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Aug 24, 2010

..."Eu era uma mãe em luta; agora sou uma mãe em luto..." (Ana Granja)



Acima video "Fragmentos de um percurso interrompido" (Ana Granja). O livro de Ana Granja, "Sem ti, Inês" expõe os sentimentos de uma mãe em luta contra a doença da filha (anorexia nervosa) e em luto (após o falecimento com 16 anos). É um livro corajoso e bem escrito. Gostaria muito que a minha mãe o tivesse lido quando eu estive doente. Teria certamento ajudado a um melhor entendimento da complexidade da doença. Porque não basta a informação científica.
Existem "falsas ideias e preconceitos que a maior parte das pessoas alimenta acerca desses males. Temos então de aprender a lidar com a ignorância e a incompreensão daqueles para quem a anorexia é um capricho, uma doença da moda que só atinge os fracos...Um alerta, que é também um testemunho carregado de emoção: o sofrimento de um adolescente anoréctico é real, profundo e genuíno!!! Sendo a fuga à dor e ao sofrimento uma motivação básica no ser humano, a anorexia não pode resultar de uma escolha voluntária, racional e consciente. E daí [...]" Ana Granja in "Sem ti, Inês", p.12.
"Nos primeiros tempos da doença, movida mais pela emoção do que pela razão, fiz tudo errado! Em conversa com outras mães percebi que é comum que assim seja. Ver a minha filha comer menos a cada dia que passava, perder peso a um ritmo assustador, apelou ao mais profundo instinto maternal: necessidade de (super) proteger, vigiar, controlar, pressionar, exigir. Assim, [...] Ana Granja in "Sem ti, Inês", p. 17
"As consequências da subnutrição notam-se na mente e no corpo a cada dia que passa. Para além dos efeitos só perceptíveis através de exames especializados, é notório que se tornam mais lentos e apáticos, têm dificuldade em adormecer e acordam muito cedo, a pele torna-se seca e enrugada, a temperatura do corpo baixa considerávelmente, o que os torna mais sensíveis ao frio, e o cabelo cai a um ritmo assustador. Só eu sei o que me custava secar o cabelo à minha filha e perceber que o seu cabelo forte e bonito era agora uma mera recordação." Ana Granja, in "Sem ti, Inês", p.23
"Infelizmente, perdi a luta contra uma doença devastadora que ameaça tornar-se uma epidemia do século. Quando me lembro de que a anorexia afecta cerca de um por cento dos jovens e que, desses, morrem cerca de 20 por cento (na perspectiva mais pessimista), não posso deixar de pensar que a minha filha foi sorteada duplamente numa lotaria fatal" Ana Granja in "Sem ti, Inês"
"Se algum dia a minha mãe soubesse o quanto sofro ao vê-la assim, sabendo que é por minha causa...Não gosto de ver as pessoas que mais amo sofrerem por mim. Gostava de poder dizer: não se preocupem, eu estou bem, mas eu sei que não estou. É tão difícil não me sentir capaz de cuidar de mim, sabendo que estou doente!" Inês Granja da Silva (1992-2008) , in "Sem ti, Inês" de Ana Granja.

Aug 23, 2010

..."Sem Ti, Inês" (livro de Ana Granja)

Tinhamos chamado a atenção neste blogue em Novembro de 2009 para o testemunho de Ana Granja (aqui) publicado originalmente na página da AFAAB. Ficámos a saber h hoje da publicação do livro abaixo referido que iremos ler.
Notícia publicada no diário digital (aqui): O lançamento do livro «Sem ti, Inês», de Ana Granja, editado pela Caderno, realizou-se no passado dia 18 de Março, nos Serões da Bonjóia, Porto.
«Sem ti, Inês», de Ana Granja

«Da Inês restam hoje as memórias, que a passagem dos dias cruelmente apaga e transforma. Restam também imagens, e é nelas que fixamos o olhar: um rosto fotografado em contraluz, a preto e branco, um Sol desmaiado a espreitar ao fundo.
A Inês da imagem é uma adolescente, sorriso meigo, olhos tristes. Não chegará a completar 16 anos. Em seis meses apenas – desde o dia em que lhe diagnosticam a anorexia até ao dia da sua morte – desaparece aquele sorriso. No seu lugar fica o vazio, uma família em luto, um pai, uma irmã e a mãe, Ana, a tentar reconstruir o puzzle do resto da sua vida, um puzzle onde agora faltam peças, onde há peças novas que teimam em não encaixar.
«Sem ti, Inês» é o diário de uma mãe em luto. É a narrativa real de uma mãe a agarrar-se à escrita, à Filosofia, a poemas e canções, a tudo o que foi escrito e dito e feito, a qualquer coisa que a ajude a enfrentar a dor, a sobreviver à mágoa de ser, hoje e sempre, Mãe de uma filha que já morreu»

Aug 19, 2010

..."Brave Girl Eating" (livro sobre a luta de uma família com/contra a anorexia)


O livro Brave Girl Eating, sobre a luta de uma família contra a anorexia vai ser publicado no próximo dia 24 nos Estados Unidos. Da página da autora Harriet Brown transcrevo a breve apresentação:

"Esta é a história de como a minha filha mais velha Kitty se tornou anoréctica e quase morreu, e como o meu marido, a minha filha mais nova e eu a ajudámos na cura.  Esta história não é sobre uma família disfuncional, o abuso sexual ou uma pobre menina rica sedenta de atenção. Não é uma estória para alertar para os modelos esqueléticos do mundo da moda e para os media.  É uma história sobre uma adolescente comum que caiu no buraco da anorexia - por acidente, como sempre acontece - e sobre a sua escalada para a saúde e a esperança, escalada lenta, penosa, extraordinariamente corajosa, momento a momento, passo a passo, um pouco de cada vez"  (Harriet Brown )

O programa Good Morning America desmarcou uma entrevista que já tinha agendada com a autora depois desta se recusar a que fossem exibidas fotografias da filha quando doente. Uma discussão sobre este tipo de comportamento por parte dos meios de comunicação norte americanos pode ser lida aqui. A anorexia é uma doença mental, os meios de comunicação em geral exploram as imagens chocantes da magreza. Mas a magreza é apenas um sintoma.
Alguns comentários ao livro Brave Girl Eating na página da Amazon (aqui)

Jun 28, 2010

... "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos..." (Saint-Exupéry)


Antoine Saint-Exupéry é principalmente conhecido por ser o autor do livro O Princepezinho.
Nasceu em Lyon a 29 de Junho de 1900. Foi escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial.
Nesta efeméride vale a pena recordar um pequeno texto que gostamos de revisitar. E sempre com alguma emoção.


