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Oct 11, 2011

...16 tipos de "não sei" (pedir socorro em silêncio)

(design-dautore.com) Oleg Dou


(Os "Não sei"s ;  clique sobre a imagem acima para a ampliar

[Nota de esqueciaana: este post tem dedicatória: a todos os que como eu dizem demasiadas vezes não sei...sabendo ]
Do blogue de Laura Collins transcrevo este texto: [tradução livre de esqueciaana; texto original, em inglês,  pode ser encontrado aqui]

"Os doentes com doenças do comportamento alimentar (dca; transtorno alimentar) frequentemente têm dificuldade em descrever suas emoções. Isso tem um rótulo científico: "alexitimia" (definição da wikipedia aqui; a=ausência + lexi=palavra + timia=emoção)).
Uma definição de ALEXITIMIA da F.E.A.S.T- Families Empowered And Supporting Treatment of Eating Disorders, Eating Disorders Glossary:
"Alexitimia é um conceito que define a incapcidade de identificar ou expressar emoções. Vários estudos mostraram que os indivíduos em situações agudas de anorexia nervosa e bulimia nervosa apresentam níveis mais elevados nos testes de alexitimia quando comparados com os doentes recuperados" Fonte original (aqui)

Uma coisa é reconhecer  a alexitimia, mas encontrar resposta para ela é outra coisa completamente diferente. Gosto bastante do Diagrama Grey Thinking's : o "NÃO SEIs" [esqueciaana: 16 significados para as palavras 'não sei';  aqui no original e na figura acima].
Os pais podem querer imprimir e guardar!!"Laura Collins no blogue "Are you eating with your anorexic?"

Imagem sobre os "Não seis" originalmente publicada aqui.Para ampliar a imagem cliquar.
Iremos analisar aqui no esqueciaana em posterior post estes "não sei"

Oct 8, 2011

...transtorno psíquico>>>subnutrição>>>transtorno psíquico>>>subnutrição ( a possível espiral)

antes-depois
uma das mais antigas representações de anorexia nervosa (1874)

A anorexia nervosa foi diagnosticada há mais de 100 anos. Muitos aspectos da doença encontram-se ainda por conhecer, como ilustra o título desta página do King's College London do Reino Unido : O que já sabemos .

Encontrei o texto abaixo numa página brasileira de apoio a familiares e amigos de doentes com transtornos alimentares. Gerald Russel (o sinal de Russel que talvez algumas leitoras conheçam relaciona-se com este investigador). O transtorno psíquico levar à menor ingestão de alimentos e a desnutrição levar ao transtorno psíquico ajuda a perceber a dificuldade para quem está doente de 'ver' a doenças e de 'fugir'.


Citando: Gerald Francis Morris Russell (1928- ) em 1970 e 1977 tenta mostrar a relação entre as teorias biológicas da origem da doença com as psicológicas e sociológicas, e chegou às seguintes conclusões:

  • O transtorno psíquico provoca a diminuição da ingestão de alimentos e a perda de peso
  • A perda de peso é a causa do transtorno endócrino
  •  A desnutrição piora o transtorno psíquico
  • O transtorno psíquico também pode agravar de maneira directa a função hipotalamica e produzir amenorréia (nota do esqueciaana: perda menstruação) 
  • É provável que exista uma relação entre um transtorno do controle do hipotálamo na ingestão e na recusa da alimentação, característico da anorexia
  • O transtorno hipotalamico poderia alterar as funções psíquicas, gerando atitudes anómalas face ao alimento, imagem corporal e sexualidade.
 continuar a ler aqui: http://gatda.psc.br/anorexia.htm

Sep 3, 2011

..."Atitudes e comportamentos alimentares em uma população adolescente portuguesa" (artigo científico 2011)

Foi publicado recentemente por uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina Universidade de Coimbra  um artigo na Pediatria (São PaPaulo) 2011;33(1), p. 21-8 que pode ser lido integralmente aqui que apresenta os resultados de um estudo sobre os transtornos do comportamento alimentar (TCA) baseado num inquérito realizado a 997 jovens entre os 14 e os 20 anos vivendo em Coimbra e em Cantanhede. A escolha dessas duas localizações permitiu comparar confrontar uma zona rural com uma zona urbana.É o primeiro estudo que aplica em Portugal o teste de atitudes alimentares. A prevalência global é de 4% (5,9% nas raparigas).

