Consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de S. Marcos em Braga - 253209000

A Associação de Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos possui um núcleo em Braga (+info)

AMADORA SINTRA- Consulta de Doenças do Comportamento Alimentar, Hospital Fernando da Fonseca. Tel geral do Hospital: 214348200

A Associação de Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos tem actividades na região de Lisboa (+info)


VISEU- Consulta de Doenças do Comportamento Alimentar, no Departamento de Psiquiatria do Hospital São Teotónio .Tel geral do Hospital: 232 420 500.

Existem ainda centos de saúde (19 no total) associados ao Instituto Português da Juventude (IPJ). Mais informação sobre esses centros e respectivos contactos podem ser encontradas AQUI.
Um telefonema que pode MUDAR tanta coisa para melhor...O atendimento é geralmente simpático e o tempo de espera até à consulta pode ser curto. Tenta! O que tens a perder? Podes obter muitas informações mesmo antes de te perguntarem o nome....


Procurarei recolher mais informação sobre os apoios e consultas especializadas no resto do país. Se tiverem essas informações enviem sff para esqueciaana@gmail.com


foto de julia fullerton-batten (
aqui)

Sep 20, 2009

>> Testemunho (em inglês)



O testemunho pode ser lido (aqui) na página da organização norte americana NEDA .

>> reunião AFAAB


>> Associação dos Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos

"Os Objectivos Principais da Associação são: 1- Promover os direitos dos doentes com distúrbios do comportamento alimentar, exigindo, designadamente, melhores condições de tratamento e de internamento hospitalar.
2- Apoiar esses doentes e as suas famílias.
3- Divulgar os sintomas, as formas de prevenção e os meios de tratamento da doença junto da população em geral e, em particular, junto dos adolescentes, visto serem eles as suas principais vítimas.
4- Promover, em colaboração com a Sociedade Médica e Científica o estudo e a investigação da doença e da sua terapia.
Como atingir estes objectivos ? (saber mais aqui )
"A AFAAB - Associação dos Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos - foi constituida e legalizada a 19 de Maio de 1998, através de escritura pública celebrada no 15º Cartório Notarial de Lisboa, como Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos e de âmbito nacional."
Página da Associação (aqui)
Contactos: 22 938 56 44 (2ª,4ª e 6ª feira das 15H às 18H); 91 492 99 28 (Todos os dias); 22 200 00 42;
afaab@sapo.pt

>> tive notícias da Valentina (venceu a ana)

Encontrei uma amiga da Valentina e fiquei a saber que esqueceu a ana. Desenvolve uma carreira académica brilhante no Reino Unido. A anorexia deixou-lhe danos na saúde física mas está a ultrapassá-los. Apercebi-me que a ana a tinha presa quando a reencontrei uns meses depois de ela se ter licenciado brilhantemente. Estava uma sombra da jovem sorridente, curiosa e entusiasta que eu conhecera. Convidei-a para almoçar e aceitou timidamente. Queria eu então falar-lhe da minha experiência e de como a tinha ultrapassado. Pensava eu que poderia ajudar. Mas não fui capaz de falar com ela sobre esse assunto. Faltou-me a coragem. Se cada uma de nós que esqueceu a ana fosse capaz de conversar abertamente com os outros sobre isso seria uma boa luta. Não acham? (Hoje eu já teria coragem de conversar com a Valentina e de lhe dizer tudo o que calei durante aquele almoço há anos...)

Sep 15, 2009

>> mais que um núm3r0...

É tempo de recomeçar as aulas de reencontrar amigos e conhecer outros. É tempo de novidades e mudanças. Um estudante não é um número.


Sep 14, 2009

>> "Nunca me faltou nada..." Testemunho de Joana L.


Transcrevo abaixo parcialmente o testemunho de Joana L que relata agora com 19 anos (e sentindo-se bem melhor) um processo de anorexia que começou há 5 anos. Cada caso é um caso. Este relato impressiona -me pela descrição da coragem necessária para começar e continuar o tratamento. O testemunho não tem data. Gostaria de saber como está a Joana L. Acredito que também ela já esqueceu a ana.[os bolds são meus] Ler todo o testemunho da Joana aqui

Joana L. - Lisboa - 19 ANOS :
"Continuo sem saber como aconteceu. Um dia acordei e tinha em mim uma nova pessoa, uma força que me controlava até ao mais ínfimo desejo. Agora, mais afastada de todo aquele mundo de rituais, regras e prisões, consigo, ainda com alguma dificuldade, determinar um possível início da anorexia sem o situar precisamente.
Tinha 14 anos, frequentava o 9º ano e era-me impossível compreender o não se gostar do próprio corpo. Nunca me faltou nada: uma família sempre disponível, pais liberais, ballet, idas ao campo durante o fim-de-semana, enfim, não havia razão de queixa. Mas lá bem no fundo falhava qualquer coisa. Iniciei uma luta cega e depurei-me num combate contra mim mesma.
Perdi peso. E quanto mais quilos perdia mais vontade tinha de continuar. Estava agora no 10º ano e não tinha condições para frequentar o 3º período. Vegetava na cama. Corri vários médicos e nenhum deles quis ver o que eu também não lhes queria mostrar. [...]