"... Julgava-me muito rico por ter uma flor única no mundo e, afinal só tenho uma rosa vulgar...
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o princepezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
Andas á procura de galinhas? (diz a raposa)
Não... Ando á procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
(raposa) Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
- conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O princepezinho lá foi... - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês... - não se pode morrer por vocês...
... A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntar, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei... Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples:
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa..."
 
Fonte original do texto O pricepezinho. Texto copiado do blogue Cópia Exacta (aqui).
Os destaques são de esqueciaana.

Jun 22, 2010

...Tratamento da Anorexia nervosa pelo método Maudsley

Uma recente notícia publicada pelo Chicago Tribune sobre o Método Maudsley que envolve uma participação elevada da família no processo de tratamento e recuperação da Anorexia Nervosa. A evidência científica dos resultados é ainda insuficiente. Desconhecemos se em Portugal este método é aplicado e com que resultados.
Para ler a notícia em inglês publicada há dois dias (aqui)
Para saber mais sobre este método ainda pouco divulgado/aplicado ver por exemplo (informação em inglês e castelhano):
Maudsley Parents: Informação sobre doenças do comportamento alimentar e tratamento baseado na família. Inclui lista de terapeutas e centros de tratemnto. Mais em : maudsleyparents.org (informação em castelhano mais abaixo)
•F.E.A.S.T.: Families Empowered and Supporting Treatment of Eating Disorders é um grupo de apoio para os pais e cuidadores. Desenvolve um forum chamado "Around the Dinner Table"[à volta da mesa ]. Mais em: feast-ed.org
The University of Chicago Eating Disorder Program: Este programa universitário é dirigido pelo pioneiro do método Maudsley, Daniel Le Grange, o programa da Universidade de Chicago é um dos poucos sites em Illinous que utiliza o tratamento assente na família para a anorexia e bulimia.  Mais informação em:  eatingdisorders.uchicago.edu
The Training Institute for Child and Adolescent Eating Disorders: Treina e certifica terapeutas no âmbito das terapias assentes na família. A página possui informação sobre formação/workshops para clínicos e um lista actualizada de terapeutas neste tipo de terapias. Mais em: train2treat4ed.com
LIVROS dois livros sobre as terapias assentes na família, "Help Your Teenager Beat an Eating Disorder" by James Lock and Daniel Le Grange ( o pioneiro da terapia, CV aqui) e  "Eating With Your Anorexic" de  Laura Collins (blogue da autora aqui).


Em castelhano, informação da própria organização que promove o método:

http://www.maudsleyparents.org/informaciónenespañol.html

Foto flickr CC (aqui)

Jun 5, 2010

... Anorexia e Bulimia : tratamento (in)voluntário? -I

O texto que abaixo transcrevo pode ser polémico, mas levanta uma questão (comparando dois tipos de doenças mentais) a meu ver muito importante: deve deixar-se exclusivamente à vontade do doente (com Anorexia Nervosa) a decisão de se tratar? Esta questão é ainda mais importante quando o doente é maior de idade. Qual a responsabilidade da sociedade? Levanta questões delicadas de liberdade individual. Lembrando um dito popular português "O doente não tem querer". A minha opinião é que em cada caso deveria ser vista a situação e benefícios de 'tratamento forçado'. Num artigo de Maio de 2009 publicado no International Journal of Eating Disorders IJED), Lopez, Yager, e Feinstein no artigo Medical Futility and Psychiatry: Palliative Care and Hospice Care as a Last Resort in the Treatment of Refractory Anorexia Nervosa, IJED, Volume 43 Issue 4, p. 372 - 377 , descrevem o caso de uma doente com anorexia que depois de muitos anos de doença faleceu. Na opinião de Sarah Ravin, psicóloga norte americana, que possui um blogue (aqui) o caso relatado nesse artigo discute como os serviços de saúde nos Estados Unidos os profissionais , a sociedade e as famílias ainda lidam de forma inadequada com a doença. O texto original em inglês pode ser lido aqui. Segue uma tradução parcial:

"O que há de errado com este caso? [ o caso relatado no artigo acima] A morte prematura de um jovem é sempre uma tragédia. Mas quando um jovem morre de uma doença tratável, é ainda pior. [...] Imagine, agora, que em vez de Anorexia Nervosa (AN) a doente sofria de Atraso Mental grave (AM) . A um paciente com a AM, não seria permitido envolver-se em comportamentos auto-agressivos. Se o doente não conseguisse comer sózinho, a família , uma enfermeira ou alguém que dele cuidasse iria preparar as refeições e alimentá-la à colher. Se o doente se envolvesse em em actividades físicas repetitivas que colocassem em perigo a sua saúde, o doente seria impedido para sua segurança. Se a família não fosse capaz de cuidar de um doente com AM, seria colocado num centro de tratamento ou similar. O custo desses serviços, mesmo nos Estados Unidos, seria subsidiado pelo governo. Permitir que uma pessoa com AM passasse fome seria considerado cruel e desumano. Mas para uma pessoa com Anorexia Nervosa (AN) já estaria bem?
Em certa medida é irónico pois ambas as doenças [Atraso Mental Grave (AM) e Anorexia nervosa (AN)] são doenças mentais de base biológica que resultam numa incapacidade para satisfazer as necessidades básicas do corpo. AM é, por definição, uma doença para toda a vida, incurável, que provoca efeitos muito negativos no comportamento.