Atitudes e comportamentos alimentares em uma população adolescente portuguesa
Carmen Bento1, Jorge Manuel Tavares Saraiva2, Ana Telma Fernandes Pereira3, Maria Helena Pinto Azevedo4, António João Ferreira Macedo e Santos5; 1Mestre; Assistente Convidada de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra;2Doutor; Professor Associado Convidado com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; 3Doutora; Investigadora Auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra;4 Doutora; Professora Catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra;5Doutor; Professor Associado com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
RESUMO
Introdução: Os transtornos do comportamento alimentar (TCA) têm aumentado nas últimas décadas. Um dos principais motivos para esse aumento é a pressão sociocultural exercida sobre os adolescentes, que consideram a magreza como um sinal de perfeição e beleza. Devido a essa pressão, muitos jovens adquirem comportamentos alimentares inadequados, e um pequeno número de indivíduos desenvolve TCA.
Objetivos: Identificar as atitudes e comportamentos alimentares em uma população de adolescentes, de duas localidades portuguesas (Coimbra - meio urbano e Cantanhede - meio rural), e verificar se existiam diferenças quanto à localização geográfica de residência dos jovens, ao sexo, à idade e ao índice de massa corporal (IMC).
Métodos: Estudo epidemiológico, transversal, descritivo e de correlação. O instrumento utilizado foi a versão Portuguesa do Teste de Atitudes Alimentares-25 (TAA-25). Resultados: Obtivemos 997 inquéritos válidos. As idades situaram-se entre os 14 e os 20 anos (média = 16,38; desvio padrão (DP) = 1,19). Um total de 86,6% tinham IMC dentro dos valores normais para a idade. Encontramos atitudes e comportamentos alimentares mais inadequados no sexo feminino, na cidade maior, mas não no grupo de jovens com o IMC mais elevado.
Conclusões: A prevalência de atitudes e comportamentos alimentares disfuncionais foi baixa (4%). Foram mais frequentes no sexo feminino e nos que vivem em ambiente urbano, mas não nos adolescentes com IMC mais elevado. Consideramos interessante este último resultado, que contrasta com a restante literatura quanto ao fato de que os comportamentos alimentares disfuncionais são mais frequentes nos adolescentes com IMC mais elevado."
Da discussão:
"Este estudo é o primeiro do nosso país em que foi aplicada a versão abreviada do versão Portuguesa do Teste de Atitudes Alimentares-25 (TAA-25) em uma população geral adolescente. Os resultados confirmam a já conhecida presença de atitudes e comportamentos alimentares disfuncionais em estudantes do ensino secundário, principalmente no sexo feminino. Usando-se como ponto de corte o valor 19, verificamos que 40 alunos (4%) apresentaram atitudes e comportamentos alimentares com elevada probabilidade de serem disfuncionais (5,9% das raparigas e 1,7% dos rapazes). Estudos em países não ocidentais usando a versão abreviada do TAA revelam que a prevalência de atitudes alimentares disfuncionais situa-se entre os 4,6 e 20%, enquanto que, em países ocidentais, situa-se entre os 7,5 e 30%."

Imagem: Woman stencil, Lisbon flickr cc aqui

Aug 10, 2011

...Problemas Alimentares em Alunas Universitárias da Península Ibérica (artigo científico de Paulo P.P. Machado et al 2004)


Eating related problems amongst Iberian female
college students


Autores: Paulo P. P. Machado2 (Universidade do Minho, Portugal), María Lameiras Fernández (Universidad de Vigo, España), Sónia Gonçalves (Universidade do Minho, Portugal), Carla Martins (Universidade do Minho, Portugal), María Calado Otero (Universidad de Vigo, España), Barbara César Machado (Universidade do Minho, Porgutal), Yolanda Rodríguez Castro (Universidad de Vigo, España), and Montserrat Fernández Prieto (Universidad de Vigo, España)

Publicado no :International Journal of Clinical and Health Psychology ISSN 1697-2600
2004, Vol. 4, Nº 3, pp. 495-504


"O presente estudo avalia a a prevalência de problemas alimentares numa amostra de alunas universitárias do primeiro ano que frequentavam uma universidade de uma de duas áreas do noroeste da Península Ibérica. Trata-se de um estudo descritivo, mediante observação. Um total de 1079 mulheres participaram neste estudo, 486 de uma universidade do Norte de Portugal (Minho) e 595 de duas universidades do Noroeste de Espanha (Galiza). Os participantes responderam ao Inventário de Perturbações Alimentares (EDI) e a um questionário desenvolvido para avaliar problemas relacionados
com a alimentação. Os resultados mostraram que um número significativo de estudantes obtiveram um resultado elevado no EDI e apresentavam uma prevalência considerável de problemas relacionados com a alimentação. Com base nos dados de auto relato foi estimada que a prevalência de perturbações do comportamento alimentar nestas áreas periféricas de ambos os países não é significativamente diferente da que é comum noutros países e áreas da Europa."


Fotografia: flicr cc (aqui)

Jun 26, 2011

...atletas portugueses e transtornos alimentares (2 artigos científicos 2011)

A revista European Eating Disorders Review, publicou um número especial sobre exercício compulsivo (Special Issue: Special edition on compulsive exercise) Volume 19, Issue 3, May/June 2011. Nas páginas 190–200 pode ler-se o artigo de três investigadores portugueses da Universidade do Minho  (tradução adaptada do resumo do artigo: Doenças do Comportamento Alimentar em atletas portugueses: a influência das características pessoais, desportistas e variáveis psicológicas.)
Eating disordered behaviours in Portuguese athletes: The influence of personal, sport, and psychological variables

A. Rui Gomes, Carla Martins, Luiz Silva
RESUMO
Objectivo - O estudo descreve transtornos do comportamento alimentar numa amostra de atletas de elite portugueses e analisa o impacto de factores pessoais e desportivos esses comportamentos.
Método- Duzentos e noventa atletas (51,7% homens) praticantes de desportos colectivos (64,8%) e individuais foram incluídos no estudo. O protocolo de avaliação incluiu o Eating Disorder Examination Questionnaire; o Sport Condition Questionnaire; o Sport Anxiety Scale; o Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire; o Cognitive Evaluation of Sport–Threat Perceptions e o Self-Presentation Exercise.
RESULTADOS
ndivíduos do sexo feminino, atletas com maior índice de massa corporal, e aqueles com um desejo de pesar menos, manifestaram mais transtornos do comportamento alimentar. Não foi encontrada nenhuma relação com variáveis desportivas. Finalmente, uma maior prevalência de distúrbios do comportamento alimentar foi prevista para os que tinham menor satisfação em termos de forma do corpo e da aparência física, maior ansiedade e impression motivation.
CONCLUSÃO
As características pessoais dos atletas, assim como a sua satisfação corporal, ansiedade, motivação, e percepção de ameaça e comentários do treinador em relação ao peso, representam aspectos que poderem elevar o risco de transtornos do comportamento alimentar nos atletas.