[...]
Foi então que por segundos tive lucidez suficiente para pedir ajuda: falei com uma professora. Nem sequer a conhecia bem mas achei que era com ela que conseguia falar. Levou-me de imediato ao NDCA no Hospital de Sta. Maria. Durante o tratamento vivi períodos terríveis e outros melhores. As vésperas e os dias de consultas eram um pesadelo.
[...]
Mas o pior de tudo é confrontar-me com o Serviço de Medicina Interna, onde decorrem as consultas. Assim que vejo o hospital tenho vontade de fugir mas consigo enfrentar a fera. Depois de passar os portões demoro uma infinidade de tempo até entrar no edifício, é uma autêntica maratona , são quilómetros de medo.
[...]
Cheguei ao corredor decisivo. Ainda tenho que andar muito... Examino tudo e todos de alto a baixo. Os bancos de madeira insistem em ser decoração e ainda por cima atrapalham. É um corredor difícil de atravessar. Avanço sem sentir os passos. Nas paredes embrulham-se janelas que mostram um pátio interior gigante em obras. É assim que me sinto, como o pátio. Nunca lá estive, não o conheço mas tenho a sensação de já lá ter estado. É como se fosse feita de quatro paredes hercúleas, repleta de pequenas janelas e cada janela guardasse sorrisos, alegrias, tristezas, músicas, palavras, pessoas, recordações. Alguma coisa me chamou a atenção e não sei o que é. Já consegui atravessar metade do corredor.
[...]
Tenho 19 anos e sinto-me bem melhor. Tenho encontrado coisas novas. Só preciso de continuar a lutar."

Ler todo o testemunho
aqui

Sep 13, 2009

>> Anorexia em Portugal (notícia DN)

Hoje no DN duas notícias sobre Anorexia em Portugal:
"Anorexia depois dos 40 está a aumentar" por Ana Bela Ferreira
ler
aqui
"A terapia e o controlo 'online' para vencer barreiras físicas"
ler
aqui

Sep 12, 2009

>> DIZER COM O CORPO ...


há quem morra tentando dizer com o corpo coisas que ninguém foi capaz de escutar...

Sep 11, 2009

>> Questionário (como me sinto ...)

Está disponível on-line um questionário (em inglês) que inclui diversas perguntas de auto-avaliação em relação a possíveis situações de distúrbios alimentares. O preenchimento é muito fácil (apenas um clique para uma das 3 alternativas: sim, não ou talvez)e não necessita de nenhuma inscrição ou registo.A avaliação das nossas respostas é imediata.Peço desculpa mas não encontrei nenhuma versão em português. Se a conhecerem digam. O questionário está aqui.
foto cc (aqui)

Sep 5, 2009

>> uma chamada muito importante...


LISBOA - Consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de Santa Maria - 217805000COIMBRA - Consulta de Comportamento Alimentar dos Hospitais de Coimbra - 239402901PORTO - Consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de São João no Porto - 225512100
e
Consulta de Pedo-Psiquiatria do Hospital de Crianças Maria Pia no Porto - 226089900
BRAGA - Consulta de Comportamento Alimentar do Hospital de S. Marcos em Braga - 253209000
AMADORA SINTRA- Consulta de Doenças do Comportamento Alimentar, Hospital Fernando da Fonseca
VISEU-Consulta de Doenças do Comportamento Alimentar, no Departamento de Psiquiatria do Hospital São Teotónio .
Um telefonema que pode MUDAR tanta coisa para melhor...O atendimento é simpático e o tempo de espera até à consulta é geralmente curto. Tenta! O que tens a perder? Podes obter muitas informações mesmo antes de te perguntarem o nome....
Procurarei recolher informação sobre os apoios e consultas especializadas no resto do país. Se tiverem essas informações enviem sff para
esqueciaana@gmail.com
(foto CC
aqui)

>> Informação para jovens (em inglês)




Neste site inglês construído para apoio a doentes e famílias há muita informação para jovens. Por exemplo O VERÃO e OS DISTÚRBIOS ALIMENTARES. Saber mais aqui

Sep 4, 2009

>> Informação precisa-se...