A Anorexia Nervosa (AN) é no entanto tratável, e muitas pessoas ficam completamente curadas. Ao contrário da maioria das pessoas com AM, as pessoas com AN são pessoas com uma capacidade para formar relacionamentos íntimos, alcançar níveis académicos elevados, ter carreiras de relevo, independentemente da função, e dar enormes contibutos para a sociedade.
A sociedade tem contribuido muito para a melhoria do bem estar dos doentes com AM. Temos a ética médica, orientações jurídicas e programas de governo para proteger esses doentes e garantir que suas necessidades sejam satisfeitas. (...) são oferecidos apoios durante o tempo que precisam, em geral durante toda a vida. Mas para alguém com AN o tratamento pode terminar quando o seguro (de saúde) acaba, ou quando os pais ou a equipa de tratamento ficam fartos. Ou quando um juiz decide que o tratamento ainda não deve ser iniciado.

Note-se, não nos estamos a referir às pessoas com AN como sendo "mais interessante" do que pessoas com AM e, portanto, "mais merecedores" de recursos. Muito pelo contrário. Acreditamos que todos os seres humanos, independentemente da doença física ou mental, deficiência, raça, sexo, religião ou orientação sexual, merecem a preços acessíveis, serviços de saúde eficazes ao longo da sua vida. Porque é que temos falhado no tratamento de pessoas com AN mas temos cuidado bem de pessoas com AM? Porque a maioria das pessoas na sociedade, e muitas na minha própria profissão [psicóloga], acreditam que a anorexia nervosa é uma escolha.
Ninguém, nem mesmo uma criança, acredita que as pessoas escolhem um Atraso Mental. Então, porque é que muitos profissionais acreditam que o tratamento dos pacientes com Anorexia nervosa devem ser motivados para se recuperar, iniciar o tratamento de boa vontade, e gerir os seus sintomas por conta própria? Ninguém espera em relação a pessoas com AM tornarem-se motivadas a recuperar, o que fazem é fornecer-lhes os serviços, e ninguém espera que eles (os doentes com Atraso Mental) façam a gestão dos seus problemas sozinhos. Porque é que o nosso sistema legal [ Estados Unidos] considera que um adulto com um IMC de 10, que corre 15 milhas por dia e não pode alimentar-se é competente para tomar as suas decisões de saúde? Convenhamos...podemos fazer muito melhor do que isso. " Sarah Ravin (psicóloga)

Jun 3, 2010

..."Imagem corporal e comportamentos de risco para transtornos alimentares em bailarinos profissionais"(investigação)

O artigo que a seguir se apresenta o resumo pode ser lido na integra na base Scielo (aqui)

Revista Brasileira de Medicina do Esporte ,vol.16 no.2 Niterói mar./abr. 2010
Imagem corporal e comportamentos de risco para transtornos alimentares em bailarinos profissionais /Body image and risk behavior for eating disorders in professional ballet dancers
Lena Guimarães Ribeiro; Gloria Valeria da Veiga
Instituto de Nutrição Josué de Castro - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ
RESUMO
INTRODUÇÃO E OBJETIVO: A grande preocupação com a aparência e a forma física e a constante pressão para manterem baixo peso corporal são fatores que levam a distorções da imagem corporal e tornam os bailarinos um grupo de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares (TA). O objetivo deste estudo foi avaliar a percepção da imagem corporal e sua associação com comportamentos de risco para TA em bailarinos profissionais.
MÉTODOS: Foram estudados 61 bailarinos (39 mulheres e 22 homens) de uma instituição representante da elite do balé clássico brasileiro. A avaliação dos comportamentos de risco para TA foi feita com base nas versões em português dos questionários
Eating Attitudes Test (EAT-26) e Bulimic Investigatory Test Edinburgh (BITE). A Escala de Silhuetas de Stunkard foi utilizada para avaliação da percepção da imagem corporal. A associação entre as variáveis foi avaliada com base na razão de prevalência (RP) e seus respectivos intervalos de confiança (IC) de 95%.
RESULTADOS: Trinta e um bailarinos (50,8%) gostariam de ter a silhueta menor que a autopercebida como usual. A presença de comportamentos de risco para TA foi 2,71 vezes maior (IC 95% = 1,02 - 7,18) entre os que desejavam ter silhueta menor que a usual e 2,64 vezes maior (IC 95% = 1,20 - 5,80) entre aqueles que desejavam ter silhueta menor que a considerada mais saudável, quando comparados com os que estavam satisfeitos com a sua silhueta. CONCLUSÃO: A alta frequência de insatisfação com o corpo encontrada pode estar colaborando para ocorrência de comportamentos de risco para TA nos bailarinos investigados.
Palavras-chave: dança, anorexia nervosa, bulimia nervosa.
fotografia flickr CC (aqui)

Mar 1, 2010

>> Comunicar com a mãe e com o pai ( 67 873 jovens, 41 países)