Luiz Silva, A. Rui Gomes, and Carla Martins também um outro artigo, disponível aqui:
Psychological Factors Related to Eating Disordered Behaviors: A Study with Portuguese Athletes, The Spanish Journal of Psychology,  2011, Vol. 14 No. 1, 323-335
Transcrevemos o resumo (em castelhano)
"Este estudio analiza los trastornos alimentarios en una muestra de atletas portugueses y explora la relación de este problema con algunas dimensiones psicológicas. Participaron en el estudio 299 atletas (153 hombres, 51.2%), practicantes de modalidades
colectivas (65.2%) e individuales (34.8%). El protocolo de evaluación incluyó los siguientes instrumentos: Cuestionario de Evaluación de los Trastornos Alimentarios (CETA, Fairburn y Beglin, 1994); Cuestionario de Evaluación del Estado Físico y Deportivo (Bruin et al., 2007; Hall et al., 2007); Escala de Ansiedad en el Deporte-2 (Smith et al., 2006); Cuestionario de Orientación Motivacional para el Deporte (Duda, 1992; Duda y Whitehead, 1998); Escala de Evaluación Cognitiva de la Competencia: Percepción de Amenaza(Cruz, 1994; Lazarus, 1991); y el Cuestionario de Auto-presentación en el Deporte (Gammage et al., 2004).
Los resultados revelaron:
i) inexistencia de valores con significación clínica en las dimensiones evaluadas simultáneamente en el CETA;
ii) las mujeres presentaron valores superiores en la dimensión global del CETA y los atletas con mejores resultados deportivos asumieron unamayor tendencia para la restricción en el CETA;
iii) atletas con el deseo de pesar menos obtuvieron resultados más elevados enel valor global del CETA;
iv) atletas con valores inferiores en el CETA total mostraron resultados más positivos en las dimensionespsicológicas;
v) diferentes dimensiones psicológicas fueron identificadas como predictoras de los trastornos alimentarios.
En conclusión, y a pesar de que la prevalencia de trastornos alimentarios no fue significativa en este estudio, los resultados relativos ala relación con los factores personales, deportivos y psicológicos fueron muy evidentes."

Jun 13, 2011

...actividades de Verão (Universidade Júnior) na U. do Porto

As inscrições estão quase a fechar. As opções são muitas. Existem em várias universidades portuguesas . Damos notícia agora das actividades na Universidade do Porto dirigidas a estudantes do ensino secundário de diferentes idades
Mais informações nestes links (incrições, prazos, programas, alojamento, etc.):
http://universidadejunior.up.pt/
http://sigarra.up.pt/up/web_base.gera_pagina?p_pagina=1001425
Os projectos desenvolver-se-ão nas seguintes faculdades: Faculdade de Arquitectura; Faculdade de Belas Artes; Faculdade de Ciências; Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação; Faculdade de Desporto; Faculdade de Direito; Faculdade de Economia; Faculdade de Engenharia; Faculdade de Farmácia; Faculdade de Letras; Faculdade de Medicina; Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar; Casa da Música; Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo / IPP.

May 30, 2011

...Improvisos no consultório (ou porque médicos deveriam ouvir jazz) em Daniel M. Barros


No blogue de Daniel M.Barros que acompanho, encontrei um post que parcialmente reproduzo abaixo (os sublinhados são do esqueciaana) . Chama a atenção para a necessidade de melhorar a interacção entre doente e médico. Em posts anteriores já tinhamos referido a importância da atitude dos médicos e na necessidade de interpretar os não sei/silêncios dos doentes.

"É daí que surge uma analogia muito boa entre o jazz e a medicina. Numa consulta, da mesma forma, temos duas (e por vezes mais) pessoas que precisam se reunir e fazer com que esse encontro funcione para todos, usando para isso seu conhecimento prévio mas sendo capazes de improvisar conforme os diálogos se desenrolam. É por isso mesmo que o diretor de educação médica da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, Paul Haidet, vem colocando os estudantes de medicina para ouvir música no seu curso, cujo título pode ser livremente traduzido como “Jazz e a Arte da Medicina: Improvisos na Consulta”.
Haidet era DJ na faculdade, e desde cedo percebeu que a comunicação entre médicos e pacientes muitas vezes é truncada, sem permitir uma real conexão entre as partes. Numa entrevista rígida, por exemplo, na qual o médico dirige todo o diálogo por meio de perguntas sim/não, sobra pouco espaço para manifestações espontâneas do paciente que poderiam ser importantes. Haidet inspira-se nos solos de Miles Davis, que em vez de encher a música de notas, deixava pausas para que toda a banda fosse ouvida, sendo seu instrumento um guia, não um tirano. No curso, ele estimula os alunos a praticarem a pausa nas consultas, contando mentalmente dez segundos após o paciente terminar uma frase antes de dizer algo. Já para cultivar o senso de conjunto (ou “ensemble”, como gostam os jazzistas), pede-se aos médicos que passem duas semanas utilizando frases começando com “O que eu estou entendendo do que você me diz é…” em todas as consultas, a partir daí percebendo quando ela se aplica melhor ou não.
De minha parte, não tenho dúvida que deixar espaço para os pacientes e estimular o senso de conjunto é muito produtivos para a conexão entre médico e paciente. Improvisar não significa tomar as decisões de forma desleixada ou irresponsável: ao contrário, tanto na música como na medicina o improviso adequado só é possível quando há uma sólida base de conhecimento sobre a qual se possa criar. Mas estar aberto para improvisar caminhos que só surgem na interação - e que por isso são diferentes a cada apresentação ou a cada consulta - pode transformar a técnica em arte."
[…]
Um dos artigos que inspirou o post de Daniel M. Barros pode ser lido aqui:


May 24, 2011

... Anorexia Nervosa em Homens ( R.M. Freire Lucas, Hospital da Universidade de Coimbra)

Foi publicado recentemente um texto do Investigador português (Hospitais da Universidade de Coimbra) que foi apresentado no 19º Congresso Europeu de Psiquiatria. REproduzimos abaixo o resumo. Pode ser analisado o original aqui.