Na página do Portal de Juventude (aqui) é anunciado que:
Esta página disponibiliza-te informação sobre a prevenção dos comportamentos alimentares"
FALSO anúncio. A informação é limitada e incorrecta em alguns aspectos. Onde está a prevenção ? Li e reli os curtos textos e não a encontrei.
Por contraste de conteúdo veja-se o site da associação do Reino Unido, beat .
No entanto, foi nesse site que encontrei os contactos telefónicos para marcação de consultas associadas a comportamento alimentar em Portugal, noutro post.

Jul 16, 2009

Mudar


Férias! Bom tempo para mudanças e planos e ...mudanças de planos!

E para esquecer a ana!
A ana detesta o imprevisto, a aventura e a descoberta que todas as férias trazem...
Foto CC (aqui)

Jul 9, 2009

e se as modelo de Monet, Boucher e Ingres fossem...

A Galeria Nacional de Londres alberga actuamente uma exposição organizada pela agência publicitária Ogilvy de Frankfurt bastante curiosa:
em quadros famosos as imagens das mulheres foram manipuladas digitalmente para chamar a atenção para a anorexia.
A ideia e encomenda foi da National Association of Anorexia Nervosa and Associated Disorders (ANAD) e parece ter produzido resultados com o aumento de visitas ao site.
E por cá...alguém quer aplicar a boa ideia?