click nos mapas para ampliar

Já em anterior post tinhamos feito referência a este estudo a propósito da prática de dietas pelos jovens entre os 11 e os 15 anos (aqui). No mesmo relatório relatório da organização Mundial de Saúde (OMS-WHO), que se baseia em inquéritos efectuados a 67873 jovens de 41 países, são também efectuadas questões em relação à comunicação com o pai e com a mãe. Apresentamos os 4 mapas referentes aos resultados para os jovens de 15 anos (rapazes e raparigas) os dois primeiros em relação à mãe e os dois últimos em relação ao pai. No relatório pode ler-se : " A comunicação entre pais e filhos é um dos dos elementos básicos da família enquanto contexto de desenvolvimento e é também um elemento de protecção na adolescência [1]. Tem especial relevância o papel dos pais no desenvolvimento das competências de comunicação dos filhos, nas atitudes e nos comportamentos. Uma comunicação fácil com os pais é considerado um indicador quer de um apoio social e da coesão familiar, sendo os pais uma base importante de apoio durante o período da adolescência [2]. A importância da relação positiva com os pais tem sido bem documentada, em particular em relação à redução dos níveis de comportamento de delinquência [3,4]; comportamentos não saudáveis/de risco[5]; depressão [6]; sintomas psicosomáticos[7]. Em especial os adolescentes que registaram uma comunicação fácil com as mães possuem maior probabilidade se referirem uma saúde boa ou excelente e menor probabilidade de serem fumadores [8,9] consumidores frequentes de álcool[9,10] ou activos sexualmente [5]. { nota de esqueciaana: os jovens estudados possuem idades entre os 11 e os 15 anos apenas}.
Referências
1. Rodrigo MJ, Palacios J, eds. Familia y desarrollo humano [Family and human
development].Madrid, Alianza, 1998.
2. Laursen B. Con.ict and social interaction in adolescent relationships. Journal of
Research on Adolescence,1995, 5(1):55–70.
3. Youniss J, Yates M, Su Y. Social integration, community service and marijuana
use in high school seniors. Journal of Adolescent Research, 1997,
12(2):245–262.
4. Bogard L. Af.uent adolescents, depression and drug use: the role of adults in
their lives. Adolescence,2005, 40:281–306.
5. Resnick MD et al. Protecting adolescents from harm: .ndings from the National
Longitudinal Study on Adolescent Health. Journal of the American Medical
Association,1997, 278:823–832.
6. Young JF et al. The role of parent and peer support in predicting adolescent
depression: a longitudinal community study. Journal of Research on Adolescence,
2005, 15(4): 407–423.
7. Murberg TA, Bru E. School related stress and psychosomatic symptoms among
Norwegian adolescents. School Psychology International,2004, 25(3):317–322.
8. Andersen MR et al. Mothers’ attitudes and concerns about their children
smoking: do they in.uence kids? Preventive Medicine,2002, 34:198–206.
9. Zambon A et al. Socio-economic position and adolescents’ health in Italy: the role
of the quality of social relations. European Journal of Public Health, 2006,
16(6):627–632.
10.Del Carmen Granado Alcon M et al. Greenlandic family structure and
communication with parents: in.uence on schoolchildren’s drinking behaviour.
International Journal of Circumpolar Health,2002, 61:319–331.
AS PERGUNTAS: os jovens foram questionados sobre se era fácil falar com a mãe sobre os assuntos que os preocupavam. As opções de resposta extrema eram eram 'muito fácil' e 'muito difícil'. Os mapas mostram a percentagem no total que respondeu 'fácil' ou 'muito fácil'. Idêntica pergunta foi feita em relação ao pai.
Resultados do inquérito (ver mapas e posição relativa de Portugal). Em relação a falar com o pai sobre os assuntos que os preocupam existe uma clara diferença entre rapazes e raparigas e também diferença entre países.
Quanto a falar com a mãe também as diferenças entre os países é menor assim como a diferença entre filhos e filhas. O que existe de comum em todos os países é que decresce com a idade (nota: no mapa apenas estão representados os resultados para os 15 anos de idade).
De uma forma geral a influência da família (comunicação na família) parece ser maior nas raparigas que nos rapazes .
REFERENCES (adicionais)
1. Lewis C. Becoming a father.Milton Keynes, Open University Press, 1986.
2. DeKlyen M, Speltz ML, Greenberg MT. Fathering and early onset conduct
problems: positive and negative parenting, father-son attachment, and the
marital context. Clinical Child and Family Psychology Review,1998, 1:3–21.
3. Amato PR, Gilbreth JG. Non-resident fathers and children’s well-being: a meta
analysis. Journal of Marriage and the Family,1999, 61:557– 574.
4. Stewart A et al. Separating together: how divorce transforms families.New York,
NY, Guilford, 1997.
5. Dunn J. Children’s relationships with their non-resident fathers. Journal of Child
Psychology and Psychiatry,2004, 45:659–671.
6. Dias SF, Matos MG, Goncalves AC. Preventing HIV transmission in adolescents:
an analysis of the Portuguese data from the Health Behaviour in School-aged
Children study and focus groups. European Journal of Public Health, 2005,
15(3):200–204.
7. Del Carmen Granado Alcon M, Pedersen JM, Carrasco Gonzalez AM.
Greenlandic family structure and communication with parents: in.uence on
schoolchildren’s drinking behaviour. International Journal of Circumpolar Health,
2002, 61:319–331.
8. Amato PR. Father–child relations, mother–child relations and offspring
psychological well-being in early adulthood. Journal of Marriage and the Family,
1994 56:1031–1042.
9. Hwang CP, Lamb ME. Father involvement in Sweden: a longitudinal study of its
stability and correlates. International Journal of Behavioural Development,1997,
21:621–632.
10. Ackard DM et al. Parent-child connectedness and behavioural and emotional
health among adolescents. American Journal of Preventive Medicine, 2006,
30(1):59–66.
FONTE: Organização Mundial da Saúde - WHO World Health Organization. O inquérito em que se baseia o relatório foi levado a cabo por equipas de cada um dos países. Em Portugal foi uma equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa (FMH-UTL).INEQUALITIES IN YOUNG PEOPLE’S HEALTH HEALTH BEHAVIOUR IN SCHOOL-AGED CHILDRENINTERNATIONAL REPORT FROM THE 2005/2006 SURVEY (aqui na página da WHO-OMS) de HBSC INTERNATIONAL COORDINATING CENTRE, Child and Adolescent Health Research Unit (CAHRU); The Moray House School of Education; University of Edinburgh, http://www.education.ed.ac.uk/cahru

Feb 17, 2010

>> esqueciaana em análise? (Investigação sobre mensagens corporais)

Encontrámos um artigo (ver abaixo resumo e artigo completo (aqui) ou no arquivo digital do esqueciaana) sobre as mensagens corporais veiculadas pelos blogues femininos. O tema é muito interessante. Foram visitados 153 blogues e escolhidos 12. Nesses 12 está incluido o esqueciaana! Fiquei satisfeita quando li. Como é uma análise deste blogue vista de fora e em termos comparativos? No entanto, depois de ler todo o artigo e …embora sabendo que ninguém é bom juiz em causa própria discordamos de algumas análises nele efectuadas. A investigadora propõe-se continuar o estudo por isso para além da pública discordância a seguir manifestada iremos também contactá-la agradecendo a inclusão no grupo em análise mas também salientando algumas críticas em relação à respectiva caracterização do esqueciaana.