Anorexia Nervosa nos Homens/ Anorexia nervosa in males

R.M. Freire Lucas
Coimbra University Hospitals, Coimbra, Portugal
Disponível on line desde 4 de Maio 2011

Resumo (original em inglês tradução de esqueciaana)
As Doenças do Comportamento Alimentar (DCA; Eating disorders) são de longe mais prevalentes nas mulheres que nos homens. Nos homens ocorrem apenas 10% dos casos. Esta discrepância pode ser parcialmente explicada por factores biológicos e culturais, mas também sugere dificuldades de diagnóstico.
Este trabalho inicia-se com uma descrição da situação clínica de Anorexia Nervosa (AN) no caso de um doente do sexo masculino, e passa em revista e compara os aspectos de diagnostico das Doenças do Comportamento Alimentar , nomeadamente a AN, nos dois sexos, enfatizando as falhas mais comuns na sua identificação nos homens, fazendo reduzir o número de casos não diagnosticados.
Foram pesquisados artigos científicos sobre este tópico na base de dados MEDLINE, LILACS e PsycINFO, usando como palavras de pesquisa “eating disorder”, “anorexia nervosa” e “male” . Optou-se por incluir artigos originais e resenhas de literatura recentes.
European Psychiatry
Volume 26, Supplement 1, 2011, Page 718
Abstracts of the 19th European Congress of Psychiatry

May 20, 2011

...Livro (actualizada em 20.11.2012): Distúrbios Alimentares de Suzanne Abraham, edições Texto

Estou a ler este livro e darei sobre ele mais informações. A autora é uma especialista no assunto como ilustrado pelas publicações científicas cujas lista parcial pode ser encontrada aqui. A edição original em inglês é da Oxford University Press.
actualização em 20.11.2012: testemunho do labirinto em que a anorexia nos enreda aqui retidado da página 170-171.
Título do Livro: Distúrbios Alimentares

"Os distúrbios alimentares - anorexia nervosa, bulimia nervosa e obesidade - afectam muitos milhares de pessoas todos os anos, em particular as mulheres jovens. É um assunto que os pais de hoje não poderão estudar em excesso; crê-se que cerca de um milhão de pessoas, apenas no Reino Unido, tenha um problema significativo de distúrbio alimentar. Distúrbios Alimentares é um guia dos três principais distúrbios alimentares: aborda a razão pela qual estes distúrbios ocorrem e analisa cada uma individualmente, descrevendo os comportamentos alimentares, o diagnóstico e os tratamentos disponíveis. " (da sinopse do livro disponível em diversos sites)
Editora: Texto Editores; Ano: 2010; 260págs.

May 18, 2011

... "Perturbações alimentares na adolescência: coreografias protectoras e de risco em bailarinos e ginastas" (Tese de Doutoramento 2011, Rita Mafalda Costa Francisco )


Damos notícia de mais um trabalho de investigação que contribui para um melhor conhecimento da situação das doenças do comportamento alimentar em Portugal e fornece algumas informações preciosas para uma política e comportamentos de prevenção. Parabéns à Investigadora!

Foi recentemente defendida por Rita Mafalda Costa Francisco, uma Tese de Doutoramento na Faculdade de Psicologia de Lisboa cujo título é: Perturbações alimentares na adolescência : coreografias protectoras e de risco em bailarinos e ginastas . A Tese pode ser lida na íntegra aqui.
Fica abaixo o resumo e o convite à leitura. [os bold no Resumo e os parágrafos são do esqueciaana]

"Enquanto desportos estéticos, a dança clássica e a ginástica são considerados contextos de risco para o desenvolvimento de perturbações alimentares na adolescência. Nesta dissertação pretende-se compreender os processos subjacentes a esse risco, tendo como base teórica uma perspectiva ecossistémica e conceptualizando as perturbações alimentares como um continuum, desde as preocupações com o peso e comportamentos restritivos até às perturbações alimentares enquanto doença psiquiátrica.

Utilizando metodologias qualitativas e quantitativas, num processo de investigação abdutivo, exploraram-se relações entre o comportamento alimentar perturbado e variáveis específicas destes contextos, bem como com variáveis sócio-relacionais, familiares e individuais de jovens bailarinos e ginastas.

No primeiro estudo, de carácter qualitativo e exploratório da realidade portuguesa em que se inserem os jovens bailarinos e ginastas de elite, realizaram-se quatro focus groups com estudantes de dança de ensino profissionalizante e ginastas de alta competição, de ambos os sexos (N = 24; 12-17 anos).

Utilizando uma metodologia de análise indutiva-dedutiva, foram identificados diversos factores de risco e factores protectores específicos, associados a diversas fontes de influência. A pressão para a magreza, enquanto regra implícita da sub-cultura dos desportos estéticos de elite, e enquanto regra explícita, transmitida na escola de dança/clube de ginástica, por exemplo, através de comentários críticos sobre o peso, alimentação e imagem corporal (especialmente por parte dos professores/treinadores), é considerada o factor de risco mais importante. Todavia, os pares e os pais parecem ter também um papel relevante na protecção ou risco de desenvolvimento de comportamentos alimentares perturbados entre estes adolescentes.

Numa etapa intermédia desta investigação, procedeu-se à adaptação e estudo da validação de um instrumento de avaliação da insatisfação com a imagem corporal para adolescentes e adultos (N = 1423), a Contour Drawing Rating Scale (M. A. Thompson & Gray, 1995), bem como de um instrumento de avaliação de factores de risco e factores protectores do desenvolvimento de perturbações alimentares para adolescentes (N = 793), o McKnight Risk Factor Survey-IV (The McKnight Investigators, 2003), em relação ao qual se adaptou também uma versão masculina que não existia originalmente. Ambos os instrumentos revelaram boas qualidades psicométricas, pelo que foram utilizados nos três estudos empíricos seguintes, de cariz quantitativo, juntamente com outros instrumentos, de forma a avaliar o comportamento alimentar perturbado, a auto-estima, a vinculação aos pais e a percepção de pressão para a magreza e de suporte no contexto desportivo.