Jun 21, 2009

Directora da Vogue britânica sobre tamanho ZERO




Vogue ataca criadores de roupas "minúsculas"
notícia de Joana Amaral Cardoso no jornal Público
(à esq. fotografias da última capa da VOGUE portuguesa e fotografia da Alexanda Shulman)
Nesta história, só a culpa não tem tamanho. A polémica do "tamanho zero" e da magreza excessiva foi reacendida pela directora da Vogue UK a Ela é um dos pesos-pesados da moda. E decidiu enviar uma carta a dezenas de criadores e designers de moda europeus e americanos a queixar-se de uma questão de leveza: eles enviam-lhe roupas "minúsculas" para as produções da sua revista - a Vogue - e isso obriga-a a contratar modelos irrealmente magras. A carta de Alexandra Shulman, directora da Vogue britânica [desde 1992], já fez o seu papel: relançou o debate sobre o chamado "tamanho zero".
Alexandra Shulman pesou bem as suas palavras na carta enviada no final de Maio e que não se destinava ao conhecimento dos media, mas que foi revelada sábado pelo Times. "
Chegámos ao ponto em que muitos dos tamanhos das peças de mostruário não servem às modelos-estrela, já estabelecidas [no mercado], de forma confortável", lê-se na carta enviada às casas - Prada, Versace, Yves Saint Laurent, Balenciaga - e aos criadores - Karl Lagerfeld, John Galliano, Stella McCartney, Alexander McQueen - mais conceituados do mundo.
Shulman, juntamente com as directoras das Vogue de Nova Iorque, Paris e Milão, é considerada uma das vozes mais influentes na indústria. Mais de dois anos depois de ter eclodido a discussão sobre o peso dos manequins e modelos nas passerelles, na sequência da morte de duas modelos sul-americanas por subnutrição e da proibição de modelos demasiado magras (o tal "tamanho zero" na tabela americana, que corresponderia a um tamanho 30 na tabela europeia) nas passerelles de Madrid, Nova Iorque e Milão, agora o dedo é apontado aos criadores de moda. Até aqui, o peso da questão estava sobre os manequins.
De acordo com Shulman, as roupas tornaram-se "substancialmente mais pequenas", obrigando revistas como a sua a contratar manequins com "ossos salientes e sem peito ou ancas". Alexandra Shulman diz que já se viu obrigada a "retocar" fotografias para tornar as modelos mais cheias e afirma ter decidido apelar aos designers porque "o feedback dos leitores e a sensação geral no Reino Unido é de que as pessoas não querem ver raparigas tão magras". Ontem, os jornais britânicos espelhavam o apoio à directora da Vogue: a associação que combate os distúrbios alimentares
Beat acha "muito encorajador ver a Vogue a tomar uma posição destas"; a ex-modelo e actual vice-directora da Semana de Moda de Londres Erin O'Connor considerou a carta "um grande avanço"; a editora de moda do Telegraph, Hillary Alexander, apoia "totalmente" a iniciativa, que já vem tarde e que deve ter o apoio das outras revistas.
A moda é um negócio
Em revistas como a Vogue, com meses de preparação a anteceder cada produção de moda, as roupas-amostra são recebidas cerca de seis meses antes de chegarem às lojas, sendo exemplares quase únicos e em torno dos quais se tem mesmo que trabalhar. Paulo Gomes, produtor de moda, explicou ao P2 que a questão da diminuição dos tamanhos - "nos últimos anos, mesmo em Portugal, já há alguns criadores que usam o tamanho 34" para as suas peças de amostra - pode dever-se a uma deformação recente do mercado:
já antes da crise global, as grandes casas passaram a fazer apenas uma colecção de sample que viaja pelo mundo, quando antes havia pelo menos uma para cada continente.
E como a moda "é um negócio, não tem a ver com anorexias nem nada disso", atenta Paulo Gomes, e dado que na Ásia (um dos mercados mais ricos) os tamanhos são de facto mais pequenos, isso pode explicar o domínio do 34. Na sua experiência, recorda casos em que já lhe chegaram peças, sobretudo casacos mais estruturados, em que os braços e cavas eram estreitos ao ponto de não permitirem braços de modelos mais cheios.
Mas, em termos de bastidores, o produtor de moda português ficou espantado com o teor da carta de Shulman, nesta que é a primeira vez em que uma revista de moda enfrenta os criadores quanto aos tamanhos das roupas. "Parece-me estranho. Se fosse outra revista, como a Marie Claire...", exemplifica. "Mas as directoras da Vogue de Nova Iorque, Paris, Milão têm sempre uma palavra a dizer [sobre as peças] antes da própria apresentação ao público", gozando de um acesso privilegiado aos grandes criadores. Pelo que a selecção das peças para produções de moda sempre lhe pareceu que "pressupõe uma cumplicidade, um consenso".
Os criadores visados pela carta ainda não reagiram publicamente, mas outros designers chamam a atenção para o que consideram ser "o ciclo vicioso" da moda e das suas imagens de magreza/beleza. Dino Alves, criador português, não concorda com as culpas atribuídas por Shulman aos designers. "Os tamanhos que fazemos como protótipos, para os desfiles, são 36, o que me parece ser absolutamente razoável", explica ao P2. São roupas para modelos, assim chamados por alguma razão, aponta: "São modelos estéticos, de beleza". E sim, "há peças que indiscutivelmente assentam melhor em corpos mais magros", admite. Para ele, nem modelos nem criadores são únicos responsáveis pela associação da moda à anorexia e outros distúrbios alimentares: o criador português defende que "se deveria reforçar o acompanhamento e a atenção que a família dá".
O debate está novamente lançado, com o ónus sobre os criadores. Mas nas palavras da supermodelo e empresária Heidi Klum (que veste o 36/38), na moda, num dia está-se in e no outro está-se out. No fim de 2006, Flor, uma das mais requisitadas modelos portuguesas, dizia ao PÚBLICO: "Os manequins são magros, é assim, é o que os estilistas querem, o que as revistas querem, é o padrão de beleza". Ontem, o designer italiano Kinder Aggugini, que trabalhou com John Galliano e Calvin Klein, dizia ao Guardian que "se amanhã todas as revistas, agências de modelos e stylists usassem raparigas maiores, então os criadores também o fariam". Ou seja, como um belo chapéu (ou carapuça), a tendência "tamanho zero" tem culpas que servem a quase todos - modelos, agências, criadores, editores de moda e até celebridades.

Jun 6, 2009

Come Chocolates...(Álvaro Campos)

(Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Álvaro Campos, poema Tabacaria

May 23, 2009

passear no campo


os campos agora estão lindos, sabe bem passear neles sem destino. Citando Agustina Bessa Luis de memória:
nem sempre andar à deriva é andar perdido
(fotografia de Fátima Silva em 1000 imagens)

May 21, 2009

anjos - demónios

Eu tinha muitas vezes a imagem de estar num abismo e chegar um anjo por trás de mim segurar-me de leve e eu não cair . Ou então estar numa cova muito funda em que olhava para cima via luz, por mais que pedisse ajuda (e não conseguia gritar) não me ouviam e havia alguém que espreitava lá no alto contra a luz e chamava e enviava uma espécie de corda. Mas não tenho a certeza de ser uma corda forte era mais um fio ou parecido. O anjo salvador pode ser gente(s) ou coisa(s). Ajudam. Ajudam-nos ...se os deixarmos ajudar-nos.


imagem G. Klimt (1916)