Escreve-se no artigo o seguinte sobre os 12 analisados (onde se inclui o esqueciaana):

“Os títulos dos blogs merecem ser destacados, nota-se claramente a intenção de doutrinar as mulheres quanto a ditadura da magreza, onde atingir para perfeição é necessário sofrer. Um doutrinamento bem aproximado aos dogmas religiosos, onde só merece alcançar o céu, a salvação divina, quem sofre, “pagando os pecados na terra” “ (...)
Lemos, relemos e discordamos em relação ao esqueciaana essa clara (ou obscura?) intenção não existe!…os outros 11 desconhecemos.

"Uma linguagem simples direta e persuasiva traz a solução como um milagre na busca por um corpo perfeito, quer seja com regimes alimentares, programas de atividades físicas e até mesmo dietas bem sugestivas" (…)
Lemos, relemos e discordamos em relação ao esqueciaana. Regimes alimentares? Programa de actividades físicas? Dietas? Onde? Em que post aqui?

Os blogs analisados (total 12) foram classificados em 3 categorias:
(1) diálogos compensatórios;
(2) proféticos corporais e
(3) questionadores e reflexivos.
Infelizmente, apesar de reconhecermos que essas categorias existem, não sabemos em que categoria teria sido integrado o esqueciaana. Vejamos as características apontadas para cada um deles:


(1’) "Os diálogos compensatórios são compostos por mensagens simples e coloquiais, fotos decorpos magros, ilustrações com motivos infantis – corações, flores, boquinhas sorridentes, cosméticos, bonequinhas alegres, entre outras e fundos com cores claras."

(2’) "Já o profético corporal tem uma linguagem imperativa e utilizada a conhecida formula publicitária: como problema e solução. Muitos são elaborados e alimentados por profissionais e técnicos da área de saúde, beleza e fins estéticos, com fins claramente mercadológicos."

(3’) "E o terceiro exemplo é blog questionador e reflexivo que com uma linguagem mais incisive procura dialogar como a (o) internauta , sobre os males corporais da sociedade moderna. Por se tratar de um conteúdo mais reflexivo suas imagens são mais simples, claras e calmas, com fotos de pessoas relaxadas, meditação e natureza, o fundo branco impera nas postagens visitadas."

Ah! Como eu gostava que o esqueciaana fosse um blogue atípico!
Pergunto aos LEITORES do esqueciaana: Acham que ele se enquadra em alguma das categorias acima?


O artigo:
O corpo construído na WEB 2.0: uma análise das mensagens corporais
veiculadas blog femininos no período de 2008 e 2009 (1)
Selma Peleias Felerico Garrini (2), PUC/ SP e ESPM/SP
Resumo
Este artigo é parte de um estudo sobre os textos e as representações do corpo veiculado em blogs femininos, no período de março 2008 a outubro de 2009 e que tem por objetivo descrever o conteúdo estrutural desses blogs e desvendar questões como: Que corpos são representados na WEB 2.0? Qual a linguagem utilizada nas redes sociais? Qual a imagem de corpo perfeito que as mulheres tem na sociedade atual? Nota-se que é utilizada uma linguagem coloquial e que aspectos psicológicos motivacionais são essenciais para gerar visitação e insentificar relacionamento na internet. Além disso há uma intenção clara em atender fins mercadológicos para o consumo de produtos e serviços que contribuam para a construção corporal do imaginário feminino.

Palavras-chave: corpo feminino; ditadura da magreza; beleza; blogs
1 Artigo científico apresentado ao eixo temático “Entretenimento, práticas socioculturais e subjetividade”, do III Simpósio Nacional da ABCiber.
2 Doutoranda e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.Coordenadora e Professora de Pós Graduação Latu Sensu da Área de Comunicação da ESPM/SP e Professora de Comunicação da FAAP/ FACOM/ SP

Feb 16, 2010

>> Experiências marcantes ( Psychology Today )

Todo o artigo (em inglês aqui). (...) As primeiras experiência marcam-nos. "A primeira vez que vimos o mar, o primeiro dia de aulas, o primeiro beijo, o nascimento do primeiro filho, etc.Essas primeiras experiências correspondem a emoções muito fortes que ficam gravadas na memória e são designadas pelos psicólogos de memórias "Flashbulb".(...)

Feb 12, 2010

>> Diagnóstico da Anorexia... discussão DSM ( versões)

O que é o DSM ? o DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) em português o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais actualmente em vigor é o [DSM-IV].No DSM e para a anorexia nervosa a informação existente pode ser consultada em português , aqui, (5 páginas) obtidas neste site). Na versão actualmente em discussão DSM-V participaram cerca de 6000 especialistas. Qualquer pessoa se pode inscrever no site e discutir, basta preencher um formulário muito simples (aqui).
-->com base na informação disponível nesse site fiz um quadro que pode ver e imprimir: QUADRO COMPARATIVO das duas versões (aqui no arquivo online do esqueciaana)
O DSM vai tendo ao longo do tempo várias versões em resultado dos avanços do conhecimento em relação às diferenças doenças. As alterações propostas estão sempre fundamentadas, como pode ser verificado no quadro referido. A versão do manual em vigor é a DSM-IV, estando desde esta semana em discussão a (DSM-V) [Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, ambas publicadas pela American Psychiatric Association]. As doenças do comportamento alimentar (Eating Disorders em inglês) correspondem a um dos tópicos em que existem propostas de modificações. A nova versão do manual só se prevê seja publicada daqui a uns anos. Para conhecer mais pode ver e imprimir um QUADRO COMPARATIVO em inglês com base nos textos originais (aqui no arquivo online do esqueciaana).