No primeiro estudo empírico quantitativo, compararam-se potenciais factores de risco, factores protectores e nível de comportamento alimentar perturbado, bem como a relação entre estes, em atletas de desportos estéticos de elite, atletas não-elite e num grupo de controlo de adolescentes da população em geral (N = 725; 12-22 anos).

Entre as raparigas, as atletas elite apresentaram maior risco de desenvolvimento de perturbações alimentares que as atletas não-elite e raparigas do grupo de controlo, enquanto os três grupos de rapazes não diferiram entre si. Por outro lado, as análises multi-grupos, realizadas com recurso a modelos de equações estruturais, revelaram diferenças quanto à relação entre os factores de risco incluídos no modelo e o comportamento alimentar perturbado dos adolescentes dos três grupos.

Apesar da relevância da pressão social como preditora de comportamento alimentar perturbado (que corresponde ao preditor mais forte entre os atletas não-elite e grupo de controlo), entre os atletas elite a insatisfação com a imagem corporal contribui ainda mais para a explicação da variância do seu comportamento alimentar perturbado. Este grupo de atletas é, também, o único em que as influências parentais assumem significância enquanto preditor (directo e indirecto) do comportamento alimentar perturbado.

Estes resultados indicam, assim, eventuais especificidades individuais e dos contextos familiares dos atletas elite que suscitaram o desenho dos estudos seguintes, já que os grupos de controlo e atletas não-elite se revelaram mais semelhantes entre si.

Para examinar diversas influências familiares na insatisfação com a imagem corporal e comportamento alimentar perturbado de atletas elite (comparativamente com um grupo de controlo), recorreu-se também a uma amostra de pais (223 mães e 198 pais), em relação aos quais se avaliou a insatisfação com a imagem corporal e o nível de comportamento alimentar perturbado. Em termos de valores médios das variáveis familiares investigadas, atletas e grupo de controlo diferirem apenas nalguns padrões de vinculação insegura aos pais. Todavia, surgem diferenças nas variáveis familiares que contribuem para a explicação da variância da insatisfação com a imagem corporal e do comportamento alimentar perturbado nos dois grupos. A variável influências parentais, sob a forma de comentários críticos em relação ao peso e importância da magreza para os pais, foi considerada a única variável familiar preditora entre os atletas, segundo os modelos de regressão múltipla. Por seu turno, entre os adolescentes em geral, para além das mesmas influências parentais, também a qualidade do ambiente familiar e a modelagem de alguns comportamentos maternos em relação ao peso e alimentação parecem ter um impacto importante.

Assim, os pais de atletas devem ser incluídos nos eventuais programas de prevenção a ser desenvolvidos, pois comentários positivos em relação ao desempenho dos atletas e comentários que valorizem a saúde e o bem-estar físico, em detrimento da magreza, poderão ser promovidos e revelar-se potenciadores de comportamentos alimentares mais saudáveis.

Por último, compararam-se especificamente variáveis individuais e contextuais entre os atletas, separando bailarinos (n = 113) e ginastas (n = 136) por sexo e nível de competição. As bailarinas de nível recreativo mostraram menor risco de desenvolvimento de perturbações alimentares que as restantes atletas, sendo que, entre os rapazes, não se verificaram diferenças. Uma usefulness analysis revelou que um indicador de insatisfação com a imagem corporal específica para a prática da modalidade é um melhor preditor de comportamento alimentar perturbado entre os atletas do que o indicador de insatisfação com a imagem corporal geral. A análise de regressões hierárquicas revelou ainda que, para além da baixa auto-estima e da insatisfação com a imagem corporal, a percepção de pressão para a magreza no contexto desportivo (mas não a fraca percepção de suporte) é preditora de comportamento alimentar perturbado nos atletas, sendo efectivamente mais relevante do que a prática da modalidade ao nível de alta competição ou não. Este é um dado importante e que pode facilitar o desenho de intervenções preventivas eficazes.

A prática de desportos estéticos de elite parece colocar as raparigas em maior risco de desenvolvimento de perturbações alimentares, comparativamente com as raparigas da população em geral. Contudo, tal parece verificar-se, sobretudo, com as bailarinas, cuja prática a um nível recreativo parece ser até protectora, já que as bailarinas não-elite apresentam comportamento alimentar significativamente menos perturbado que as raparigas da população em geral.

Pelo contrário, as praticantes de ginástica não-elite apresentam nível semelhante de comportamento alimentar perturbado ao das ginastas elite, diferindo também menos entre si nos factores de risco estudados, nomeadamente em relação à insatisfação com a imagem corporal. Para os rapazes, todavia, a prática de desportos estéticos não parece constituir um factor de risco adicional.

Não pretendendo alterar a cultura dos desportos estéticos, em que a regra “magreza=sucesso” está bastante enraizada, diversas pistas para a prevenção de perturbações alimentares em atletas podem ser delineadas com base nos resultados dos vários estudos realizados, de forma a dotar os seus intervenientes de ferramentas que proporcionem aos atletas uma vivência mais positiva e saudável do seu corpo. Neste sentido, para além de um trabalho mais individualizado, o papel que os pais e os intervenientes no contexto desportivo (professores/treinadores, pares) mostraram desempenhar em relação ao comportamento alimentar perturbado dos atletas, constitui uma indicação da necessidade de os incluir nas acções preventivas (participativas e ecológicas), que devem ser desenvolvidas em escolas de dança de ensino profissionalizante e em clubes de ginástica onde treinem atletas de diversos níveis de competição." A Tese pode ser lida na íntegra aqui.

(fotografia de Caeser Lima)

Apr 29, 2011

..."voz interna, anorexia e violência doméstica" (investigação)


Foi publicado recentemente este artigo cujo resumo transcrevemos abaixo:
“Aprisionadas numa relação envenenada: comparação das perspectivas de mulheres com anorexia nervosa e mulheres vítimas de violência doméstica” (artigo de investigação)


Trapped in a toxic relationship: comparing the views of women living with anorexia nervosa to those experiencing domestic violence , Journal of Gender Studies, Volume 20, Issue 1, 2011, Pages 31 -41. Authors: Stephanie Tierneya; John R. E. Foxbc [ show biographies ]
http://www.informaworld.com/smpp/content~db=all~content=a935703182
DOI: 10.1080/09589236.2011.542018

Resumo

"As pessoas que vivem com anorexia nervosa (AN), muitas dizem ouvir voz interior que domina o seu pensamento e comportamento, e as impede de progredir no sentido da recuperação. Tem sido realizada pouca investigação em relação a este aspecto. Foi realizado um estudo qualitativo para explorar as experiências de vida das pessoas com uma voz interior "anoréxica". Os dados foram recolhidos sob a forma de reflexões escritas por pessoas com anorexia. Foi efectuada uma análise qualitativa […] Poemas, cartas, reflexões e pensamentos foram recolhidos junto de 21 mulheres com anorexia nervosa AN. Um dos temas fundamentais que ressaltou desses dados foi uma relação de dependência envenenada com essa voz interior. Esta ideia foi explorada por analisar e comparar esses textos com pesquisas que investigam as perspectivas das mulheres vítimas de violência doméstica; a análise revelou existirem aspectos comuns nos dois grupos. Uma nova maneira de abordar o problema da anorexia é destacada no artigo, alguém que está doente com anorexia pode estar aprisionada num relacionamento de dependência. Estes resultados possuem implicações para a prática clínica e para futuras pesquisas. "

Apr 21, 2011

...5 livros = 5 euros sobre Alimentação Saudável ( autora: Dra. Isabel do Carmo)

Está disponível nas bancas uma série de 5 livros (a um euro cada um) sobre alimentação saudável. Foram escritos pela Dra. Isabel do Carmo (no esqueciaana  referimos a Dra Isabel do Carmo em anteriores posts. Por exemplo aqui, aqui e aqui ).
A colecção dos 5 livros foi concebida com recurso a obras anteriores da mesma autora: Alimentação Saudável, Alimentação Segura; Alimentos e Mitos que nos engordam; 222 Perguntas e Respostas; Saber Emagrecer (Editado pelos Livros d'Hoje).
Do último livro da colecção ( 5. Perguntas e respostas para emagrecer e manter o peso ideal) algumas perguntas retiradas relativamente ao acaso:
  • O que é preferível: açucar, açucar escuro (amarelo) adoçante ou frutose? (p.37)
  • É verdade que passar muitas horas sem comer engorda? (p.57)
  • O que é o regime iô-iô? (p.77)
  • Fala-se também nas pessoas, sobretudo mulheres, que estão sempre a fazer restrição alimentar. São essas as restritivas ou, em língua inglesa, dieters? (p.77)
  • Perder muitos quilos em pouco tempo traz problemas de saúde no futuro? (p.85)
  • Emagrecer muito de repente pode causar problemas de fertilidade? (p.86)
  • Há pessoas que conseguem perder bastante peso rapidamente, mas depois se sentem fracas e com menos capacidade de trabalho. Como contrariar isso? (p.100)
  • Algumas pessoas comem e nunca se sentem saciadas, terminando as refeições com sensação de fome. Porque sucede? (p.107)
  • Porque é que o meu peso às vezes varia um quilo ou dois de um dia para o outro? (p.115)
  • Como é que pessoas com a mesma estatura e aspecto físico podem ter às vezes pesos tão diferentes? (p.134)

Apr 14, 2011

..."15% dos jovens portugueses magoam-se de propósito" 5050 adolescentes inquiridos (Público 14.04.2011)


(Posta actualizado em 19 de Janeiro 2012: no Programa da SIC Boa Tarde, a Conceição Lino entrevistou uma mãe que publicou um livro sobre um filho adolescente que se auto-mutilava ('dor física para esquecer dor de alma').
O Público dá hoje notícia num texto assinado por Catarina Gomes sobre os resultados obtidos para Portugal de um estudo que será brevemente divulgado e que é promovido pela organização Mundial da Saúde. Já antes notícámos um estudo similar (aqui)
"Estudo com 5050 adolescentes portugueses, com uma média de 14 anos, mostra que consumo de tabaco e do álcool está a descer e o de haxixe a aumentar.

É um fenómeno que tem sido detectado noutros países: há adolescentes que se magoam a si próprios com pequenos cortes, pequenas queimaduras. No estudo sobre adolescentes portugueses que hoje é apresentado em Lisboa fez-se a pergunta pela primeira vez e a resposta deixou a coordenadora do estudo "assustada": 15,6 por cento referem "ter-se magoado de propósito nos últimos 12 meses, mais do que uma vez" (este comportamento é conhecido como auto-mutilação). Em idas a congressos internacionais onde se falava destes comportamentos, Margarida Gaspar de Matos, a coordenadora do estudo português que é feito no âmbito da Organização Mundial de Saúde e em que participam mais 43 países, sempre achou que a realidade não afectaria Portugal da mesma forma. Mas, como sabia que era "um fenómeno geracional" em vários países, decidiu incluir perguntas sobre o tema no estudo dos comportamentos dos jovens em idade escolar, realizado no ano passado, e que já tinha sido feito em 1998, 2002 e 2006. Os resultados, admite, surpreenderam-na. São 15,6 por cento os adolescentes dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, com uma média de idades de 14 anos, que referem ter-se magoado de propósito nos últimos meses. Cerca de metade (52,9 por cento) disse tê-lo feito nos braços, 24,7 por cento nas pernas, 16,7 na barriga e 22,5 por cento noutros locais do corpo. A amostra é representativa desta população: foram inquiridos 5050 jovens.