Feb 10, 2010

>> DMS V (versão proposta em discussão)

A nova versão (proposta) do DSM já está em discussão (aqui em inglês)
Iremos retomar esta questão em posterior post.

Feb 9, 2010

>> "2 maneiras de não sofrer..."( Italo Calvino)

Ler e reler o livro Cidades Invisíveis do escritor italiano Italo Calvino (editado em Portugal pela Teorema) é um prazer. Uma imaginação que nos remete para cidades fantásticas onde nos passeamos. Nele Marco Polo e o imperador Kublai Khan vão dialogando. Esta passagem é uma sábia recomendação...na difícil (será?) arte de viver:
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, em que co-existimos.
Existem 2 maneiras de não sofrer.
[1] A primeira é fácil para a maior parte das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte dele até ao ponto de deixar de reconhecê-lo.
[2] A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o quê, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo e abrir espaço."
(ITALO CALVINO As Cidades Invisíveis, 9)

Feb 7, 2010

>> Anorexia e análises do cérebro (investigação)

Tive conhecimento pelo blogue de Carrie Arnold ED-Bites (aqui) dos resultados de uma pesquisa divulgados agora pelo Psychiatric Times. Vol. 27 No. 2 (aqui), e publicada originalmente pela Nature Reviews Neuroscience [*]. O texto original pode ser consultado (aqui) no arquivo digital do esqueciaana. Esse artigo contribui para um melhor esclarecimento dos sintomas da anorexia nervosa (relacionados com os circuitos cerebrais) . É baseado na observação por novas técnicas de imagem do cérebro [sobre as técnicas para as curiosas/os ver aqui] de doentes com Anorexia de tipo restritivo (ou seja, perda de peso apenas por consumir menos alimentos) . Conforme diz Carrie Arnold no seu blogue, o artigo não é simples - a revista destina-se a psiquiatras, mas é escrito de forma muito clara. E os resultados relacionados com a ansiedade e os traços de personalidade com potencialidade positivas (ver o último parágrafo) são muito interessantes.As novas técnicas de análise do cérebro vão certamente contribuir no futuro para um melhor diagnóstico e tratamento da anorexia.
A figura acima (carregar na imagem para ampliar) retirada desse artigo representa a evolução do fenómeno da anorexia nervosa.
*
Citando partes do artigo e das declarações de um dos autores Walt Kaye:
”... a observação das disfunções dos circuitos cerebrais ventral (límbico) e dorsal (cognitivo), possivelmente relacionados com o metabolismo da serotonina e da dopamina alteradas, podem ajudar a explicar porque os indivíduos com anorexia frequentemente relatam que a dieta lhes reduz a ansiedade e comer a aumenta. Pode também ajudar a explicar porque esses doentes se preocupam com as consequências de longo parzo mas parecem ser imunes a uma gratificação/retorno imediato e serem incapazes de viver o presente.”
*
” Muitas mulheres fazem dieta [na cultura ocidental], mas relativamente poucas (0,5%) têm anorexia, disse Kaye ao Psychiatric Times. "Porquê? Bem, tem que existir um determinado temperamento e personalidade na infância que as torna mais vulneráveis. . . a um transtorno alimentar ", disse Kaye. "Nem todos os que desenvolvem anorexia nervosa tem todas essas características na infância, mas a maioria tem um ou mais"
*
"Essas características incluem evitar a agressão, ansiedade, inibição comportamental, dificuldade com a mudança do set [facilmente passar de um estado mental para outro], a tendência para se focar em detalhes mais do que no geral e o perfeccionismo." Mesmo depois da recuperação, estes traços personalidade e temperamento vão persistir, apontando para uma raíz neurobiológica. ... Kaye disse que os resultados empíricos das imagens cerebrais sugerem que as perturbações no sistema serotonergic/serotoninérgico podem contribuir para a vulnerabilidade comportamentos de restrição da alimentação e inibição comportamental, assim como à ansiedade e preocupação excessiva em particular com as conseqüências.
Por outro lado, a disfunção dopamine DA, especialmente em striatal circuits/ circuitos estriados, podem contribuir para recompensas alteradas, tomadas de decisão, movimentos motores estereotipados e diminuição da ingestão de alimentos.
*
Porque a anorexia pode ser uma doença crónica, pelo menos em termos de personalidade e dos traços de temperamento, disse Kaye, a sua equipa está a ajudar as pessoas a compreender a sua personalidade e os traços de temperamento e a desenvolver estratégias contrutivas de lidar com os problemas.
*
"Muitas pessoas que se recuperaram de anorexia [entre 50% e 70% recuperam] têm uma vida nomal e com qualidade, porque algumas das características que elas possuem [associadas aos problemas de AN] podem ser benéficas, estando mesmo fortemente associadas a bons desempenhos . . . São pessoas que são grandes vencedores, que são muito focada e orientada para os detalhes. . . que possuem muito bons desempenhos em profissões que recompensam essas qualidades, tais como a medicina, a investigação, a engenharia, e a academia. "


[*] Fonte: Kaye WH, Fudge JL, Paulus M. New insights into symptoms and neurocircuit function of anorexia nervosa. Nat Rev Neurosci. 2009;10:573-584.
Outros artigos:
Wagner A, Aizenstein H, Venkatraman VK, et al. Altered reward processing in women recovered from anorexia nervosa. Am J Psychiatry. 2007;164:1842-1849.
Wagner A, Aizenstein H, Mazurkewicz L, et al. Altered insula response to taste stimuli in individuals recovered from restricting-type anorexia nervosa. Neuropsychopharmacology. 2008;33:513-523.
Frank GK, Bailer UF, Henry SE, et al. Increased dopamine D2/D3 receptor binding after recovery from anorexia nervosa measured by positron emission tomography and [11c]raclopride. Biol Psychiatry. 2005;58:908-912.