"Magoam-se normalmente em sítios não visíveis", explica Margarida Gaspar de Matos, que dirige a equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana e Centro de Malária e Doenças Tropicais, em Lisboa. Trata-se de agressões autodirigidas que servem "como forma de auto-regulação emocional", sintoma "da dificuldade em gerir emoções". "São adolescentes que não conseguem lidar de outra forma com o facto de estarem tristes, irritados, desesperados", continua. Tentando compreender quem são estes miúdos, a equipa de investigadores constatou que os que fazem mal a si próprios são "uma minoria preocupante com vários comportamentos de risco": são quem mais fuma, bebe, consome drogas (nomeadamente cannabis), têm maior envolvimento em provocações, maior dificuldade em fazer amigos. Estes jovens ou acham-se muito gordos ou muito magros, sem que isto corresponda a um índice de massa corporal real. São ainda os que mais têm pais que pouco ou nada sabem sobre os seus amigos, o seu tempo livre e para onde saem à noite. Por fim, "são os que mais frequentemente dizem estar tristes e não aguentar...".Para a investigadora, "este é um comportamento que possivelmente tem vindo a aumentar sem que ninguém se tivesse apercebido". "Temos que estar atentos", diz, para ressalvar que, em países como Estados Unidos, Canadá e Finlândia, as prevalências andam entre os dez e os 15 por cento, não muito longe de Portugal.

O estudo, financiado pelo Alto Comissariado da Saúde e pela Coordenação Nacional para o VIH/Sida, defende que é preciso arranjar estratégias para ajudar estes jovens "a auto-regular-se do ponto de vista emocional sem recurso a "extras", quer virados para fora, como a violência, o consumo de substâncias, quer virados para dentro, como o magoar-se a si próprio, isolar-se, comer em demasia".Mas há várias boas notícias no estudo, sublinha Margarida Gaspar de Matos. Uma nota positiva é que se vem assistindo a um aumento crescente da escolaridade dos pais (que se situa no 2.º e 3.º ciclos) e outra é que "todos os miúdos têm computador e metade tem acesso à Internet em casa", o que coloca Portugal a par dos países europeus mais avançados nesta área.

O reverso da medalha deste último aspecto é o aumento do tempo pas- sado em frente ao ecrã - quer do com- putador, quer da televisão - e o conse_ quente sedentarismo e aumento de peso por falta de actividade física. Fazendo eco de muitos outros estudos que têm feito soar o alarme da obesi- dade infantil, os dados agora reco- lhidos confirmam a tendência: 18,8 por cento sofrem de excesso de peso ou obesidade. O consumo de tabaco e álcool continua a descer, mas o consumo de haxixe apresenta uma tendência de aumento, o que faz a coordenadora temer pelo "desinvestimento nas políticas de prevenção desta área".

E há dois dados que persistem nos vários estudos e em que Portugal tem dos piores indicadores da Europa: os jovens nacionais são dos que mais dizem sofrer de stress relacionado com os trabalhos de casa e são dos alunos que acham que os professores menos os acham capazes.

Muitos assistem a lutas no recreio e não fazem nada

Mais de metade dos adolescentes portugueses (59,4 por cento) referiram ter assistido a situações de provocação na escola, das quais cerca de metade ocorreu no recreio. Dos que dizem ter presenciado, cerca de dois terços referem não ter feito nada e terem-se afastado, 54,8 por cento não fizeram nada e ficaram a ver e houve mesmo 10,7 por cento que incentivaram o provocador. Para a coordenadora do estudo, esta "é uma forma de violência pela passividade, os que assistem e não fazem nada ou até incentivam". "São - resume - os espectadores". Também a Internet pode ocasionar novas formas de violência (ciberbullying), mas a grande maioria (84,1 por cento) não se envolveu neste tipo de provocações. Nos que o fizeram, o Messenger foi o meio mais usado, seguido das mensagens de telemóvel. Entre os que se viram envolvidos nestas situações, a grande maioria conseguiu ultrapassar o problema."

Mar 11, 2011

... "Decoding Anorexia: How Science Offers Hope for Eating Disorders"

A autora do blogue ED Bites, Carrie Arnold acaba de noticiar no seu blogue vai publicar um terceiro livro sobre anorexia "Descodificar a Anorexia: como a ciência oferece esperança às doenças do comportamento alimentar" Edição da Routledge 2012. Os dois livros anteriores da mesma autora (ver imagens abaixo) creio que não possuem tradução em português no Brasil ou em Portugal.
(Pedido aos leitores: caso tenham informação adicional sobre a disponibilidade em português ou espanhol digam.)

Feb 5, 2011

...10 dicas a treinadores [ atletismo anorexia e bulimia: prevenção] Fonte: NEDA

DN online em 4 de fevereiro:"Isabel do Carmo, especialista em endocrinologia, revelou ao DN que a anorexia nervosa é muito comum em atletas de alta competição, mas é perfeitamente recuperável, apesar de poder deixar graves problemas a nível ósseo".


Prevenir distúrbios alimentares em atletas
O esqueciaana transcreve parcialmente 10 dicas para treinadores
(No original  em inglês TIPS FOR COACHES: preventing eating disorders in athletes; compiled by Karin Katrina, PhD, MPE, RD,LD; estes textos estão online no site do NEDA-US)
ou um documento mais detalhado (45 págs) aqui.

10 dicas para treinadores e preparadores físicos

1. Leve a sério os sinais de comportamentos de distúrbio alimentar! Ataques cardíacos e suicídio são as causas de morte de pessoas com doenças do comportamento alimentar!