Jan 29, 2010

>> Anorexia Nervosa (avanços da ciência - Lancet II 2009)

Já antes referimos o seminário Lancet 2003 . As conclusões do semináro de 2009 e o texto integral de síntese podem ser encontrados (aqui no arquivo digital deste blogue).


"Este seminário tentou resumir os progressos havidos desde o último seminário Lancet de 2003 em relação às doenças do comportamento alimentar (br=Transtornos Alimentares (TA)] assim como integrar esses progressos do conhecimento nas práticas clínicas.


Os critérios para o diagnóstico da anorexia nervosa e bulimia nervosa estão a ser revistos e ampliados no âmbito da DSM-V (ver mais aqui), reduzindo-se a categoria de TA não especificados [são agora considerados 3 tipos de TA: anorexia, bulimia e outras situações de TA não especificadas]. Os distúrbios associados a compulsão alimentar [Binge eating disorders] provavelmente, irão se aceites como uma forma adicional de TA.


Os transtornos alimentares surgem de uma interacção entre ocorrências ambientais e aspectos biológicos assim como características mentais do doente. Comportamentos alimentares anormais geram efeitos médicos e psicossociais. As consequências psicossociais derivam, em parte, dos efeitos da fome no cérebro e podem perpetuar a doença.

Vários tratamentos e respectivas combinações têm sido testadas para a compulsão alimentar, com eventual eficácia no curto prazo. Foram também testadas novas formas de tratamento para a bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar, com resultados promissores. Houve progressos no tratamento da anorexia nervosa nos jovens, embora o mesmo não se tenha verificado na em relação aos doentes adultos afectados pela doença."

Jan 27, 2010

>> Internet, Anorexia e Bulimia (III) e Livros

Já antes escrevi sobre o papel (positivo ou negativo) que a Internet pode ter em relação à Anorexia (por exemplo aqui , aqui e aqui). E como era antes da Internet?

Antes da difusão da Internet, antes de procurarmos na rede 'tudo e mais alguma coisa', muitos doentes com anorexia e bulimia, procuravam (ainda procuram) e devoravam livros sobre o assunto. Porquê?

Por várias razões:

não se sentiram sozinhos + lerem estórias de pessoas semelhantes + quererem convencer-se que o que estão a fazer não é problemático + serem incentivados a prosseguir na doença ou terem razões justificativas do seu comportamento + encontrar truques e dicas em relação a comportamentos + encontrar forma de manter em segredo os seus comportamentos

Tem sido escrito que um dos sinais e sintomas para além de outros (aqui neste blogue; também aqui num site em inglês ) é ler imenso sobre o assunto. Frequentemente os doentes conhecem a sua doença [é diferente de assumirem que estão doentes] e alguns também conhecem os riscos físicos ( physical risks) . Contudo, porque são doenças psicológicas os RISCOS SÓ POR SI NAO SÃO SUFICIENTES PARA DIZER "ACABOU! BASTA! VOU PARAR AGORA MESMO!) .
Actualmente na era dos computadores e das autoestradas da informação este "sintoma de leitura" assumiu uma nova forma em particular nas gerações mais jovem, que agora procura na Net o que antes era procurado nos livros.
Fonte do texto acima aqui.
Livro representado na fotografia (disponível em francês): ANOREXIE L'ENNEMI SANS VISAGE de GAETANE BOLLE Editions Fayard06/2000 ["Anorexia Inimiga sem rosto - por amor a Vanessa" de Gaetane Bolle]
Fotografia (C) Benoit Paille em Deviantart

>> Anorexia Nervosa (avanços da ciência - Lancet I )

Quando criei este blogue queria que ele reflectisse INTERROGAÇÕES SOBRE A ANOREXIA NERVOSA (tenho sérias dúvidas se estou a conseguir esse objectivo).
Que interrogações? Interrogações várias: dos doentes, dos que se libertaram ou esqueceram a ana... e também interrogações da ciência. Porque a resposta a estas últimas contribuem para tratamentos eficazes. Por isso escolhemos publicar algumas interrogações e avanços do conhecimento no domínio da anorexia nervosa. Infelizmente são ainda muitas as perguntas sem resposta como ilustram o resumo do seminário médico (Lancet) de 2003 . As conclusões do semináriomédico (Lancet) de Novembro de 2009 serão apresentadas no próximo post (texto integral no arquivo digital deste blogue):


Foram realizados em 2003 e mais recentemente em 2009 dois seminários sobre Eating Disorders (ED) promovidos pela Lancet [ em Portugal as ED são designadas por Doenças do Comportamento Alimentar, por vezes como Distúrbios Alimentares ; no Brasil creio ser mais frequente o uso d o termo Transtornos Alimentares (TA) ] . The Lacet http://www.thelancet.com/lancet-about, é uma revista/s de medicina de referência. Os objectivos do seminário de 2003 estão referidos no resumo abaixo do artigo de dois Professores do Oxford University Department of Psychiatry, Warneford Hospital, Oxford, UK:

As doenças do comportamento alimentar (Eating Disorders ED) são doenças que atingem, numa perpectiva física, social e psicologica , em especial raparigas adolescentes e jovens mulheres adultas. São muito menos frequentes nos homens. Estas doenças estão actualmente [em 2003] divididas em três categorias de diagnóstico: anorexia nervosa, bulimia nervosa e doenças do comportamento alimentar atípicas. No entanto, essas doenças apresentam muitos aspectos em comum e os doentes passam frequentemente de umas para outras, por isso, ao definirmos o objectivo deste Seminário [Lancet Seminar on Eating Disorders 2003] adoptamos uma perspectiva de multi-diagnóstico.

As causas das doenças do comportamento alimentar são complexas e mal compreendidas. Existe uma predisposição genética assim como certos factores específicos de risco ambiental [referentes ao ambiente em que se move o doente como por exemplo família etc.] A investigação em relação ao tratamento tem-se centrado na bulimia nervosa e existe evidência empírica que o tratamento desta doença é possível. Uma forma específica de terapia cognitiva comportamental é o tratamento com melhores resultados, embora aparentemente poucos doentes recebam, na prática, este tratamento. É evidente que o tratamento da anorexia nervosa e das doenças do comportamento alimentar atípicas têm recebido muito pouca atenção da investigação

O artigo integral pode ser lido em: Fairburn, Christopher G e Harrison , Paul J . (2003)Eating disorders, The Lancet, Volume 361, Issue 9355, Pages 407 – 416.
O QUE MUDOU PASSADOS 6 ANOS? No próximo post as conclusões do semináro de 2009 e o texto integral de síntese (aqui).

Jan 19, 2010

>> Diagnóstico da Anorexia Nervosa ( discussão científica dos critérios)


A revista científica International Journal of Eating Disorders, numa edição especial (texto de todos os artigos em inglês integralmente disponível (aqui) discute os possíveis critérios de diagnóstico da ANOREXIA NERVOSA e de outras doenças do comportamento alimentar a integrar na nova versão do DSM (o DSM-V). O que é o DSM? Em português, é o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais [Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, publicado pela American Psychiatric Association] O actual DSM-IV (5 páginas em relação à ANOREXIA NERVOSA em português , aqui, obtidas neste site).
Um dos artigos que li no número especial da revista acima indicada (clique na imagem), foi o referente à relação entre período menstrual e anorexia /bulimia nervosa Should Amenorrhea Be a Diagnostic Criterion for Anorexia Nervosa?( aqui ). Voltarei a a esta questão juntando testemunhos e mais informação. Deixo numa linha o meu: no meu caso a associação entre a doença e a perda do período foi claríssima. Desapareceu quando tinha um IMC muito baixo e voltou quando atingi passado anos um peso normal. Mas múltiplos testemunhos e também a investigação científica assente em estudos empíricos mostram que essa associação não segue um padrão único.
Já noutro post (aqui) tinhamos referido a importância deste DSM cujos preceitos são seguidos a nível mundial.

Jan 13, 2010

>> Fazer dieta: 67.873 rapazes e raparigas de 41 países responderam...( II )

No relatório da organização Mundial de Saúde (OMS-WHO) pode ler-se “Fazer dieta pode ser ineficaz como meio de controlar o peso. As tentativas para perder o peso podem conduzir a um ciclo de restrição seguido de uma fase de sobrealimentação ou compulsão, que em última análise leva ao aumento de peso. Foi verificado, num estudo em que foram observados durante três anos que os adolescentes que faziam dieta ganhavam mais peso que os que não faziam (1).
Dietas para perder peso e muito rigorosas e perpetuando-se no tempo apresentam o risco de graves consequências para as pessoas em desenvolvimento. Podem aumentar a irratibilidade, problemas de concentração, perturbações do sono, menstruação irregular, risco de atraso no crescimento, atraso no desenvolvimento sexual e deficiências nutricionais (2). Fazer dietas extremas é considerado como estando associado a baixa auto-estima e outros estados psicológicos negativos tais como a depressão, a ansiedade, os distúrbios do comportamento alimentar [anorexia nervosa, bulimia, etc.] Extreme dieting is believed to be associated with low self-esteem and e pensamentos suicidários(1,3–7).
Os jovens de 41 países foram questionados sobre se estavam actualmente “a fazer dieta ou a fazer qualquer coisa para perder peso” As opções de resposta eram: (a) não o meu peso é bom (b) não eu preciso de aumentar de peso (c) sim. Os resultados do MAPA representam a percentagem dos que declararam estar a fazer dieta ou algo para perder peso (clique no mapa para aumentar)
As raparigas de todas as idades (11 a 15 anos) apresentam maior incidência na prática de dietas.
Essa diferença entre raparigas e rapazes ocorre nos 41 países estudados para a idade dos 15 anos e em quase todos para a idade dos 13 anos. Nos 11 anos a taxa é mais baixa e essa diferença ocorre em poucos países."
Referências
1. Field AE et al. Relation between dieting and weight change among preadolescents
and adolescents. Pediatrics, 2003, 112(4):900–906.
2. Pesa J. Psychosocial factors associated with dieting behaviors among female
adolescents. Journal of School Health, 1999, 69(5):196–201.
3. Ge X et al. Pubertal transitions, perceptions of being overweight and
adolescents’ psychological maladjustment: gender and ethnic differences. Social
Psychology Quarterly, 2001, 64:363–375.
4. Edmunds H, Hill AJ. Dieting and the family context of eating in young adolescent
children. International Journal of Eating Disorders, 1999, 25:435–440.
5. Patton GC et al. Onset of adolescent eating disorders: population based cohort
study over 3 years. British Medical Journal, 1999, 318:765–768.
6. Siegel JM. Body image change and adolescent depressive symptoms. Journal of
Adolescent Research, 2002, 17:27–41.
7. Thompson AM, Chad KE. The relationship of social physique anxiety to risk for
developing an eating disorder in young females. Journal of Adolescent Health,
2002, 31:183–189.
FONTE: Organização Mundial da Saúde - WHO World Health Organization. O inquérito em que se baseia o relatório foi levado a cabo por equipas de cada um dos países. Em Portugal foi uma equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa (FMH-UTL).INEQUALITIES IN YOUNG PEOPLE’S HEALTH HEALTH BEHAVIOUR IN SCHOOL-AGED CHILDRENINTERNATIONAL REPORT FROM THE 2005/2006 SURVEY (aqui na página da WHO-OMS) de HBSC INTERNATIONAL COORDINATING CENTRE, Child and Adolescent Health Research Unit (CAHRU); The Moray House School of Education; University of Edinburgh, http://www.education.ed.ac.uk/cahru