2.Se um atleta está cronicamente a fazer dieta ou manifesta comer com frequência abaixo do normal, encaminhe-o para um especialista em doenças do comportamento alimentar. (+ aqui)

3.Não enfatize a questão do peso, não pesando e não fazendo comentários sobre o peso. (+ aqui)


4.Não assuma que reduzir a gordura ou o peso irá aumentar a performance(+ aqui)

5.Eduque os treinadores e preparadores físicos para reconhecer os sinais e sintomas de distúrbios alimentares e entenderem o seu papel na prevenção(+ aqui)

6.Disponibilize aos atletas informação fiável sobre peso, perda de peso, estrutura física, nutrição e performance desportiva para reduzir a desinformação e para contrariar práticas não saudáveis. (+ aqui)

7.Enfatize os riscos para a saúde de um peso baixo, especialmente para as atletas com irregularidade da menstruação ou amenorreia. (+ aqui)

8.Compreenda porque o peso é uma questão tão sensível e tão pessoal para tantas mulheres.(+ aqui)

9.Não impeça automaticamente a participação se um atleta tem um problema alimentar, a menos que isso seja determinado pela condição clínica. (+ aqui)
10.Os treinadores e preparadores físicos devem analisar os seus próprios valores e atitudes em relação ao peso, à dieta, à imagem do corpo e como esses valores e atitudes podem, inadvertidamente afectar os seus atletas. (+ aqui)

Jan 21, 2011

...comer compulsivo, bulimia, anorexia


O comer compulsivo não é apenas comer demais da sobremesa preferida ou abusar numa festa de aniversário ou durante a época natalícia. Comer compulsivamente é comer quantidades imensas de alimentos (várias pizzas, tachos de arroz, kilos de gelados, etc.) e fazê-lo regularmente. Geralmente os doentes comem sozinhos pois ficam envergonhados de o fazer em público e sentem-se muito mal e culpados depois.  
Um estudo de 2007 efectuado por psiquitras da  Harvard Medical School (aqui) concluiu que o comer compulsivo era ainda mais comum (nos Estados Unidos) que a anorexia e a bulimia afectando 3,5% das mulheres e 2% dos homens.[nota do esquecia a ana: estes distúrbios alimentares encontram-se com alguma frequência associados, em simultâneo ou em sequência]
Para conhecer sintomas e recomendações veja aqui em inglês e nos links associados.
(texto elaborado a partir de notícia publicada na CNN online em 20 de Janeiro 2011) 

Nov 21, 2010

... o que já sabemos sobre a anorexia, bulímia... ( " What we already know" )

O que JÁ sabemos...O título de uma página do King's College de Londres, com muitos recursos sobre doenças do comportameno alimentar (DCA; TA no Brasil) é elucidativo.
Alguma informação também para os cuidadores, familiares, ... (em várias línguas, infelizmente com algumas traduções bastante imperfeitas)

Nov 18, 2010

... emoções e anorexia

Está disponível na página da European Eating Disorders Review (aqui) o resumo e artigo publicado por uma equipa de investigadores portugueses. Já temos noticiado neste blogue anteriores trabalhos de alguns autores como por exemplo Sandra Torres (aqui O Corpo e o Silêncio das Emoções e aqui).
O processamento cognitivo das emoções na anorexia nervosa.(Torres S, MP Guerra, L Lencastre, Roma-Torres A, Brandão I, C Queirós, Vieira F.)
Resumo (tradução do original inglês)
OBJETIVO: Este estudo pretende explorar o processamento cognitivo das emoções na anorexia nervosa (AN), com base no estudo das emoções sentidas e avaliação das capacidades meta-emocionais.
MÉTODO: Oitenta pacientes com AN e um grupo de controle de 80 mulheres saudáveis foram analisadas em relação à depressão, ansiedade e alexitimia [nota de esqueciaana alexitimia significa incapacidade de identificar ou expressar emoções] e executou uma tarefa experimental para analisar a experiência emocional e as capacidades meta-emocionais.
RESULTADOS: Apesar de apresentarem níveis mais elevados de alexitimia, as participantes com AN demonstraram que eram capazes de imaginar as emoções em situações hipotéticas e de as identificar e classificar. O grupo de pacientes com AN revelou sentir de forma mais intensa e interna emoções negativas, em comparação com o grupo de controle, mas este padrão emocional tende a ocorrer em situações associadas à alimentação e ao peso.
CONCLUSÕES: Os resultados sobre as capacidades meta-emocionais não sugeriram um déficit global no processamento emocional, mas sim sensibilidades específicas relativas a situações relevantes para a AN.
foto flickr cc : (aqui)

Nov 14, 2010

... ensino relativo à anorexia e bulimia (Universidade de Cardiff)

Na Universidade de Cardiff ( País de Gales, Reino Unido) vai ser lançado um curso sobre bulimia e anorexia. Pode ser frequentado como um módulo autónomo ou integrado no MSc in Advanced Practice (ensino pos graduado). Centra-se em quatro domínios: avaliação e motivação, diagnóstico, programa de tratamentos e gestão do risco. Tem uma aproximação multidisciplinar envolvendo médicos, investigadores, doentes com doenças do comportamento alimentar (DCA) e cuidadores. + informação aqui e aqui.
Na mesma universidade encontram-se disponíveis recursos informativos sobre a anorexia e a bulimia nas seguintes páginas:

Em Portugal existe investigação cujos resultados estão publicados em teses e revistas científicas (de que vamos dando notícia no esqueciaana). Existem equipas que investigam as doenças do comportamento alimentar (DCA) pelo menos nas academias do Porto, Coimbra e Lisboa.

Pedido aos leitores de Portugal: enviem-me a informação que possuam (ficheiros, sites, links) sobre o ensino das doenças do comportamento alimentar (DCA) nas Faculdades de Medicina (e outros estabelecimentos, como as Escolas Superiores de Enfermagem). Fica a promessa de divulgação. Endereço:  esqueciaana@gmail.com